segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Fotos dos filhos na internet.

Acho que é normal sentir-se que não se deve publicar fotografias dos filhos na Internet. Acho que o mais normal é mesmo sentir que é tudo demasiado íntimo para estarmos a expor a tudo e a todos. Foi o que senti. Ainda na maternidade, no primeiro dia de internamento, queria fazer um post na minha página de facebook "profissional" (é esta, daí eu por o profissional entre aspas) a dizer que estava bem, que a Irene era magnífica, que estava tudo maravilhoso (apesar de, claro, não estar). Não achei que devesse publicar uma fotografia dela. Que nojo ter essa vontade de quebrar as barreiras de intimidade de um ser que nem um dia tem e publicar uma fotografia dele para todo o público ver. Ganhei uns tomatinhos (coagida por mim própria, que estupidez) e lá publiquei esta maravilha: 


A minha cara não é assim e não me refiro ao filtro. Pelo meu ar, parece que fui eu a ser parida e não a minha filha.  Ainda tinha eu a boca a saber a sangue (não sei porquê, mas é verdade) e ainda a miúda estava por ser lavada à séria. Velhos tempos. 

Já agora, um à parte (vou tentar que não seja tão longo como os da Teresa Guilherme), tive a Irene num hospital público e foi tudo espectacular à excepção da falta de apoio à amamentação - forte encorajamento do leite artificial, não tendo tempo para se dedicarem a mim e à Irene também-  e a questão do meu marido não poder ficar comigo. Sentimo-nos ambos muito, muito sozinhos (claro que me estava a borrifar para o que ele sentia na altura ou deixava de sentir). 

Como vêem na fotografia, a Irene está protegida. Foi isso que senti, além de não saber o que é que o Frederico queria fazer com essas questões das fotografias. Eu já estava numa luta interna enorme, porque sempre fui de partilhar tudo o que fazia (e a Irene é algo que eu fiz, certo?). Sou daquelas que tira fotografias aos ténis novos, à comida, às amigas (era menos uma e já não era verdadeiro usar o plural hehe), etc. Como é que agora, com a coisa mais preciosa do mundo, a mais bonita de se ver, iria conseguir restringir-me? Durante quanto tempo conseguiria ser criativa ao ponto de lhe tirar fotografias sem que se percebesse como é que ela era? 

Depois pensei. Sim, pensei. Aconteceu. Pensei e não consegui perceber o porquê de não se publicar as fotografias dos nossos bebés na internet. O meu caso é um pouco diferente porque, numa das minhas páginas, tenho mais de 20 mil pessoas, por isso estou mesmo a torná-la pública, mas e então?

É suposto que nos nossos perfis normais só tenhamos gente conhecida, gente em quem confiemos, certo? Mesmo que assim não seja, há maneira de restringir quem vê as nossas publicações através das listas ou mesmo escrevendo o nome das excepções. 

... mas e mesmo que vejam as fotografias dos nossos bebés?

Não consigo perceber. Os pedófilos poder-se-ão rebarbar com eles? Verdade, mas e então? Vão fazer-lhes mal? Não consigo publicar fotografias sugestivas da Irene, mas também não é meu hábito tirá-las.

Se publicar fotografias da minha filha, ela vai ser raptada? Por quem? Por terem visto fotografias dela na Internet? Como assim? Os miúdos que fazem publicidade nos catálogos de roupa são os que estão mais em perigo?

Cuidado com os emblemas das creches e isso. Porquê? Vão lá buscá-los e as educadoras de infância dão os bebés a quem apareça?

Não estou a ridicularizar os medos, também os tive, mas não os soube explicar a mim própria e a minha vontade de estar à vontade foi maior. 

Nem eu, nem o meu marido conseguimos materializar os nossos medos no que toque a essa questão. 

Alguém consegue? Sem ser só com os argumentos "eles andam aí", "e os pedófilos?"? 

Uma coisa mais concreta, por favor, em que efectivamente, publicar fotos da minha filha tivesse o efeito que alguém lhe pudesse fazer mal. 

Adorava que me fizessem mudar de ideias.

Há sempre uma parte de nós que não tem certeza, não é? 


14 comentários:

  1. É temor q nunca me/nos assistiu, confesso. Fizemos e temos um blog desde a 1a filha (agora já são 4) e foi sempre de domínio publico ate ter descoberto um/uma descompensado qq a clonar-nos a existência. Ai privatizei pq assustou (muito). Mas com imensa pena. A exposição (nao, nao fazemos nudismo) nao me parece mais que natural. Contra natura é sim, na minha opinião, começar se pela retração. Nao é bom existir se na defensiva q achamos precisar e existir na sombra, só porque.

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    1. Será um instinto protector antigo? Se a cria estivesse sempre escondida dos outros... nada nem ninguém lhe poderia fazer mal... ?

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    2. É capaz, todavia nunca senti. Assumo q nos partilhamos com o mundo no mero sair a porta da rua, sei la eu se alguém escondido nos cusca ou fotografa. Ou com q intenção. Mas nao me deixo dominar por tal. Sem razão para alarme nao me irei pautar por opiniões alheias, e como tal vou ilustrando as nossas palavras com a nossa imagem :)

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  2. adenda: ano passado demos entrevista na qual tínhamos os miúdos todos connosco, na qual fiz questão, e pq se abordava justamente a família, destacar o colégio deles, e q é assim qq coisa de extraordinario e meretorio de referência e agradecimento, e ate a data nenhum tarado lhes apareceu no portão ou correspondência sinistra a procura-los..

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  3. Respondendo às perguntas do texto: Sim, alguém pode "referencia-la" e decidir raptá-la ou fazer-lhe mal. Os miúdos nos catálogos ninguém sabe quem são, mas num perfil de uma qualquer rede social é muito fácil localizar a criança. Qualquer das formas, eu também mostro os meus filhos e recuso-me a viver com medo. Opto por fotografias controladas e pensadas (não publico nus ou que identifiquem escola/morada).

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    1. Continuo sem perceber muito bem. Mesmo que a referenciem ou localizem, ela estará sempre comigo ou com o pai. O que poderão fazer? Claro, fotografias despida, não. E ninguém sabe onde moramos.

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  4. Deixei de publicar fotografias no oh porque o mais velho tinha um ano e num centro comercial uma desconhecida gritou: OLHÓ RODRIGO!!! Como o meu blog tem 50 visitas por dia e nunca estive na Casa dos Segredos achei aquilo estranhíssimo. Mas público no facebook e instagram em contas privadas que me dão uma falsa sensação de segurança. A internet é para todos e para sempre ;)

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    1. Isso deve ser assustador sim, compreendo... Até me fez pensar um bocadinho...

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  5. A mim enervam-me profundamente os histerismos em geral, e esse é mais um deles. Publicava fotos no facebook do meu filho para os meus amigos. Poucas, mas ainda assim achava giro partilhar a minha alegria, naquela de ingénua totó do «aaaah, são amigos, vão gostaaar». Pois, mas esta gente e toda histérica, e em vez de gostaaaar, foi mais criticaaaaar. Ah e porque eu não publico, nem nunca publicarei, e a Ana anda para aí a expor o filho, e agora vê lá se também pões isto no facebook... Resultado, fiz uma divisãozinha interna consoante a pessoa seja histérica ou não histérica. Os histéricos estão qualificados como simples «conhecidos» e por isso não acedem a fotos de ninguém, nem minhas nem dos filhos, nem dos enteados, nem do marido, nem do cão. Ficam com paisagens e notícias que é por causa das coisas. Os não histéricos então têm direito a que eu partilhe com eles os bons momentos da minha vida. E pronto. No blogue, aí corto sempre a cabeça aos putos, ahahahaha. E ponho marca de água nas fotos com o logo do blogue. Sim, porque de facto existe gente louca, e não louca, que na melhor das intenções pode fazer uma pesquisa tipo «bebé fofo» no google imagens, apanhar uma foto do meu filho, copiar /colar no site e já está. Por isso no blogue, como é público, é preciso mais cuidado....

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    1. Histéricos é bom. ;) Espero que não venha aqui um conhecido seu que só leve com as paisagens, senão fica a saber que é histérico! haha ;)

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  6. uma pessoa q ate tem a casa a venda dizer q ninguem sabe onde mora!!!ups!descuidos ha sempre!a miuda pode eatar sob vigilancia 24h por dia mas se alguem tiver realmente mal intencionadp consegue ppr exemplo rapta_la ;)

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  7. Antes de mais Muitos Parabéns pelo blog, está espectacular :)
    Quanto ao publicar as fotos do filho na internet, eu sou contra. Há pessoas muitas maldosas e assim estou mais descansada, não consigo explicar. Mas melhor mesmo, são os colegas de trabalho que mal nos falam a perguntar
    - E então quando trazes o bebé para nós vermos? Meu Deus qual é o interesse?
    Medo, muito medo.

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  8. Não publico fotos do meu macaquinho, só a mostrar partes do corpo ou um corpo sem cabeça! Ia dar razões mas dou apenas uma: Esse anónimo assustador por exemplo!!

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  9. Não publico fotos do meu macaquinho, só a mostrar partes do corpo ou um corpo sem cabeça! Ia dar razões mas dou apenas uma: Esse anónimo assustador por exemplo!!

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