sábado, 15 de outubro de 2016

Um brinde a nós, mães.

Um brinde a nós, mães.

Que nos desdobramos, que acumulamos tarefas, obrigações, roupas por passar, peças do puzzle por arrumar e "caraças que pisei o brinquedo pontiagudo!".

A nós que temos casa, pessoas pequeninas e emoções para cuidar, para abraçar e para gerir, respectivamente, e tudo ao mesmo tempo. 

A nós que temos noites que se confundem com dias de tanto rebuliço e preocupações e ranhos e tosses e xixis na cama. A nós que damos tanto, sem pedir nada em troca - um sorriso basta. 

A nós que temos um trabalho de 24 horas por dia, que choramos às vezes na almofada o cansaço acumulado, para depois nos assoarmos com um bocado de papel e seguir em frente. 

A nós que sabemos bem que o mais importante é o amor, a educação, as cócegas e brincarmos ao leão da selva, mas que não conseguimos viver na porcaria e que prolongamos as noites no meio da tábua de passar e a louça por arrumar. 

A nós que vestimos calças para tapar os pêlos das pernas e "também não era preciso tanto desleixo, que raiva!", mas não arranjámos trinta minutos entre os banhos, o levar e buscar, os jantares e o vomitado que nos obrigou a mudar a roupa da cama outra vez e a roupa toda. 

A nós que às vezes não sabemos o que se passa no mundo porque o nosso mundo nos rouba o tempo todo e temos ali um livro à espera que o leiamos mas "vai ter de esperar". 

A nós que nem sempre temos a ajuda que precisamos, nem sempre temos coragem para a pedir, porque "ninguém tem de levar com o circo que montámos em nossa casa".

A nós que queremos estar com bom ar, passear, sair, estar com pessoas, mas nem sempre temos como e "esta foi a vida que eu escolhi, por isso aguenta e espera, esses tempos virão".

A nós que queremos ser melhores todos os dias e que sabemos que nem sempre o somos, nos culpamos, julgamos que piramos - às vezes sentimo-nos mesmo a endoidecer - mas sabemos que cá estaremos amanhã para a luta. 

E que nos perguntamos como é que as nossas mães foram tão corajosas, aguentaram tanto e nem sequer estavam para aqui com estes mimimis todos. 

Um brinde a nós, mães. Não temos de ser perfeitas, podemos pirar de vez em quando, chorar, ter pêlos por tirar, nem ter tempo para nos coçarmos. Um dia, conseguiremos equilibrar tudo. Um dia, até nos sobrará tempo. Mas sabem o que vai acontecer? Vamos ter saudades. Porque nesse dia, teremos ido levá-los ao comboio que os leva para a faculdade. Porque nesse dia, teremos ido ao casamento dela. Porque nesse dia, estaremos de regresso a nossa casa, depois do almoço de domingo em casa dele, e ele já não está na parte detrás do carro a cantar. E chegaremos a casa e o quarto que foi dele, e sempre será, estará vazio. Aí teremos tempo. A mais. E uma nostalgia que nos deixará um travo agridoce na boca. 

Um brinde a nós, mães. Aproveitemos tudo: a loucura, o mimo, as noites de colo sem fim. Eles por agora, não sendo (nunca são), são nossos. 




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e o @aMaeequesabe também ;)

32 comentários:

  1. Caramba, Joana... Este texto mexeu aqui comigo... É tão difícil aceitar essa parte de eles um dia ganharem asas e voarem... A vida é assim, mas...
    Temos mesmo que aproveitar todos os segundos com eles!
    Beijinho

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  2. Ai adorei... já estou para aqui toda emocionada... Ainda para mais porque ela agora está a dormir no meu colo e é taaao bom!! Não quero nunca que estes mimos acabem!

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  3. Como adorei o texto :-):-):-) e identifico-me tantooo! Bjinhos as 3 lindas :-)

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  4. És a maior JPB!! Até chorei eu com uma filha de 2 anos e grávida de 31 semanas e só penso: como é que vai ser com duas e o pai a trabalhar tanto??!

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  5. Tão mas tão verdade....fiquei com lágrimas nos olhos��

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  6. Parabéns pelo lindo texto, tão verdadeiro... crescem tão rápido e nós mães às vezes tão absorvidas com os stresses do dia a dia, trabalho, casamento, problemas de saúde na família... Que quando paramos e olhamos para os nossos filhotes já estão crescidos... Temos mesmo que aproveitar todos os dias ao máximo os nossos filhotes para mais tarde não nos arrependermos o tempo em que não estávamos presentes emocionalmente só fisicamente e em modo automático.

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  7. Um brinde mesmo!
    Obrigada pela reflexão. Realmente o importante é mesmo o que não se compra: os mimos, as cantorias, os circos montados em casa, os jogos das escondidas, as histórias inventadas...
    Dá saudades...

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  8. Ui....que as saudades vao doer. Ja estou de lagrima no olho. O tempo passa tão depressa e eles crescem tão rápido. Identifico me totalmente com este tecto. Um beijinho grande Joana.

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  9. Honestamente a mim este texto não me emociona, assusta-me. Que haja mães que têm de fazer isso tudo, porque não há pais com quem repartam igualitariamente essas funções. Ser mãe não é suposto ser esse sofrimento e superação constante, se houver um pai a fazer as mesmas coisas. Nunca me revejo nestes textos porque tenho um verdadeiro homem ao meu lado e nenhum de nós é mais mãe ou pai da nossa filha. Repartimos ambos trabalho a tempo inteiro, cuidar da nossa casa e da nossa filha. E não é nenhuma sacrifício, é a vida que escolhemos.

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    1. Pois, nem tudo é preto no branco. Há tons de cinzento. Há famílias diferentes, pais que fazem turnos, pais que chegam mais tarde, pais que trabalham fora, que viajam. Famílias com mais do que um filho, que por mais que "dividam tarefas" sobra muito para cada um. Opções, gestões, famílias que funcionam de forma diferente da sua. Eu já estive como a anónima. Agora não estou. Todas as formas são válidas (desde que não seja injusto para um dos lados, só porque o outro lado não QUER participar (e não porque não pode ou não consegue).
      Um brinde a vocês, um brinde a nós.

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    2. Muitas vezes o "não poder" do pai é na verdade um "não querer". Eu e o meu marido já estivemos em empregos de trabalhar, no mínimo, 12h por dia. Jamais teríamos filhos enquanto um ou ambos estivessem nessa situação. Era plano de vida de ambos sair, encontrar empregos com horários mais fixos e só aí ter filhos. Foi o que aconteceu (mesmo que ganhemos menos, mas trabalhamos muito menos horas). Isto porque era prioridade dos 2 a nossa relação, a nossa vida pessoal, a família, em detrimento da carreira. Hoje temos horários semelhantes, podemos ir os 2 levar a nossa filha à creche de manhã, o que sair primeiro vai buscá-la, etc. Tudo a pé e no centro de Lisboa.

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    3. (Carreguei antes do tempo)

      Isto para dizer que em muitos casos é opção de um ou ambos do casal estar em empregos que implicam um sacrifício da vida pessoal e que isso sobrecarrega necessariamente o outro. E que isso, para mim, não faz sentido, porque a vida pessoal e família serão sempre o que merece a nossa prioridade e a dedicação total dos 2 membros nela envolvidos.

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    4. "jamais teriamos filhos rebeubeubeu" muito cuidadinho com o nunca, eu tambem achava que tinha tudo controlado ate ao dia em que o meu marido ficou desempregado e eu tive de arranjar dois trabalhos para compensar. um brinde a mim, um brinde a ele, um brinde a todos os pais que nao tem vida facil. aos que tem tambem, sorte a deles. nao vejo este texto a fazer da mae uma uma martir, vejo com os problemas normais inerentes a qualquer papel que tenhamos na sociedade. melhora numas fases, piora noutras, deixa saudades sempre de qualuqer das formas

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    5. nao tenho acentuacao, desculpem

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    6. Tudo a largar os trabalhos, os médicos têm de largar os trabalhos, os enfermeiros, os padeiros e por aí fora porque segundo a anónima das 12:33 só os dois membros do casal quem têm horarios fixos e a acabar as 17h é que podem ser bons pais. TOP!

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    7. Ainda bem à anónima que lhe correu tudo bem, segundo os seus planos.
      Agora imagine-se no papel dos outros, dos outros que não tiveram escolha, dos outros que perderam um filho e demoraram a voltar à vida real, que tiverem um bebé prematuro internado num hospital meses, que voltaram para casa com um bebé prematuro com problemas, que tiveram de frequentar terapias, que tiveram de abdicar das suas carreiras e ficar em casa com o bebé.
      A vida não é cor de rosa para todos e nem todos podemos escolher

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  10. Estava mesmo a precisar de alguém que brindasse comigo hoje!
    Obrigada por este Wake Up que vais só morrer de saudades desta desarrumação, destes ranhos e de tudo o que os filhos trazem na nossa vida.. na realidade um vida que já nem me lembro como era antes de ser assim.

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  11. Tão verdade, ser mãe é o melhor do mundo :-)

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  12. Pois é...há famílias diferentes e cada vez mais, eu sou 1 delas, no meu caso família monoparental, sou mãe solteira...com tudo o k tem de bom e de menos bom. É difícil, sem duvida, mas não impossível...emocionalmente esgotante e estou constantemente cansada. Mas em tudo o k faço e todas as minhas escolhas e decisões são a pensar no meu filho (28 meses), garanto k ele é a minha prioridade :) E o k compensa todo o esforço e dedicação é vê-lo feliz e puder estar sempre presente, estar lá por inteiro...A felicidade dele é a minha felicidade e isso para mim basta-me!
    1 brinde, 1 abraço apertado e 1 sorriso grande a todas as mães e sobretudo a todas as mães solteiras k lutam e se desdobram em mil todos os dias para dar o melhor (a todos os níveis) aos seus filhos!

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  13. retifico o k disse em cima...kiz dar força e apreço a todas as mães SOZINHAS (solteiras, divorciadas e viúvas) e para todas as avós guerreiras que por não haver pai nem mãe estão a criar os seus netos como filhos. :)

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  14. Gostei! Gostei também, que o meu filho, este fim de semana, tenha dito que queria ir viver para Barcelona, mas que quer que todos os domingos possamos lá ir almoçar, como fazemos com os avós agora! Está tudo bem, eles vão voar mas serão sempre os nossos! Nós também já voámos certo?

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  15. JPB este foi sem dúvida nenhuma uma das tuas melhores reflexões, senão mesmo o melhor texto que já li... porque ser mãe é mesmo isto tudo.
    Adorei a forma que aqui foi retratada, pois é o que no fundo todas nós sentimos.
    Um beijinho e um brinde a ti JPB!!!

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  16. Amei. Um brinde enorme para nós mães, sim senhor. Porque nós, não diminuindo o papel dos pais, nós geramos vida dentro de nós, nós"parimos" os nossos filhos, nós amamentamos, nós temos uma ligação com eles que só nós mães é que sabemos. Há casos e casos. As mães de coração não são menos mães que eu. Mas há algo na nossa condição feminina que nos transporta para algo tão profundo e enternecedor como um amor por um filho. Eu tenho cinco filhos. Percebo bem a Joana, pois o mais velho tem 16 anos e começa a criar asas. A mais pequena tem 12 meses. Ainda tão dependente. Os outros três têm 14, 11 e 5 anos. Trabalho e o meu marido tb. Trabalhamos ambos por turnos e ao fim-de-semana. E não me sinto menos mãe por não ir levar ou buscar à escola. Sinto-me muito mãe por fazer tudo o que a Joana enumerou, mas principalmente por conseguir gerir toda esta rotina diária com um sorriso no rosto e a perfeita noção que tenho cinco seres maravilhosos muito felizes em casa. Um brinde a nós, sim senhor. Bjinho Joana

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  17. Adorei.Brindo a todas, solteiras ou não, mães por opção ou nem tanto, mães biológicas ou de coração. Às que agora passam pela fase do ranho e das birras, às que vêem os filhotes ganhar asas, àquelas que passeiam de mãos dadas com os netos. Brindo aos pais e aos avós que sendo homens dividiram noites, mimos, partilharam dúvidas, anseios, certezas e caminharam ao lado em benefício desses seres a quem queremos mais do que a nós mesmos. Os meus estão a iniciar o voo e só desejo que um dia saibam merecer este brinde.

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  18. Até chorei. É isto mesmo. Aproveitemos estes tempos preciosos ♡

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  19. Tão lindo, tão verdadeiro :-) parabéns Joana

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  20. Caramba Joana,que até chorei😂 Mas é tão verdade!Um beijo a NÓS e um especial para si que escreve tão bem.

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  21. Muito bom! Obrigada pelas palavras. É tudo o que queria dizer! :)

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  22. A Joana tem razão... Um brinde a nós mães, que tanto temos de fazer e sempre com um sorriso, mesmo que a vontade seja chorar. Porque a vida não é rosa para todos e uma família em que apenas o pai trabalha por turnos e fim-semana, por mais que ele queira o tempo é pouco, logo quem passa a maior parte dos apertos referidos no texto é a mãe. Contudo conseguimos manter a paz,a harmonia,a felicidade, o amor e a família, por isso um brinde a nós mães que por tanto passamos sem o trocar por nada neste mundo. Bj

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  23. Chorei muito ao ler o seu texto.
    Muito obrigado.

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  24. Lágrima no canto do olho 😍 Obrigada por este texto maravilhoso. A maior riqueza é a minha bebé Benedita. E o tempo passa... Tão rápido. beijinhos

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