segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O pior de ter dois filhos.

Acusam-me muitas vezes de ser lamechas e romântica, que sou, mas acho que sou, também, realista. Por vezes realista queixosa e lamuriosa e, outras tantas, realista com sentido de humor. A melhor forma de encarar muitas vezes o sono, o cansaço, a falta de paciência é olhar para as coisas com um sorriso na cara e olhos rasgados, mesmo que cheios de olheiras. Já me aconteceu, muitas vezes, desmanchar-me a rir perante episódios que não lembram o diabo, por me colocar do lado de fora em vez de me ficar a consumir por dentro a vivê-los. Depois volto a eles, mas já descomprimi. A hora de adormecê-las é muito difícil, principalmente agora que a Luísa demora muito tempo e quer saltar na cama e meter-se com a irmã. Mas não só. Por isso, acreditem: ter dois filhos é o melhor que me podia ter acontecido, há momentos que me enternecem a alma, mas há alturas em que, se pudesse, preferia arrancar um mindinho do pé. :)

Quais são então as piores coisinhas de ter dois filhos?

1) Hora de dormir. 

Estão a ver quando têm um filho que demora 40 minutos, 1 hora a adormecer? Imaginem agora esse tempo a duplicar ou a triplicar. Se adormecem primeiro um e depois o outro, somam tempo. Se os adormecem aos dois ao mesmo tempo, ficam excitados e "querem conversa" e demoram ainda mais. O que resulta melhor por aqui é, quando há essa possibilidade, cada um dos pais adormecer um filho. À hora de dormir acrescento esta: quando se acordam uns aos outros (rrrrrrrrrrrr). Felizmente, a Isabel já dorme melhor e é raro acordar com a Luísa, mas o contrário já aconteceu (porque a Isabel fala - e ralha - durante os sonhos.

2) Duelo de titãs

Não se fiem nos primeiros tempos de namoro e colinhos e coisas boas. Chega ali a uma fase que é ver o mais velho a afiambrar no mais novo, o mais novo aprende e passa a afiambrar também no mais velho; ele é palmadas, beliscões, mordidelas, um cocktail explosivo de pancadaria que nos leva às lágrimas sem saber bem o que fazer.

3) Hora das refeições

Nem sempre é um caos, mas quase sempre. Uma começa a cuspir a comida, a outra acha que se pode levantar da mesa, a mesma que sempre gostou de ervilhas mas agora, como são verdes, diz que já não gosta (vai de fazer um coração com as ervilhas, se não as comeu logo que foi uma maravilha e no dia seguinte pediu mais), a outra mete as mãos na água, a mais velha acha piada e mete arroz no copo. É um espectáculo. Por isso, acabamos por ir comer pouco fora. Lá para 2021.

4) O segundo leva com açúcar, fritos e televisão bem mais cedo

Estão a ver aqueles cuidados todos que se têm com o primeiro filho? Com o segundo... (quase) tudo muda de figura. No início, o mais velho tem de perceber que não pode dar um bife ao bebé, mas, em passando aquele período inicial, torna-se mais difícil respeitar, porque o bebé já tem "quereres". Já não dá para ver a irmã a comer um epá e distraí-la com um elefante. Os segundos acabam por provar de tudo e acabam por conhecer o Panda também mais cedo. Paciência. O segredo está na moderação (é muito raro fazer batatas fritas em casa, por exemplo, e tento que a mais velha veja televisão só ao fim-de-semana).

5) As birras

Dizem-me que ainda não vi nada. Que vai piorar. Acredito que sim. Porém, já tive demonstrações do  potencial destas duas. O pior é quando uma está a chorar e a outra começa também, por contágio. Então se for a andar de carro, lá atrás, é de bradar aos céus. Já cheguei a fazer algo pouco ortodoxo como levantar o volume do rádio. Ufa, que alívio (e lá acalmaram).

6) Nem sempre conseguir estar lá para as duas.

Acontece, muitas vezes. Uma querer jogar às cartas, tarefa impossível com a mais nova por perto. A mais nova querer mama quando estou com a outra na água do mar. É arranjar estratégias, dar-lhes a volta, mostrar alternativas e explicar-lhes tudo. Converso muito com elas (às vezes achamos que não vão entender - e não entendem - mas com o tempo, vai lá), e as cedências, o ter paciência, o saber esperar farão parte da vida delas. Lá para 2025.


Posso estar a esquecer-me de alguma coisa. Por isso, sintam-se à vontade para completar a lista ;)








{Fatos de banho Principessa}


Ler também: 
Isto de se ter dois filhos (que escrevi quando a Luísa tinha 5 meses)



 
Sigam-nos no instagram aqui 
a mim também aqui e à outra Joana aqui.
O nosso canal de youtube é este.
Enviem-nos um mail  à vontade. 

13 comentários:

  1. Por aqui ( Uma com tres anos, um com 4 meses). Estar sozinha com eles num sitio publico, o bebé pede a mama pq está mesmo cheio de fome e ela lembra se de querer fazer xixi... Rrrrr Tb ja me aconteceu ir com os dois a Pastelaria. Ela querer fazer xixi e o wc ser no piso inferior, com N de escadas em que é impossivel leva lo no carrinho. Vai ao colo e depois é um momento de circo em que seguro nele, coloco papel higiénico a proteger a sanita,ajudo a a limpar se, lavo lhe as maps, as minhas mais. Isto tudo com ele ao colo. Ufaaaaa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ahahah verdade! Ir à casa de banho com os dois é um número de circo! (babywearing ajuda nessas situações, aconselho muito!) beijinhos!

      Eliminar
    2. Maos, queria eu dizer.

      Eliminar
  2. Mãe de três, com 16,13 e 9, digo que de facto os pontos2,3,4,5, e 6 são complicados de aguentar enquanto são pequenos. Vai melhorando, embora se possam introduzir outros pontos complicados que dizem respeito à autonomia deles (saídas, escolas, segurança).
    Quanto ao ponto um, desculpem lá mas só se mete nisso quem quer. Os meus sempre os deitei nas suas caminhas, adeus e até amanhã. Cama de grades até aos três anos, que é para perceberem bem que não é para de lá sair. Põem -se com essas modernices que só complicam...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fiquei com curiosidade em saber mais. Tenho dois, um com 2 anos e 5 meses e outra quase com 3 meses. Estamos precisamente a pensar aproveitar as férias de verão para o tirar da cama de grades (primeiro na casa de férias e depois também em Lisboa quando voltarmos). O pediatra disse que não há uma idade 'certa' para fazer a transição, mas achámos que seria melhor agora do que deixar para mais tarde, quando for mais difícil aguentar as eventuais dificuldades por mudança de cama. Mas agora fiquei com dúvidas se devo esperar até ele ter 3 anos?! Que me desculpem as mães que sabem sempre o que fazer e que confiam nos instintos. Eu muitas vezes não sei se hei-de confiar ou não! A pequenina dorme no Next to me , mas duvido que ainda lá caiba mais até quase aos 8 meses...por isso também dava jeito libertar a cama de grades... Mas estaremos a apressar as coisas apenas por conveniência?

      Eliminar
    2. Eu nao sei o que é melhor para si, mas se eu estivesse nessa situação preferia pedir uma cama de grades emprestada para a pequena (eu acho o bercinho perigoso quando se começam a sentar) e ganhar mais uns meses de tranquilidade...

      Eliminar
    3. Tenho 2 com 6 anos (Sim gemeas) aos 2 anos e 3 meses quiseram mudar de cama. Elas pediram para dormir na cama Grande. Para elas era gigante. Correu muito bem. Tinha o chão forrado com almofadas mas nunca foram precisas. Até hoje nunca caíram. Com 2 anos eles já entendem tudo. Fale com ele. É bom que ele perceba o que está a acontecer.

      Eliminar
    4. Eu mudei a F. no mês passado, tinha ela 2 anos e meio. Pensei que ia correr muito mal e enganei-me. Expliquei que ia ter uma cama só dela e no quarto dela 😉. Primeira noite acordou a meio e trouxe-a para a nossa cama. Fui fazendo assim e agora dorme sempre na cama dela 😄

      Eliminar
    5. Cara a.i., uma sugestão (foi isso que fizemos cá em casa) é tirar a grade frontal mas permitir que o seu pequenote durma mais uns tempinhos na sua caminha. Por cá por casa, como tirámos a grade antes de o Tiago fazer dois anos, pusemos uma proteção de 90 cm, o que lhe dá 30 cm para poder entrar e sair da cama sozinho. E desde antes dos dois anos que ele se deita sozinho, depois da história, e só sai da cama sozinho de manhã - durante a noite, se acordar, chama por nós.
      Acho mesmo que, neste caso, deve analisar os comportamentos do seu filho e confiar no seu instinto :) Cada criança é uma criança :)

      Eliminar
  3. Tudo nesta lista é verdadinha. Dá um trabalho danado mas foi a melhor decisão da nossa vida (foi mais a vida que decidiu por nós 😂) ter os dois próximos. Os momentos de cumplicidade são muitos, mas os de brigas w de quererem o que o outro quer também. Mas depois são uns miúdos que se portam lindamente com outras crianças, zero problemas para já!
    Ir a restaurantes é cansativo, mas vamos para que se vão habituando. Lembrei-me de outra! Ir ao supermercado outro filme! Querem ir no carrinho, depois não querem, birras, querem tudo, não querem esperar! Por vezes lá corre tudo bem, mas outras... Socorro!

    ResponderEliminar
  4. Junte a isso a birras de manha porque não querem vestir isto e aquilo, daqui por algum tempo hehehe!

    ResponderEliminar
  5. Também tenho dois, com três anos de diferença, e o cenário é de loucos. Chegar a casa e ouvir os dois a chorar porque um não quer a sopa e outro porque quer mais sopa (socorro!) É de querer fugir. Depois deitamo-nos os 3e enquanto eles adormecem, ali enroscadinhos a mim, já só penso em ter mais um. Ahahahahaha ❤

    ResponderEliminar