sábado, 3 de outubro de 2015

Bebés que não chegam a nascer

Uma em cada quatro grávidas sofre um aborto espontâneo. Uma em cada quatro mulheres vê destruído o sonho de ser mãe. Uma em cada quatro mulheres sofre a dor da perda e muitas vezes cala-a. Ela dificilmente desaparece. O mundo à volta é que acha que sim.

Não fazia ideia desta realidade até uma amiga próxima, depois de bastante tempo a tentar engravidar, ter perdido o bebé, de poucas semanas. Fiquei sem saber o que dizer, mas calculei que a frase "se aconteceu assim, foi porque algo não estava bem" não fosse surtir nenhum efeito positivo nela. Não era isso que ela precisava de ouvir. Só lhe consegui dizer que sentia muito. E senti, senti muito por ela. Entretanto engravidou de novo, correu tudo muito bem, e nunca mais voltámos a falar do assunto. Se ela quiser voltar a falar disso algum dia, cá estarei para a ouvir e dar-lhe o meu abraço. Mas sei que mesmo que ainda sofra, muito provavelmente não irá puxar pelo tema, porque infelizmente, na nossa sociedade, essa perda é muitas vezes incompreendida. E as mães - e os pais - ficam a sofrer em silêncio.

Resolvi falar com algumas mães que passaram, e passam, pela dor dessa perda gestacional. Algumas ultrapassaram-na pouco tempo depois e conseguiram resolver nelas o que lhes aconteceu, outras não e acham que nunca o farão. Ficam os testemunhos, para que quem está desse lado perceba que não está sozinha. E para que, caso esteja a passar por isso, possa procurar ajuda.



Inês.
A Laura é a minha 4ª. filha. Antes dela nasceram o Manuel e o Filipe. Um problema genético foi a causa de eu ter feito 2 IMG às 17 semanas de gravidez. Foram 2 partos normais, como se de bebés de termo se tratassem, com a diferença de que saí da maternidade de braços e alma vazia, com uma dor que ainda hoje me corrói por dentro. Ouvir as pessoas dizerem "deixa lá foi melhor agora que mais tarde", "para a próxima corre melhor", "tens sorte em já ter a Rita", "deixa lá ainda és nova"... Enfim, comentários que nunca nenhuma mãe que acabou de perder um filho deveria ouvir. O que mais alento deu ao meu coração foi a dignidade com que foram tratados desde que nasceram (já sem vida) até irem para o cantinho onde hoje estão.
Já passou algum tempo, e hoje embora consiga falar mais abertamente do assunto, ainda tenho noites que choro até adormecer, sobretudo em certas datas. Quando perdi os meus filhos, um pedaço de mim foi com eles. Tive dois sonhos desfeitos. Quando fiquei grávida da Laura eu não queria de todo ficar grávida, não naquela altura. Foi uma gravidez a medo, a cada consulta, a cada eco eu tremia só de pensar que poderia voltar a ouvir as mesmas palavras que ouvi nas duas anteriores gravidezes. Quando a Laura nasceu, foi um misto de emoções... Olhar para ela e saber que vou viver com ela o que jamais irei viver com os manos é doloroso, mas depois também penso que se nada disto tivesse acontecido a Laura também não estaria cá... São emoções que se contradizem...
O Fórum, na altura, foi o lugar que encontrei para me aliviar a dor. Fiquei sozinha, a minha família está longe e no fórum encontrei pessoas espetaculares que, mesmo sem conhecer, me ajudaram a superar aquela fase.
Acho que as pessoas ainda desvalorizam o assunto "perda gestacional" e só quando passamos por lá é que temos a noção da quantidade de casais que sofrem em silêncio. Quero que a sociedade saiba o impacto que isto tem nas nossas vidas e que aqueles eram os nossos bebés, os nossos filhos. Não são coisas ou abortos.

Patrícia.
Tudo aconteceu em 2009. Descobri que estava grávida. Já tinha as minhas férias marcadas para Cabo Verde, e depois de falar com a médica, resolvemos viajar. Chegámos a Cabo Verde e correu tudo bem na primeira semana, mas depois disso veio o meu maior medo. Comecei a sangrar um pouco e fui ao hospital. Diagnosticaram "ameaça de aborto" e, embora tivesse o colo do útero aberto, vim para casa com recomendações de repouso absoluto e de pernas elevadas. Passado um dia, comecei a ter cólicas fortes (contrações). Fui ao WC, sentei-me na sanita e comecei a perder imenso sangue.  Não sei o que me passou pela cabeça, mas meti a mão e tive o meu bebé. Mesmo de 9 semanas, era o meu bebé. Estava ali, já formado. Chorei imenso. Chamei o marido, que chorou comigo e que se culpou durante imenso tempo de termos ido a Cabo Verde de férias. 
Era uma gravidez desejada e sofremos imenso com toda essa situação e até a nossa família sofreu connosco. Claro que ouvi: “se assim aconteceu era porque não estava bom” ou “se aconteceu foi porque tinha que acontecer”, frases que nunca se deve dizer a uma mãe fragilizada.
Em Cabo Verde, após o aborto, fui ao hospital e fizeram-me raspagem a sangue frio. São dores que não se esquecem. Passados seis anos, cada vez que vou a uma ginecologista e quando fiquei grávida de novo, sempre que vejo algo comprido, encolho-me toda e lembro-me daquilo que eu passei. Foram frios, trataram-me como se fosse habitual aquilo acontecer, na hora da raspagem eu gritei imenso e não houve nenhum consolo por parte da equipa médica, rasparam e mandaram-me embora.
A 24 de fevereiro de 2010, tive o meu tão esperado positivo, a gravidez correu lindamente, mas nos primeiros 3 meses estive sempre apreensiva.
Agora tenho 2 lindas princesas, uma com 4 anos e meio e outra com 9 meses.
Naquela altura, para além do apoio do marido, apoei-me imenso no forum "de mãe para mãe", que tem uma secção de perda gestacional. Contei lá a minha história, que possivelmente ajudou outras mães, e li relatos também de outras mães. Não me senti um alien.

Carla.
Antes do Santiago nascer tive uma perda as 7 semanas. Foi horrível. Estava a trabalhar e percebi logo o que estava a acontecer. Liguei ao meu marido. Tranquei-me na casa de banho e chorei. Chorei muito. Estava sozinha. Não tinha contado a ninguém no trabalho. Não queria que ninguém soubesse. Rezei para que o tempo passasse rápido. Fui à urgência e tive a pior notícia. Demorei um ano e meio a engravidar. O meu relógio biológico já estava a disparar há tempos! Durante esse período quase todas as minhas amigas engravidaram. Foi desolador. Queria ficar contente por elas e não conseguia! A minha obstetra sempre desvalorizou. Passei noites que só chorava. Passava horas a fazer contas à volta da agenda e outras tantas na net à procura de respostas. Na relação com o meu marido, apesar de nunca estar em risco, tivemos períodos difíceis. Aquilo que poderia ter sido namorar e esperar um filho tornou-se a certa altura uma obrigação. Isso deixava-me triste, muito triste. Tentei tudo! Pernas para cima depois das relações, não me lavar, não me levantar, enfim... Estava louca!!! Perguntava-me muitas vezes “porquê? Porquê eu?” Comigo sabia que estava tudo bem. A certa altura coloquei um limite e disse ao meu marido e se não engravidásse até ao final do ano íamos procurar ajuda. Convenci-o a ir ao urologista. A meio do percurso, descobrimos que ele tinha varicocele e teve que ser operado. Sabíamos que podia resultar ou não. Ao fim de um mês da cirurgia engravidei. Agora antes desta nova gravidez voltei a ter outra perda... Tive muito medo. Mas felizmente voltei a engravidar logo de seguida e já vamos nas 15 semanas.
Sei que há histórias muito mais tristes. Mulheres que sofrem horrores.
Por isso, agradeço-te do fundo do coração dares voz a estas guerreiras!!!

Sofia.
O Afonso foi a minha terceira gravidez. Em Agosto de 2012 tive a primeira morte intra uterina, depois, em Fevereiro de 2013 precisamente a mesma situação. Aconteceu sempre por volta das 6 a 8 semanas e tive que me deslocar às urgências de obstetrícia para provocar o aborto... O pior de tudo é esperar ao lado de grávidas... estar à espera que o corpo reaja à medicação e expulse o feto e estar a ouvir na sala ao lado o primeiro choro de um bebé acabado de nascer.
Em Junho de 2013, novamente grávida e por fim o sucesso (desconfio que eram gémeos, mas que um não vingou), mas, para quem passa por vários abortos, o medo está presente até ao fim e só quando tens o teu bebé nos braços é que o medo desaparece.

Rita.
Eu sofri 3 abortos (7s, 11s e 12s), todos no espaço de ano e meio. Os 2 últimos foram analisados, tendo dado problemas cromossomáticos. Fizemos consultas de infertilidade, muitos testes e exames, fizemos também consulta de genética. Resultado: tinham sido abortos aleatórios. Segundo a estatística, 1 em 4 gravidezes dá um aborto e sofri 3. Passei por um período muito duro e de depressão. Deixei de conseguir engravidar. Fiz um bloqueio. Tive 3 anos para voltar a conseguir engravidar, nesse período fiz induções de ovulação e outros tratamentos para engravidar, nada resultou. O marido foi trabalhar 1 mês para o México, eu descomprimi e, quando ele regressou, fomos de férias e eu fiquei grávida. Correu tudo bem e nasceu o João. Quando o João fez 14 meses, resolvi voltar aos treinos porque tinha medo de voltar a demorar muito tempo para engravidar. Quando o João fez 15 meses já estava grávida e desta gravidez nasceu o Pedro. Uma história triste, com final feliz e acho que sou melhor mãe e melhor pessoa devido ao que ultrapassei.


Obrigada a todas por terem partilhado comigo as vossas dores, as vossas angústias, mas também as vossas lutas. 

Caso estejam a passar por uma dor semelhante, deixo-vos este link para o fórum de perda gestacional, que tem também consultório online, e que vos poderá ajudar - Projecto Artémis.


*Todos os nomes usados neste texto são fictícios, respeitando o pedido das mães. <3

28 comentários:

  1. Olá
    Também passei por uma perda gestacional, uma dor que não se explica. Mas pior de tudo, foi ter ido à maternidade, porque tinha tido um grave problema de saude à uns anos e precisava de acompanhamento, a médica que me atendeu começou com uma conversa estranha, que os abortos aconteciam e que era muito normal e bla bla bla bla. Tinha seis semanas quando fui a esta consulta de urgência.
    Encaminhou me para uma medica na maternidade que supostamente iria ser a minha médica ate ao fim da gravidez, vim para casa por um lado contente por estar à espera de um bebe mas triste com a conversa da médica, e atè às 12 semanas sentia que alguma coisa nao estava bem.
    Quando fui chamada a maternidade à primeira consulta, a médica deu me a noticia que nunca imagina ouvir "o feto esta morto".
    Chorei chorei e muitas vezes perguntei o porque??? tomei uns comprimidos e mandaram me para casa e passados dois dias tive que me apresentar na maternidade para fazer o aborto, Graças a Deus consegui libertar sozinha sem ter que ir à raspagem, nada tenho a dizer do pessoal médico, todos cinco estrelas.
    Vim para casa e achei que a minha vida tinha parado, e nunca mais ia engravidar. Passados 4 meses voltei a engravidar e os três primeiros meses foram horriveis, pois so pensava que ia passar por tudo outra vez. tudo correu lindamente e hoje o meu Joao Pedro é a minha razão de viver. Agradeço muito a Deus esta bençao que me deu. Custou a passar mas com ajuda da familia e marido passou, hoje acho que o bebe que perdi é uma estrelinha que olha pelo meu João.
    Um beijinho a todas as mulheres que passam ou já passarm por esta experiencia :***
    Isabel

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    1. Um grande beijinho, Isabel! E obrigada por partilhar também a sua história. <3

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    2. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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  2. Tenho uma amiga que sofreu 2 abortos. Horríveis... A dor das palavras é indescritível, como será a dor da perda, sem dúvida. Não se sabe o que dizer, como reagir. Nenhuma palavra servirá de consolo, nenhuma vai aliviar a dor. Quando ela me contou, chorei, por ela.. beijinho a todas estas e outras mães que passam por esta imensa dor!

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  3. Comovi-me imenso ao ler estes testemunhos. Que mulheres cheias de força. Deve ser terrivel... :( bjs

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  4. Comovente...muita força!

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  5. Ler estes testemunhos fez-me viajar no tempo. Também eu passei por uma IMG. Estava grávida de 12 semanas e 5 dias de uma menina. A minha menina. Já passaram 7 anos mas ainda hoje não consigo falar sobre isso. As lágrimas sobem aos olhos, a garganta fica apertada. Quem sabe talvez um dia consiga escrever sobre esta menina que sempre amei apesar de nunca a ter pegado ou abraçado.

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  6. Parabéns por teres trazido este tema... afinal ser mãe também assume esta forma dolorosa que pouco é falada. Ainda bem que existem projectos e plataformas onde estas mães podem buscar um pouco mais de tranquilidade. Beijinhos

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  7. Eu perdi com 30s o Daniel gémeo do Tiago. O Daniel voou para lá das nuvens e o Tiago sobreviveu. 30s, o mesmo potencial de vida, os mesmos sonhos, os mesmos desejos, o colo cheio com um, o coração despedaçado com a ausência do outro... 3 anos depois perdi a Inês com 39s... Mais um colo vazio, mais uma vez a dor, a saudade, o desepero... E depois veio a Leonor que preencheu o colo novamente...
    Tenho 4 filhos... 2 anjos e 2 terroristas... Há já 9 anos que aprendi a viver assim! Tenho o coração repleto de amor pelos 4... E foi duro, muito duro... imensamente duro... Ouvi frases que não lembra nem ao Diabo... Aprendi a mostrar serenamente aos outros que eles não foram "coisas" que aconteceram, que são meus filhos, serão sempre meus filhos e nunca serão esquecidos... por mim e por quem nos ama.
    Primeiro sobrevive-se e depois aprende-se a viver de novo. E sou feliz, imensamente feliz com o que a vida me deu... e infeliz, profundamente infeliz com o que a morte me roubou...

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    1. e assim nos conhecemos pessoalmente, juntas na dor da perda. Perdas todas elas diferentes: o David com 59 dias, depois a perda com 7 semanas de uma estrelinha, depois a IMG da Miranda às 15 semanas, a minha bonequinha novamente mais 1 estrelinha e agora tenho a minha Princesa Áurea Maria, que me veio encher o coração, mas não ocupa o lugar dos manos e manas.
      Não choro porque partiram, mas sorrio porque existiram. Beijinhos

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    2. E apesar de nos conhecermos na dor gosto tanto de ti e dos teus filhos! Beijinhos querida

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    3. Olá Carla, não pude ficar indiferente a este seu post. Eu também a 12 anos atrás perdi um dos gemeos, com 28 s, nesta altura pouca se falaya ou muito pouca informaçao hayia de como continuar grayida com um feto morto dentro de nós e um yiyo. O meu filho Diogo nao chegou aos meus braços mas até hoje nao sai do meu coração, depois de mtos exames que me fizeram na altura o que apenas diziam é que foi morte subita in utero, se foi ou nao nao sei nem importa, até hoje choro pela perda apesar de acreditar que um dia abracaremos estes nossos filhos amados. Não tenho duyidas disso. Passados 5 meses de nascer a minha filha q era gemea e de retirarem o nato morto fiquei grayida noyamente de um menino. HOje em dia tem 10 e 11 anos e na rua toda a gente pensa q sao gemeos. Sou eternamente feliz por eles, nunca me esqueço daquele pequeno ser tao lindo. durante a cessariana pedi para o yer para ficar mais tranquila e para guardar alguma imagem dele em mim, sendo que todos me olharam de lado achando a coisa mais estranha do mundo, sendo que hoje tá proyado que ajuda no luto. Mesmo depois desta dor sou grata por ainda ter tido o consolo de nao sair de maos yazias da maternidade pois yi mta gente entrar c um e sair sem nenhum e eu ainda tinha uma. Foi um degrau duro de subir mas tb me lembro das pessoas que conheci no hospital sempre que ficaya internada fiz grandes amizades fui ajudada e ajudei. Lamento nem um unico medico psicologo se ter chegado ao pé...mas sao 12 anos atrás nem na internet se falaya sobre isto, tudo o que encontrei era em ingles, os tempos mudam e ainda bem porque assim podemos nos ajudar porque se partilharmos a dor juntas seremos mais fortes. Um grande abraço porque a felicidade é logo ali com todos os que tiyeram o nosso colo ou que ainda terão.... Sofia Pereira

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    4. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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  8. Deve ser devastadora cada uma destas perdas... apenas consigo imaginar o tamanho da dor vista de fora, de alguém muito próximo a quem isso aconteceu, mas não na 1ª pessoa.
    Acho que partilhar estas histórias com outras mães que passaram pelo mesmo lhes traz algum conforto por não se sentirem tão sozinhas. , já que a maioria das pessoas que tentam confortar mães que perderam os seus filhos não tem a sensibilidade para o fazer da melhor maneira.
    Desejo-vos muita luz para todas, que a vida vos traga tranquilidade e serenidade de aceitar o que não puderam evitar. Rezo pelos vossos anjinhos :)

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  9. Infelizmente somos muitas a passar pelo mesmo... demasiadas! Estou a passar por esta dor! Já tenho o meu filhote com 3 anos e meio e decidimos que estava na altura de lhe dar um mano. A primeira gravidez foi ótima, fui daquelas grávidas de fazer inveja às outras, sem dores, sem me sentir pesada, sem enjoar, sem sono, nem parecia estar grávida, tirando a barriga grande. O parto correu muito bem, por isso nada fazia prever que uma segunda gravidez poderia ser diferente. Do primeiro filhote fiquei grávida logo à primeira, da segunda vez também! Tivemos o tão desejado positivo e ficámos imensamente felizes. Fiz eco às 6 semanas e ouvimos o coração bater, aquela sensação tão boa que só quem passa por ela sabe o que é. Quando fomos à eco das 9 semanas... o coração já não batia :( Desabou o mundo! Nunca levei a mal as frases "Antes agora que mais tarde" ou "A mão natureza sabe o que faz", porque no fundo, por mais que me doa, acredito nelas. Dói imensamente passar por um trabalho de parto e ir para casa de mãos vazias. Gostava que ninguém tivesse de passar por isso! Alguns dias mais tarde, estranhei o meu marido, que acabou por me confessar que não estava a conseguir ultrapassar a situação. Sim, eles também sofrem! Estou ainda a meio deste processo, o período ainda não voltou a aparecer e sinto-me muito insegura! Queremos voltar a tentar e apesar da cabeça me dizer que não tenho nenhum problema, sinto um imenso medo de nunca mais saber o que é ser mãe outra vez... Muita força para quem está a passar esta situação! E obrigada Joana, por lembrar esta dor tão profunda e por vezes incompreendida! Beijinhos grandes

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    1. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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  10. Estou em Angola casada com um Angolano
    Em Junho deste ano descobri que estava gravida do meu segundo filho, foi uma benção e a alegria foi geral de amigos e familiares.
    Iniciei o pre natal em uma clinica mas em Outubro troquei de medica pois tive 2 ameaças de aborto e não me diziam nada entao decidi trocar por uma medica muito bem recomendada que disse que meu pré natal estava todo errado,ecografias confusas e com falta de dados,viu meu bebê e disse que estava bem porem muito pequeno mas era preciso confirmar na morfologica se estava tudo bem e assim o fiz,dia 22 de Out completei 22 semanas e fui fazer a morfologica,eu vi minha filha e ela sorriu pra mim mas após alguns minutos de exame a cara da dra.mudou e não queria me dizer nada,insisti ate que veio a pior noticia que uma mãe poderia receber,minha filha estava com graves mal formações na hora só escutei uma e nem sei como cheguei em casa...não abri a ecografia e levei na minha nova médica que me confirmou o pior,explicou cada um dos problemas que meu bebê tinha que eram gravissimos me disse que não tinha nada a fazer que era necessario "interromper" a gravidez pois era um risco e neste momento abriu um buraco no chão eu chorei ate chegar em casa tomar varios calmantes e dormir,dormi ate segunda ,eu só chorava queria morrer a ter que decidir alguma coisa mas fui para cligest e internei para fazer o "procedimento" foram dores horriveis fiz um parto induzido que durou quase 12 horas,horas de dor,horas de tristeza,horas de horror mas nada foi pior do que me deparar depois com aquele vazio dentro de mim,dentro da minha alma uma dor que me sufoca,me sufoca por não ter tido coragem e forças p ir buscar outras opiniões,por que nunca vou saber se fiz o certo apesar de confiar e muito na Dra.que apesar de toda sua frieza de medica foi um anjo.

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  11. Continuado...

    Enfim ja se passou quase um mês mas cada dia acordo querendo que o dia acabe logo,não quero mais conversar com ninguem,recebi todo apoio do mundo de familiares e amigos aqui e do Brasil e sou grata mas não quero me tornar chata pq só eu e quem passou por isso entende a minha dor,dor essa que não sei o que fazer,não sei se vai passar e nem se algum dia vou conviver com esse horror sem sofrer,ja escutei os mais diversos "conselhos" como "ha mas o bom que vc não estava contente com esa gravidez,dava pra ver" gente eu passava mal,enjoava,sempre com dores mas nunca jamais em minha vida desejaria que isso acontecesse, eu amei a minha filha desde o primeiro teste de farmacia,eu amei a minha filha assim como amo ate agora mesmo que essa dor misturado ao amor que senti e sinto me mate aos poucos a cada dia e nada do que me falem faz sentido.Escutei "mas de novo???o que se passa?tem que ir fazer tratamento"(passei por uma gravidez ectopica mas essa em nada me afetou pq não fazia ideia que estava gravida,tive de ser operada as pressas entao não deu tempo de sofrer)
    Graças a Deus tenho um filho meu amor meu bem mais precioso que mesmo na sua inocência me ajuda a cada dia e é por ele que estou de pé,me pergunto todos os dias pq?????...eu não sei e nem nunca vou saber...nunca nem em meus piores pesadelos imaginei passar por isso e espero que um dia eu consiga voltar a ter uma vida normal mesmo com essa dor e essa culpa em meu coração.
    Desculpem o desabafo mas resolvi escrever pra ver se alivia um pouco essa angustia dentro do meu coração,tenho sim com quem conversar mas evito, a época de me consolarem ja passou e hoje a dor é minha,e cada um tem sua vida para seguir,minha e do meu marido que coitado viu tudo,viu o bebe mas lhe fiz me prometer que nunca nem que eu implorasse ele iria comentar o que viu e nao mas não tocamos mais no assunto na "tentativa" de amenizar o sofrimento um do outro mesmo que no fundo sabemos o que cada um sente dentro de sí.
    Apesar do desfecho ter sido horrivel tive a sorte de encontrar uma profissional como poucos aqui em Angola que ficou do meu lado,segurou a minha mão e como uma mãe não me deixou sozinha so foi embora da clinica depois que me viu "bem" e disse que quer me ver daqui a 3 meses p me ver gravida novamente mas tenho pavor só de pensar nisso,eu não quero outro filho eu queria esta :(
    Obrigada queridas e mais uma vez desculpem pelo texto enorme.
    Bjo a todas

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  12. Passei pelo mesma há 4 anos. Descobri que estava grávida pela 2 vez no dia de aniversário da minha filha mais velha, não foi planeado e foi um misto de emoções. As 12 semanas estava tudo bem e a médica disse que em princípio sério um rapaz, o Guilherme. Como da primeira gravidez os testes bioquímicos tinham dado alteração e na 2 gravidez os resultados estavam no limite resolvi fazer amniocintese. As 16 semanas na eco a médica disse que não poderia fazer o procedimento pois não havia líquido suficiente...nessa altura não entendia que fosse grave e fiquei internada nesse dia e fiquei de repouso absoluto durante uma semana mas a situação não melhorou e havia a suspeita de o bebe não ter rins. As 17 semanas tive de interromper a gravidez...no dia do meu aniversário. Nesse dia fui para casa e o meu único consolo é que tinha a minha filha em casa a minha espera. Durante o mês que estive em casa em recuperação chorei muito mas o meu objectivo foi voltar a engravidar rapidamente e 5 meses depois estava grávida novamente da minha pestinha. Em todos os aniversários da minha filha e nos meus penso sempre no meu Guilherme. Obrigada a todas por partilharem todas as histórias

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    1. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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  13. Eu também perdi uma bébé ás 25 semanas á 19 anos, e não se esquece nunca, hoje tenho duas filhas com 13 e 4 anos. Um abraço do tamanho do mundo a todas

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    1. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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  14. Grande abraço a todas. Nós testemunhos do texto uma mamã eu acompanhei um pouco a sua história no fórum de mãe para mãe. Tb eu encontrei grande apoio no fórum. E conheci MSM uma mamã na MAC agora qd o meu Dinis nasceu k tb passou pela perda e Dps meses a fio com a sua princesa prematura na neonatologia.
    Cheguei a criar um tópico onde partilhei a minha gravidez e luta contra a insuficiência istmo-cervical k m roubou os meus meninos gémeos com intensão de ajudar e dar a conhecer um problema k eu nunca tinha ouvido falar até m ser diagnosticado.
    Bj grande a todas e muito pensamento positivo

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  15. Perdi um bebe faz agora 1 ano, estava de 11s, senti umas dores estranhas e dirigi-me as urgências de obstetrícia, disseram que o coração do bebé tinha deixado de bater, o meu mundo nesse momento caiu, tomei os comprimidos e fui parar novamente as urgências pois estava literalmente a esvaiar-me em sangue e a frio, pois não tinham tempo, fizeram uma raspagem. Hoje um ano depois, estou novamente grávida de 9s e 3 dias, e estou em pânico com medo que volte a acontecer, vou semana sim, semana sim as urgências só para ter a certeza de que o coração do bebé está a bater... e horrível este sentimento de impotência. Mas espero que desta vez tudo corra pelo melhor... Espero eu. A primeira consulta vai sera já para o meio da semana que vem. E tenho medo. Muito medo.
    Boa sorte para todas. Beijinhos.

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    1. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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  16. Sou mãe de uma menina de 17 meses, o amor da minha vida, a luz dos meus olhos.
    Dia 1 de Junho, perdi as minhas gémeas, grávida de 18 semanas e 3 dias, os meus amores.
    Passei por um parto normal, por uma dor imensa. Por uma sensação de impotência, de fragilidade tão grande. Queria poder por a mão e puxá-las para dentro de mim novamente e não as deixar ir. Queria voltar atrás e segura-las com todas as minhas forças, mas o meu corpo não permitia. Perdi-as da forma mais cruel que uma mãe pode perder os seus bebes, sentir tudo, e não poder fazer nada, não poder guardá-las em mim.
    Parte de mim morreu com elas nesse instante, sei que nunca mais serei a mesma. As mazelas físicas desaparecem mas a minha alma ficou despedaçada. Fiquei arruinada por dentro, desfeita pela perda. Confesso que nunca imaginei que fosse possível tamanha dor, mas é.
    Todos os dias penso nelas. Meus sonhos foram desfeitos. Desde aí que tento ultrapassar esta dor que tenho em mim, mas... Pergunto-me PORQUE?! Porque eu? Porque elas? Não e venha com "foi melhor assim!", "Deus sabe o que faz!"... Não, não sabe. Se soubesse não deixaria alguém passar por isso. São nossos desde o momento em que sabemos, são parte de nós, crescem em nós, eu já as sentia a mexer, já sentia tudo... Eram minhas! E foram-me tiradas sem razão alguma ou sem explicação.

    Todos os dias, todos os dias... são e serão sempre parte de mim.

    "Aos meus anjos que iluminam o nosso caminho - C&J"

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    1. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

      Versão Masculina: https://ana308.typeform.com/to/WV9NWC
      Versão Feminina: https://ana308.typeform.com/to/OXx39a

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  17. Ola :) No âmbito da minha dissertação de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, o meu objetivo é analisar o “Impacto da morte fetal ou neonatal nos homens e comunicação do casal sobre a perda: perceções masculina e feminina”. Gostava muito que poder contar com a ajuda de todos os casais que tenham vivenciado uma morte fetal ou neonatal. Se estiver disponível para responder agradecia imenso para pudermos ajudar mais estes pais que passam por este terrível acontecimento. É um questionário anónimo. Era importante também a/o companheira/o responder. Qualquer esclarecimento não hesitem contactar-me (catarinaoliveira91@gmail.com). Muito obrigada desde já.

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