segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Aos amigos sem filhos.

Obrigada.


Obrigada aos amigos sem filhos que nos acolhem. Que nos continuam a escolher para estarmos nas vossas vidas. Nós não somos os mesmos, nunca mais seremos. Seremos sempre dois, três, quatro corações: um dentro, os outros fora. Seremos sempre dois pratos de uma balança que alterna, qual baloiço do jardim, entre harmonia e rebaldaria (ou loucura). Tudo muda em segundos. E volta a mudar. Seremos sempre muitas vozes, várias vontades e, às vezes, poucos ouvidos.

Por vezes estamos mas a nossa cabeça não está. Podem ver pelas olheiras e pelas madeixas por fazer que não estamos a conseguir levar na mala de viagem todos os itens da lista. Uns ficam a faltar, ficam para depois. Paciência. Às vezes também vocês ficam para depois. A chamada fica por atender para não acordarmos a bebé que dorme no nosso colo. A sms fica por responder porque a mais velha pede atenção e depois é a hora do banho e a hora do jantar e depois lavar os dentes e história e cama. E às vezes adormecemos ou temos ainda a casa para arrumar. E depois esquecemo-nos. E dormimos mal e tornamo-nos a esquecer na manhã seguinte. Mas vocês sabem. Vocês sabem que não é por não querermos. Demora a conseguir pôr tudo em ordem, na vida e na cabeça.

Não somos os mesmos: somos os mesmos mas mais um bocadinho. Mais um bocadinho de emoção, mais um bocadinho de lágrimas, mais um bocadinho de desorganização, ou então mais um bocadinho de organização, onde nem sempre o acaso e o imprevisto podem entrar. Já não podemos andar ao sabor do vento nem fazer o que nos dá na telha. São poucas as vezes em que conseguimos, mas valem por dez, vivemo-las intensamente e aí vão poder ver que somos os mesmos, mesmo não sendo.
Obrigada por nos continuarem a mimar, a visitar, a mandar sms. Obrigada por nos receberem em vossa casa, mesmo correndo o risco de levarem com um Miró nas vossas paredes. Ou de quase vos rebentarem os tímpanos com as birras dos nossos pestinhas.
Obrigada, amigos.
(Obrigada, Sandra, por estes dias no Porto <3)

13 comentários:

  1. Tão verdade...ja enviei a melhor amiga em modo de desculpa!

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  2. Adorei! Mas amigo que é Amigo vai respeitar esses timings e esperar. Ou vai ajudar, ou ainda, vai acolher a nova família!! ❤️

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  3. Que bonito Joana, normalmente os amigos sem filhos levam sempre o não sabem nada de nada e foi tão bonito a homenagem que fizeste aos teus amigos sem filhos, mas com colo :)

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  4. É assim! Mas não mudaria nada! Doces e realistas palavras :)

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  5. Sorte com os amigos, tens tu. Eu devo ter azar porque fugiram todos. Não perdoam eu não poder ir e estar com eles como estava. Paciência. É arranjar novos amigos, com filhos, que nos compreendam...

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    1. Acho sempre muito estanho quando fogem todos... Já pensou se não foi você que deixou de regar a planta? Se deixou de ser totalmente quem era? Faça uma introspecção e veja se também não poderá partir de si essa re-união, se não pode tentar voltar a ter os seus amigos... Não é uma crítica, só uma sugestão!!!!

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    2. Amigo que é amigo verdadeiro insiste e não desiste... se fugiram todos é porque não eram verdadeiros amigos. Cada pessoa reage de maneira diferente com o aparecimento da maternidade e cabe aos amigos com e/ou sem filhos estarem lá, as vezes basta simplesmente "estarem" mesmo sem falar... a pessoa nem tem tempo para ela mesma, quanto mais "regar" os outros.

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    3. Acredito que a situação do «se fugiram é porque não eram amigos» possa ser real, mas concordo imenso com a sugestão do anónimo das 10:27. Já me aconteceu ter amigos que se afastaram cada vez mais e mais e às vezes acho que nem dão conta disso. Pior, acham que o problema é nosso.

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  6. Eu quando não tinha filhos tive uma amiga que teve. E eu tentava estar com ela, mas ela afastou-me...

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  7. Respeito muito as famílias que teem filhos e quase sempre busco casais com filhos devido a não os poder ter mas já me aconteceu sentir que não sou desejada e cheguei à conclusão que muitos casais gostam mais de estar com casais que teem filhos e os filhos também..infelizmente!!

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    1. Concordo plenamente .já passei por isso ! E já me senti (coitadita ) não têm filhos..... Enfim ! Mas nunca abandonei os meus amigos

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  8. Lindo o texto. Parabéns! Não tenho filhos ainda mas todas minha amigas ja tem e sou super amiga pra elas. Vou a casa delas ajudar muitas vezes ou fico com as crianças qdo precisam (ir ao cinema, ao medico, estar sozinhas um pouco). O mais interessante disso é q todas as crianças me adoram e me sinto super bem em poder ajudar minhas amigas. Vale muito a pena mesmo!

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