segunda-feira, 30 de março de 2015

Somos umas autênticas vacas?

Calma, isto não é um post em resposta àquele livro da outra senhora que diz que muitas mulheres se sentem umas autênticas vacas por amamentarem. Ando há quase 15 dias a dar o meu melhor para não me meter a escrever sobre isso. Não queria dar-lhe mais publicidade e, acima de tudo, não queria revelar novamente o meu lado muito pouco tolerante, principalmente a tentativas mal conseguidas de humor ou comentários leves não assumidamente humorísticos para não serem rotulados de fraquinhos. 

Ai, caramba. Queres ver que vai ser mesmo um post em resposta àquele livro da outra senhora que diz que muitas mulheres se sentem umas autênticas vacas por amamentarem? E que diz que o sexo piora quando se amamenta porque os homens deixam de nos mexer nas mamas? 

Eu juro que ia escrever sobre outra coisa qualquer, mas que agora não me lembro. Que raiva! 

Não, não, não e não. Não vou fazer com que mais pessoas vejam o vídeo da senhora no Você na TV, não quero fazer com que mais pessoas debatam esse tipo de separação entre mães que são assim e mães que são assado - apesar de eu ter uma opinião um bocadinho bitchy sobre o assunto, mas não quero dar. Aiiiii não estou a conseguir controlar-me. Vou dar? Não. Já da outra vez que fui estupidamente franca e transparente em relação às minhas crenças criei problemas e depois fiquei mal disposta o dia inteiro com a onda de ódio que se gerou porque, infelizmente, parece que discutir "maternidade" transmitindo-se opiniões é proibido. Estamos sempre a ferir susceptibilidades. 

É uma chatice. É uma chatice porque, acima de tudo, se lida muito com culpa e com orgulho. Queremos viver na ilusão de que tudo o que fazemos está certo ou que é o melhor para os nossos filhos. Se vem alguém dizer o contrário, estando nós inseguras, rebentamos. Se soubéssemos mesmo a 100% que o que estávamos a fazer era certo, não venham com coisas e não me venham dizer que reagiam igual. 

Acabei de me contradizer. Se me irrita o facto de não se poder falar à vontade de maternidade sem se ferir susceptibilidades em todo o lado, por que é que não apoio esta autora nas afirmações, aos meus olhos, parvalhonas? 

Tenho cá um feeling (que não passa disso) que a senhora "sabe é muito". A senhora sabe que iria gerar polémica fazendo essas afirmações parvalhonas e decidiu dar "o corpo ao manifesto". A primeira portuguesa a estar no Top 100 na Amazon tem de ter truques na manga. Não digo truques à la Sócrates, mas que não anda aqui a brincar, não anda. 

Conseguiu o que queria, é um facto. O livro se não vai ser muito mais vendido por causa disto, o blog dela será mais conhecido, mais visualizações, etc. E bem, nem que seja por ter ganho um elogio do meu marido que disse (quando a viu na televisão) que é uma mulher "bem gira". Já está a ganhar. 

Eu acho que se deve falar abertamente sobre a maternidade, mas com cuidado. Acho que devemos ser menos maricas quando lemos coisas que não nos agradam porque, no fundo, é assim que nos distinguimos umas das outras: pelos gostos e pelas as opiniões. 

O que já me enerva um bocadinho é o papel que aquele livro vai ter na cabeça de algumas mães menos informadas. Se já o que a vizinha nos diz nos influencia grandemente numa coisa tão importante como, por exemplo, a amamentação ou os horários de sono dos nossos filhos, um livro publicado e depois de anunciado na televisão que diz que amamentar dói, que piora o sexo, que nos sentimos umas autênticas vacas, etc, não me parece que vá fazer grande serviço público. Claro que a autora não se propôs a isso, mas não terá, pelo menos, equacionado? Ela sabia que ia causar polémica. Sabia porque o disse, mas e o impacto negativo noutras mulheres? Não importa?

Acho bem que queira libertar as mães que sintam que (era qualquer coisa como isto) "estar de férias com os filhos é melhor, mas sem eles a beber uma vodka numa ilha algures não fica muito atrás". Apesar de achar que essas mães, se realmente não se sentissem já livres, que não fariam esse tipo de coisas por terem receios das opiniões alheias ou até das suas próprias opiniões. 

Sinto que poderá ser um livro despropositado tendo em conta esta vaga de boa informação que tem havido ou que, pelo menos, me tenho apercebido ultimamente. Mais pessoas estão a saber mais sobre os bebés. Estão a perceber melhor os seus instintos, a aprender a contornar erros culturais milenares, estamos a tentar criar indivíduos mais seguros de si, mais amados, mais felizes. 

Cabe a cada uma encontrar não UM equilíbrio mas, o SEU equilíbrio para se sentir feliz (não temos de ser todas iguais). Uma autora que alega querer fazer com que as mães se sintam menos mal com elas próprias por não serem tão galinhas como as outras e acaba por chamar às mães que mais se dedicam (é o termo certo e não tem mal algum a não ser que haja culpa por aí) aos filhos, parece-me contraditório e palerminha. 

Não li o livro. Estou a morrer de curiosidade, por isso a Sra. fez um óptimo trabalho nas suas apresentações (fez mesmo, sem ironias). Porém, o que achei foi que se era para ter piada, não teve. Se era para ser engraçado, não foi.  Se era para criar bom ambiente, não criou. Se era para unir as mães e fazer com que fossemos mais solidárias umas com as outras, não uniu. Se era para vender, provavelmente venderá. 

O sucesso mede-se pelos objectivos propostos. Não sei quais foram ao certo os da autora, mas lamento que evidentemente não tenham sido os de ajudar todas as mães, mas só uma parte. 

Ia escrever que, se calhar, só se ajudou a ela própria, mas não li o livro. Na volta ainda há algum capítulo que tenha um pedido de desculpas pelo conteúdo, por ser tão totó. Diz que há um disclaimer na contra-capa a que avisa não ser indicado para as mães sensíveis e dedicadas (as tais aleijadinhas sociais) o que me faz querer que a senhora, além de blogger, terá ali também uma carreira em marketing/publicidade. 

Ah. Fui agora ver e é mesmo publicitária. Pena que, pelo vistos, tenha a publicidade sido o mais importante. O que é facto, e disso tenho experiência, é que para se ganhar dinheiro com livros é preciso vender muito. 

Ah! Fui ver agora e diz que o livro está cheio de humor e sarcasmo. Sarcasmo não é só tentar fazer humor, espezinhando uma das partes e não ter piada na mesma, mas isso digo eu que toda a minha carreira profissional se centra nisso (do humor) e não um "vaipe" que só agora se me deu. 

Acho que se queremos que a nossa melhor amiga se sinta melhor com ela própria, que não precisamos de dizer que a do lado parece um boi. Podemos tentar fazê-la rir sobre ela mesma, mas para isso é preciso ter talento.

Eu rio-me com coisas más. Têm é de ter piada. 

25 comentários:

  1. Estava a ver que não dizias nada hihihi...

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    1. Dei o meu melhor. A sério! E estava mesmo a escrever sobre outra coisa!

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  2. Agora quero saber quem é essa personagem... passou-me completamente ao lado até ler este post.

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  3. A sério, Joana? Menos, muito menos.
    Acho que o espetáculo que vocês fazem acerca do leite materno, ao invés de ajudar ajudar ajudar e desmistificar, cria uma guerra na cabeça das mulheres que ainda não são mais. Isto porque as mães que optam por não amamentar / não conseguem, não passam a vida a apregoar aos sete ventos que as mães que amamentam o devem deixar de fazer...
    Se as pessoas se soubessem controlar e não fossem tão obcecadas, isto tudo de que falas no post nem sequer tinha acontecido. Repara, foram precisamente as mães que defendem com unhas e dentes o aleitamento materno e que criticam desmedidamente a autora que a colocaram no centro das atenções.
    Manuela

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    1. *mulheres que ainda não são MÃES...
      Manuela

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    2. Curiosamente, nem uma nem outra :)

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  4. Curiosamente, nem uma nem outra :)

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  5. É curioso ler um texto deste tamanho e cheio de opiniões sobre um livro que não leu.

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    1. Foi uma boa apresentação na televisão sobre o seu conteúdo. ;)

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    2. Mais curioso ainda é a quantidade de posts que a Maçã dedica ao tema "criançada" quando nem sequer é mãe.

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  6. Mas qual é o livro?? Também não me apercebi..

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  7. Clap clap clap !! É de se tirar o chapeu Joana ! Disseste tudo, tim tim por tim tim ! O livro não tem propósitos de educar mas de fazer piadas em torno do que envolve a maternidade, sinceramente não lhe vejo interesse ou piada nenhuma. É uma espécie de Casa dos Degredos (ao inves de segredos) da maternidade onde se pode falar de tudo o que toda a gente sabe falar bem ou mal com ou sem conhecimento de causa ! Cada um é livre de comprar o que quer mas o meu recioso dinheiro prefiro-o gastar em outras coisas mais 'superfluas' como livros para o meu filho de 3 anos ou até nalgum brinquedo para o meu bebé de 5 meses.

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  8. Ontem folheei o livro na Bertrand e confesso que não percebo este alarido.

    Sou mãe, sou sensível, amamento, não gosto de gente idiota e aquilo que li até tem alguma piada. É banal. Não pretende ser informativo, nem pretende ser um meio de transmissão de conhecimento especializado, é a visão de uma mãe em particular que escreve sobre os temas de forma ligeira.

    Acho que por vezes aligeirar os assuntos e colocar as coisas de uma determinada perspectiva, mesmo que de forma um bocado infantil como poderá ter feito a autora, nos tranquiliza e nos faz perceber que, por exemplo, não somos as únicas a ter saudades de uma noite de borga ou as únicas a pensar que umas férias sem miúdos é que é bom. Não tem mal pensar nisto. Não é o fim do mundo. Não tem mal dizer que amamentar dói, em alguns casos. Eu preferi saber disto e estar preparada para esse desafio do que ser apanhada de surpresa. Não quer dizer que gostemos menos dos nossos filhos ou que se esteja a fazer a apologia do "não ser mãe" ou "não amamentar". Quer dizer que as coisas são como são e, tendo em conta o objectivo do livro, que não me parece que ambicione ser um manual de maternidade, mas antes um conjunto de crónicas light para ler na praia, não vejo que venha mal ao mundo.

    Beijo

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    1. Eu, que ainda não tinha vindo aqui manifestar a minha opinião, concordo contigo. E agradeço teres escrito isso mesmo, porque assim não tenho trabalho. Ehehe

      Beijinho

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    2. Compreendo tudo o que escreveste, se tivesse apenas folheado o livro e não tivesse visto a apresentação. Acho mesmo desnecessário chamar às mães mais dedicadas aos filhos de "aleijadinhas sociais". A diferença entre piada e ofensa está exactamente na piada. Claro que se deve dizer que dar de mamar doi no inicio, acho é que se pode fazer o contrabalanço. Na apresentação do livro não foi feita. Não tem só que ver com mamas. :)

      Mas dou-te os parabéns por teres sido mãe há tão pouco tempo e estares tão calminha ;) <3

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    3. Também percebo o que queres dizer, mas sentirmo-nos na obrigação de estar sempre a contrabalançar e a ressalvar tudo o que dizemos alusivo à maternidade, parece-me extremamente maçador. Achar que o termo "aleijadinha social" é uma ofensa gratuita e não conseguir "rirmo-nos" da expressão ou pelo menos tentar perceber a perspectiva dela, também me parece extremista. Anda tudo muito stressadinho, sim, pelo que li na caixa de mensagens do FB da autora.
      Eu, amamentadeira até aos 9 meses da criança (muito pouco para algumas mães), também já andava fartinha de tirar leite com a bomba, e também me referi a mim como uma vaca, não num tom pejorativo, mas divertido. Ou quando conseguia tirar 310ml de leite de uma só vez. Sei que não foi esse o contexto, mas se ela se sentiu assim, e se falou com pessoas que também se sentiram assim... O mal foi ter generalizado, foi isso? Porque "nem todas" bla, bla... lá está a obrigação moral, o dever de fazer ressalvas em tudo e enfadar uma conversa que se queria light, num programa light. Ou vamos mesmo crer que tudo o que ali foi dito vai influenciar assim tantas mães e grávidas?
      E atenção que eu sou, das duas, quem tem mais preocupações em agradar a gregos e troianos e a não ofender ninguém e ai, Jesus, que dor de cabeça se alguém se chatear comigo. O que eu vi nas reações na página da senhora não foi nada digno do nosso papel, como educadoras dos nossos filhos, de pessoas que se sentiram ofendidas e o que fazem, o que fazem? Ofendem. Não gostei. Tu tiveste um tom elevado neste post, mas por lá não houve nada disso.
      Joana Paixão Brás

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    4. Concordo com tudo o que a Pinhoca e a Joana Paixão Brás escreveram. Eu também, de bomba em uso, disse várias vezes que parecia uma vaquinha, com um sorriso na cara. Há que aligeirar as coisas.
      E Joana Brás, acho que para quem escreveu um post tão ofensivo e fundamentalista sobre a amamentação, não deveria ficar incomodada com a apresentação do livro da senhora. A diferença entre piada e ofensa é coisa que a Joana também não conseguiu diferenciar nesse seu post...

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    5. Joana Gama,

      lá está, isto das ofensas é subjectivo, o que te incomoda a ti não me incomoda a mim e vice-versa. Acho que essa das aleijadinhas sociais te tocou particularmente por teres decidido ficar em casa com a Irene. Eu também estou a tempo inteiro em casa, trabalho a partir daqui em vários projectos e não me ofende. E a verdade é que sei que muito dificilmente vou receber convites para programas. Das primeiras vezes que saí depois de ela nascer, fomos jantar fora eu e o pai dela e parecia que não víamos adultos há anos.

      Beijinho!

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  9. Ai alguém que me elucide, por favor! De que livro estamos a falar? :)

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