quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tenho vergonha, mas dói.

Tenho vergonha, mas dói. Deveria ficar só contente pelas tuas proezas, mas quanto mais cresces, mais distante ficas do meu colo, mais perto ficas de me contestar e de sair de casa.

Tenho vergonha, mas dói. Começou por te ver com uma chucha. A ti. A ti que viveste em mim durante tanto tempo. Em vez de só dependeres de mim, passaste a mamar num pedaço de silicone.

Tenho vergonha, mas dói. Já não fazes aqueles barulhos de quem aprendeu a respirar há pouco tempo enquanto dormes. Os teus pulmões já sabem viver. Fui substituída pelas tuas entranhas.

Tenho vergonha, mas dói. Dói ao ponto de me caírem lágrimas enquanto escrevo isto. Cada dia que passa é mais um do qual vou ter dificuldade em me lembrar com exactidão de como és agora. Ou agora. Ou agora. Não há fotografias que cheguem.

Tenho vergonha, mas dói. As tuas fraldas mudaram de cheiro. Já não mamas o dia inteiro. Até já comes carne. Qualquer dias deitas o nosso último cordão umbilical físico fora: as nossas maminhas.

Tenho vergonha, mas dói. Já te irritas de estar deitada. Queres sempre que te sente. Agora já decides em que posição ficas? Qualquer dia não dormes cá.

Dói ter noção da passagem do tempo, do teu crescimento e da minha incapacidade de tatuar cada teu respirar em mim. Por mim, não crescias. Por mim, crescias muito devagar. Por mim (confesso), voltavas para aqui. Aqui. E começava tudo de novo. Quero tudo de novo.

Tenho vergonha, mas dói. Já puxas a corda à caixinha de música para adormeceres sozinha. Já não precisas de gritar para eu ir aí ter contigo.

Tenho vergonha por não estar só contente.

Podes parar só um bocadinho?

Adormeceste, mas até a dormir cresces. Pára.

Pára.

13 comentários:

  1. Eu compreendo. Mas és tão dramática! Aposto que não queres que a Irene fique um Nenuco para sempre! Além disso, o facto de ela se estar a desenvolver bem, dentro da normalidade, quer também dizer que és uma boa mãe! Pumba! Foi o miminho do dia! Xi-coração!!! LY :) :P

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  2. Exagerada? Quem? A Joana Gama? Nãoooo, nada. Ou secalhar, sim muito! É tão bom vê-los crescer. Vê-los a serem cada vez mais crescidos. Adoro cada conquista, cada meta atingida. Cada dia, cada fase é melhor que a anterior. Joana, sua mãe galinha! A Joana vai ser daquelas mãe que a filha diz: "mãe posso sair à noite?", resposta: "claro filha, onde vamos?". Gosto de ti miuda. Tas a ser uma mãe 5 estrelas!

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  3. Sinto me assim quando vou guardar as roupas que já não lhe servem , principalmente quando guardei os 1° conjuntinhos de recém nascido <3

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  4. Drama de [todas] as mães: ADORAR vê-los crescer... e ODIAR vê-los crescer.

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  5. Concordo inteiramente!! Ainda agora fez 2 meses e já sofro desse mal! Mas há momentos qe nunca me hei-de esquecer!!
    O momento em qe a puseram em cima do meu peito ainda toda suja!
    A primeira mamada!
    Adoro o olhar dela quando lhe vou dar de mamar!
    A maneira como com as suas mãozinhas rechonchudas agarra o peito como quem diz "és meu!" São momentos impagáveis impossíveis de esquecer!
    Os primeiros sorrisos!!
    As primeiras "conversas"..
    E o cheirinho a bebê!! E a pele tao suave!!

    ADORO e ODEIO ve-la crescer!
    :')

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  6. Sinto o mesmo, muitas vezes. Adorei vê-la quando começou a gatinhar, ou quando começou a palrar. Adoro vê-la no banho a sorrir para mim. Adoro a cumplicidade dela, os olhares marotos. Perceber que me ama tanto.
    Mas custa, custa saber que a memória me vai atraiçoar. Valha-nos os vídeos e fotografias, mas não têm cheiro, nem o toque. E são Passado.

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  7. .. e eis quando se avança para o aumento da frateria :)
    http://quatrobarrigasfelizes.blogspot.pt

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  8. Também sinto isso e pior, dou por mim a pensar que como já vou no 2º e não pretendo ter mais, não vou voltar a ter está experiência e cada vez que penso nisso e em como ele cresce tão rápido, tenho vontade de chorar....

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