segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Quero criar um filho feminista.

Não sou feminista. Nem de extremos. Muito menos radical. Cada vez mais me apercebo dos tons de cinzento que existem na vida, para além do preto e do branco. Mas vou ser radical, extremista e feminista a educar o meu filho. Quero e devo criar um homem feminista. Porque o carácter, as opiniões, as atitudes e o bom senso das pessoas adultas começam na educação. Porque não basta serem as mulheres a lutar pelos seus direitos, têm de ser primeiro os homens a perceber o que está errado e a quererem fazer alguma coisa por isso. 

Vou ensinar o meu filho a fazer a cama, a lavar a loiça, a cozinhar, a querer ser proactivo nas tarefas de casa, a perceber que estas têm de ser feitas por todos, não apenas quando lho pedem. Já o eram antes de chegar, continuarão com mais um elemento. Vou exigir-lhe o mesmo grau de perfeição que exigiria se fosse mulher, porque começa em nós essa distinção, essa diferenciação de géneros. As meninas têm de fazer tudo bem feito, os rapazes são trapalhões e, por isso, dá-se o desconto. Não. Nascemos todos com a mesma capacidade de organização, de aptidão, com todos os campos em aberto à espera de serem cultivados. Caso contrário os homens não seriam cirurgiões, arquitectos, escritores, designers. A sensibilidade, noção de espaço e coordenação motora têm todo o seu potencial em criança. Vou sensibilizá-lo para as relações entre homens e mulheres, para a bondade, para a educação para com os outros. Porque abrir a porta a uma mulher não é um acto feminista, nem discriminatório, é uma questão de tradição e educação. É uma questão, acima de tudo, de amor. E tal como o amor deve ser dado e recebido de igual forma em qualquer relação familiar, amorosa, de amizade, deve ser de igual modo partilhado por homens e mulheres. Tal como a nossa casa é habitada por homens e mulheres, deve ser tratada e conservada de igual modo pelos dois. Tal como os filhos são originalmente criados por pais e mães, devem ser cuidados pelos dois, em igual responsabilidade.

É nossa responsabilidade, de mães e pais, mudar o mundo para melhor. E temos esse poder nas nossas mãos. Não precisamos da pressão de inventar a cura para o cancro ou da resolução dos problemas ambientais, podemos, sim, mudá-lo para muito melhor com tão pouco. E o tão pouco é ensinarmos aos nossos filhos que nascem iguais, têm oportunidades iguais e responsabilidades iguais. Porque eles serão os próximos directores empresariais, os chefes de serviço, os políticos, alguns deles os primeiros ministros e os presidentes da república. Outros percorrerão o mundo em causas humanitárias, ou serão apenas pais de outras crianças com toda a responsabilidade que isso implica. 

Vou ensinar ao meu filho a importância do amor e do respeito pelos outros. Mas acima de tudo vou ensinar-lhe que um homem não é nem mais nem menos. E que deve ser tão ou mais feminista que uma mulher.




 


Joana Diogo


A Joana escreve no O que vem à rede é peixe
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27 comentários:

  1. Comcordo completamente. Os pais é que educam e dão o exemplo. O meu viking tem 3 anos e já ajuda em pequenas tarefas, tem no pai o exemplo que os homens também ajudam nas tarefas de casa e na mãe que lhe ensina as bases do feminismo ;) sem radicalismos, claro. E as educadoras nas escolas também têm um papel muito importante, porque ensinam a igualdade de géneros e de direitos. Todos juntos vamos criar uma nova geração, com uma mentalidade renovada e levo este meu papel, de mãe que ensina valores, muito a peito.
    Boa continuação de gravidez :)

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    1. Obrigada querida Annabelle :) É o papel mais importante de todos!

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  2. Não podia ter dito melhor! Tenho um filho de 6 anos, que estou a criar praticamente sozinha, e é um exemplo de miúdo. Cozinha, limpa, cuida, é o último dos cavalheiros. Sem complexos. Se fossemos todos "Franciscos", que fácil seria!

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    1. Sem dúvida que sim! Que continue o bom trabalho ;)

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  3. Fossem todas as mães assim e o mundo melhorava a olhos vistos!
    Mas nem as mães de meninas as educam para ser feministas, quanto mais...

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    1. Vamos mudar isso para melhor ;) Tem de começar por nós! Beijinho

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  4. Subscrevo na íntegra. Tenho dois filhos e sinto que tenho essa obrigação, ensina-los a saberem fazer tudo e a serem auto suficientes. Para já, tendo o mais velho 3 anos e o mais novo 1, têm de arrumar o que desarrumam, o mais velho tem de levantar a mesa, ajuda muito a preparar o jantar, poe a roupa suja no cesto e arruma os brinquedos do banho. A cama dele não é beliche, nem encostada à parede para daqui a uns tempos ser ele a fazer a própria cama, por isso tem uma cama normal, que facilite esse processo de autonomia. Reforço muitas vezes que devemos morar numa casa arrumada e limpa e que todos têm o papel de a deixar assim. Vamos ver como corre!

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    1. Tem tudo para correr bem! :)

      Beijo grande Filipa ♥

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  5. Acho o texto (e a filosofia) optimos Joana Diogo, parabéns!fiquei só com uma dúvida: o que é ser feminista radical ou de extremos? Por oposição, gostaria de saber se há machistas extremos também ou se podem haver machistas fofinhos :)

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    1. O que entendo como sendo de extremos é, por exemplo, ser contra deixar passar as mulheres em primeiro lugar ou segurar-lhes a porta, até mesmo abdicar de ter um companheiro para querer ser totalmente independente no seu feminismo. Não concordo com isso. Penso que fazer uma mulher sentir-se especial e ter um companheiro para a vida é a base de qualquer caminho para a felicidade.

      Beijinho Tatiana

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    2. Obrigada pela resposta, Joana. Conheço muitas mulheres - e homens! - feministas e nunca ouvi essa perspectiva "radical". Quem é contra o feminismo (essa ideia louca de que somos tod@s iguais) é que costuma usar esses argumentos. Também noto que há muita vergonha em dizer "eu sou feminista" e pensei que por protecção tenhas feito a ressalva :) Desejo do fundo do coração que esta geração de mães e pais possam educar para a igualdade sem medo de rótulos. Até que possamos tod@s sentir-nos iguais em direitos e deveres, sejamos feministas activistas! Muitas felicidades querida Joana!

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  6. concordo plenamente... apenas minha opinião que se somos todos iguais e queremos ser assim tratadas... não entendo porque o homem deve abrir a porta a senhora?? também devíamos fazer isso ao homem.
    De resto acho que a sociedade ainda é tao machista porque na educação os homens são diferenciados pelas mães, avós....etc

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    1. Também é bom ensinar que as mulheres apesar de serem iguais gostam de se sentir especiais.

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    2. As mulheres? Todas as mulheres? Ha as que apreciam esse tipo de gesto, e as que nao ligam nenhuma...

      Acho que educar para a igualdade passa por ai. Por ensinar que nao e suposto gostarmos de x ou de y por termos nascido homens ou mulheres. Ate nestas pequenas coisas :)

      Ana

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    3. Também não entendo, não ligo nenhuma a isso. Não espero que o meu namorado me abra a porta, pague a conta ou faça os trabalhos duros em casa. Mais depressa pinto eu as paredes, faço fogueiras para o churrasco e abro as garrafas de vinho. Do meu namorado espero que limpe a casa comigo, cozinhe metade das vezes, trate da roupa comigo e trate das miúdas da mesma forma que eu. A única coisa que sou só eu a fazer é amamentar, de resto tudo igual.

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    4. nessa coisa do especial depende mt da mulheer. E é assim: uma coisa é igualdade de funçoes, outra de emoçoes...as mulheres , regra geral, ligam a pequenos detalhes e gestos...se um homem ama uma mulher tem que ter isso em conta...como a mulher tem q ter em conta que os homens nao ligam a esses detalhes e nao fazerem uma tempestade num copo de agua por se esquecerem da data do primeiro beijo ou o diabo a 4 como ja vi acontecer...homens e mulheres funcionam de forma diferente e temos q respeitar isso...homens costumam ter mais força que as mulheres, pq fisicamente/naturalmente ja nasceram assim (ha exceçoes, claro!), daí normalmente ficarem com os trabalhos mais duros...mas me digam quantos trabalhos sao esses?? no dia a dia o q mais fazemos é lavar roupa, loiça, comida, cuidar dos filhos e limpar o po e o chao...ngn precisa de força ou atençao a detalhes nessas coisas, todos somos capazes de fazer e nao ha qualquer emoçao envolvida nisso (a nao ser o amor pelos filhos que, acredito, todos concordam q é preciso haver de ambas as partes, certo?)...sao nessas funçoes q se pede igualdade.

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    5. Penso que nesta questão entramos um pouco na sensibilidade de cada uma...eu gosto e vou continuar a gostar de me sentir especial. Tal como faço o meu marido sentir-se especial. Vou tentar passar essa sensibilidade ao meu filho. Que faça sentir-se especial quem estiver ao lado dele :)

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    6. É óbvio que não será todas as mulheres nem todos os homens!!!! Eu mãe de três rapazes gosto de lhes ensinar que as mulheres no GERAL apesar de iguais gostam de se sentir cuidadas e especiais (eu gosto). No GERAL gostam de cavalheirismo.

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    7. Ola Joana! Entao, ensine o seu filho a conhecer a mulher que tiver ao lado, e a perceber o que a faz realmente sentir especial. A ela.

      Mas sim, concordo que a maior parte das mulheres (e dos homens) prefere ser tratada com cortesia e cuidado. E ensino isso a minha filha ;)

      Ana

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  7. Ainda ontem pedi ao meu filho de 10 A para trazer os lençóis para lavar. Expliquei 20 vezes o que era para por na máquina ,ele não é burrinho e entende a primeira estava a ver era se eu me chateava e ia lá . Conclusão meteu os ditos na máquina e pôs a lavar. E não é que depois de 20 explicações deixou lá a fronha da almofada?? Então ontem aprendeu a tirar lençóis dá cama, a meter na máquina e a lavar a mão...A fronha ...

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    1. Passinhos de bebé! Mas devagar se chega ao longe :)

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  8. Infelizmente ainda muita gente acha que o feminismo é o contrário do machismo. Feminismo defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens.

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  9. E quando se tem um afilhado com 9 anos que goza com os amigos chamando-lhes gay? Pode parecer parva a preocupação, mas como em casa há um pai que, e citando, "tinha muita vergonha se o meu filho fosse isso", a preocupação é mais que óbvia. Enfim.

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    1. Essas questão são realmente complicadas de gerir. Penso que a comunicação directa e sincera é o que melhor funciona com eles. Isso e pedir-lhes para se porem no lugar dos outros. Essa funciona com toda a gente :)

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  10. Muitas vezes, infelizmente, nós mulheres somos as nossas próprias inimigas, especialmente enquanto mães e com atitudes dessas de dar o desconto só porque é rapaz...

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  11. traduzindo: quero criar um filho viadinho

    https://opobre-diabo.blogspot.com/2017/08/um-pobre-diabo-que-nao-se-rende.html

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