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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Senti-me tão mãe.

Se dantes era horrível para mim adormecer a Irene, desde que conheci a Constança, adormecê-la deixou de me enervar e passou a ser um momento até produtivo com muito contacto visual, muito miminho e, depois, de meditação. Dantes irritava-me ficar tanto tempo no quarto dela, agora acabo por ficar mais um pouco a ouvi-la respirar (a maior parte das vezes adormeço) e aproveito para processar coisas que se passaram no meu dia, coisas que tenha que fazer ou, às vezes, só a apreciar o facto de estar ali ao meu lado uma pessoa que está cá graças a mim. Muitas das coisas que mais me têm deixado feliz ultimamente, surgiram nesses minutos "extra" em que fico por lá. 

Ajudam-me a sentir-me cada vez mais confortável neste papel de mãe. Fazer este balanço silencioso de como estará a correr, como posso melhorar, o que sinto sem estar a fazer outra coisa ao mesmo tempo, tem sido muito proveitoso para mim. E que melhor banda sonora que o nosso filho enquanto ele dorme? 

Quem haveria de dizer que eu escreveria isto? Pus a Irene a dormir no quarto dela no segundo dia de vida ou terceiro porque o respirar dela não me deixava dormir. 

Hoje, quando acordou às 4h da manhã, lá fiquei com ela. Voltou a ter um pesadelo em que gemia baixinho e a respiração ficava acelerada. Fiz-lhe cafuné (como de vez em quando faço para que ela relaxe) e não resultou. Então, decidi abraçá-la e dizer que estava tudo bem. A Irene ouviu-me, a sua mãe, e relaxou. Passou. Respiração desacelerou e ficou mais pesada outra vez. 

Que coisa mais simples, mas que me fez sentir tão completa. Saber que o meu abraço e a minha voz a acalmam mesmo quando está a dormir. Não há nada mais puro que isto. 


Agora, como temos a escola ao pé de casa e do meu trabalho, conseguimos ainda ir uma hora ao jardim antes de anoitecer. Que privilégio. 

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Outros textos relacionados.


Sobre odiar adormecer a Irene: 

Querem stressar para os pôr a dormir? 

Como não nos passarmos da cabeça quando os queremos adormecer. 

Às vezes não tenho força ou paciência. 

A vida de um bicho de uma caseira muito caseira.

Sobre mudar a Irene para o quarto dela: 

Vai para o quarto dela. 

Entrevista sobre co-sleeping ao Observador.

Sobre achar que não era capaz de ser mãe: 

Não sejas estúpida, Joana. 



Coisinhas que podem ter achado giras:
Casaco - Boboli

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domingo, 8 de janeiro de 2017

Vamos mudar de escola. Está decidido.

Foi uma decisão que muito nos custou. 

Não é de ânimo leve que se fazem mudanças tão grandes. Ainda para mais aquelas que significam que tudo "deu para o torto" e que têm uma influência tão grande no crescimento da Irene. 

Lembro-me quando andei a visitar escolas com o Frederico no ano passado, estar a dar em doida por sentir que não tinha grandes critérios, parecia não ter "conhecimento de causa" e, por isso, sentir-me perdida. Tivesse eu encontrado, por exemplo, este artigo que me deram a conhecer no outro dia (obrigada, Ana). 

Fomos a imensas escolas, a maior parte delas tinha algo negativo perfeitamente incontornável para ambos: condições que deixavam a desejar, crianças com aspecto pouco feliz (não vos sei explicar mais do que isso) ou sítios onde parecia que o caos imperava (não o caos infantil - que acho positivo e expectável - mas institucional). 

De todas as que vimos, gostei imenso de uma onde senti que tinha criado uma ligação especial com a coordenadora pedagógica. Tinham imensas "mariquices" (senti isto assim e esse foi o meu erro, já tento explicar) que me agradavam, nomeadamente uma atenção virada para o desenvolvimento emocional da criança, com actividades em prática para tal - não sendo apenas uma coisa escrita ali no site e pronto. Tinham meditação de manhã, trabalho frequente com uma psicóloga (acho eu) que lhes apresentava as emoções e ferramentas, música à hora de almoço, etc. Faltava um bom espaço exterior. De todas as que vi, parecia-me perfeita. A partir daí nem liguei muito às seguintes. 

Uma das seguintes foi para onde foi a Irene. Quando entrei senti um frio grande na instituição. Senti uma organização extrema e disciplina, mas não senti aquele colinho que queria encontrar e que me deixaria mais descansada quando entregasse a minha filha. Lá tinha eu deixado a escola que estava dentro de uma quinta com animais para trás por visitar porque me tinham dito que não tinha bom aquecimento (apesar de não ser a que mais gostei, essa sempre me deixou com água na boca). 

Não me pareceu nada de tremendamente mal. A alimentação deixou-me triste em praticamente todas as escolas, ainda para mais nos casos em que diziam que as ementas eram supervisionadas por pediatras e ou nutricionistas. Pensei que teria de ceder nalgumas coisas e cedi. Além de que, quanto mais investigamos cada escola, mais feedback negativo aparece e acabou por acontecer isso com a minha preferida. Tinham saído de lá uma ou duas turmas para a escola que acabou por ser a da Irene. Engoli uns 30 sapos e porque "temos gente conhecida que tem lá os filhos e adora" e porque parece bem (ou porque "não parece assim tão mal e talvez eu esteja a ser maricas") lá ficou.

Fiz mal. O que eu queria, as coisas que eu procurava e que acabei por achar que eram "mariquices" de toda a gente me dizer que sim, eram realmente as coisas que eu achava mais importantes para a minha filha. Reparei agora à procura de uma nova escola para a minha filha em que, há mais frio, mas em que existem 1000 outras coisas pequeninas que me deixaram feliz, radiante, aliviada e expectante em relação ao futuro, ao crescimento dela. Senti que havia uma continuidade do nosso trabalho em casa e que não teríamos de estar constantemente a desdizer as coisas que eram feitas na escola ou de dizer "isso fazes na escola, aqui não". Tem de haver coerência. 

Quando dizem para ouvirmos o nosso "instinto", acho que é isto: fincarmos pé, especialmente connosco próprias e de não nos contentarmos com menos. Não acharmos que queremos demais. 

Como diz uma amiga minha da antiga escola da Irene (por quem estou muito apaixonada, digo já aqui ahah) "não vais encontrar a escola perfeita, é sempre preciso trabalho". Acredito que sim. Porém, uma coisa é o ADN da escola e temos mesmo de encontrar uma escola que vá ao encontro com os nossos princípios até para não ser frustrante para ambas as partes. Não digo que esta escola fosse má, há de ser excelente até porque essa minha amiga ama lá estar e tem lá os seus 59 filhos. Não é o que quero para a Irene. 

Quero amor, compreensão, empatia, escuta, conversa, cuidado, consciência, calma, respeito, jardim. Quero abraços espontâneos, explicações com vontade, ferramentas variadas e atenção. 

Quero muita coisa e, por isso, não me vou contentar com metade. Mesmo que custe ter que o explicar, mesmo que custe ter que mudar, mesmo que custe. 

"Para melhor, muda-se sempre". 

Acho que foi o que aconteceu. Sou das pessoas mais sensíveis que irão conhecer, é um facto. E este assunto é dos mais importantes para mim, é outro facto. Quando assisti ao que se passava nesta nova escola e que tudo, além de coerente, transpirava amor, senti que a minha vida tinha começado ali. 

Mudamos a Irene de escola principalmente porque já não vamos morar lá para o pé como tínhamos pensado (num futuro próximo), mas há males que vêm por bem. Estamos os três muito mais felizes, descansados e orgulhosos. 



Esta situação, apesar de desnecessária, também ajudou a que algumas das pessoas que achavam que os meus quereres eram "mariquices" (eu incluída) percebessem a importância de pequenas coisas como respeitar o ritmo de cada criança ou sua sensibilidade. 

Não parem de procurar. O que vocês querem é importante. 


Os putos estão a dormir? Ainda não fizeram tudo na sanita? Então leiam mais isto: 

Mais sobre a mudança de escola da Irene aqui

Quais eram os nossos planos aqui

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"Anda lá, despacha-te! Não vês que a mãe está com pressa?"


No dia em que se fartarem da minha partilha de aprendizagem com a Irene, digam (que não muda nada, eheh). Gosto mesmo de vos ir mostrando as coisas que vou retirando para que mais aprendamos mais depressa ou então, caso não concordem comigo, ao menos que pensemos todas juntas e sejamos pais (e mães, claro) mais conscientes. Acho que essa é a principal tendência desta nova geração de pais. As coisas estão a mudar (ainda bem) e uma das melhores coisas (com outras negativas que vêm com elas) é que pensamos mais e, muitas vezes, até melhor no exemplo que damos aos nossos filhos e no caminho que queremos percorrer com eles até serem alguém de valor. Damos mais importância à felicidade interior do que, propriamente, a não poderem fazer birras porque têm de se comportar como adultos ainda com 2 anos de idade. Acho que estas mudanças são naturais, tendo em conta a maneira como fomos educados. Muitos de nós estamos a tentar fazer diferente. Não rejeitando tudo aquilo que nos foi transmitido (nem tudo estava mal, credo), mas melhorando as coisas das quais sentimos falta. 

E, por isso, tento estar atenta às coisas que faço e, principalmente, às coisas que impinjo à Irene. 

Lentamente me fui apercebendo que a minha fúria de querer fazer coisas com ela quando chego do trabalho não estava a ser saudável para ambas. Dei por mim a sair todos os dias e a fazer coisas "lá fora" com ela, por ela não sair de casa até eu chegar, mas reparei que há muito tempo que não a sentia nos meus braços sem distracções. Tenho andado a ficar mais tempo em casa, dedicada só a ela, sem piscinas, sem jardins e baloiços. Ouvir o que ela tem para me dizer e vê-la a brincar (brincado com ela também). 

Ainda dentro dessa fúria, reparei que, por querer manter mais ou menos a rotina da Irene, tudo o que tínhamos de fazer era a despachar. Chegava a casa e tentava abreviar a mamada para "termos tempo para ir à piscina". Apressava-a para mudar a fralda, mesmo quando a ela ainda lhe apetecia estar mais um bocadinho deitada... Afinal, quem é que queria ir à piscina? Por quem estava eu apressada? Se a Irene quer demorar mais tempo a fazer as coisas e se, por isso, não formos à piscina... vamos noutro dia. 

Bem sei que isto são problemas de primeiro mundo. "À piscina? São muito finas!". O problema é que a piscina não é nossa e ainda temos de conduzir até lá chegar e voltar, se fosse nossa "não haveria pressa". Estou sempre a apressá-la, porque quero que tenhamos tempo para fazer "tudo". Para quê? 

O melhor é mesmo planear pouca coisa ou "deixar ver". Uma suposta ida à piscina pode ser trocada por uns 20 minutos aos saltos na cama dos pais e as restantes horas a dar papinha à Sara ou ao Martim. 

Eles têm que ter tempo. Eles querem parar para cheirar as flores e nós, por estarmos com pressa (muitas das vezes por causa deles), estamos a abreviar-lhes o dia. 

Vou dizer mais vezes que SIM ao que lhe apetecer fazer. 

Tal como no outro dia. Era tarde. Tínhamos ido jantar fora. A Irene foi-se deitar e já estava escuro (não é costume). Pediu-me para ver a lua e lá fomos. Ela de fralda e eu de pijama, na varanda do quarto dela, vimos a lua durante uns minutos. Se estivesse com pressa, não tínhamos vivido este momento juntas que me comoveu e que ainda hoje ela fala sobre ele.

Pode ir ver a lua, a Necas? 
Pode, Necas. Vamos. 

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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Não faças aos outros...

Esta notícia fez-me pensar. Sempre comentaram o meu peso e acho que é inegável que isso tenha tido efeito na imagem que tenho de mim própria. Nem sempre é a intenção que conta, porque sinto que muitos dos comentários que fazemos não são para magoar os outros: são meras observações ou até uma maneira desajeitada de expressar preocupação e de dar uma motivação extra. Porém, podem magoar, podem prejudicar, podem não ter o efeito desejado. 

Muitos dos nosso comportamentos/atitudes não são pensados. São a nossa forma automática de reagir/sentir de acordo com o que nos foi "passado" e daí ser tão complicado ter noção daquilo que fazemos e das suas repercussões... Esta notícia fez-me pensar que: 

- Hei de arranjar maneiras produtivas de ajudar a minha filha a levar um estilo de vida saudável; 

- Irei tentar fomentar-lhe a auto-estima ao ponto de gostar de ter atenção e não de precisar; 

- Não utilizarei informação que ela me tenha passado em momentos vulneráveis contra ela;

- Não irei implicar com namorados e afins, irei tentar respeitar ao máximo as suas escolhas; 

- Tentarei sempre explicar-lhe o porquê de cada regra para que ela perceba que "tudo" tem o seu motivo; 

- Quando não houver motivo não digo "a mãe é que sabe", mas tentarei expressar o que me vai na alma: "filha, a mãe fica muito nervosa se fizeres isso e não vai conseguir dormir", sei lá!

- Não me zangarei com ela por ter más notas, tentarei ver com ela soluções para a ajudar a ganhar método, gosto, responsabilidade ou até maneiras alternativas de interiorizar a matéria... 

- Não lhe farei queixinhas de pessoas em comum, deixarei que ela construa a sua opinião;

- Tentarei perceber o porquê das suas opiniões e ouvi-la; 

- Não terei interesse em que ela faça "boas acções" obrigada, mas sim explicar-lhe a importância de viver em sociedade e de retribuirmos o amor e respeito dos que nos rodeiam; 

- Trata-la-ei com a confiança merecida, independentemente da idade. 




Claro que isto na teoria é muito fácil. Sei, porém, que o primeiro passo para que as coisas possam acontecer é tentar elaborar, parar para pensar nos nossos objectivos. Foi o que fiz. Querem fazer as vossas reflexões por aqui também? 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Alguém anda com a mão demasiado leve...

A Isabel é uma fofinha, olhos doces, super carinhosa ao ponto de beijar os cães de alto a baixo, toda abraços, mas anda numa de bater. Bate-nos a nós, bate na mesa, bate no que estiver mais à mão nos momentos de contrariedade e frustração. Sei que é normal, que faz parte do crescimento, mas por vezes é-me difícil lidar com a situação.



Não lhe bato de volta porque - já expliquei aqui - não me parece lógico mostrar-lhe o mesmo comportamento, se lhe quero explicar que não se deve bater e porque violência gera violência. Além disso, não me é natural. Apesar de me roer toda por dentro, não quero magoá-la. Tento ajudá-la a passar aquele momento de zanga, mostrando-lhe empatia. "Sei que estás zangada, a mãe percebe, mas não se bate. Tautau nunca. A mãe não bate, o pai não bate, a avó não bate. Ninguém bate. Somos todos amigos. Só beijinhos, festinhas e abraços." Às vezes, só falar, de forma calma, não resulta e digo-lhe que fico triste com a situação, faço cara feia, digo que aquilo me faz dói-dói e que a mãe gosta e fica contente é com beijinhos. Resulta quase sempre num abraço e numa festinha que ela me dá e lá se acalma. Mas não resolve. No dia seguinte, está a fazer o mesmo. O que eu queria mesmo era que ela deixasse de bater efectivamente, mas eles, com dois anos, não estão preparados para processar as emoções, de forma controlada, pelo que vou ter de esperar. Respirar fundo e pedir, aos céus e a mim própria, muita paciência.

Ora, fez-me bem ler este texto do blogue Parentalidade com Apego, que de vez em quando vou espreitando e de que gosto muito, para perceber até as razões fisiológicas para o ato de bater. Adorei a questão da "tampa" no cérebro, o modelo cérebro-mão e de relembrar (como eu adorava as aulas de psicologia do 12º ano!) o córtex e o sistema límbico. A questão do desenvolvimento dos sentimentos mistos é super, super interessante. "Só a partir dos cinco anos de idade é que córtex cerebral começa a desenvolver-se o suficiente para que a criança comece a ser capaz de sentir estas duas coisas opostas e aparentemente contraditórias ao mesmo tempo: detesto-te neste momento mas sei que gosto muito de ti e não te quero magoar. Então tudo que precisamos de fazer é dar-lhes tempo para chegarem até aqui", pode ler-se.

É um texto grande, mas vale mesmo a pena. Caso estejam a passar pelo mesmo, leiam e pode ser que até encontrem alguma ajuda para ultrapassar esta fase. :)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Fazes tu e... e...!


Sempre que tenho capacidade para tal, tento que seja a Irene a fazer as coisas dela. Já vos contei que a deixo - dentro de alguns limites - escolher a roupa dela, mas ando a tentar alargar o círculo. Há um que ainda ontem me apercebi que continuo muito Nazi: deixá-la comer sozinha. 


Ela come a fruta sozinha, mas o resto confesso que ainda me deixa com calores. Ver tudo a acontecer demasiado devagar e saber que existe só um pequeno intervalo de tempo em que ela está disposta a comer, dá-me urticária. 


Além disso, sopas e arrozes e afins... Ui! Se tivesse um cão, acreditem que já tinha deixado que ela chafurdasse que nem louca, mas assim... faz-me confusão!

Sei que a miúda já devia ter tido liberdade para comer sozinha e que, se assim fosse, por esta altura, já tinha a perícia para comer arroz chao-chao com pauzinhos melhor que eu, mas nunca nenhum jantar me parece a melhor altura para ter que assistir ao espectáculo e ainda ter que apanhar as canas a seguir.  

Como diz uma amiga e bem: "fazes bem, ela depois aprende na creche e as professoras que lidem com isso". Ahah 

De resto, ando a dar o meu melhor para que ela se sinta crescida e responsável pelas suas coisas. Como puderam ver acima, desta vez foi o creminho pelo corpo todo. Estava menos frio que o costume, pus uma toalhinha no chão e enchi-lhe o corpinho de creme. Depois tinha só de espalhar as bolinhas...

Acho que se vê pela cara a vaidade e o orgulho.

Tenho de ganhar coragem para a comida...


*Quando a Irene era mais nova, fiz imensas vezes experiências blw e adorei, mas sopa e arroz não são mesmo a minha ideia de um jantar bem passado... ;)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

As duas melhores horas.


Aqui a Irene quando ainda não se sabia sentar, tão querida. Apanhei agora esta fotografia no disco externo e quis mesmo partilhar convosco. Parecia ainda não ter ossinhos, o meu franguinho. 

Queria contar-vos uma coisa: para quem já nos acompanha há algum tempo queria só sublinhar a minha aparente bipolaridade. Conheceram-me pessimista, nervosa, irritadiça e etc. e agora, reparo, que ando tão feliz e tão contemplativa que isto já deve enjoar algumas alminhas. Eu sei como é "estarmos noutra onda" e, na mesma, termos de levar com "a cena dos outros". Ainda esta semana aconteceu lá na rádio - tenho colegas mais novas que eu - quando lá foi um artista que deixou uma delas (a minha preferida) toda excitadinha, sem conseguir quase falar e eu estava completamente indiferente. Se não gostasse dela como gosto, ter-me-ia enervado (em tempos) ao ponto de ficar a pensar nisso o dia todo enquanto a ouvia a dar berros histéricos e a dar saltinhos como se tivesse um bocadinho a mais de candidíase. Não sermos felizes dá-nos cabo da cabeça - claro que não é assim tão simples. 

A Irene durante esta semana ficou metade do dia com os avós paternos porque o Frederico teve um trabalho em que teve de se ausentar todas as tardes. Isso fez com que parecesse que o tempo que tinha com a Irene parecesse menor, vá-se lá saber porquê. Hoje, quando cheguei a casa (eles tinham ido ao jardim), aproveitei e, em 10 minutos, fiz o essencial: vestir o pijama, arrumar a loiça suja que tinha trazido do almoço (sou daquelas que leva a comida de casa que não sou rica) e preparar a roupa para o dia seguinte. Pensei: agora não trato de mais nada da casa enquanto a Irene estiver acordada (tive de fazer sopa, pronto). 

Senti que nunca me tinha sentado sem nada para fazer a seguir com ela. Ensinei-lhe imensas coisas. Arranjei festas de aniversário para todos os bebés (nenucos e imitações) que temos cá em casa, cozinhámos imenso na cozinha dela e ela deu maminha a todos antes de irem fazer ó-ó. Também nos divertimos a fazer pipocas e a ouvir músicas. Perdoem-me a expressão mas "caguei" no telemóvel, desliguei a televisão, escondi o ipad e foi excelente. Parece que hoje tive muito mais tempo para ela e que vi o quanto ela cresceu e o quão capaz está de se fazer entender, tudo. 

Sugiro que façam isto também. Borrifem para o telefone um dia destes e para a lida da casa (um dia só) para verem a diferença e depois façam uma escolha informada. Pode mudar a vossa vida. 

Eu adorei e vai ser a repetir. A sério que sim. Sinto que estive presente. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Como lido com as birras?

Sim, "a procissão ainda vai no adro". 
Sim, "vai piorar". 
Sim, "ainda vou morder a língua".
Sim, "tenho de esperar pelos dois anos. E pelos três."
Sim, "vou ver como elas mordem quando vier a irmã."

Sim, admito que ainda não sei nada. Sei pouco. Que cada criança é uma criança. Que cada um gere as crises familiares à sua maneira, de acordo com o que sabe e acha melhor. Mas, assumindo que não tenho experiência nenhuma com uma criança de dois anos e três anos (só tenho a experiência de uma criança de 22 meses), posso dizer-vos como lido com as birras da Isabel.




Não a ignoro.
Não grito.
Não desato à gargalhada. 
Não fico em pânico.
Não fico envergonhada.
Não lhe bato.
Não a imito, a gozar.
Não a ameaço.
Não faço birra.
Não lhe digo que ela é feia, nem má, nem um terror, nem que está impossível.
Não a ponho de castigo.

Respeito-a. Encaro como uma fase normal. Dura, difícil para nós, mas principalmente para eles. Para mim, fazer birras é bom sinal. É um sinal saudável de que ela tem emoções, vontades e necessidades. Está a desenvolver a sua personalidade e não sabe expressar-se de outra forma. O único entrave às vontades dela está a ser colocado pela mãe ou pelo pai. Mandar-se para o chão, chorar, tentar bater, mandar coisas para o chão está a ser a forma - a única que ela conhece - de expressar o seu desagrado. Não é nada contra mim nem contra o pai. É a frustração a falar mais alto. 

Falo com ela de forma calma.
Ponho-me ao nível dela. 
Às vezes dou-lhe festinhas.
Às vezes isso enerva-a mais e eu paro.
Digo-lhe que vai passar.
Tento abraçá-la.
Não lhe faço a vontade. 
Converso com ela. Explico.
Tento desviar-lhe a atenção para outra coisa.

"Filha, não podemos ficar mais a brincar no parque, está a ficar frio. Se apanhamos frio, ficamos com dói-dói e atchim. Em casa, podemos encher a piscina de bolas! Fazer uma chuva de bolas. Também vai ser divertido."
Passou. Às vezes não explico minuciosamente. Digo que não pode ser, mas tento logo canalizar a atenção dela para outra coisa. 
Não ganho nada em alimentar a frustração dela. Se gritar com ela, estou a deitar achas na fogueira. Se bater, estou a destabilizá-la ainda mais. E o que eu quero? Que a estabilidade volte. Que ela se acalme. 

Há quem diga que não temos de explicar tudo. Que "não é não". Mas, para mim, isso é pouco normalmente. Não quero que me veja como autoritária. Quero conquistá-la. Quero que confie em mim. Geralmente dou-lhe exemplos e modelos, que ela, devagarinho, vai compreendendo. Não queres vestir o casaco? A mãe tem um vestido, o pai também e até podemos vestir um ao cão. Tem de ser. Chora um bocadinho, às vezes não chora, às vezes tenho de forçá-la a vestir-se, mas passa. Acaba por passar.

No outro dia, perante uma birra da Isabel no cabeleireiro, uma mãe disse-me "ui, a minha comigo não faz farinha". A minha faz. Espero que faça pão, até. Não lhe faço as vontades, não volto com a palavra atrás, mas tento ser paciente. Não ganho nada em ser agressiva. Eles são o reflexo do que vêem e do que sentem. Não vamos juntar à árdua tarefa de crescer os nossos stresses. Nós temos o dever, enquanto adultos, de tentar controlar os nossos nervos. Eles não, estão a aprender a gerir tudo.

Sim, muito provavelmente vai piorar. Sim, muito provavelmente vou morder a língua. Sim, vou descontrolar-me algumas vezes, sou humana. Mas, para já, é assim que tem sido. E, até agora, tem resultado com a Isabel.

Coragem!