terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ode às Mamas

Mamas. Sim, mamas. Não falta o til. (pronto, 20 leitores já ficaram curiosos).
"Seios" ou "peitos" para os púdicos das bochechas coradas.  
Ou "melões", numa alusão gastronómica e, diria, pouco requintada. (20 leitores ainda estão a ler)
Ou "tetas", numa linguagem, vá, bardajona (acabámos de conquistar 200 leitores masculinos e perdemos as mulheres com classe).
É à vontade do freguês, usem a nomenclatura que mais gostarem, não queremos saber da vossa vida privada.

Agora, espantem-se, mamas todos as temos! Não! Como?! Não é possível!...
Mas as mamas das grávidas ascendem a um patamar quase intocável. Intocável em todos os sentidos. Abundantes, protuberantes, redondas, dignas de culto e adoração. Dignas de um retrato de um pintor renascentista. 
Intocáveis também porque, meus senhores, são interditas! Nos primeiros tempos são proibidas! Ouviram bem? Pois que o crescimento súbito das tão desejadas mamas, se faz acompanhar, muitas vezes, de dor - como se de vidrinhos a partir se tratasse - excessiva sensibilidade ou comichão. Ora, limitem-se a contemplá-las e a fantasiar com elas. É injusto? Coitadinhos, estão ali tão à mão, não é? É como tirar o chupa-chupa a uma criança?... Temos pena, aguardem uns meses.

Depois desta fase, há um tempo em que da contemplação se pode passar à acção, mas é um lusco-fusco. 
Nove meses depois de tão maravilhosa transformação, meus senhores, as mamas passam a ser cada uma de sua nação. Uma é a Alemanha e a outra o Liechenstein. Uma é o Rossio, a outra a Rua da Betesga. Eu explico: uma está cheia de leite, a outra acabou de ser esvaziada pelo bebé.
Além disso, as mamas deixam de vos "pertencer". Podem tentar arranjar um espacinho no calendário, ali algures entre as mudas da fralda e a pilha de roupa para passar, mas, acreditem, o bebé vai ter prioridade. E nem vale a pena chorarem.

Um dia, terão livre trânsito novamente. Mas quando esse dia chegar, as mamas fartas e luzidias já deram lugar a uns saquinhos de chá. Murchas, penduradas e provavelmente raiadas de tanto terem esticado. 

Mas é aí, meus senhores, que se vê quem é um homem a sério. Se escolhem olhar para aquele corpo como o mais maravilhoso e complexo, capaz, salvo raras excepções, de alimentar o vosso filho ou se escolhem olhar para ele como um trapo.
É aí, meus senhores, que se escolhe entre olhar para a mulher como fonte de inspiração, desejo e orgulho ou entre cair na monotonia e desejar a galinha da vizinha. Entre celebrar a vida e cobiçar a (sempre melhor) vida alheia. 
É aí, mulheres e mães, que a cabeça se deve erguer. Somos mulheres. Mamas pequenas, grandes, descaídas, pingadas, com estrias: o que é que isso verdadeiramente interessa? Somos mães, damos o melhor de nós. Somos orgulhosamente mulheres.

Mamas são mamas. Mas mamas não são só mamas. São símbolos, merecedores de respeito e admiração. Respeitem as mamas das vossas mulheres. Ou os seios. Ou os peitos. Mas respeitem-nos. Desfrutem deles.
Viva às mamas! Viva! Urra! Urra!

Sara-a-dias


P.S. Obrigada à Sara-a-dias pela ilustração fantástica. Tudo igual, até o tamanho das maminhas.

10 comentários:

  1. eheeheh, não preciso de dizer que gostei!!!! yeah!!!
    bjis

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  2. Eu li até ao fim... quer dizer que não sou uma senhora com classe? :P
    Muito bom, sim senhoras!
    (Mariana Ricardino)

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  3. Um dia após dar de mamar, o marido olha para as minhas mamocas, faz um grande sorriso e diz: quando deixares de dar de mamar, as tuas mamas vao ficar como (tinha a mama esquerda vazia, toda descaida, e a direita cheia de leite, toda redondinha)? Olho para ele, olho para as mamas e digo: vao ficar como a esquerda. O ar de decepçao dele foi igual a quando uma criança ve o seu brinquedo favorito partido.

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  4. Maravilhoso! :D
    Muitos parabéns pelo blog! Estou a contar com muito boa disposição. ;)

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  5. Ahahahahaha opá a sério, vocês são demais!

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