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terça-feira, 14 de março de 2017

Vamos ter que ir ao neurologista.

Vocês que acompanham o blog mais do que só ver as "gordas" (que não me refiro a mim e à Joana), já devem ter reparado que a Irene "sofre" de convulsões febris. Pus o "sofre" assim porque, na prática, como ela não parece lembrar-se do que aconteceu, quem mais sofre são as pessoas que cuidam dela. 

Depois da última convulsão (a semana passada) a maravilhosa educadora dela ligou-me a perguntar detalhes e como estava a Irene e desabafou um "ainda bem que foi consigo" e claro que eu penso o mesmo. Apesar de ter sido no parque infantil. 

Foi a primeira convulsão da Irene fora de casa e confesso que ainda não tinha bem materializado este cenário. Ela pode mesmo ter uma convulsão a qualquer altura e não consigo imaginar quando. Tinha acabado de a ir buscar à escola, ela estava bem, animada, estava quente (ligeiramente) mas imaginei eu por estar a correr e até fomos aos "baloiços". 

Tenho vídeos dela a brincar em cima de um cavalo de madeira dois minutos antes das convulsões e nada me fazia prever que isto fosse acontecer. Eu estava descontraída - tanto quanto uma mãe pode estar num parque infantil com uma criança de 3 anos. 

Quando dei por ela, a Irene estava no chão a uns 5 metros de mim. De onde eu estava podia muito bem ser ela a deitar-se no chão para explorar qualquer coisa. Decidi ir ver e afinal estava a tremer, a abrir e a fechar a mão, a revirar os olhos e a espumar-se da boca. Foi a primeira vez que a vi a ter uma convulsão - até agora ainda tinha sido poupada (ou tinha apanhado no fim da convulsão já ela tendo recuperado os sentidos ou as convulsões tinham sido apenas ausências) ao drama inteiro. 

Estava uma mãe preocupada a perguntar se podia ajudar e se estava tudo bem. A verdade é que estava. Eu sei que a Irene sofre de convulsões. O problema é que tinha deixado a mochila dela no carro onde está o ansiolítico (ou lá o que é) que ajuda a encurtar as convulsões (raramente quando o alcanço, ainda vou a tempo). Ou a deixava sozinha no lancil enquanto tinha a convulsão e voltava com a bisnaga do carro ou ficava com ela até a convulsão parar. Fiquei com ela, rezando para que a convulsão fosse curta. Foi. Sabendo que existem convulsões de 15 minutos (acho que essas não são benignas), uma de um minuto que pareceu 10 (tive ainda a capacidade de tentar cronometrar como me pediram) foi curta, apesar do tempo ter congelado. Foi um minuto como a percepção que tenho de um minuto na rádio. Um minuto a falar na rádio é "muito tempo". Às vezes até enchia "chouriço". Senti que enchi muitos chouriços, preocupada com a minha filha e preocupada com a criança (filha da outra senhora que lá estava) que estava a assistir a tudo aquilo. Tentei sossegar a miúda ainda durante a convulsão da Irene, mas a mãe disse que ela nem estava a ligar. Acho que lhe disse que a Irene estava a fingir ser um peixe, não me lembro bem. Talvez não tenha conseguido dizer isso, mas a intenção era descansar a miúda. 

Apesar disto ser genético e de eu ter tido convulsões febris, não tive tantas e com esta frequência. Fomos aconselhados a ir ao neurologista só por "descanso" e vamos. Sei que é tudo "normal" dentro do "anormal", mas claro que há sempre uns quantos % que quando olho para a minha filha me fazem sentir "tu não podias ser tão perfeita, isto tudo que tu és tinha de ter um revés". Não que não a ame assim, não é isso que quero dizer, de todo, mas... que ela é realmente tudo o que se pode querer numa filha e que o perfeito é impossível, é mais isso. 

Além de ter sido duro de ver (hoje ela deitou-se na Tiger e tive de a por em pé que só vê-la naquela posição me estava a deixar stressada), apercebi-me que a convulsão poderia ter acontecido enquanto subia para o escorrega ou enquanto toma banho (como me aconteceu a mim em pequena). 

Apesar de serem benignas, são até ela cair de algum lado. E já são duas coisas que não me deixam em paz. 

O que é facto é: ainda bem que foi comigo. 

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