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terça-feira, 8 de agosto de 2017

As 6 piores coisas de se ter dois filhos

Acusam-me muitas vezes de ser lamechas e romântica, que sou, mas acho que sou, também, realista. Por vezes realista queixosa e lamuriosa e, outras tantas, realista com sentido de humor. A melhor forma de encarar muitas vezes o sono, o cansaço, a falta de paciência é olhar para as coisas com um sorriso na cara e olhos rasgados, mesmo que cheios de olheiras. Já me aconteceu, muitas vezes, desmanchar-me a rir perante episódios que não lembram o diabo, por me colocar do lado de fora em vez de me ficar a consumir por dentro a vivê-los. Depois volto a eles, mas já descomprimi. A hora de adormecê-las é muito difícil, principalmente agora que a Luísa demora muito tempo e quer saltar na cama e meter-se com a irmã. Mas não só. Por isso, acreditem: ter dois filhos é o melhor que me podia ter acontecido, há momentos que me enternecem a alma, mas há alturas em que, se pudesse, preferia arrancar um mindinho do pé. :)

Quais são então as piores coisinhas de ter dois filhos?

1) Hora de dormir. 

Estão a ver quando têm um filho que demora 40 minutos, 1 hora a adormecer? Imaginem agora esse tempo a duplicar ou a triplicar. Se adormecem primeiro um e depois o outro, somam tempo. Se os adormecem aos dois ao mesmo tempo, ficam excitados e "querem conversa" e demoram ainda mais. O que resulta melhor por aqui é, quando há essa possibilidade, cada um dos pais adormecer um filho. À hora de dormir acrescento esta: quando se acordam uns aos outros (rrrrrrrrrrrr). Felizmente, a Isabel já dorme melhor e é raro acordar com a Luísa, mas o contrário já aconteceu (porque a Isabel fala - e ralha - durante os sonhos.

2) Duelo de titãs

Não se fiem nos primeiros tempos de namoro e colinhos e coisas boas. Chega ali a uma fase que é ver o mais velho a afiambrar no mais novo, o mais novo aprende e passa a afiambrar também no mais velho; ele é palmadas, beliscões, mordidelas, um cocktail explosivo de pancadaria que nos leva às lágrimas sem saber bem o que fazer.

3) Hora das refeições

Nem sempre é um caos, mas quase sempre. Uma começa a cuspir a comida, a outra acha que se pode levantar da mesa, a mesma que sempre gostou de ervilhas mas agora, como são verdes, diz que já não gosta (vai de fazer um coração com as ervilhas, se não as comeu logo que foi uma maravilha e no dia seguinte pediu mais), a outra mete as mãos na água, a mais velha acha piada e mete arroz no copo. É um espectáculo. Por isso, acabamos por ir comer pouco fora. Lá para 2021.

4) O segundo leva com açúcar, fritos e televisão bem mais cedo

Estão a ver aqueles cuidados todos que se têm com o primeiro filho? Com o segundo... (quase) tudo muda de figura. No início, o mais velho tem de perceber que não pode dar um bife ao bebé, mas, em passando aquele período inicial, torna-se mais difícil respeitar, porque o bebé já tem "quereres". Já não dá para ver a irmã a comer um epá e distraí-la com um elefante. Os segundos acabam por provar de tudo e acabam por conhecer o Panda também mais cedo. Paciência. O segredo está na moderação (é muito raro fazer batatas fritas em casa, por exemplo, e tento que a mais velha veja televisão só ao fim-de-semana).

5) As birras

Dizem-me que ainda não vi nada. Que vai piorar. Acredito que sim. Porém, já tive demonstrações do  potencial destas duas. O pior é quando uma está a chorar e a outra começa também, por contágio. Então se for a andar de carro, lá atrás, é de bradar aos céus. Já cheguei a fazer algo pouco ortodoxo como levantar o volume do rádio. Ufa, que alívio (e lá acalmaram).

6) Nem sempre conseguir estar lá para as duas.

Acontece, muitas vezes. Uma querer jogar às cartas, tarefa impossível com a mais nova por perto. A mais nova querer mama quando estou com a outra na água do mar. É arranjar estratégias, dar-lhes a volta, mostrar alternativas e explicar-lhes tudo. Converso muito com elas (às vezes achamos que não vão entender - e não entendem - mas com o tempo, vai lá), e as cedências, o ter paciência, o saber esperar farão parte da vida delas. Lá para 2025.


Posso estar a esquecer-me de alguma coisa. Por isso, sintam-se à vontade para completar a lista ;)








{Fatos de banho Principessa}


Ler também: 
Isto de se ter dois filhos (que escrevi quando a Luísa tinha 5 meses)


Texto original e comentários aqui.

 
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sexta-feira, 10 de março de 2017

Não posso ser normal!

Ontem à noite vi num grupo do FB, do qual faço parte, uma mãe a dizer que está grávida do sexto filho e a pedir opiniões sobre um berço. Fiquei feliz por ela e quis, por momentos, ter não seis mas quatro. Como? Se ainda ontem disse a brincar - e sem elas ouvirem - que as ia pôr num caixote do lixo. Digo às vezes que as quero devolver, com aviso de recepção (porque sou boazinha e quero saber se chegaram ao destino eheh). É nesta dualidade entre querer hipoteticamente ter mais filhos (e de ter uma espécie de inveja branca de quem os tem) e entre nem sempre dar conta do recado com apenas duas e de me perguntar "onde me fui meter?" que eu digo que NÃO POSSO SER NORMAL!

Eu sempre disse que, se pudesse, teria quatro filhos. Lá bem atrás, quando brincava com bonecas e até na adolescência. Muito antes de saber o que é isto de ser mãe.
Depois comecei a trabalhar, a receber 500 euros a recibos verdes, a ver o que a vida custava a ganhar na minha área e percebi que dificilmente conseguiria cumprir esse sonho. Depois, lá arranjei um contrato de trabalho de um ano, a receber mais 300 euros. Juntei-lhe uns trabalhos extra, locuções e estava estável (o que quer que isso seja, claro que de acordo com os meus padrões e necessidades). Depois deixei essa "segurança" mínima do contrato, voltei aos recibos verdes para trabalhar em projectos que eram mais aliciantes. Fui crescendo, ganhando estaleca, até chegar a editora de conteúdos e a ganhar melhor. Mesmo assim, continuei a saber que seria de uma enorme imprudência - para não dizer impossível! - ter 4 filhos. Tê-los e dar-lhes a atenção que me merecem e criá-los com a segurança e o orçamento que acho que é preciso para não nos sentirmos com a corda ao pescoço e podermos dormir (eu disse dormir? o que é isso?) descansados. Eu não tenho um trabalho em que ganhe bem e que possa ser mãe com toda a plenitude que desejo, os meus pais não têm um banco, não tenho posses, não tenho um marido rico, por isso acho que aquele sonho de miúda, influenciada pela Música no Coração talvez, fica bem lá atrás. Tenho de ser realista. Para já não dá e em princípio não dará nunca.
Sem grande pena. A verdade é que acho que, mesmo se pudesse, já não quereria ter quatro filhos. Não é eufemismo quando se diz que dão muito trabalho. Dão mesmo. Claro que é altamente compensador, digo muitas vezes que é a melhor coisa que já fiz na vida, a melhor decisão, mas caraças!, sai-nos do pêlo! É preciso ter muita paciência, abdicar de muita coisa, dar muito de nós. Às vezes digo que se fosse para ter mais um, seria AGORA. Outras vezes acho que a ser, SÓ DAQUI a uns 5 anos. Mas no fundo, no fundo, acho que nem agora nem daqui a cinco anos. Por tudo: orçamento e disponibilidade mental. Amor, sei que teria para todos e mais alguns. Mas só isso não basta, acho eu.

Posto isto, só o facto de eu falar sobre isto indica que há dúvidas. Há incertezas neste coração de pessoa que adora ser mãe, por mais que se queixe. Por isso, repito, EU NÃO POSSO SER NORMAL!


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