sábado, 14 de março de 2015

Carta para a minha filha




Isabel,

Quero-te para mim, mas és do mundo.

És minha, pelo menos metade, mas não és. És-me toda mas não és minha.

Quando gritei e tu de mim saíste, quentinha e enrugada, deixaste de me pertencer, mesmo sendo tão minha. 

A minha voz, que já era tua, fez-te acalmar o choro, logo, naquele segundo.

Voltámos a ser uma, ali, coladas enquanto mamavas e eu nunca fui tão feliz como naquele dia. 

Eras cor-de-rosa, morna, gordinha. Calma, muito calma. 

Hoje és ágil, branquinha, esguia. Tens a energia dos pontapés que me davas durante a noite, quando ainda me pertencias. 

E mesmo tendo saído, nunca mais saíste.

O amor que tenho por ti é maior do que alguma vez eu podia ter imaginado, até porque te amo mais do que a mim. 

A minha vida pela tua, sempre. 

E é lavada em lágrimas, cheias de nostalgia de um tempo que fugiu entre os dedos mas que fez transbordar um coração, que me dou conta de que passou um ano. 

Num ano, o que tu mudaste e o que tu me mudaste! 

Não sou a mesma, nunca mais o serei. 

Sou o melhor que sei ser, o melhor que te posso dar e muito melhor do que imaginei ser possível. 

Sou mais forte, mesmo com todos os medos que me trouxeste. 

Porque o verdadeiro amor torna-nos assim, grandes, capazes de nos superarmos. 

Por ti, tudo. 

Da tua mãe, 
Joana 

4 comentários:

  1. Coisa mais linda! Podia ter sido eu a escrever, tivesse eu esse talento. O amor pelos meus filhos, tenho-o, assim, enorme!
    Obrigada por me comover tanto...

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  2. Texto escrito com o maior dos amores e inevitavelmente sentido por quem com ele já foi abençoada. Lindo!

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