sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Força, suas leiteiras! (#02)

... vamos a isto?

A missão de informar mamãs que optem por amamentar é complicada, mas nem A Mãe é que sabe nem a CAM Patrícia Paiva nos importamos com isso!

Aqui está o preambulo da entrevista que começou neste post:

Estarmos informadas sobre a amamentação serve para podermos ser uma fonte de apoio para as mães que optem por amamentar e que possam passar por algumas dificuldades (nem sempre há problemas).

É também muito importante para não sermos repetidoras de informação incorrecta, porque tal pode ser o factor decisivo para a desistência de algumas mães.

A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses. Além de estarem provados os benefícios da amamentação prolongada (com desmame natural), a OMS também sugere a amamentação até, pelos menos, os dois anos de idade.

A questão é: serão as possíveis dificuldades na amamentação que provocam tantas desistências ou será a falta de informação?

Para tentar ser mais produtiva neste assunto e com a ajuda de uma amiga (Patrícia Paiva, co-fundadora do projecto Mamar ao Peito cujo site está cheio de informação útil):


11 - Quanto tempo demora o leite a secar?

Isso vai variar muito de mulher para mulher, o que é importante reter é que enquanto o bebé mamar frequentemente o leite não seca. O que muitas vezes acontece é que ao pensar que a produção é baixa, a mãe introduz outro leite na alimentação do bebé e, por isso, o bebé mama menos e consequentemente a produção diminui, até desaparecer. E mesmo quando este deixa de mamar completamente, há mulheres que relatam que demora mais de 6 meses a secar totalmente.

12 - Se se mantiver a amamentação em exclusivo até aos 6 meses, existe a possibilidade de haver "falta de leite"? 

A produção de leite depende da frequência e eficácia das mamadas, ou seja, se o bebé mamar bem, com uma boa pega e frequentemente, o leite vai acompanhar as suas necessidades e aumentar conforme o bebé vai precisando de mais leite. Por isso é que há alturas em que parece que as mães não fazem mais nada a não ser amamentar o dia todo, porque essa é a única forma que o nosso corpo tem de aumentar a produção de leite. Se as mães tentarem espaçar as mamadas ou evitarem amamentar de noite enquanto o bebé precisar, isso pode interferir com a produção de leite e efectivamente pode haver falta de leite, mas a boa notícia é que é um processo reversível, sendo apenas necessário aumentar o número de mamadas e corrigir qualquer questão técnica que possa estar a intreferir e com algum tempo a produção de aumenta.

13 - É possível estimular a produção de leite?

Sim, tal como referi na questão anterior, a produção depende do estímulo e o melhor estímulo é o do bebé a mamar directamente na mama, com o máximo de contacto pele-a-pele possível e claro, com uma pega eficaz. No entanto, nem sempre isto é possível, por vezes os bebés não sabem ou não podem mamar logo de início, como no caso dos grande prematuros, ou até mesmo em casos de adopção. Para estes casos, existem outras soluções, como a extracção manual ou com uma bomba, porque quanto mais leite sair, mais o nosso corpo vai produzir. Há muitas mulheres que não sabem isto, mas com o devido estímulo, pode-se amamentar sem nunca ter estado grávida, porque apesar das hormonas da gravidez e parto ajudarem muito na amamentação, estas podem ser estimuladas de outras formas.

14 - É verdade que, quando se volta ao trabalho, se interrompe a amamentação?

Infelizmente muitas mulheres o fazem, porque acham que é impossível conciliar as duas coisas, ou simplesmente porque alguém lhes disse que é mesmo assim. Contudo, já acompanhei várias mulheres no regresso ao trabalho e que conseguiram amamentar com sucesso. Algumas com horários e trabalhos muito complicados, mas com muita força de vontade e algumas dicas e apoio conseguiram manter a amamentação durante o tempo que quiseram.

15 - É por amamentar que os bebés acordam mais durante a noite?

Todos os bebés acordam durante a noite, ponto. E a maioria acorda várias vezes até por volta dos 3 anos de idade, o que pode ser explicado pela sua necessidade instintiva de confirmar que têm alguém por perto, que não estão sozinhos… Entre os bebés que acordam várias vezes durante a noite temos aqueles que readormecem sem precisar de nada ou de ninguém, e muitos pais nem sequer sabem que eles acordaram, temos outros que precisam apenas de contacto, conforto, calor, colo, de ser embalados, e temos outros que precisam de mama, seja porque têm fome e efectivamente precisam de leite, seja porque assim recebem o contacto e o calor da mãe, qualquer um dos motivos é válido e deve ser atendido enquanto a criança precisar. Há bebés que não mamam e mesmo assim acordam, e alguns apenas readormecem se beberem um biberão de leite. Agora, se há mais amamentados que acordam de noite do que não amamentados, sinceramente não sei, mas acredito que sejam mais as mães de bebés amamentados que se preocupem com essa situação, porque normalmente é algo que as faz duvidar da quantidade ou qualidade do seu leite. Mas as mamadas nocturnas são importantes e podem ajudar a manter a amamentação, principalmente quando a mãe regressa ao trabalho e o bebé precisa recuperar de noite o que não mamou de dia, e além disso ajuda-o a matar as saudades da mãe.

16 - Quando os bebés mamam muito e muitas vezes de seguida é por falta de leite?

O recomendado é que os bebés mamem quando querem, porque esta é a única forma de garantir que recebem todo o leite que precisam. Por isso, há alturas em que parece que mamam mais, e mais vezes, mas isto não significa que a mãe está com menos leite que antes, simplesmente significa que o bebé está a crescer e por isso precisa de mais leite que antes e essa é a única forma que têm de aumentar a produção, ou seja, aumentando o estímulo. Normalmente chamamos a isto de picos de crescimento, que ocorrem várias vezes ao longo do desenvolvimento dos bebés, e é uma questão de dias, até se conseguir aumentar a produção e voltar ao normal.

17 - Existe a relactação ou é um mito?

Sim, existe, eu própria já acompanhei alguns casos, e basicamente trata-se de uma mãe que deixou de amamentar por algum tempo e quer retomar a amamentação. Este pode ser um processo que pode demorar alguns dias, ou semanas, dependendo de alguns factores como a quantidade de leite que a mãe ainda tem, ou a idade do bebé e a facilidade com que volta a pegar na mama da mãe.

18 - Uma mãe com mamilos invertidos ou rasos tem condições para dar de mamar?

Sim, porque o mais importante não é o mamilo. No final da gravidez ou após o parto, os mamilos normalmente ficam mais salientes e mesmo que não fiquem normalmente é possível formá-los com a ajuda do bebé para que a pega seja mais fácil. Mas o mais importante é as mães perceberem que a amamentação não depende do tamanho da mama ou da saliência do mamilo, que deve apenas servir como ponto de referência para o bebé pegar, mas sim com a pega correcta que deve ser estimulada desde o início e que normalmente os bebés conseguem fazer sozinhos, se lhes for dada essa oportunidade e desde que não haja interferências (biberões, chupetas, mamilos de silicone). O ideal será que seja dada oportunidade ao bebé de mamar assim que nasça, e que seja dado tempo e espaço à mãe e bebé para se descobrirem e encontrarem a sua melhor posição para mamar. Se após algumas tentativas, ou se mesmo depois de alguns dias o bebé continuar sem conseguir fazer uma boa pega, o que normalmente é identificado por dor ao amamentar, pode ser necessária alguma ajuda especializada para tentar corrigir a pega e melhorar a situação.

19 - No caso de uma mãe fumadora, se não conseguir deixar de fumar, é melhor não dar de mamar?

Apesar de se achar que sim, essa informação não está correcta, segundo vários estudos efectuados. O bebé de uma mãe que fuma vai sempre ter a probabilidade de estar em contacto com o fumo do tabaco, quer esta amamente ou não. O ideal seria não fumar, obviamente, mas para o bebé é mais prejudicial ter uma mãe que fuma e beber leite artificial, visto que este não protege o bebé dos efeitos da exposição ao tabaco, do que ter uma mãe que fuma e beber leite materno, que o protege contra os malefícios do tabaco.

20 - Há mães que referem que dar de mamar é como estar numa prisão. É precisa muita disponibilidade?

Eu penso que é preciso muita disponibilidade para se ser mãe, mas não considero que ser mãe seja uma prisão. Mas respondendo à tua pergunta, penso que enquanto o leite materno é o único alimento do bebé, nos primeiros 6 meses, é normal que a mãe se sinta muito requisitada, mas é algo que a maioria das mães aceita sem grandes problemas pois elas próprias têm dificuldade em afastar-se do bebé. Conforme o bebé vai crescendo, e vai conhecendo outros alimentos, torna-se mais fácil a mãe deixá-lo com outras pessoas mas também o pode fazer antes desde que seja com alguma organização e extraindo o leite para deixar para o bebé. Eu penso que muitas mães associam a amamentação a uma prisão porque acham que não se pode comer nada, nem ir a um jantar com amigas e beber um copo, mas essas informações não estão correctas. Pode-se comer de tudo moderadamente, e se tiver efeitos no bebé para a próxima comemos menos ou evitamos por uns tempos, e em relação a beber um copo, se não for uma grande quantidade basta não amamentar nas horas seguintes, e se a mãe quiser beber mais basta organizar-se e extrair leite para uma ou duas refeições do bebé.

9 comentários:

  1. Até aos 3 anos é válido querer mamar ou ter biberão mesmo sem fome ou necessidade de se alimentar? Ainda mais no caso de uma mãe que trabalhe?! Muito bonito mas pergunto-me como ficará uma mãe que durante três nos não durma uma noite...
    Acho desumano. Tenho um bebé de quase seis meses e só agora é que começou a dormir à noite e posso dizer que já não andava a funcionar bem da minha cabeça, o cansaço toma conta de nós... O meu marido o mesmo. O nosso pediatra garantiu-nos que basta uma noite mal dormida para o cérebro e o corpo darem respostas anormais. Imaginem 6 meses, imaginem 3 anos. Gostei dos conselhos. Obrigada Joana pela entrevista mas tinha de comentar esta parte. Amo o meu filho mais do que tudo, assim como acredito que todas nós amemo

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  2. Sofia, o que escrevi foi que é normal as crianças acordarem de noite, isso não significa que seja sempre por quererem comer, apesar de alguns terem sim essa necessidade. Também não significa que a mãe fique 3 anos sem dormir, porque felizmente o nosso corpo habitua-se a acordar várias vezes e a readormecer mais rapidamente, conseguindo algumas horas de sono reparadoras.

    Quando uma mãe regressa ao trabalho torna-se realmente mais complicado, é verdade, mas a culpa não é do bebé acordar muitas vezes, mas sim da mãe regressar ao trabalho muito cedo... É claro que é necessário, e infelizmente muitas de nós não tem possibilidade de ficar com os bebés em casa até estes deixarem de acordar de noite, mas para isso também há outras soluções, entre elas dormir com o bebé mais perto, no berço ao lado da cama ou compartilhando a cama com a mãe, e assim todos descansam mais.
    A partir do primeiro ano, se a mãe achar necessário pode também tentar fazer um desmame nocturno, que significa tentar que o bebé readormeça sem precisar de mamar, isso não significa que o bebé não acorde, pois tal como referi isso faz parte do seu instinto de sobrevivência, mas deixa de precisar da mãe para readormecer e assim a mãe pode conseguir algumas horas de sono seguidas!

    Patrícia Paiva,
    Conselheira em Aleitamento Materno

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  3. Mas que constatação desumana a sua Sofia Cabrita, então se o bebé quer conforto com LM ou LA não lhe vai dar, é isso?. Se não é, esclareça, porque ninguem duvida da capacidade de os pais amarem os seus filhos mas mesmo os não amamentados dão noites complicadas aos pais...Gosto tanto de mães e pais que querem ter filhos e depois não querem o que 'o bolo inteiro' de se ser mãe e pai... Faço votos que o seu filho durma bem, sempre mas aviso-a que o percurso dele não vai ser tão linear assim, o meu 1º filho também o era desde os 3 meses (amamentado a LM) e agora com 3 anos os pesadelos nocturnos estragam-lhe os sonos...
    Susana

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  4. Mais uma vez parabéns :) não podia concordar mais com a Patrícia. Relativamente ao acordar de noite, isso vem com o pacote de ter filhos, e não com o LM ou o LA. Quando a minha filha for as primeiras vezes pra noite, senão todas, tenho a certeza que não vou dormir enquanto ela não chegar a casa e nessa altura era não beberá LM, nem LA, e espero que nem LV.

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  5. Anónimo(a), não me viu escrever que não lhe dou conforto, de que género seja. Nunca escrevi isso, até porque o meu bebé continua a acordar pelo menos uma vez. A diferença é que basta colocar a chucha e já não necessita de biberão. Não previsava de dizê-lo mas, se quer ouvir, amo o meu filho e por isso vou lá. Há mães que optam por não ir e nunca me atreveria a dizer que não amam, mas isso sou eu. E aceito o tal pacote inteiro, como muita gente gosta de chamar, e obviamente vou cá estar para tudo. O meu filho, para além das noites até agora em quE chegava a acordar a cada 40 minutos, sofria de refluxo. Alimentei-o, até há três semanas atrás, praticamebte durante as 24h por dia e com 3h de sono ou 4h por vezes e repartidas. Foi muuuito desgastante mesmo ver o meu filho a sofrer e não poder ajudá-lo. Só eu sei as lágrimas que chorei nas 12h por dia que passo sozinha, porque não vivo em Portugal e não tenho família nem amigos por perto. Não chorei por estar sozinha mas sim por já não saber o que fazer para ajudá-lo. Não sei se alguém, se não fosse uma mãe com um amor gigante pelo seu filho e pronta a aceitar "todo o pacote do que é ter um filho", aguentaria. E ainda dar amor, carinho, brincar, ensinar, mimar. Hoje em dia graças a Deus tudo passou e ele já consegue comer normalmente :). Foi a melhor prenda que podia receber. Posto isto, o que quis dizer com as noites é que, pelo menos onde vivo, as profissionais de saúde aconselham o "desmame" da noite. Só o fiz agora quase aos 6 meses, também achei que já era mais hábito do que necessidade... E estava certa. Deixo logo mesmo de acordar para beber. Bastou uma noite. E aqui onde vivo até queriam referir-nos a um especialista para ensinar técnicas de desmame. Preferi tentar por mim. No entanto, em Portugal no natal, o pediatra disse-me que nenhuma criança com mais de três meses necessita ser alimentada à noite. O que acho é que podem haver outras formas de confortá-los sem depender do alimentar porque isso pode habituá-los ainda mais a acordar. Os bebés vivem de rotinas. O pedi também disse que quanto mais tarde retirarmos o hábito mais difícil será. Claro que uma dor de dentes, de barriga, etc obviamente vou acordar, confortar. Como ainda o faço. Mas quem disser que as noites sem dormir n prejudicam n pode estar a ser sincero. Eu nunca fui de dormir muito, e continuo sem ter essa necessidade mas confesso que acordar de hora a hora ou duas ou três... Durante meses é desgastante. E, por favor, quando leem comentários, não saiam logo a "medir" ou a julgar o amor de determinada mãe pelo seu filho. É uma ofensa fácil e perturbadora. Ninguém gosta e ninguém tem esse direito. Obrigada pelas respostas

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  6. Mais uma vez repito, ninguém está a "limpar-se" do famoso "pacote de ter filhos" até porque eu tive um pacote (filho, doença, parto, solidão, casa, etc, etc) bastante difícil e o meu filho nunca me viu baixar os braços ou perder o sorriso

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  7. Porque se falou em mamilos planos ou invertidos, eu tenho uma pergunta para a Patrícia Paiva. Porque foi o meu caso especifico e gostaria de saber como contornar a questão numa situação futura! Eu tenho mamilos invertidos, que não fazem bico de maneira nenhuma (tentámos várias técnicas sem sucesso), por essa mesma razão a minha bebé não pegava. Tudo o que tenho lido, vai ao encontro da partilha da Patricia, que não é impeditivo,que se tem de corrigir a pega e que os mamilos de silicone são desaconselhados, mas como se faz quando o bebé não pega (mesmo, nada de nada)?

    Infelizmente, e este meu comentário apresenta-se sem malícia ou desrespeito pelo espírito de entreajuda, o que vejo aqui (e noutros sítios semelhantes) é que existe muito enfoque em se falar nos benefícios do leite materno e do trabalho desenvolvido pelas CAM em linhas gerais mas muito pouca informação para casos específicos. Por exemplo, quando procuro informação sobre a questão colocada, a mesma é sempre muito semelhante em linhas gerais e teóricas e nunca sugestões com aplicações práticas (ou até mesmo exemplos de casos com sucesso). Fica a dica ;)

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    Respostas
    1. Olá, anónimo!

      Agradeço o feed-back, é realmente complicado darmos ajudas práticas para casos específicos porque normalmente eles são mesmo isso, casos específicos e cada caso terá a sua solução.

      O que lhe sugiro é que procure a ajuda de uma CAM (preferencialmente na sua localidade), na altura em que precisar ou até mesmo antes, para verificar o que se pode fazer atempadamente.

      Se desejar falar comigo, encontra os meus contactos no site mamaraopeito.webnode.com


      Patrícia Paiva,
      Conselheira em Aleitamento Materno

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