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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Decidi algo.

Quantas de vocês pensaram: 

1) "E o que é que eu tenho que ver com isso?".

2) "Pronto, afinal até vai ao segundo!".

3) "Espero que tenha sido pintar o cabelo...".

4) "Ai, que seja sair do blog que só a outra toma bem conta disto!".

5) "Ai, que seja expulsar a outra do blog que não aguento tanto branco e bordado".

Nenhuma das anteriores. 

VOU VOLTAR AO STAND-UP! 

Calma que o cartaz é antigo :) Na foto: Juan Pereira, Hugo Rosa e Guilherme Fonseca - os meus colegas que têm levado com os meus desaparecimentos do mapa - éramos os Saia na Saída. 

Parece uma novela mexicana: estou sempre a ir e a voltar, mas sempre com grande paixão. Como aqueles beijos entre senhores e escravos ou primos (ahahaha) e que acabam com um "não consigo, não estou pronta, o que é que estamos a fazer?". 

O que é facto é que volto a fazer stand-up e faço sempre que estou numa boa fase, sempre que me sinto capaz, confiante e com vontade de querer ser mais e de ser mais feliz. A Irene já fica bem sem mim (ou finalmente acho que eu consigo ficar bem sem ela - o que for) e, por isso, nalgumas noites, quando calhar, vou actuar. Tenho imenso material para explorar e vamos a isso.

Vou começar a escrever. 

Posto isto: sabem de sítios que queiram uma noite de comédia em Lisboa? :) Ou onde gostassem de ver comédia? 

Outros pontos do país: calma, tenham calma, lá chegarei :) Porém, para já, não consigo dormir fora de casa, vamos devagarinho! 



PS - E o que acham de voltarem ao "vosso stand-up"? Seja ele qual for? Eu tinha saudades minhas. 

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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pela primeira vez em 3 anos, fui sair à noite com uma amiga.

Tento ao máximo abstrair-me de julgamentos alheios porque pecadora me confesso e, portanto, sei que as opiniões dos outros e respectivos julgamentos têm mais que ver com as suas próprias experiências de vida do que com a situação em concreto. Estas foram as minhas escolhas e tive os meus motivos para elas. Todas são válidas, desde que conscientes e bem-informadas (vá, aquele "todas" tem algumas aspas, sei lá!). E quando são conscientes e bem-informadas, geralmente são menos permeáveis a comentários de terceiros ou, pelo menos, discutidas de forma mais saudável. 

Desde que a Irene nasceu que tudo o resto deixou de ser tão relevante. Primeiro porque me senti num modo de sobrevivência ao mesmo tempo que tinha de garantir a sobrevivência - não é só isso que queria, queria a perfeição do desenvolvimento físico e psíquico - da minha filha. Tenho noção de toda a pressão que isto implica, senti-a e sinto-a na pele. Diariamente. Estou a aprender a lidar com a minha ansiedade ou a resolvê-la. 

A recomendação da pediatra de não sair durante os primeiros três meses foi levada demasiado a sério e o objectivo de ser bem sucedida na amamentação custou muita sanidade mental (aos três). A par disto, houve uma licença de maternidade de 5 meses, um mês de férias para fazer os 6, um mês a trabalhar (e de me ter apercebido que ninguém estava à espera que eu voltasse, não sei porquê e fiquei a "encher chouriços", sem grande coisa para fazer) e depois um ano de licença sem vencimento. Em casa. 

Em casa e a querer cumprir com tudo o que eu considerava ideal para a minha filha (menos para mim, mas eu não pedi para ela me ter como mãe, foi o contrário). Sendo perfeitamente britânica com horários de sono e outros critérios que, com o tempo, se foram atenuando e deixando de ser tão fundamentalistas. Tudo isto perfeitamente privada de sono por ter escolhido não a ter no nosso quarto no 2º dia de vida (já não me revejo nada nesse post que escrevi, nada!) e de ter feito piscinas umas 8 vezes por noite, às vezes 12, para não acordar o Frederico e para... para quê? ... Tinha, também, que passear com ela. Ela tem que sentir o ventinho na cara, sentir relva nas mãos, esfolar os joelhos, andar de baloiço, estar com outras crianças. Muitas obrigações (auto-impostas) para um dia apenas e para uma mãe cansada, mas com uma enorme vontade de passar todo o amor que tinha no seu coração com sono, cansado, com medo, inseguro. 

No ano seguinte, voltei a trabalhar. Um alívio. Uma maravilha. Ela ficou em casa com o pai. Muitas das minhas responsabilidades foram passadas para o pai. As maminhas puderam respirar durante o dia, mas continuava a sentir uma grande responsabilidade em ir passeá-la, dado que o pai era mais caseiro. Depois de uma noite inteira a amamentar, a fazer as tais piscinas (para quê?), ainda ia para casa pressionada (por mim) a passeá-la a fazê-la brincar na natureza, ver outras crianças e também "pressionada" sempre pelas horas para conseguir dar banho, jantar, amamentar e dormir. 

A Irene entrou para a escola o ano passado. Não gostei da escola e a Irene também não. Mudámos de escola. Agora, sim. Está numa escola em que brinca lá fora. Em que há amor em tudo, em todo o processo desde que ela entra na sala até que ela me vê à tarde. A parte de brincar "lá fora", como os miúdos têm necessidade, está cumprida na escola. Falta só a parte de brincar com a mãe que uns dias poderá ser lá fora e outros nem por isso. 

Já estou a trabalhar há dois anos, a amamentação, neste momento, está perfeitamente adequada às vontades de ambas (mama quando acorda e quando adormece) e, agora, já estamos todos prontos para eu começar a "voar". 

Foi o pai quem a adormeceu na sexta-feira passada (nunca a tinha adormecido à noite, fui sempre eu). Disse à Irene "o pai janta com amigos, a mãe janta com amigos, o pai volta, a mãe volta, sempre". Saí e tranquilamente tudo aconteceu. Jantou com o pai, ele adormeceu-a e eu fui jantar com a Susana. 

Jantámos, bebemos sangria (não sou de beber álcool mas achei que o momento o pedia), rimos, decidimos continuar a noite e fomos ao bowling (um dos meus sítios preferidos, depois conto). Jogamos, rimos, gritamos, dançámos e fui para casa. 

A Irene acordou e o dia recomeçou como se tivesse sido qualquer outro para ela. Menos para a mãe que estava um pouco mais completa e com um coração melhor para amar mais a filha. 

Este sábado há mais, bitches. :)


Fotografia: Love Project
Laço: Lemon Hair Lovers

Outras leituras que podem ser "giras" ou "os links para os quais se borrifaram há bocado, mas que são espetados aqui de novo". 

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sábado, 15 de abril de 2017

Nunca pensei que este dia chegasse. Its time!

Acho que é típico das mães. Ou, pelo menos, espero que sim. Parece que sabemos que "aquele dia" - seja "esse dia" o dia do desfralde, a entrada para a escola, a saída de casa... - vai chegar mas, no fundo, não o visualizamos, não sentimos na pele que vá acontecer. E ainda bem, que temos de viver mais no presente, mindfulness blá, blá!

Não consigo usar "muito" ou "demasiado" porque acho que o natural é as crianças serem apegadas às mães. Acho também que é natural que, aos poucos - cada família ao seu ritmo - que esse espectro se vá alargando à restante família, começando por aqueles que estão mais perto. 

Até recentemente, a Irene era muito mãe. "Más línguas" ou gente preocupada e bem intencionada diziam ser da "mama", houve quem dissesse que era porque eu tenho uma relação assim e assado com ela, houve quem... A verdade é que chegou a altura: a Irene começou a mostrar de forma muito mais intensa o amor que sente pelo pai. 

Se dantes, em casa, o "sargento" - como ele gostam de me chamar - era o topo da hierarquia para receber mimos e fazer tarefas (que é a Irene a designar "a mãe muda a fralda", "a mãe dá a sopa", "a mãe..."), agora o pai já não tem descanso. E estamos todos muito felizes com isso. 

A Irene tem mais um companheiro em tudo o que queira fazer e não há nada que me deixe mais comovida que vê-los juntos (a não ser, talvez, quando me chega uma encomenda da Zara). 

O pai brinca de outra maneira e ela já vê quais são as especialidades de cada um. 

Isto tem-me dado uma pica para ir reajustando a minha vida que nem vos conto. Compensa esperar pelos timings dela. Tudo a seu tempo. Agora que é mais pai, a mãe pode ser mais outras coisas ou até voltar a estudar - deixem-me ter este sonho até ver horários e propinas (até tenho medo de ir ver e de ficar triste). 


 


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O melhor de ser mãe.

Esta é a lista que faço agora quando ela tem praticamente três anos. Claro que vai mudando com o tempo mas, para já, sinto-me grata por tudo isto. 


- Dar-lhe banho.

Quando era  bebé gostava ainda mais. Como dava sempre ao final do dia, era a única altura em que ela ficava mesmo calma e eu também e dava para descansar um bocadinho a cabeça. Agora adoro porque é algo onde ela fica entretida durante algum tempo e depois, com o cabelo molhadinho, fica a parecer a Necas de quando era muito pequenina. Porém, não dou banho todos os dias. Não sinto que seja necessário e assim temos mais tempo para brincar.


- Ouvi-la falar

A voz dela, a construção frásica cada vez mais elaborada e os enganos cómicos derretem-me por completo. Gosto também quando partilha coisas comigo sem que eu pergunte. Ontem foi: "A Sara (educadora) deu-me umas bolas amarelas verdes moles, a mãe depois compra?". 

- Ver a imaginação a desenrolar-se

Começar a vê-la a aprender a brincar sozinha e a entreter-se. Ver que já sabe inventar e que até tem dois amigos imaginários que são (!!!!!!!!!!!!!!!) um escorpião e uma aranha e que vão com ela para todo o lado.



- Saber que o meu afecto é importante

Quando ela precisa de mim (e mesmo quando parece não precisar), saber que ela se acalma e gosta do meu carinho. Sentir o corpo dela junto ao meu, entregue. 

- Ver que a informação entra

Gosto quando ela nos corrige ou nos faz reparos que já lhe fizemos. A cabecinha dela funciona e está mesmo atenta. "Mãe, não se põe a faca na boca!". "Pai, isso tem muito açúcar, tens de comer pouquinho!".

- Vê-la a gostar de outras pessoas

Além de adorar a educadora Sara e dela ser a mãe da escola, tem uma paixoneta deste o Verão passado por um rapaz chamado Rúben (nunca mais o viu, mas ainda fala dele), tem um crush por uma amiga da família da Joana Paixão Brás, a Dulce, adora os seus avós e está cada vez mais carinhosa com eles.

O ano passado, quando conheceu o Rúben.

- Quando ela se impõe

Gosto quando ela me inibe de fazer alguma coisa por ela! Naturalmente vou perguntando se ela precisa de ajuda para alguma coisa mas, orgulhosamente, põe-me no lugar e diz que quer tentar. Quando consegue (geralmente só se atreve para coisas que consiga) olha para mim com uma vaidade de si mesma... é das coisas mais bonita.

- Quando olha para o pai para ter a aprovação dele

No outro dia estavamos a brincar aos Legos e ensinou-me a por a pá do boneco na mão como o pai lhe tinha dito e depois olhou para o pai para ver se ele tinha ficado contente por ela se lembrar. Tanto amor e carinho naquele olhar, tanto.

- O sentido de humor

Mesmo quando chora, conseguir achar piada a qualquer coisa, nem que seja por lhe ter saído uma bolha enorme de ranho pelo nariz. Fazer já as suas piadas e adorar fazer com que os outros se riam.


Vê-la a ser sem que saiba que eu estou lá

Quando chego à escola sem que ela repare e consigo vê-la a ser pessoa. Ver que existe, que se move, que interage, que brinca... 

Adormecê-la

Uma grande guerra desde sempre, mas acabou. Adoro adormecê-la e adoro ouvi-la respirar. Adoro abraçá-la para que ela se relaxe e  não sei para quem mais é aquele abraço. Se para ela... ou para mim.




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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Quando é que me esqueci de que ela é pequenina?

Não sei se foi por estar cansada, com o desafio de estar pela primeira vez tantos dias sozinha com as duas, ainda por cima adoentadas e mais carentes (falei sobre isso aqui). Não sei se foi da quadra natalícia, que mexe muito comigo e me deixa um bocadinho triste (falei sobre isso aqui). 

Dei comigo à procura de uma resposta que me fizesse sofrer um bocadinho menos e que me fizesse voltar a olhar para a Isabel com o respeito que lhe tinha quando ela era bebé. Dei comigo a perceber que a ando a tratar com demasiada rigidez e autoridade (não confundir com coerência e disciplina, porque isso acho que é preciso), com brutidade, até, como se ela fosse um adulto a precisar de um abanão e de um puxão de orelhas (e eu acho que nem os adultos devem ser tratados assim...). Dei comigo a ter a certeza de que estou a exigir demasiado dela, a mandá-la calar, a pedir-lhe que pare de fazer birra, vezes sem conta.  

Eu não estou a ser a mãe que quero ser. Nem a mãe que ela precisa que eu seja.  

E, para que possa afastar a culpa de mim, e com ela levar a mágoa e a tristeza de não estar a ser quem quero ser, nem a construir a relação que quero com a minha filha, tive de fazer alguma introspecção e procurei fotografias dela quando ela era bebé. Tentei perceber onde e quando deixei de vê-la como uma bebé e passei a vê-la como alguém que tem perfeita noção do que está a fazer. Quando comecei a vê-la como manipuladora. Quando comecei a gritar com ela, a achá-la chata e até a ter raiva dela (ou de comportamentos dela).

Não tenho ainda respostas para tudo, mas fez-me bem chorar, descomprimir e voltar a apaixonar-me pela minha filha. Andava numa fase de algum desencanto, mesmo que com o coração a transbordar de amor e a ficar surpreendida com a inteligência e sentido de humor dela (o injusto que isto é, quando ela, mesmo com a minha gritaria, me adora a todos os instantes e me desculpa na hora).

Talvez tenha sido quando se começou a expressar melhor, a falar melhor. Talvez tenha sido quando começou a franzir o sobrolho e a dizer frases completas e bem estruturadas, a queixar-se, a zangar-se. Quando começou a fazer birras a sério, a bater e a dizer que não quer, que não gosta. Ela reproduz tudo o que vê, é muito autónoma e está naquela fase em que quer fazer tudo sozinha e diz mil vezes que é crescida e isso fez-me vê-la como alguém realmente muito desenvolvido e crescido. 

Ela nem três anos tem. É a minha bebé, a minha filhota. Está a processar tudo a mil à hora, não tem o cérebro desenvolvido o suficiente para conseguir articular a frustração. Está a conhecer os limites, a testá-los. Ela não nos quer mal, não nos quer chatear. Ela é uma querida. E eu amo aquelas pestanas, aquela gargalhada, aqueles olhinhos de bambi ternurentos. E, no fundo, aquela teimosia ainda lhe vai dar muito jeito no futuro. Espero que saiba valer a sua vontade, debater e argumentar, pela vida fora. Acaba por ser esse o treino agora. 

Via-a tão pequenina naquelas fotografias e no meu colo e vejo-a agora, tão desafiante e tão minha. Quero-a assim, aceito-a assim. E quero ajudar a fazer dela uma miúda e uma mulher segura, carinhosa, feliz.




(Isabel com 6-8meses) <3

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Até que idade podem dizer piu-piu?

Já que temos a Diana Lopes (terapeuta da fala) à distância de um e-mail, decidimos fazer-lhe algumas perguntas. Vejam lá alguma vos dá jeito! Obrigada, Diana :)





O que se deve fazer com os miúdos que comunicam por gestos para estimular a linguagem? 

Muitas crianças usam gestos para conseguirem o que querem. A  linguagem gestual pode ser uma ponte, mas deve ser superada. Se os pais/cuidadores entregam sempre à criança o objecto simplesmente apontado, a criança habitua-se e não aprende a usar a fala quando quer alguma coisa, sabe que basta apontar para adquirir o objecto pretendido. Isso, por vezes, leva à substituição da linguagem oral pela gestual. Embora a criança ainda não fale (ou mesmo quando fala) os pais/cuidadores devem explicar o que é aquilo e promover a oralidade incentivando-a a falar. Por isso, no momento em que a criança aponta para a água, é indicado que os pais perguntem "queres o quê?" esperando que a criança faça o pedido, incentivando-a a falar. Caso não o faço devemos dar o feedback: "Queres água? Então diz, eu quero água por favor". 




Até que idade podem dizer piu-piu?

Pouco depois dos 12 meses, surgem as primeiras palavras apesar de cada criança ter o seu ritmo de desenvolvimento! Geralmente são monossílabos ou repetições de silabas, por exemplo, “ó-ó” para cama/dormir ou “mã” para mãe, correspondendo sempre a pessoas ou objectos significativos para o bebé. No entanto, uma vez dita a primeira palavra, o vocabulário da criança multiplica-se rapidamente, à medida que começa a experimentar novas palavras e a juntar novos sons.

Aos 18 meses, o vocabulário do bebé pode incluir entre quarenta a cinquenta palavras, ou até mais, conseguindo compreender cerca de duzentas palavras. Por esta altura, já é capaz de compreender frases e ordens simples, iniciando a produção de holófrases (por exemplo, diz “áua” para transmitir a ideia de “quero água”) e é capaz de nomear objectos familiares. Por volta dos 2 anos, usará cerca de duzentas a trezentas palavras, em que 50% dos sons são claros e inteligíveis, e compreenderá cerca de mil palavras. Este desenvolvimento da linguagem da nascença até ao momento, permite ao bebé compreender ordens mais complexas, dizer o seu nome e construir frases com duas a três palavras. Desta forma, aos 18 meses já não é suposto usarmos um discurso infantil com a criança, será uma boa altura para começarmos a dizer que "o pássaro faz piu piu" em vez de "olha ali um piu piu".

As "coisas" devem ser sempre tratadas pelo nome, desde muito cedo. 




A Irene trata-se pela terceira pessoa e eu a ela, é grave? Devo fazer por alterar asap?

A Irene já tem 2 anos e 7 meses, sei que está dentro do que é esperado para a idade.

A Irene trata-se na terceira pessoa em todas as situações?  Na creche, como se refere a si própria, a Irene ou eu? Se se referir a ela na terceira pessoa em todas as situações, devemos começar a usar o "eu". Uma das consequências de se tratar sempre na terceira pessoa é o não reconhecimento  do significado do "eu".

Com os 3 anos, surgem capacidades gramaticais, como por exemplo, o uso de plurais e preposições, assim como a aplicação de questões no seu discurso (“a chamada idade dos porquês”). O vocabulário da criança é variado, permitindo-lhe compreender frases simples. Porém, na sua expressão as frases ainda são telegráficas respeitando a estrutura básica (Sujeito-Verbo-Objecto), por exemplo (“Irene quer leite”). É também nesta faixa etária, que surge a manipulação dos sons da língua através de jogos com rimas e de segmentação silábica, que será a base para a aquisição da capacidade de leitura, posteriormente. 

É uma boa altura para deixarem de se tratar na terceira pessoa dando o Feedback correcto à Irene.




O sono e o desenvolvimento da linguagem?

Não existem estudos concretos que confirmem que o sono seja benéfico ou prejudicial para o desenvolvimento da linguagem. Contudo, pela experiência e pelo que observamos sabemos que o sono tem um papel fundamental em todas as fases de desenvolvimento da criança. Uma noite de sono mal dormida pode ter como consequência uma diminuição na atenção e na concentração também porque a criança fica mais birrenta. Assim, se não estamos concentrados/ birrentos a aquisição de novas informações (palavras novas, por exemplo) é prejudicada.




Contacto ocasional com os avós que insistem em falar abebezado é de corrigir os avós ou não tem influência? 

Acabei por já falar um bocadinho desta questão do falar "abeberando" na questão "até que idade devemos dizer piu-piu".

Este acaba por ser um assunto sensível para os avós.

Quando dou algumas orientações aos pais, mais cedo ou mais tarde, acabo sempre por ouvir "mas Diana, eu faço isso mas quando ele está com os avós, é para esquecer. Os avós deixam-no fazer tudo o que ele quer, como quer (......)".

Os avós têm um papel muito importante na vida das crianças e no seu desenvolvimento. A relação de afecto, carinho e cumplicidade com os avós marcam a vida de uma criança para sempre. Os avós contam histórias, mimam, dedicam muito tempo aos netos e a grandes maioria das vezes acabam por ter mais paciência para os netos do que tinham com os filhos. 

As crianças aprendem a falar pelos estímulos que recebem das pessoas que os cercam, ou seja, a criança só aprende a falar ouvindo alguém que fale com ela. Por este motivo, é muito importante darmos padrões correctos de fala às crianças, mesmo que sejam bebés. ~

Acaba quase por ser uma regra, quando as crianças começam a falar acabam sempre por pronunciar uma ou outra palavra de forma incorrecta mas a família cheia de felicidade de ouvir o rebento a falar tem a tendência de imitar a forma como a criança fala porque acha bonito, engraçado. Contudo, mesmo no meio das palavras "engraçadinhas" que são pronunciadas pela criança de forma incorrecta, o adulto deve sempre dar o feedback correctivo.

Da mesma forma que ninguém dá um alimento estragado a um bebé, não devemos também dar um exemplo de fala errado, visto que a criança imita o adulto. 

Por isso, avós, dar muitos mimos, muito carinho, brincar muito mas usar sempre um discurso pouco infantil com a criança. 



A linguagem e as emoções. A ajuda nas birras. 

A criança tem uma expressão verbal limitada, e é através do comportamento que frequentemente expressa o seu mal-estar. As manifestações do comportamento podem tomar várias formas e, em diferentes crianças comportamentos idênticos, podem ter diferentes significados. Vejamos, como exemplo, as vulgares "birras", comuns em crianças pré-escolares, e que vão normalmente tornando-se menos frequentes com o crescimento, quando a criança passa a ser mais competente a usar a palavra para exprimir o seu pensamento e emoções. Quando falamos em "birra", referirmo-nos habitualmente a um estado de agitação em que a criança chora e berra, normalmente a seguir a uma frustração. O facto de não se conseguir expressar, fazer os outros entender o que quer, leva a um estado de frustração. 


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sábado, 22 de outubro de 2016

Tenho a certeza de que todas fazemos isto.

Não tenho nada. Mas apeteceu-me arriscar esta teoria, no fundo um bocadinho como os muitos estudos que por aí se vêem. No outro dia queixei-me do facto da Isabel andar com roupa de quem anda aos gambozinos, tudo curto, bom para atravessar as cheias. Então lá fui eu comprar o número acima. Só que acontece que fica tudo a boiar! E acham vocês que aqui a pessoa foi trocar? Na... vai de dar dobras, que assim dura mais tempo. Neste momento, é assim a roupa da Isabel: tudo curto ou tudo enorme. =) Aguente-se.










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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Recuso-me a aceitar que és a última bebé cá de casa

Recuso-me. Recuso-me a aceitar que serás a última bebé cá de casa. Mesmo aproveitando-te a cada segundo, mesmo dormindo contigo sestas para te ouvir respirar e estar lá quando acordas sobressaltada. Mesmo falando muito contigo, observando e ouvindo as tuas respostas, as tuas expressões. Mesmo não tendo estado ainda nem 30 minutos longe de ti. Recuso-me. Recuso-me a aceitar este tempo galopante que te acrescenta tantas gracinhas mas que leva de mim aquele bebé pequenino, que mal abria os olhos. Ontem viraste-te completamente, levantaste o rabo e puseste-te praticamente em posição de gatinhar. E eu pedi-te calma. Não estou preparada. E recuso-me. Recuso-me a despedir-me, para sempre, desta fase de bebé. Já sei como passa depressa e como num piscar de olhos vais estar a correr por aí e com saídas de nos deixar o queixo caído. Já segredei ao ouvido da tua irmã, numa daquelas noites em que não me deixa sair do lado dela, que ela vai ser sempre o meu bebé, mas a verdade é que eu já tenho muitas saudades. Muitas, muitas. Deste tempo que é só nosso. Em que estás cá fora, mas que te aninhas como se nunca tivesses de mim saído. 

Adoro ser mãe. É o que de melhor sei fazer, o que mais me completa, é o que me define, na minha essência mais profunda. Sou terna, sou um abraço enorme, um colo inesgotável, uma voz carinhosa e brincalhona, uns ouvidos atentos. Adoro os desafios que chegam, todos os dias, de ensinar, educar, brincar, impor limites, conversar e mesmo quando erro, quando não sou a mãe que quero ser, encaro-o como uma aprendizagem... E gosto de ver crescer a mãe que sou. Mas adoro a fase inicial, de amor em estado selvagem, mais de pele do que de cérebro, mais de abraços, colo e beijos, do que de conversa. 

E na verdade eu sei, Luísa, que muito provavelmente és a última bebé cá de casa e, também por isso, aproveito tudo ao milésimo. Todas as fases são bonitas, mas esta, em que és pura, tão dependente e quentinha, no meu colo, não se repete, passa depressa demais, e faz-me ter a certeza de que nasci para isto. 

21 de junho de 2016, Susana Cabaço Fotografia


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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Isto é possível na idade dela?

O pai e eu ficamos boquiabertos! Não estávamos nada à espera disto. Fomos passar um fim-de-semana prolongado há uns tempos a Santiago do Cacém à Quinta da Malmedra (muito giro para ir com mais casais e respectivos filhos) e a Irene ficou muito contente por ter tantos amigos com quem brincar, particularmente com o Ruben - ele que já tem fama de ser muito querido pelas crianças mais novas. 

Queria ir brincar com o Ruben, queria ir brincar com o Ruben e lá brincava. Não muito que o rapaz preferia mais ir brincar para a piscina e fazer bombas com os rapazes, mas a Irene já ficava encantada só de o ver a brincar e a saltar. 

No outro dia, meses e meses depois (ela conheceu o Ruben em Julho), voltou a falar-me do Ruben e, durante uma sesta dela, pedi ao Frederico para pedir ao pai do Ruben para gravar um video para a Irene. Gravou.

E aconteceu a coisa mais querida de sempre. 

Assim que ela percebeu que era o Ruben, atirou-se para cima do sofá e escondeu a cara. Depois, quando o vídeo acabava, olhava para nós a sorrir e dizia "é o Ruben!". 

"Olá Irene, ouvi dizer que tens andado a falar muito de mim. Também tenho saudades tuas. Temos que nos ver em breve. Beijinhos". 

Esconde-se sempre. Põe as mãos à frente da cara e dá gritinhos à miúda. Continua a dizer que é o Ruben e sempre que dá play volta a esconder-se. Meia hora depois, a meio de uma brincadeira, diz Ruben.

A minha filha de 2 anos e meio está apaixonada. 

Que coisa mais deliciosa. 

Não há emoção mais pura que esta e, ainda para mais, nesta idade. 

Vimos a Irene a apaixonar-se pela primeira vez... 

Fotografia por Inês Ferraz - Yellow Savages (site aqui)
Macacão - Little Jack Baby Clothes
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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Estou de volta!!! Yeahhh!!!

Atenção que não é a Joana Paixão Brás quem está a escrever este post, mas sim eu, Joana Gama. A Joana Paixão Brás estará de volta em breve quando estiver a 100% para vos dar as lamechices a que estão habituadas que, com a ausência dela, devem estar aí a fazer uma retenção de líquidos enorme. 

Estou de volta porque - estou tão farta de escrever isto como vocês de ler, mas estão sempre a chegar pessoas novas e não sabem - desde que a Irene nasceu, depois de estar um ano e meio em casa com ela, a minha vida ficou (naturalmente, de acordo com as minhas escolhas e personalidade) mais/toda centrada nela. Não me arrependo minimamente. Somos e estamos felizes. 

Voltei a trabalhar em Outubro (é uma coisa que também é boa, não se preocupem, leiam isto, por exemplo) e, desde aí que, sem hora de almoço e com horário reduzido que também não tem dado para grandes relaxes. Na sexta-feira passada, porém, quebrei o ciclo. Fui almoçar com a Renata ao Páteo Alfacinha. Já lá tinha ido com o Frederico e achei uma boa escolha. Agora como já não trabalho no Chiado, trazer o carro é mais fácil e dá-me mais mobilidade e assim foi.

Agora uma foto só para compensar a de lá de baixo que pareço uma roulotte:


Pronto. Já está. Foi por whatsapp para enviar à Joana Paixão Brás que ela fica toda contente quando me arranjo um bocadinho ;)

Retomando...

Embuchamo-nos de comida enquanto FINALMENTE pusemos a conversa em dia sem termos de andar atrás dos nossos filhos ou a responder-lhes de 2 em 2 segundos. Soube-nos tão mas tão bem que ainda hoje estou mais contente pelo almoço de sexta. Aliás, estava tão entusiasmada que até no dia anterior estava com dificuldade em adormecer (que estupidez, eu sei). 

Não gosto de vinho, mas até bebi um bocadinho e... sim, para quem não bebe álcool, meio copinho já deu para chegar ao trabalho e dar o melhor de mim para ficar calada para não dizer ainda mais porcaria que o costume. 



Mães que foram agora mães, não se sintam pressionadas por nada nem por ninguém a fazer algo com o qual não se sentem confortáveis. Não compensa se for para fazerem coisas que vos deixam nervosas. O vosso timing chegará e o timing de cada uma é diferente. O meu está a ser agora e... ESTOU A ADORAR!

Renata, juro que foi sem querer que me esqueci da carteira. Como a intenção é que conta e eu tinha a intenção de te pagar o almoço, para a próxima pagas tu outra vez. 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Daqui a nada tenho que explicar aquilo da cegonha.

Acho que não vou por nenhuma cegonha ao barulho senão a "coisa" fica ainda mais esquisita. Ela poderá imaginar uma cegonha a dar umas bicadas no pipi da mãe e ficar preocupada comigo. Ou pensar que as cegonhas roubam bebés e sempre que vir uma, enrolar-se numa posição fetal. Pior, pensar que se os sacos de plástico estão tão caros, onde é que a cegonha vai desencantar o saco para transportar o bebé de um lado para o outro. E se o bebé fizer cocó no saco no início da viagem? Depois fica lá a banhar-se até chegar à Alfredo da Costa? Meter a cegonha ao barulho é complicar. 

Vou antes pôr um Tucano. Tem mais cor, um hálito menos agressivo por (digo eu) não comer tanto peixe e tem um ar mais simpático.

Ah. Brincadeira. Logo se vê o que lhe digo, aliás, eu já lhe conto a história da mamã e do papá: "a mãe e o pai deram muitos muitos beijinhos e apareceu a Necas na barriga da mãe, a Necas cresceu muito muito muito, a mãe foi para o hospital fazer força, a Necas saiu pelo pipi e foi para a maminha. A mãe teve uma depressão pós parto ou lá o que foi e teve vontade de se atirar de uma pontezinha simpática". 

Ela gosta da história (claro que só vai até à maminha) e acho que assim fica resolvido até ela ter 6 anos. Tenho é medo que ande a dar uns mamos de boca agora aos peluches lá de casa para ver se fica com tartarugas-bebé no estômago ou caranguejos. 

A Irene começou a fazer perguntas. Reparamos sempre que ela é muito curiosa (todas as crianças são, eu sei), mas é um fascínio ver as coisas que ela quer saber, a vontade que tem de aprender. Já fui buscar um manual de contabilidade para ver se aprende ainda algo de jeito para o IRS deste ano. 

Agora aponta para as coisas e diz: "isto chama-se?". Ou: "o que é isto?". 

Ainda fico sempre supreendida. É mais uma forma que ela tem de conversar connosco e, sinceramente, parece-me que já está tudo. Ela é uma companhia fenomenal: opina, observa, pergunta e... faz birras. É uma mulher. ;)

Ah! Hoje de manhã até argumentou! Queria bolachas para o pequeno-almoço e eu disse "não são pequeno-almoço, são snack para comer entre refeições, o pai come pão, a mãe come pão, a necas come pão". Ela responde: "papá come bolacha, mamã come bolacha, bebé come bolacha". Claro que me ri imenso (mas não houve cá bolachas para ninguém muahaha, sou a nazi dos pequenos-almoços). 

Ela já me pergunta coisas. Mais uma milestone. Ansiosa por tangá-la imenso com coisas sem importância e rir-me para dentro com isso.

A pensar se consegue por lá um cão em casa se der um linguadão naquele caniche que está ali a passar.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Ah! Afinal não é só a minha filha!

Eu a achar que tinha uma filha maníaca das limpezas, mas é mal (mal não, bem!) geral. Falei com as minhas Mamãs de Março (grupo no FB onde eu e a Joana Gama nos conhecemos, snif snif, que linda história de amor) e muitos miúdos de dois anos andam nesta fase.

Ó p'esta carinha de satisfação! :)

A Isabel quer "papéu" a torto e a direito, assim como "toaletes". Se vê uma migalha no chão diz: "mãe, está xuxo!" e lá vai ela buscar a artilharia toda, a dela e a minha. Balde com água incluído. "Menina Béu axuda" (sim, é um bocadinho sopinha de massa, como pai).

No outro dia apanhei-a em frente ao espelho e fiquei a cuscar, sem ela me ver. Com uma toalhita limpava a boquinha, depois as bochechas, o nariz, fechava delicadamente os olhos para limpar as pálpebras e, depois, com uma mão, puxou a franja para cima e limpou a testa. Acabou o serviço e disse, orgulhosa e sorridente: "linda!".

Era tão bom que ela se lembrasse destes momentos quando tiver 9 anos e me gritar, do quarto, que tomou banho o mês passado. Ou quando eu lhe pedir ajuda para arrumar a cozinha e me responder 10 vezes com um "estou a ir!" e um "já vou!" ou um "mãeeeee!, já vai!". Mas não. É com dois anos que eles gostam de limpezas. Bom timing...

quinta-feira, 3 de março de 2016

Já está!! ACABOU!!!

De certeza que deve haver muitas mães por aí que partilham ou partilharam deste mesmo sofrimento: não sabermos quando é que os nossos filhos têm fome e o que é que lhes apetece comer. 

Apesar da Irene já se desenrascar muito bem a falar, só no outro dia disse "fome!" - se calhar porque nunca antes lhe tínhamos dado tempo para sentir fome. Porém, acho que esta semana antigimos um novo marco na maturidade da Irene. Conta o pai que estavam na sala e a Irene disse: 

- Pai, fome, iogurte. 

E assim foi. O pai deu-lhe o iogurte e ela gostou. Iogurte nem é algo que ela coma com muita frequência mas, por alguma razão, era isso que lhe apetecia e foi isso que pediu e foi isso que teve.

É maravilhoso quando começam a comunicar connosco, as suas vontades, os seus apetites...

Já tenho uma menina!!!


Apesar de, há dois anos, mamar nas maminhas da mãe. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Coisas que uma mãe feliz faz.

Já estive do outro lado, do lado infeliz, do lado cansado... ao mesmo tempo que, por uns minutos, tinha laivos do lado feliz da maternidade. Esta mudança deveu-se muito a dormir melhor (já vos falei disso aqui e aqui), mas também a tratar da minha ansiedade (aqui) e a voltar a trabalhar (aqui). 

Já chega de links, caramba. 

Mais fotos aqui


Coisas que noto em mim, agora que está tudo mais calmo: 
(não sei quanto tempo durará, mas sei que não será assim sempre e para sempre)

  • Quando a Irene me chama de manhã para acordar, vou cheia de vontade de a ver e entro no quarto com alegria e a brincar com ela e cheia de vontade de a mimar. - Dantes entrava triste, cabisbaixa, sem lhe passar alegria nenhuma por estar tão cansada e até zangada por ter sido acordada. 
  • Consigo arranjar estratégias mais criativas para contornar problemas temperamentais. Dantes, assim que ela me dissesse que não queria trocar a fralda (assim que acorda), ficava logo enervada. Agora, brinco e lá se muda a fralda até de uma maneira divertida. 
  • Tenho mais vontade de a integrar nas minhas tarefas. Em vez de a privar de ver a mãe a cozinhar (como se  eu cozinhasse) ou a maquilhar-se, tenho vontade de lhe mostrar o que são batons, as cores, etc. Dantes ela ficaria excluída e dir-lhe-ia só "isto é dos crescidos". 
  • Preparo-lhe os lanchinhos (e para mim também). Ontem lavei e cortei os morangos todos para, sempre que ela quiser, ser só servir. 
  • Presto mais atenção aos detalhes dela. Às vezes ela anda com as unhas mais tortas ou com o cabelo menos penteado ou, quando vamos à rua, visto-lhe a primeira coisa que me aparece à frente. Agora, até as unhas limei, tive finalmente paciência para inventar uma brincadeira para lhe conseguir secar o cabelo, ponho-lhe creminho da cara na cara, faço-lhe massagens nos pés depois do banho e escolho com imenso gosto e carinho a roupa que ela vai usar (se depois resulta, isso é outra coisa). 
  • Menos ipad e mais livros. Estou mais disponível para lhe dar de comer e para lhe contar histórias e ler coisas que impliquem paciência e não a despacho para o ipad. 
  • Mais dança! Mais vontade de por música a tocar, inventar coreografias, mais actividade física. 
  • Mais gosto em adormecê-la. Adormecê-la deixou de ser uma tortura e passou a ser um momento maravilhoso em que contemplo e saboreio e depois sinto um prazer enorme em que ela se "entregue ao sono" por se sentir protegida pela mãe que está ali ao lado dela. 
  • Mais carinho físico. Acaricio-a mais vezes, dou-lhe mais mimos, olho mais para ela, sorrimos mais juntas. Há mais silêncio. 
  • Maior vontade de fazer planos diferentes. Principalmente agora que o tempo não tem estado grande espingarda, apetece-me ensiná-la a descascar a banana para os bolos, a mexer nos ovos cozidos, a experimentar aulas de natação (ainda tenho de ir ver disto).
  • Vejo-a mais como ela é e o crescimento dela. O tempo abranda um bocadinho e consigo vê-la a crescer, que qualidades tem, como será a personalidade dela...
Isto tudo para vos dizer: se tiverem algo que vos esteja a impedir de serem felizes, resolvam! Ajam! Cada dia que passa é mais um que poderia ter sido muito mais fabuloso. E o bom disto é que, assim que descubramos como é bom quando as coisas correm assim, não queremos outra coisa e facilmente voltamos ao nosso equilíbrio. 

Assim, sim! ;)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Ela não pára de gritar!

Ando sempre a pensar em ideias para posts, em ideias para posts e como é que é possível ter-me falhado o que mais me tem andado a "azucrinar" a cabeça? 


A Irene entrou oficialmente nos terrible twos ou lá o que é (há quem diga que é um mito também - aqui). É uma fase em que eles aprendem a manifestar a sua vontade própria mas que ainda não sabem lidar com a sua frustração, então isso significa birras, gritos, desafios, etc. 

Ela já tinha tido uma fase em que gritava quando era mais nova: houve um dia em que estava a aspirar a casa (sim, que aqui a menina é blogger, mas sabe ligar um aspirador - muahah, brincadeira) e ela tentou falar mais alto que o aspirador e descobriu que aquilo chamava a nossa atenção. Gritou uma semaninha. Decidi ignorá-la. Achei que ao não dar atenção que ela se iria esquecer disso tal como se esquecia de tudo o resto.


Gira a imagem, não é? É assim que a vejo. 


Agora é um pouco mais complicado, não só porque a miúda está em vantagem (visto que utiliza mais % do cérebro que nós), mas também porque se começam a evidenciar as discórdias entre o Frederico e eu relativamente a isto da educação.

O pai é mais "à antiga", é a favor de nunca se bater na Irene mas acha que, às vezes, ela precisa de um "snap out of it" (um... sei lá como chamar... click?) e, então, sobe o tom de voz e abre os olhos. Isto faz com que, quando ela grita, o pai "grita" (fala mais alto, num tom que evidencia autoridade) a dizer que "a bebé não grita, que faz doer nos ouvidos, o pai já disse, blá blá). Ora, instintivamente não era isso que eu queria fazer, porque não me parece certo responder a volume de som com volume de som (lembrem-se da história do aspirador), nem me parece certo dar-lhe a impressão que o pai grita com ela, mas que ela não pode gritar porque faz "dói-dói" nos ouvidos. Porém, cedi à pressão. E sabendo que passaria por passiva (aos olhos do pai da minha filha) ao não dizer nada à séria quando ela gritasse, comecei também (na minha versão) a repreender o comportamento, dizendo (de olhos tão abertos que se tivesse acabado de por o rimel, ficava tudo sujo na pálpebra, mas sem subir o tom de voz - não gosto mesmo): "o pai não grita, a mãe não grita, a bebé não grita". Gritava na mesma. 

Percebo que aqui muitos pais passem para a "sacudidela na fralda" ou "enxota moscas" ou todos os nomes possíveis e imaginários para atenuar o facto de não terem conseguido arranjar uma estratégia mais racional que resolvesse o problema ou para quem se deixe irritar. Não é opção para mim, apesar de, confesso, ser o meu primeiro instinto. Já tive que travar a mão a poucos centímetros do rabo e várias vezes. :(

Levei algumas palmadas em criança, não me fizeram bem algum. Tenho de experimentar outras coisas. 

Experimentei o "somos amigas, a mãe fica triste", o "se a bebé grita, os ouvidos da mãe fazem dói-dói e assim a mãe tem de ir embora" (coisa que ela achou muita graça e começou a gritar e depois a pedir-me para ir embora para "brincar"), etc. Eis senão quando reparei que estava a fazer algo com que não concordava. Esta questão dos gritos estava a tornar-se uma questão importante, mas não porque eu lhe desse importância. Obviamente que não quero criar uma filha que se ponha aos berros em restaurantes, centros comerciais ou, até mesmo, em casa. Porém, acho que tenho de compreender a fase do desenvolvimento em que está e as respostas que dá aos nossos estímulos. 

Ela aprendeu que, se gritar, vê o pai e a mãe chateados. Se estiver aborrecida, faz isso para abanar um pouco as coisas e para ter atenção. Acredito que se ambos tivéssemos ignorado os gritinhos iniciais, pelo menos esta % do problema não teria continuado a existir. Enfim...

Outra: ela fica mesmo muito aborrecida com tudo. Vejo como uma espécie de pós-parto mas infantil. Ela não consegue ter o auto-controlo que nós, mulheres sacanas, temos quando estamos a deitar fumo da cabeça, mas conseguimos, passivamente dizer: "levas tu o lixo porque, se fores bem a ver, eu faço tudo o resto cá em casa e é só um saco do lixo, está bem?". Eles são genuínos ao mais alto nível. Odeiam-nos naquele momento (à situação, vá) e, portanto, é isso que deixam sair e não vêem motivo nenhum para controlar (nem sabem como) essas reacções. Aquilo que nos faz agir "nos conformes" são regras que vamos ensinando e aprendendo com o tempo. Acredito que ela, para já, ainda não tenha idade para compreender o motivo de não poder gritar ou chorar quando está chateada, frustrada ou zangada e, por isso, tenho tentado fazer outras coisas: 

- Dar nomes às emoções. - "ponho-me à altura dela", se ela não estiver num ataque perfeitamente furioso e digo: "estás mesmo zangada/triste/chateada/frustrada", não estás?". Ela, muitas das vezes, abranda o cérebro para dizer que sim e tenta explicar o que queria e, mais calma, consigo explicar-lhe o porquê ou desviar a atenção dela para outra coisa qualquer. 

- Deixá-la expressar-se - tento não levar a peito que ela esteja aborrecida por lhe ter negado algo. Dou-lhe um tempinho para se expressar, até porque acho que ela própria, aos poucos pode ganhar capacidade de "voltar a si", principalmente se não for nada de muito relevante. 

- Contar a história do que aconteceu - começo por relatar a situação (depende do grau de frenetismo), dizendo "a Irene estava a adorar brincar com a bola, mas agora são horas de ir dormir. E a Irene adora a bola, não é? Tem muitas cores, pois tem... Que cores tem a bola?. 

- Tirá-la do sítio onde aconteceu o drama - novas visões, novas preocupações. Agora, sempre que chegamos à garagem, ela faz muita questão de ficar sentada no meu lugar a fingir que está a conduzir. A birra que faz quando eu a tiro (depois de a avisar que o vou fazer) é só até ao hall do prédio, quando vê que pode chamar o elevador. 


Estas coisas têm resultado (continua a gritar, por isso "o resultar" aqui é relativo). Sinceramente não me enervo, para já, com os gritos dela e, por isso, consigo fazê-lo. Ela não percebendo porque é que me enervo com os gritos dela, não será mais uma birra minha se a impedir de se expressar quando está triste ou zangada? 

Acho que tudo tem o seu tempo e ainda não é já que vou conseguir que ela compreenda porque é que não se grita, nem vou fazê-lo com palmadas ou enxota (inserir nomes de animais aleatoriamente para suavizar a coisa), nem vou continuar a tentar que ela pare só por sentir medo de mim - não quero que ela sinta medo de mim, sou mãe dela, caramba! Sinto que a palmada poderá não doer fisicamente, mas evidencia uma filosofia menos produtiva de compreender os bebés e deles a nós

Se um dia terei um adulta que se fartará de gritar em todo o lado? Acho que não. 

Têm mais ideias criativas de fazer com que isto pare? Nem é por mim. É mais pelo pai que julgo que sofre por antecipação que faça isto em locais públicos (e as pessoas achem que não a sabemos educar - o quanto me borrifo para essa gente) e porque acho que os gritos o enervam mesmo por serem sons altos. 

Os vossos passaram por isto?

Odeiam-me por achar que não é pela palmada e dizer isto de forma tão clara de maneira a que me vão comentar o post a dizer "isso é porque ainda és nova nisto", "és muito passiva e depois queixa-te", "uma palmada na hora certa"... ? Podia fazer um parágrafo a suavizar a minha opinião para não criar cocó entre nós, mas para quê? É mesmo nisto em que eu acredito agora. 

E soluções nesta onda, mais alguém tem ideias? O que fizeram/fazem vocês?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

As mães preocupam-se demasiado?

No outro dia, uma mãe ficou impressionada com a quantidade de palavras que a Isabel dizia. Disse-me que a filha, de 19 meses, ainda só dizia quatro ou cinco palavras e que estava a pensar ir com ela a uma consulta de desenvolvimento, ou o que era. 
Não sou médica, mas falei-lhe da minha experiência. Já tinha estado ali. Não com a mesma preocupação, mas eu tive uma filha que dizia aquilo que eu achava serem poucas palavras para a idade. "Percebe tudo, tudo o que lhe dizemos, é uma esperta que só ela, mas falar nada." Idem idem, aspas, aspas. Era assim a Isabel. Mas...
Dei-lhe tempo. Sabia que a estimulávamos, que falávamos muito com ela, contávamos muitas histórias com entoações giras, brincávamos muito e que, mais tarde ou mais cedo, o dicionário que ela estava a registar na cabeça acabaria por passar para a língua. 
Assim foi. Em menos de um mês, passou a dizer muitas, muitas palavras. Agora, todas as semanas tem mais umas quantas novas. Já faz frases, pequeninas. "Anda cá, pai, dá a mão". Continua a fazer frases enormes, em que mistura a língua dela com o português, mas lá vamos percebendo mais ou menos o que ela quer. Termina muitas canções (diz a última palavra de cada verso).
É trapalhona, troca imensas sílabas e tivemos recentemente esta conversa:
- Pocu
- Copo
- Pocu
- Copo 
- Água.

Hahaha pronto. A atalhar caminho. Eles são mais espertos do que possamos imaginar. Uma esponja. Por isso, mães preocupadas antes de tempo, não o estejam. Dêem tempo ao tempo. Falem com pediatra, claro, mas não sofram por antecipação. Não podemos desejar que os nossos filhos sejam "os primeiros" em tudo. A Isabel começou a trepar cadeiras e sofás e a subir e a descer escadas cedo. Desenvolveu a linguagem mais tarde. E, de tudo isto, o que eu mais gostei de saber, na avaliação da escola, foi que é atenta, curiosa, gosta de aprender e de fazer trabalhos manuais. Eu já desconfiava, mas é giro saber que se comporta da mesma forma na escola. Bate nos meninos e a seguir dá-lhes beijos, mas isso é toda uma outra história. :) 



Vamos lá a confissões: preocupamo-nos demasiado, não é? Se não é com o peso, é com os olhos que parece que entortam, se não é com as pregas assimétricas é com o sono ou com o desenvolvimento da fala... Não temos descanso? Chiça! ;)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Como lido com as birras?

Sim, "a procissão ainda vai no adro". 
Sim, "vai piorar". 
Sim, "ainda vou morder a língua".
Sim, "tenho de esperar pelos dois anos. E pelos três."
Sim, "vou ver como elas mordem quando vier a irmã."

Sim, admito que ainda não sei nada. Sei pouco. Que cada criança é uma criança. Que cada um gere as crises familiares à sua maneira, de acordo com o que sabe e acha melhor. Mas, assumindo que não tenho experiência nenhuma com uma criança de dois anos e três anos (só tenho a experiência de uma criança de 22 meses), posso dizer-vos como lido com as birras da Isabel.




Não a ignoro.
Não grito.
Não desato à gargalhada. 
Não fico em pânico.
Não fico envergonhada.
Não lhe bato.
Não a imito, a gozar.
Não a ameaço.
Não faço birra.
Não lhe digo que ela é feia, nem má, nem um terror, nem que está impossível.
Não a ponho de castigo.

Respeito-a. Encaro como uma fase normal. Dura, difícil para nós, mas principalmente para eles. Para mim, fazer birras é bom sinal. É um sinal saudável de que ela tem emoções, vontades e necessidades. Está a desenvolver a sua personalidade e não sabe expressar-se de outra forma. O único entrave às vontades dela está a ser colocado pela mãe ou pelo pai. Mandar-se para o chão, chorar, tentar bater, mandar coisas para o chão está a ser a forma - a única que ela conhece - de expressar o seu desagrado. Não é nada contra mim nem contra o pai. É a frustração a falar mais alto. 

Falo com ela de forma calma.
Ponho-me ao nível dela. 
Às vezes dou-lhe festinhas.
Às vezes isso enerva-a mais e eu paro.
Digo-lhe que vai passar.
Tento abraçá-la.
Não lhe faço a vontade. 
Converso com ela. Explico.
Tento desviar-lhe a atenção para outra coisa.

"Filha, não podemos ficar mais a brincar no parque, está a ficar frio. Se apanhamos frio, ficamos com dói-dói e atchim. Em casa, podemos encher a piscina de bolas! Fazer uma chuva de bolas. Também vai ser divertido."
Passou. Às vezes não explico minuciosamente. Digo que não pode ser, mas tento logo canalizar a atenção dela para outra coisa. 
Não ganho nada em alimentar a frustração dela. Se gritar com ela, estou a deitar achas na fogueira. Se bater, estou a destabilizá-la ainda mais. E o que eu quero? Que a estabilidade volte. Que ela se acalme. 

Há quem diga que não temos de explicar tudo. Que "não é não". Mas, para mim, isso é pouco normalmente. Não quero que me veja como autoritária. Quero conquistá-la. Quero que confie em mim. Geralmente dou-lhe exemplos e modelos, que ela, devagarinho, vai compreendendo. Não queres vestir o casaco? A mãe tem um vestido, o pai também e até podemos vestir um ao cão. Tem de ser. Chora um bocadinho, às vezes não chora, às vezes tenho de forçá-la a vestir-se, mas passa. Acaba por passar.

No outro dia, perante uma birra da Isabel no cabeleireiro, uma mãe disse-me "ui, a minha comigo não faz farinha". A minha faz. Espero que faça pão, até. Não lhe faço as vontades, não volto com a palavra atrás, mas tento ser paciente. Não ganho nada em ser agressiva. Eles são o reflexo do que vêem e do que sentem. Não vamos juntar à árdua tarefa de crescer os nossos stresses. Nós temos o dever, enquanto adultos, de tentar controlar os nossos nervos. Eles não, estão a aprender a gerir tudo.

Sim, muito provavelmente vai piorar. Sim, muito provavelmente vou morder a língua. Sim, vou descontrolar-me algumas vezes, sou humana. Mas, para já, é assim que tem sido. E, até agora, tem resultado com a Isabel.

Coragem!