sexta-feira, 25 de novembro de 2016

"Não quero a mãe!"

Doeu-me. Muito. Na alma. Nunca a tinha ouvido expressar tal coisa. "Não quero a mãe". Assim. Com um olhar duro. Assim que cheguei à sala dela, na escola, para a ir buscar. Chorei por dentro. Fingi que não. O meu lado mais optimista procurou o humor. "Olha, isto é para me preparar para a parvoíce da adolescência, quando gritar do quarto que me odeia", pensei para os meus botões. Não correu para mim, não ficou feliz de me ver. Não foi a primeira vez, mas desta vez disse-o. Fiquei ferida. Mesmo tentando desdramatizar, mesmo sabendo que me adora mais do que ninguém. "Vá, Isabelinha, vamos para casa, amor." "Não quero ir para casa". Okay, não é novidade. Nunca quer ir para casa, adora a escola e quer ficar sempre mais um bocadinho. Mas ultimamente demoramos uma eternidade a sair. A Luísa cansa-se, choraminga por levar com uma enxurrada de mãos e apertos e festinhas dos colegas da sala, e nem perguntando se quer ir ao pão ou à loja da fruta a convenço. É difícil. Depois de lhe dar tempo, é tempo de ir. Corre pela escola, foge, não quer ir ao colo, não quer entrar no carro, não quer ir na cadeira. Eu, que até lhe consigo dar a volta tantas e tantas vezes, não tenho conseguido. Todos os dias, sempre que sou eu a ir buscá-la, é um número de circo para a levar para casa. Já sei que há birra certa no carro.

Mas desta vez foi diferente. Pior, muito pior. Eu estava a pensar em tudo o que poderia estar a fazer de errado. Perguntei-me baixinho, por entre o choro alto da Isabel, que interrompia para dizer que queria ir à Susana (a educadora), o que estaria a fazer de mal. Quis saber o porquê daquela repulsa. Não era suposto, depois de tantas horas separadas, ela querer ver-me, estar comigo, brincar comigo? Não querem todas as mães ser recebidas com um enorme abraço? Serão ciúmes? Estarei a dar-lhe pouca atenção? Por que razão se contorce toda e chora como se não houvesse amanhã, aos soluços, quando tento prendê-la na cadeira? Por que razão não colabora? Acabo por aleijá-la, às vezes, ao prendê-la à força e, depois de tanto tempo aos berros, às vezes acabo por perder a calma e dizer-lhe que estou zangada e triste, levantando a voz. Já lhe pedi que se calasse também. Já gritei por cima. É extenuante.

Viu-me chorar. Chorei muito e não escondi. Quando saímos do carro quis ir ao meu colo e deu-me abraços. Muitos. Perguntei-lhe o porquê, e ela, de nariz vermelhinho de tanto chorar, deu-me um beijo e fez um som querido. Foi o pedido de desculpas à maneira dela.

E agora? Vai ser sempre assim? Faz estes números comigo por se sentir à vontade? Por saber que o meu amor é inesgotável? Por saber que não fujo? Mas... até quando? O que se está a passar?

Tento, nos meus momentos de tristeza e de ira, lembrar-me de que ela é um bebé, para fugir à tentação de a tratar como uma adulta e exigir-lhe sensatez e controlo, quando até eu o perco. Já me apeteceu esbofeteá-la. E ontem, o meu lado mais irascível estava a apoderar-se de mim e eu só queria que parasse, até porque aquilo me estava a assustar e à Luísa também. Parecia um animal ferido, a gemer. Quase lhe ouvi os uivos.

Não sei o que lhe acontece nesses momentos. Só sei que tenho de ajudá-la. Alguém me consegue ajudar a ajudá-la?



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47 comentários:

  1. Olá Joana,
    Possivelmente já tentaste isto mas houve vezes em que o Afonso disse que queria ficar a brincar na sala (mas sem choro) e eu disse:"ok, então a mamã vai andando" , fingi que me ia embora e ele veio de novo a correr para mim! No outro dia pediu só para acabar de ouvir a história que estavam a contar... e fiquei a ouvir com ele. Tenta perguntar-lhe se quer acabar a brincadeira e dizer adeus à Susana e aos amigos ou entra na sala dela e pede para te mostrar o que estava a fazer... espero que seja só uma fase!
    Um beijinho
    Filipa

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    1. Obrigada, Filipa! Já tentei ambas e já resultaram mas já não resultam. Se ameaço que me vou embora ela não reage sequer. Nestes últimos dias tenho entrado sempre para a sala e dou-lhe imenso tempo, mas chega uma altura em que não podemos estar lá mais tempo...
      Obrigada!

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    2. Não tenho uma solução ainda... porque também ando nessa luta! A minha mais velha, 3 anos, não quer vir embora, não quer ir para casa, chora, esperneia... também tem uma mana com 1 ano e meio que por ve-la a agir assim também já começa a querer imitar... e eu já só me imagino daqui a pouco tempo com as duas a gritar que querem ficar na escola... enfim! Vai passar... passa sempre tudo...

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    3. Joana, não ameaces, vai mesmo! Demora uns 15 mnts ou mais. Ou então deixa que outra pessoa a vá buscar dps desse tempo. Nas próximas vezes vai lembrar-se que aconteceu efetivamente e mais rapidamente quererá ir ctg! E todos passam por essa fase que passa!!! Fiz e com o meu resultou até hoje! Bjinhos

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  2. Não tendo filhos e por isso com pouca autoridade ou experiência para falar, eu diria que é o cansaço. Quando eu era pequena lembro-me que a escola me cansava tanto (correr, brincar, de um lado para o outro) que quando era hora de ir buscar estava ainda com a adrenalina aos picos e depois desatava a chorar como forma de desabar de cansaço. Era absolutamente irracional. Não sei se será isso com a Isabel, mas é uma hipótese...

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  3. Tão bem que me lembro dessa fase, durou mais de um ano, lamento informar ;) agora,com quatro anos td é mais fácil. Mas entre os dois e os três foi assim... Vai passar!!;)

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  4. Já experimentou ir buscar a Isabel sem a Luísa e dizer-lhe que vão fazer algo juntas a seguir, como ir ao parque por exemplo?

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  5. Bom dia. A minha filha tem 28meses e estou gravida de 22 semanas da segunda filha. Acontece-me exactamente o mesmo todos os dias, quer seja eu ou o meu marido ou mesmo os dois a ir buscá-la. A diferença é que está na avó ainda e vai a chorar até casa a chamar por ela, ao ponto de chegar a vomitar de tanto chorar. As frases são as mesmas "não quero ir para casa", "não quero a mamã"... queria muito que esta fase passa-se rapidamente, é desesperante. E suspostamente ainda não há ciúmes porque não se apercebeu bem do que a espera em breve. Enfim...é dificil. Boa sorte para si! E que passe rápido! Um beijinho e um abraço apertadinho :-)

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  6. Olá Joana. Passei por isso com a minha filha Maria. As birras eram tão grandes, tão dramáticas que ela chega a atirar-se de cabeça para o chão. Era assustador. Perguntámos se notavam algo diferente na escola mas, aparentemente, não notavam nada de "anormal". Disseram que era a "adolescencia das crianças" em que testam os limites dos pais para saberem até onde podem ir e que acabava por passar. Acabou por passar, com a ajuda da assertividade e de muita paciência. Uma palmadinha as vezes também ajudava, principalmente quando se magoava. (Palmadinha, fête atenttion: aquela palmada ligeira no rabiosque que sela uma discussão que passa dos limites). Mas acabou por passar é certo.

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    1. Testam os limites também com o objectivo de confirmarem que o amor dos pais é mesmo incondicional, mesmo que eles sejam uns estupores (claro que não são, mas às vezes parece!) a mãe e o pai vão continuar a gostar deles e ralhar e fazer as pazes.

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  7. Sei bem como se sente, o meu filho mais velho(8 anos) também nunca fica tempo suficiente na escola... Às vezes digo-lhe que vou levar um saco cama para ele passar lá a noite! Não sei se tem possibilidade de ser outra pessoa a ir buscá-la, pois comigo o que acontece é que sempre que vai o pai buscá-lo ele vem sem resmungar. Não entendo porquê, mas talvez seja mesmo como diz, o nosso amor ser inesgotável e eles saberem isso perfeitamente. As mães sofrem.❤

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  8. olá Joaninha...
    tive algo idêntico quando a minha Matilde era mais nova, 1.5 a 2 anos.
    sou muito stressada por natureza e sempre me disseram que transmitia isso á Matilde.
    ela nunca quis vir para casa comigo, nem com o pai... escola, escola, escola.
    eu já ia stressada no carro porque sabia de antemão que íamos fazer fita, correr...
    eu estava sempre á pressa porque tinha jantar, casa, roupa, tudo por fazer...
    DESLIGUEI....
    se não chegar as 18.30h, chegarei as 19h a casa...
    passei a ir calmamente busca-la, mostrar-lhe calma, transmitir-lhe essa calma... e se me perguntares se resultou???
    q.b.
    pelo menos começamos a ser mais amigas e regi-me pelos horários dela... e aos poucos as coisas foram melhorando, mas ainda tenho (com 2.5 anos) dias negativos para ir busca-la...
    Muita paciência Joaninha... não formulas magicas... há paciência e tu mostras pelos teus post que tens uma paciência MAGICA... força minha querida, não desesperes,... e tenta ir busca-la de mente aberta...
    Beijocas

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  9. Ainda não tive essa experiência, mas como disse alguém acima, era de experimentar ir buscar a Isabel sem a Luísa e ver se há diferença.
    (Se o fizeres, partilha connosco, por favor)
    Boa sorte ❤

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  10. Aconteceu a mesma coisa com a minha filha. Era a última a sair do infantário e mesmo assim ia a chorar para casa. Depois percebeu que isso me incomodava e continuava a chamar pelas educadoras mas com um risinho de marota. Acabou por passar.

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  11. Cara Joana,
    Cada criança é unica e tudo o que poderei dizer pode ser insignificante no caso da sua filha.
    Não sou mãe.. Fui ama e sou animadora num Atl. No meu trabalho tive sempre crianças que não queriam regressar a casa e a chorar desalmadamente. Razões podem ser muitas..
    O facto de estarem cansadas.. Muitas vezes passa nos ao lado mas as horas em escola e atl sao estruturadas, respeitam o ritmo das criancas em geral mas nao é a mesma tranquilidade de estar em casa. Sobretudo que temos horarios adptados ao trabalho dos pais.
    Outra razao pode ser o facto de ter "companhia" para brincar.. Numa estrutura tem criancas da mesma idade para brincar e adultos que estao sempre presentes. Nao quer dizer que os pais sejam culpados.. Depois de um dia de trabalho o ser humano esta desgastado.. Mas as crianças apreciam a partilha de momentos como fazer um jogo, um puzzle..
    Nao percebi se tem outro filho mas se é o caso é necessario que haja momentos individualizados.. Se possivel ir busca la à escola uma vez por semana sozinha e passar no parque e brincarem as duas.. Explicar a situaçao e mostrar lhe que ela tem sempre o seu espaço. Valoriza la.. Meter a mesa juntas por exemplo. Sera ao mesmo tempo uma demonstracao de confiança.
    Se mesmo assim ela fizer uma cena cada vez que a vai buscar é necessario que a educadora trabalhe em colaboracao consigo.. Pois os tecnicos de educaçao podem ser grandes aliados.
    O meu conselho é que deve tentar se possivel descobrir a causa.. Se nao conseguir tente varias estrategias mas partilhe as suas ideias com a educadora para que ela possa ajudá-la.
    Espero que os meus pequenos conselhos sejam uteis e sobretudo que a situação melhore.
    Vanessa

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  12. Os terríveis 2! Força e coragem que isso passa rápido Joana.

    Margarida

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  13. Quando a minha afilha entrou na escola, a maneira que arranjou para mostrar que estavasentida com o tempo que estava longe de mim e da avó (quem cuidava dela antes de ir para a creche) era andar mais zangada connosco. Não andava tão doce.

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  14. E se arranjasse um ritual? Quando a mãe chega à escola, a Isabel deve terminar o que está a fazer, ir dizer adeus ao brinquedo preferido, ir à janela ver qualquer coisa e dar beijinho à educadora. Uma espécie de rotina, que dure pouco, que a prepare para a despedida da escola. Tal como dizem que não se deve vacilar nem demorar ao deixar as crianças na escola, experimentar também não vacilar nem dar muito tempo para se ir embora...Boa sorte!

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  15. Eu ando a atravessar essa fase a uns bons 2 meses se por um lado é bom ok gostam de lá estar transmite segurança o "filme de terror" que vou ter só para a conseguir tirar da creche ou sentar na cadeira...o sentar da cadeira (que ela adora em qq altura mas há dias que caramba é mesmo isso joana acabamos por "aleijar" acabamos com o cansaço por elevarmos a voz.. e sim elas percebem por que digo o mesmo estou triste contigo! Às vezes Ainda no carro dia "sculpa mãe" quando a tiro diz logo "colo mãe" e beijinhos elas reconhecem mas matam-nos do coração... Ainda não ouvi essa frase só o perguntar então mas não queres ir para casa "não!" Tenho certeza que é uma fase (a minha nasceu em setembro 2014 são próximas de idade a sua isabel e a minha isabela)
    Beijinhos e força!!
    Não, não estamos a fazer nada mal sim!? Fases...

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  16. Eu diria que a Isabel tem um piquinho de ciume da mana (o que é perfeitamente normal), não quer dizer com isto que estejas a falhar nalgum lado, são fases... Acho que é uma boa ideia tentares ires buscá-la sem levares a Luísa, até porque isso vai permitir que a tua calma seja outra. De resto, é ter paciência e esperar que melhore...
    Filipa

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  17. Revejo-me em cada palavra desta publicação!!! Obrigada por partilhar nao me deixa menos triste e stressada com a situação mas fico um bocadinho mais aliviada. Obrigada obrigada obrigada

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  18. A minha filha, com 2 anos completados recentemente, fica contente quando me vê e corre para mim, mas depois nem sempre quer vir. Às vezes já estamos a chegar ao carro e ela pede para fazer xixi e lá temos de voltar para o colégio, chega e não faz nada... Também sei o que são birras para entrar no carro e é desesperante.
    No meu caso, noto que se for das últimas a sair do colégio vem muito melhor, sem dramas e a fazer adeus (eu digo que já estão todos a ir para casa) se for mais cedo nem sempre acha graça...

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  19. Lembro-me da Joana ter escrito que lhe dizem que a Isabel manipula a mãe e a Joana achou um enorme disparate. Eu achei tão verdade, não pela Isabel que não conheço a menina, mas porque as crianças são assim.

    Eu sei que a Joana não é assim mas comigo já tinha deixado de haver tanta conversa na hora de ir embora. Seria bastante firme, vens e acabou! Em casa falava sobre isso. Se tivesse possibilidade não levava a Luísa até o processo estar mais fácil.

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  20. Olá Joana, sofro exatamente do mesmo mal.
    Com 3 anos e meio, quando me vê a entrar na sala, limita-se a gritar NÃO e foge para o lado oposto.
    Tento convencê-la com milhões de argumentos, tento dizer-lhe que pode então fazer mais 1 ou 2 vezes o que estava a fazer, também já simulei a minha saída e nada a demove.
    Até já aproveitei a situação idêntica de outra mãe para fazer um concurso, quem veste o casaco mais rápido e entra para o carro. Às vezes resulta, outras nem tanto.
    É difícil sim, desgastante todos os dias, e sabemos que o tempo que estamos "a perder" naquilo nos vai faltar à noite para estar um bocadinho com eles mais descontraídas.
    Também já agarrei nela a chorar e a tentei prender na cadeira assim mesmo, o caminho até casa é difícil e depois o serão também não é melhor.
    Eu só anseio que passe, e com a Isabel também :-)

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  21. Joana o meu por vezes tbm quer ficar mais um pouco , para acabar uma brincadeira ou ir ao parque, para mostrar o que fez , o que faço e ficar um pouco com ele e depois digo q temos de ir embora por vezes faz um pouco de birra mas nao e nada assim cmo a isabelinha. De manha preparo.o logo com a informaçao que a seguir ao lanche a mama o vem buscar e ele ja sabe q depois de comer e hora de ir embora.
    Nao acho que seja ciume da mana ate pq na escolinha a educadora nao lhe da atençao so a ela tem mais crianças, acho q e so para se fazer ouvir e tentar fazer cm que seja a maneira dela . Espero q tenha sido so uma fase e que passe rapido , nao desanimes q es uma optima mae e nao estas a fazer nada de mal ..as crianças sao mesmo assim. Nos maes tbm sofremos eheh ���� um beijinho e força

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  22. Moro no estrangeiro e passa-se o mesmo comigo. Quando vou buscá-lo à ginástica ou à escolinha desata num berreiro só por me ver. Imaginem todos os meninos suíços rigorosamente ordeiros ( como é próprio da cultura deles) a correrem alegremente para as mães (ou pelo menos sem fazerem birra!) e o meu só de olhar para mim desata numa choradeira!! Começou aos dois anos e cinco meses e passado um ano ainda continua. Já tive todo o tipo de reações. Já conversei com ele muitas vezes e já desisti. É esperar até que ele alcance a maturidade necessária para perceber que a ginástica e a escolinha têm um fim e que ele tem de vir com a mãe para casa!! Agora que já fala bem pergunto-lhe porquê? Diz-me que quer mais "ginaca" e mais "colinha".
    Obrigado por partilhar, Joana. Às vezes culpo-me por não o ter diariamente num infantário, embora ninguém me garanta que não fosse fazer o mesmo. A sua partilha ajuda-me a desdramatizar. É só mais uma fase. Vai passar. Beijinhos

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  23. Não tendo passado por isso, já que o JM (quase 3 anos) vem sempre bem da escola. Gosta de descer mais uma vez no escorrega, mas geralmente concorda quando dizemos só mais 1 vez. Geralmente é o pai que o vai buscar, sem levar o irmão. Então não há crises. Mas às vezes diz que quer o pai, criaram uma grande ligação quando nasceu o AM já que era o pai que fazia tudo com ele. E claro que custa. O que tento fazer é ter actividades só com ele, trabalhos manuais em casa, fazer um bolo, ajudar com o jantar, etc. Dar-lhe pequenas responsabilidades para ele sentir que é "ceescido" e faz coisas que o irmão não consegue. Acho que esse tipo de comportamentos denota um pouco de ciúmes dos irmãos bebés. Não sei se vos acontece mas o JM diz várias vezes: mãe ralha com o mano/diz ao mano para sair daqui/tira-o daqui. Isto porque o mano já trepa por ele acima, quer os brinquedos dele. Às vezes lá "ralho" com o mano (11meses) só para não estar sempre a dizer "Tens de ter paciência, o mano é bebé, não fala, não entende." Acho que isso ajuda um pouco a ele sentir-se melhor.

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  24. Já pensou não levar a mais pequenina quando vai buscá-la? Só para não estar a lembrar que ela fica o dia todo com a mãe enquanto a Isabel vai para a escola...

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  25. Até que enfim que mais alguém fala disto! Porque pensei que fosse só comigo! A minha filha tem a mesma idade que a Isabel e tem sido um drama sempre que a vou buscar... Já me disseram que é a maneira de ela mostrar que está zangada comigo, por a deixar ali, fora do mundo dela. Ainda não encontrei também nenhuma solução milagrosa, é ir tentando e ter doses infinitas de paciência. Mas é difícil... muito

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  26. Bom dia, nunca aqui deixei qualquer comentário mas revi-me exatamente naquilo que descreveu. A minha filha não teve irmãos até aos 6 anos e o comportamento dela era assim principlamente comigo mas tambem com o pai e a restante familia. Nunca foi afetuosa, não queria beijos nem abraços, pedia uma toalhita para limpar os beijos e os afetos, nunca se ria, quando a ia buscar parecia que via o demónio, houve vezes em que ficava com a avó paterna e então era muito pior nem permitia que eu me aproximasse dela. Foi sempre uma criança extremamente dificil o convivio diário era uma luta constante e extenuante. Pensei que mudasse com o amor infinito que lhe dedicavamos mas á medida que foi crescendo alguns aspectos pioram e eu tive que procurar ajuda, eu não conseguia chegar á minha filha e esta constatação foi terrivel. Tem sido um caminho dificil com avanços e recuos, procurei, investiguei, deseperei muitas e muitas vezes, errei muito, recorri a psicologos, meditação reiki, tudo aquilo que me pudesse ajudar a ajuda-la tal como diz tão sabiamente. Hoje a minha filha tem 13 anos estamos a conseguir um equilibrio agora, a minha menina tem um coração de ouro mas veio em bruto e eu precisei de me numir de ferramentas e aprender a moldá-lo, procuraria ajuda no fim do mundo se preciso fosse. Aprendi que o caminho faz-se caminhando com resiliência muita paciencia, ser duro forte e firme quando é necessário e sobretudo com muito amor.

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  27. Viva,
    Confesso que me "soube bem" ler este texto... Acontece-me EXACTAMENTE O MESMO. Esta semana tem sido terrível nesse tema, essa fase já se tinha passado mas entretanto voltou a acontecer novamente e diariamente (a minha pequena C. tem 3 anos). Também já fingi que me ia embora e nem se preocupou. Já ralhei, já me enervei,o que torna o final de dia mais cansativo ainda.
    E eu que pensava que só a minha filha me fazia destas fitas.
    Força Joana, estamos juntas neste que é o Papel de Mãe...:-)

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  28. Mudem o nome do Blog para "a mãe é que sofre!". Tenho 2 também. Mais velha 3 anos mais novo 7 meses. Isto vai ser um comentário tipo telegrama. Passei por isso e pior. Tudo normal. Pediatra diz que é pra demarcar território; é a forma dela dizer que tem ciúmes da mana. Outra pessoa que a va buscar. Uma palmada no rabo não é crime. Impõe alguns limites. Não te massacres. Todas mas TODAS passamos por isso. A vida não é só unicornios cor de rosa e a tua filha está a testar limites e a lidar com a frustração. As birras são necessárias. O pediatra da Maria disse-me assim "você não quer que a sua filha seja um papagaio pois não?" Menos drama Joana. Todas gritamos de vez em quando sinal que somos humanos e a perfeição não existe. No fim do dia as mães são sempre o que eles/nós mais amam (os). Ouvir um não também é sinónimo de educação e ajuda a construir o carácter.

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  29. Tenho 2 filhas exatamente da idade das tuas e a mais velha tem atitudes semelhantes muitas vezes, ora com o pai, ora comigo.
    Cá em casa esses episódios acontecem por um de 3 motivos: ciúmes da irmã, quando está aborrecida connosco porque lhe chamámos a atenção para um comportamento qualquer, ou porque está aborrecida com qualquer coisa e não consegue expressar-se.
    Quando estou a amamentar a bebé é sempre quando a Lara quer colo, ou que lhe dê a comida à boca, ou quer fazer cocó ou qualquer coisa que vire a minha atenção para ela. Existem dias em que ela parece ficar horas a gemer e a choramingar. Um dia em que ela estava a fazer uma birra das mais "bravas" fechei-me um minutos na casa de banho a chorar. Estava sozinha com as duas, muito cansada, e a cabeça não dava para mais. Nesse dia pedi ao meu namorado para vir mais cedo para casa, eu não estava mesmo a conseguir.
    As coisas ficam muito melhores quando conseguimos dar à Lara muita atenção, quando um de nós está totalmente focado nela e quando a incluímos em tudo o que fazemos. Ela ajuda-nos a fazer a comida, a limpar o rabinho da mana, brincamos só com ela todos os dias e o meu namorado vai sempre busca-la sozinho. A maior parte dos dias isto resulta e não existem grandes stresses. Mas nem sempre é assim.
    Se calhar a Isabel por algum motivo precisava de mais atenção nesse dia e ficou sentida por não ter a mãe só para ela... É apenas uma teoria. Já experimentaste ir buscar a Isabel sozinha? Notas alguma diferença?
    Confesso que - talvez por uma defesa da minha própria mente - não fico muito triste quando a Lara me empurra e diz que não quer brincar comigo e prefere o pai. Explico-lhe calmamente que não se empurra a mãe, nem ninguém e afasto-me. Mais tarde, volto a abordá-la e ela já está mais calma. Encaro isso como uma coisa normal da idade, tento reforçar a atenção que lhe dou e digo-lhe sempre que a adoro, mesmo quando faz disparates que me deixam aborrecida (o que não significa que não existam consequências quando faz disparates).
    Atenção, calma, muito amor e esperar pelo melhor. :)

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  30. Provavelmente a essa hora está cansada, poderá ter alguma fomita e normalmente é assim que eles dão sinal. Ficam embirrentos e com mau humor.
    Tenta ir sozinha, se conseguires, para não teres a pressão da bebé e depois tenta ser mais firme. Na escola dos meus filhos só até à sala dos 2 anos é que nós os podmos ir buscar lá dentro. Depois ficamos à porta e quem trata da logistica de os tirar do lugar para vir embora são as educadoras ou auxiliares e isso ajuda muito, porque na escola "quem manda" são elas e a obdiência normalmente é pacifíca.
    Mas posso dizer-te que a mais nova tem 5 anos e verbaliza muito bem essa frustação de final do dia: " Mãe, eu quero que o Avô me venha buscar muito tarde porque eu quero ficar a brincar até ao fim!!!" E é tão simples quanto isto, e há muitas vezes "trombas" e "crises existênciais" só porque teve que sair da escola mais cedo (por causa dos horários do irmão)...

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  31. Olá Joana. Posso perguntar se a vais buscar à sala? Na escola do meu piolho (que já está com 6 anos, no 1º ciclo) os pais ficam à porta. Bem sei que por aqui muitos acham que os pais devem ir leva-los e busca-los à sala, mas na escola dele sempre correu bem, porque era alguém que o ia buscar à sala e o trazia à porta, muitas vezes a educadora, e ele vinha sem refilar. Ainda hoje é assim, e muitas vezes ainda reclama quando chega ao carro que queria brincar mais um bocado, mas já está no carro.

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  32. Talvez passar a busca-la um bocadinho mais tarde(15 ou 20 minutos) quando ela se desse conta de que grande parte das crianças já havia saído. Além disso, um pouco mais de firmeza e assertividade talvez fizessem algum efeito. É hora de sair, é para sair; a Mãe tem outras tarefas para fazer e a Isabel pode continuar a brincar ou fazer outras actividades em casa, que não são possíveis de realizar na escola.
    Podia também pedir a colaboração da educadora, no sentido de trazer a Isabel à porta da sala. Na escola dos meus filhos os pais nunca entram nas salas (nem no berçário) para minimizar a circulação de agentes infecciosos, o que também acaba por ser bom neste aspecto.
    Se as birras continuarem, porque não deixa-la ficar por uma vez no horário do prolongamento? Ir busca-la bem mais tarde? Deixa-la "dar um tiro no próprio pé"? Pode ser que ela perceba que ser a última a sair da escola não é assim tão bom... Na escola dos meus filhos são muito poucos os meninos que ficam para o prolongamento, pelo que deixá-los ficar até essa hora é quase um castigo!
    Além disso, parece-me que muita conversa e filosofias não serão muito adequadas a uma criança da idade da Isabel, cuja estrutura mental e emocional ainda está muito longe da maturidade. Nem sempre é necessário arranjar explicações muito complexas para as fazer colaborar; às vezes é sim porque sim, e é não porque não!
    As crianças têm de perceber que as suas atitudes têm consequências nos que as rodeiam (pais, irmão, amigos, avós...). Não me parece mal nenhum em mostrar claramente à Isabel que este comportamento deixa a mãe triste e desapontada. O nosso amor pelos filhos é infinito mas a paciência dos outros não; é nossa missão enquanto pais preparar as crianças para o mundo que vão enfrentar e ensina-los a agir de forma a não magoar os outros (começando pela própria família).
    Peço desculpa pela extensão do texto.
    Beijinhos

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  33. A sensação de abandono, o medo de estar a ser posta de lado... Antes era ela a rainha, agora a mana fica com a mãe e ela?!! Acho que é isto que sente. Vivo para os meus filhos, o mais velho de 6 anos foi para o jardim com 3, o mano tinha 3 meses.... Sofri isto tudo. E se alguém lhe pergunta se quer ir aqui ou acolá ele diz que sim.. Nem pensa em mim. Doi.. Mas são crianças em fase de crescimento. Muito complicado ultrapassar. Mas de-lhe mais atenção. Eles querem a atenção só para eles.
    Cristina

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  34. Joaninha! Claro que todas sabemos que ela queria sim ir com a mãe... é uma forma de chamar à atenção. E uma forma super eficaz que consegue imediatamente a tua atenção e te afeta diretamente e que sim resulta. ela diz que não quer ir e resulta. porquê, do ponto de vista de uma menina de 2,5 anos, mudar de estratégia? basta fazer uma birra e a minha mãe deixa! poe-te no lugar dela, vais a uma hora especifica pq tens que ir, certo? pq não vais mais tarde? mas chegas lá e dás-lhe tempo para ir ficando. fará sentido? pensa nisso.
    Sim, podem ser tb um bocadinho os ciúmes, mas como ves há aqui muitos filhos únicos a sofrer do mesmo :) Sei que provavelmente já fazes isto tudo que vou dizer, inconscientemente e talvez menos sistematicamente, mas se preparares este momento com ela vais estar mais segura e vais transmitir-lhe mais segurança.
    1º prepara momento com ela fora daquela hora, num momento calmo, por exemplo de manhã, no carro, no fim‑de‑semana, na véspera, etc. fala desse assunto e explica como vão exatamente fazer, acrescentando como ficas triste quando choram, berram, etc. e mostra-lhe compreensão por estar cansada ao fim do dia e de como gosta da escolinha e que ficas contente por ela adorar a escola e querer ficar la mas que todos têm que ir para casa no final do dia etc etc; podem planear algo giro para a seguir a escola: inventar uma historia no carro, ouvir um cd que goste, brincar com canetas do banho qd chegar, deixá-la decidir esse pequeno plano- o que vão fazer, etc.
    2º chega a sala e dirige tu a situação, não deixes que seja ela pq não é esse o papel dela. ela não tem que decidir o momento em que vão embora pq ela naquele preciso momento não quer ir e tendo 2 anos vai fazer o que estiver ao alcance para não ir (lembra-te que isto nos aconteceu a todos. os nossos pais chegarém cedo demais a uma festa, por exemplo!!! quem gostava que atire a primeira pedra!). explica calmamente que chegou a hora de ir para casa.
    3º birras esperneia etc - ok dás o aviso. a mãe vai-te dar um bocadinho para te despedires da susana, amigos, brinquedos, sala, (ritual) e no fim vamos embora (o habitual e velhinho 1, 2, 2,5; 3..tem uma razão de ser).
    4º anunciar - acabou o tempo - dizer que acabou e que ja se despediu, que percebes que gosta muito da escola e que ficas contente, mas é hora de ir. vamos embora (e vão mesmo).
    Não vai passar sem mais algumas birras, mas quando passar, terminou uma aprendizagem.
    5º filtro filtro filtro no que ela disser! desdramtiza. ela diz pq resulta. não diz por ser verdade :) lembra-te: ela pode decidir o que vai fazer a seguir à escolinha, não pode decidir a hora de irem embora. beijinho grande qualquer coisa manda mail ;)

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  35. Obrigada Joana...revi-me neste post como nunca...sofro horrores porque a minha filha me faz o mesmo. Parece que me odeia naquele momento e que me ama incondicionalmemte a seguir quando tudo acalma. É desgastante e vou com o coração na boca quando a vou buscar. Há dias em que corre tudo bem...mas são raros nos últimos tempos. Ela tem 4 aninhos e não tem irmãos...e se o pai a for buscar não faz nada disto.
    Fico partida por dentro...obrigada pela partilha mais uma vez.

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  36. Olá Joana,
    Não sei se vai busca-la sempre mais ou menos á mesma hora. Se for vá busca-la mais tarde, para ela notar a diferença. Com a minha resultou e até me disse que estava zangada comigo porque me atrasei. Pode ser que resulte, mas possivelmente ela ja percebeu que as birras a afetam e se fica com a mana em casa e com ela não, é uma firma de se vingar. Não se preocupe, que custa bastante ouvir mas passa. Boa sorte, tudo de bom.

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  37. A minha é mais nova uns meses e já me disse "não gosto da mãe, és feia"! Fiz de conta que nem ouvi para não dar importância! Coragem e muita paciência :)

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  38. provavelmente ao ir buscá-la com a mana ela percebe que a mana esteve com a mãe mais tempo, e se calhar na cabecinha dela fica a imaginar que estiveram as duas juntas em casa no mimo ou a fazer coisas divertidíssimas sem ela e então isso é a forma de castigar a mãe, do género: ai é? se não precisas de mim então eu também não preciso de ti! Isso misturado com um bocadinho de cansaço normal acho que resulta facilmente nesses comportamentos que refere. Não sei se já o fez, mas experimente ir buscá-la sem a irmã uns dias para ver como reage.

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  39. Tenho duas filhas e isto nunca aconteceu? sabem porquê, porque são quase das ultimas a sair da creche....então vamos pensar....há mamãs que tem disponibilidade para buscar mais cedo, e talves a essa hora ainda há animação na escola, as crianças tem um relógio na cabeça, tente ir mais tarde, que a Isabel vai ver os meninos todos a ir para casa e ela não, vai ver que quando chegar vai a correr para os seu braços....

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    Respostas
    1. Pode resultar como não...
      Só consigo ir buscar a minha a partir das 18h30, por vezes estão na escola apenas 3/4 míúdos e mesmo assim ela não quer vir.
      Mas quem sabe com a Isabel possa resultar.

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  40. A minha filha no início do ano letivo (só foi para a creche em Setembro, com 22.5 meses) chorava se não a iam buscar mesmo após o lanche. Neste momento optamos por ir buscá-la perto das 17h, quando os colegas já começaram a ir embora e a educadora já contou uma história. Se por acaso vamos após o lanche, estamos uns 20 minutos à espera que ela se despeça de toda a gente e brinque mais um bocadinho com isto e com aquilo.

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  41. Ola Joana,
    Aquilo que descreve foi o que passei com Maria desde Setembro ate ha uns 15 dias atrás. Esta mudança de atitude deveu-se ao facto de ter nascido a sua irmã, mudado de escola e a mitica fase dos 2 anos... Acredito piamente que é fruto do cansaço misturado com ciúmes. No meu caso começei a ler sobre parentalidade positiva ou consciente e fui aplicando no dia-a-dia. Isto porque birras de 2 horas e meia todas as noites mais uma hora todas as mnanhas resultavam invariavelmente em berros e cansaço de ambas. Decidi que não era isto que queria... Posso dizer-te que resultou! E ainda esta a resultar. Requer ainda mais paciência e algumas alteraçoes àquilo que sempre ouvimos relativamente à educação das crianças. Aconselho-te a ler e se te identificares a aplica-lo diariamente. Comigo funcionou! Beijinho cheio de paciência ;-)

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