sábado, 8 de agosto de 2015

Crianças Felizes, o livro de Magda Gomes Dias.



A especialista em blogues aqui do nosso estaminé é a outra, a Joana Paixão Brás. Ela é que sabe quem são as pessoas, sobre o que escrevem, etc. Eu não faço a mínima. Desde que temos aqui o a Mãe é que sabe tenho feito um esforço, por achar que tenho de estar a par "do meio", mas somos mais que as mães e confesso que nem sempre sei distingui-las. Tenho o mesmo problema com celebridades. Confundo-me com todas. 

Bom, isto para dizer que não conhecia o blogue da Magda. E até me convém dizer isto pelo nome do nosso blogue ser parecido com o dela. Por acaso, na altura, nenhuma das 5 a quem propus o nome se lembrou disso, por isso foi mesmo por acharmos que fazia algum sentido. 

Tomei contacto com o trabalho da Magda num programa de televisão. Acho que foi na Grande Tarde da SIC (nem podia eu dizer que era de outro canal porque a Joana trabalha nesse). Fiquei um bocadinho de pé atrás por ser um pouco preconceituosa com pessoas que dêem palestras, façam coaching ou "sessões de aconselhamento". É um problema meu. Associo muito isso a cultos, seitas. Não sei se sempre convidarão as pessoas a reflectir ou se apenas é para criar um grupo de seguidores fazendo alguns trocos (se calhar vi muito a série The Following). 

É óbvio que a Magda faz dinheiro com o que faz, é o trabalho dela e acho muito bem. É como as pessoas que julgam as bloggers que recebem dinheiro para fazer publicidade... Toda a gente deve ser paga pelo trabalho que faz. Toda a gente. 

Mudo, muitas vezes, de opinião em relação aos livros, assim que me vou informando. Tal como mudei em relação aos livros do pediatra Mário Cordeiro. Quando não sabia nada, quando ainda não pensava muito e só absorvia informação sem espírito crítico, parecia-me a última Spur Cola no deserto, mas rapidamente me vim a aperceber que não me identificava com várias questões. Um dia falarei sobre isso. Tenho é de arranjar uma maneira elegante de dizer que não concordo com muita coisa que o "pediatra em que os portugueses mais confiam" e nem sempre é fácil porque mexe com questões estruturais da minha pessoa e da vossa, claro. Se nos cingirmos àquilo que perguntaríamos a um pediatra e que um pediatra estuda, sim senhora, acho eu que não sou médica, claro.

O prefácio ser do Dr. Mário Cordeiro deixou-me muito de pé atrás. Como escolher para um livro de parentalidade positiva um homem que advoga a palmada e também que "quando os miúdos choram a comer, veja pelo lado positivo que até abrem mais a boca para comer" (algo do género). Depois pensei: okay, assim é capaz de chegar às mesmas pessoas que confiam no Dr. e lhes faça pensar de maneira diferente. É uma jogada de marketing penso ou, então, até uma provocação para o Dr. pensar diferente. Não sei. Tentei ignorar "a capa" e julgar pelo conteúdo. 

Li ontem o livro quase todo. Faltam-me 4 páginas porque, quando dei por mim já tinha os óculos no bigode e já estava a babar-me toda. E adorei. Mais o livro do que me babar toda. 

É um livro que convida a fazer diferente e identifiquei-me muito com ele. Como pessoa que já está curiosa o suficiente por esta nova "escola de educação" (praticamente a oposta da maior parte dos nossos pais") sinto que este livro compila de forma muito eficaz as várias teorias e pontos a que devemos dar mais atenção se quisermos criar uma relação de respeito mútuo com os nossos filhos e de cooperação em vez de incutir medo para serem obedientes, sem compreenderem por que é que lhes estamos a mandar. Nisso do medo estão incluídos os gritos por sistema, os castigos, as palmadas.

A verdade é que muitos de nós queremos fazer diferente dos nossos pais mas não sabemos exactamente como fazer. A Magda dá óptimas sugestões. Explicando-nos o propósito de cada uma e dando exemplos. Já estou a ler o livro há uma semana. No dia seguinte a ler umas folhas, aplicava sempre algo à Irene e resultava. Não são coisas que a Magda inventou, são coisas que ela aprendeu, compilou e arranjou uma maneira simples de explicar a pessoas que não sejam neurologistas, psicólogos, etc. Até tem um capítulo em que explica de forma muito sucinta (mas tão eficaz) o cérebro dos nossos filhos. Gostei. 

É uma óptima introdução a todos os temas que temos de aperfeiçoar caso queiramos criar o tipo de relação que falei ali em cima. Há pessoas que o fazem naturalmente por terem crescido em famílias que o fazem assim inconscientemente ou conscientemente e estes livros são apenas uma descrição do que já sabem. No meu caso são ideias, são sugestões, são chamadas de atenção e tudo isso sem termos técnicos puxados, sem estar sempre a cuspir nomes de autores. 

Quem quiser saber mais terá de ler mais, mas para quem nada saiba ou pouco sobre esta área é, até agora, um óptimo livro em português para começar e perceber a necessidade que temos de sermos pais duma forma mais consciente e presente. Até esta temática muito na moda do "mindfullness" (apesar de ser tão estupidamente antiga) é subtilmente abordada. 

Tem também algo que me vai dar muito jeito quando a Irene for para a creche que são algumas dicas para sairmos de casa a horas e sem discussões de manhã. Dicas óptimas que demoraria muitos meses a lá chegar, visto que tenho o pior dos feitios de manhã e não ser a pessoa mais paciente. 

Para terminar, acho mesmo que o título do livro é justo. É um amuse-bouche para criar crianças mais felizes, verdade. O resto terá de ser feito por nós. Tudo o resto. Somos nós os pais.


Conceitos que irei aprofundar depois deste livro: criação com apêgo, parentalidade positiva, disciplina positiva, comunicação não violenta, escuta activa, mindfullness. 

1 comentário:

  1. Joana eu sou completamente fã do Mário Cordeiro, estou a ler o livro dele Educar com amor e acho que ele aborda as questões com muita sensatez. Sobre as palmadas, ele não as defende, apenas um enxota moscas na mão, ocasional. Eu estou a tentar seguir os conceitos que falas no final do post. O meu filho já está com 20 meses e noto que ele agora já começa a ter o seu feitio! Esta semana dei um enxota mosca na mão, porque agora quando não quer comer (faz sempre uma ligeira fita, mas depois lá come) empurra o prato para a frente e nessa ocasião virou o prato ao contrário e entornou tudo. Já o tinha feito antes, empurrar o prato ou atirar a colher ao chão, e eu disse que não se fazia, fiz cara de zangada, etc. Mas ainda assim ele repetia. Depois do enxota moscas não repetiu. Chorou um pouco mas passou rápido. Eu não quero de todo educar pela violência, nem bater, mas começo a notar que é preciso grandes doses de paciência, para eles aprenderem o que está certo e errado. Neste sentido estou mesmo tentada a comprar o livro, para aprender mais algumas técnicas.

    Já agora peço às Joanas para que contem como lidam com certas situações (birras) no âmbito da Disciplina Positiva. Obrigada :)

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