quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Dá-me um desconto, filha.

A mãe nem sempre consegue lembrar-se do quão importante é fazer a transformação da Corujinha contigo. Às vezes digo-te que sim e nem ouvi o que disseste ou digo “que giro” a um desenho em vez de olhar.

Às vezes a mãe fica enervada por não lhe fazeres as vontades e nem sempre quando te apressa é mesmo assim tão necessário estar a sufocar-te já com o tempo.

Não é preciso obrigar-te a dormir a uma determinada hora se te posso ouvir falar até que adormeças, as duas debaixo do edredão na tua cama.

Eu sei que só queres dizer mais uma coisa e que vai ser “uma coisa” que me vai ajudar a conhecer-te ainda melhor como hoje.

Comprei-te calças quentinhas para o Inverno e um desses pares é o teu preferido: o que tem a Minnie e o Mickey. Perguntei-te qual querias vestir hoje e disseste as cinza.

“As cinza, Irene? As cinza quando as que tu gostas mais são as do Mickey?”

“Claro. As do Mickey ficam à espera para não usar já!”

Tens muito isto. Não vem de mim certamente. Para mim, especialmente especial por seres ainda tão bebé e por conseguires ver além do agora.

Não tenhas medo, Irene. Apesar da mãe estar a lembrar-te de 2 em 2 minutos para ires comendo ou estar a dizer-te que temos de ser rápidas por um motivo qualquer… A mãe, quando tu não estás ou quando não sente que o tempo aperta, sente.

Sente e vê e sabe que tu és o que há de melhor no mundo inteiro.


As calças do Mickey ficam à espera.



a Mãe é que sabe Instagram

2 comentários:

  1. Este texto faz-me tanto sentido hoje. Passei a manhã a apresar a minha filha e depois parei e pensei que se calhar não é preciso tanta pressa....vivendo e aprendendo :)

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  2. Quando estou enervada ou em stress, penso assim: dinheiro, com algum trabalho, vai e vem; saúde, com alguma sorte, também; amor, com sorte e trabalho. Mas este momento, quando passar, passou. O tempo é o único bem que não é recuperável. E um momento com os que amo é mais importante do que a maior parte das outras coisas. Era uma pessoa pontual, deixei de o ser com o meu filho. Ainda ninguém se chateou por isso, e quando explico (e aviso de antemão) nem sequer se incomodam. Trocar 5 min de sono por ouvir o meu filho a "ler-me" uma história, como acabou de fazer? Chegar ao infantário a horas com ele a chorar em vez de tomar tempo a deixá-lo "escolher" a roupa dele e calçar os sapatos e vê-lo todo orgulhoso? Não me parecem boas trocas...

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