sábado, 29 de agosto de 2015

Diario das Férias (#04)

O dia de ontem começou muito mal. Aliás, acho que não foi bem o dia que começou, foi a noite que não correu bem. A Irene acordou praticamente de hora em hora (hora e meia, vá) e, nos intervalos, o Frederico fazia questão de ressonar como se a vida dele dependesse disso. Foi terrível para mim, menos para a Irene. Ela acordou algumas vezes só para dar puns. Começámos a achar que era por causa dos espinafres da sopa, mas depois lembrei-me que talvez seja por eu andar a emborcar uns bons litros de leite com chocolate por dia (amamento). Ela não tolera muito bem leite e acho que o chocolate não é das melhores coisas para estas questões. 

Bom, a noite foi horrível e, por isso, não resisti e acabei por adormecer no sofá. Graças a isso a miúda desistiu de andar a pedir maminha de 3 em 3 minutos (fase... que tem o que se lhe diga) e o pai e a avó chegaram-se à frente. Divertiu-se imenso a ver os desenhos animados com o pai (eu que dizia que não ia ver televisão até fazer dois anos) e fartou-se de almoçar a papa que a avó fez para ela com todo o amor e carinho. Foi bom. Tão bom. Sabem aquele sonos em que estamos a dormir mas... estamos a controlar tudo? Pronto. Era desses mesmo. Eu estava deliciada a ouvi-los aos três. 

Hoje foi dia de receber a Inês e o namorado. A Inês conhece-me desde o 12º ano. Bem, com um intervalo de 6 anos pelo meio de silêncio (não houve problemas entre nós, mas aconteceu, já nem nos lembramos porquê). Esses anos de intervalo parece que não existem. Quando estou com ela sinto que estive todos os dias. Que continuámos a almoçar todos os dias como almoçávamos no Atrium Saldanha (ou nos outro, que nunca distingo o nome daqueles centros comerciais a não ser o Monumental), no Burguer Ranch ou lá o que era.  Gosto dela. Tolero silêncios quando estou com ela. Não estou a pensar no que ela está a pensar ou não penso no que quero dizer a seguir. Estou "em casa". Hoje, cá em casa, até com os sogros, parecíamos que éramos todos uma família. Correu tudo tão bem.  Claro que não havia grande coisa para correr mal, mas achei perfeito.

Tirando, se calhar, o aspecto bizarro do Cláudio, namorado da Inês, a galá-la de trás, à campeão.

O pai todo babado e apaixonado decidiu partilhar isso nas redes sociais. Gosto quando isso acontece. Ele não é oversharer como eu e, por isso, as partilhas dele são especiais. Hoje houve ali um clique qualquer.

A Irene a ver as pedrinhas lá de cima do quintal.

Não, não arranjo as unhas. Fazem cócegas e magoam-me a tirar as peles. Uma podologista uma vez disse que não se deveria tirar isso dos pés e eu sigo à risca hehe.

Engraçado que aquilo que me dava mais ansiedade nos primeiros dias - o não ter controlo sobre a hora de deitar da Irene, visto que tinha de esperar que escurecesse para conseguir que o quarto ficasse com um bom ambiente (que frase tão grande, ainda se lembram do que escrevi no início?) - é agora (ou, pelo menos, foi hoje) uma das coisas que mais gostei. Gostei daquela calmaria antes de ir deitá-la. Gostei de vêr o sol a pôr-se e de ver a minha filhota calminha, a brincar. 


Sinto que, aos poucos, estou a deixar de ser essencial e gosto. Acho muito injusto que tenhamos de deixar os nossos bebés tão cedo para irmos trabalhar. Está mal feito. Esta está a parecer-me a altura certa para ambas para que eu vá trabalhar (estarei de volta em Novembro). Ela precisa de ter mais espaço para outras pessoas na vida dela e eu já estou mais descansada porque já confio nela e na sua capacidade de se fazer entender. Gostava que todas as mães que quisessem estar com os filhos a tempo inteiro enquanto são pequeninos (porque há as que não querem e percebo isso perfeitamente) pudessem fazê-lo. Claro que a família beneficia, se assim for o desejo da mãe e do casal, mas acima de tudo crescemos muito. Eu cresci muito. Ainda estou a crescer. Estou a deixar de ser birrenta e a aprender a estar presente. Demoraria muito mais tempo (meu feitio) se não tivesse tantas oportunidades diariamente. 

Estou feliz. 

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