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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Às vezes ainda acho que sou uma adolescente.

Juro que não sei como isto foi acontecer. Juro que ainda tenho 16 anos, cheia de sonhos. Juro que ainda estou ali a lamber o ombro, discretamente, para sorver o sal, da pele morena e quente do sol. Juro que ainda estou ali, cheia de dúvidas, mas cheia de esperanças. O mundo nas minhas mãos. Possibilidades infinitas. Posso ser jornalista. Posso ser cantora. Posso ser actriz e fazer só musicais. Posso viajar pelo mundo. Posso ser mãe de quatro filhos. Aos dezasseis anos pode-se tudo ainda. Aos 31, se calhar já não se pode tanto, mas ainda se quer muito.

Ou será que não é assim? Será que sou demasiado sonhadora? Ou serei demasiado intensa? Porque não assento, porque não acalmo, porque não consigo ser completamente feliz com o que tenho e com o que sou? Por que é que tenho uma cabeça de adolescente num corpo de adulta? Por que é que, nem já mãe, consigo render-me à passagem dos dias, ao conforto da rotina, à estabilidade de saber o dia de amanhã?

Às vezes ainda acho que sou uma adolescente, na forma como escolho não olhar para alguns problemas, na forma como escolho não saber fazer o IRS ou enfrentar outras tantas dores de cabeça. Às vezes sou mimada. Às vezes sou ingénua e confio demasiado nos outros. Às vezes tenho expectativas surreais do mundo.

Ainda sofro com o que se diz, com a forma como se diz, odeio discussões, odeio ver pessoas zangarem-se. Nem sempre consigo desvalorizar, não sentir, não me revoltar.

Às vezes ainda acho que sou uma adolescente, pela forma como sinto e como me sinto.

Às vezes quero alcançar a serenidade que dizem que a idade nos dá. Outras vezes não quero perder a loucura que a adolescência nos deixa viver. E ser.

Não sei, mas às vezes ainda acho que sou uma adolescente.




Macacão - B Simple

www.bsimple.pt

Ténis - Vans


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domingo, 14 de janeiro de 2018

Os perigos da SuperNanny, da SIC

Hoje ficámos a conhecer a Margarida e a mãe e a avó da Margarida. A Margarida tem uma atitude tirana perante a mãe. A Margarida bate e faz birras. A mãe da Margarida não tem autoridade nem é consistente. Palavras usadas no programa, SuperNanny, no qual uma psicóloga vai a casa desta família ajudá-las a controlar a rebeldia da filha e a superar esta crise. 

Este programa tem problemas. Muitos, diria.

1) A exposição de crianças em situações frágeis. Custa-me imaginar as repercussões que este episódio poderá ter na vida desta criança. "Ah! Mas ajudou-a." Tenho as minhas dúvidas. O programa é um reality show, não é um documentário, um estudo científico, uma reportagem. É encenado. Nos momentos de "birra", os tambores rufam. Nos momentos de serenidade, vem a pianada. É um programa de televisão, é uma história. Além disso, o que dirão os colegas da Margarida amanhã na escola? Ou daqui a uns anos, se lhe quiserem fazer bullying? Preocupa-me. Preocupa-me a auto-percepção com que a Margarida fica de si.

2) Os conselhos da SuperNanny. Gostei de ver que não recomenda a palmada, em situação alguma. De resto, pouco mais consegui aproveitar. Não concordo com o canto do castigo (ou da reflexão ou que outro eufemismo lhe derem). Não concordo com as recompensas. Não concordo com muitas das avaliações ali feitas, as expressões usadas. Achei que ficou tudo muito pela rama (e ainda bem, não queria saber mais da intimidade desta família escarrapachada num programa de televisão). As técnicas e a consistência simplesmente alicerçadas na ordem e na obediência, com a ajuda de castigos e recompensas. Ali o que é importante é acabar com alguns comportamentos, repor a ordem, mas sem uma visão a longo prazo. E mais, sem o entendimento e análise das principais razões para os comportamentos. Sem um processo que assente na dignidade da criança.

3) Vamos continuar a veicular, nos meios de comunicação social, esta forma de educação, que vê as crianças como animais a domesticar, a todo o custo, de forma behaviourista, para instaurar a calma, mas sem reflectirmos sobre os processos e sem vermos que poderá haver outras formas de chegar a bons resultados, sem rotularmos as crianças como "tiranas" e os pais como "soberanos", que estão a falhar e a ser permissivos. Há outras formas de lhes transmitir regras, mas sem que eles se esqueçam que os amamos incondicionalmente.

"Esse tipo de programa eleva a arte de manipular os espectadores para um nível nunca antes imaginado. Para começar, a escolha de crianças incrivelmente “mal-comportadas” dá-nos um certo sentimento de sucesso: “Pelo menos meus filhos – e minha capacidade enquanto pai ou mãe – não são tão maus!” Indo directo ao ponto, estas famílias problemáticas fazem-nos torcer por soluções totalitárias. Qualquer coisa para acabar com o tumulto." Alfie Kohn
Este artigo sobre o programa americano está muito bom. 

Leiam sobre disciplina positiva, caso se interessem, leiam sobre parentalidade consciente, e espalhem amor, muito amor (e regras e disciplina, que nada disto tem a ver com ser permissivo). 




 O que acharam?

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Não sei se já vos disseram isto, mas vocês são a melhor mãe do mundo!

Mesmo quando achamos que falhamos, que não damos conta, que temos menos um parafuso.
Mesmo quando dizemos "desisto".
Mesmo quando ouvimos as têmporas de tal maneira a fumegar que achamos que nos vai dar um piripaque.
Mesmo quando só os queremos é largar em casa da avó/tio/primo/madrinha/amigo.
Mesmo quando nos perguntamos o que fomos nós fazer à nossa vidinha.
Mesmo quando mordemos o lábio debaixo para não desatar aos gritos.
Mesmo quando quando limpamos ranho seco com o nosso próprio cuspo antes de chegarem à escola. Mesmo quando ficamos felizes por ser segunda-feira e eles irem para a escola.
Mesmo quando preferimos uma conversa de chacha no whatsapp a ouvir o nosso filho.
Mesmo quando nos sentimos aliviadas porque eles finalmente adormeceram.
Mesmo quando inventamos uma desculpa qualquer porque não nos apetece ir ao parque.
Mesmo quando nos queixamos que "isto não são férias".
Mesmo quando queremos muito ir ver o StarWars mesmo sem gostar de StarWars, só para fugir à rotina.
Mesmo quando choramos, baixinho, com saudades do nosso "eu" antes de ser mãe.
Mesmo quando nos sentimos ofendidas por não termos reconhecimento do nosso papel, esforço e dedicação.

Somos as melhores mães do mundo! Somos, sim. E só percebemos e sabemos reconhecer o papel de uma mãe, da nossa Mãe, verdadeiramente, quando "passamos por elas". Há muito suor, muito cansaço, muitas dúvidas e, caraças!, damos o litro.

Não duvidem. Nunca. 




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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Como ser a melhor mãe possível.

Sendo que "possível" aqui é a palavra chave. Todas nós temos desafios que poderão ser invisíveis aos olhos dos outros e que nos impedem de atingir aquele grau de perfeição/satisfação, o que for. Eu abrigo-me dentro da ideia de querer que a Irene conheça a "imperfeição" para ter espaço para ela mesma não se pressionar assim: a mãe às vezes suja tudo, a mãe esquece-se de coisas... 

E ultimamente vim a reparar que a minha vida estava a voltar a ser um drama enorme. O pouco tempo que tinhamos de manhã estava repleto de discussões constantes, o deitar era um stress enorme, ir buscá-la à escola, deixá-la... Não havia nada que não fosse difícil e que não me consumisse. Consumia-me e quando me passava a "neura", sentia-me culpada por não ter agido melhor mas no dia seguinte era a mesma coisa.

Sem paciência nenhuma para a adormecer, sem paciência para os 38 pedidos de manhã antes de sair para a escola, sem paciência para dar o jantar com imensa conversa pelo meio e a adormecer na cama dela, sem ter tempo para mim. Acabando o meu dia por volta das 21h30 e acordando novamente stressada.

Estive assim tempo demais. Até, na semana passada, ter tido um ataque de choro depois de ter deixado a Irene na escola. Estava exausta, farta e infeliz. E fiz um zoom out. "O que é que se passa, Joana?".



O que se passava? É simples.

Mesmo acordando antes da Irene, não tinha tempo para fazer "tudo" com calma. Com ela a acordar e eu ainda meia por despachar punha-a a ver televisão o que faz com que coma o pequeno-almoço mais devagar. Nem nos dá "tempo para estarmos juntas". Cada segundo que passa é mais um segundo para chegarmos atrasadas e, pelo meio, uma miúda que foi apressada a manhã toda começa a deixar de ser tão cooperante. A mãe, irritada, stressada e exausta, faz birras. 

Deixar a miúda na esccola também não era pacífico. Estamos as duas stressadíssimas e nenhuma sente que está a ter o que quer e precisa. Não há tempo para a "largar com calma" como ambas preferimos.

Passava o dia sem me conseguir concentrar e organizar. Parecendo que "não havia trabalho" mas por estar no meu registo de mínimo. Tinha só o modo "executar pedidos" e pronto. 

Ia buscar a Irene à escola e começava o stress: querer cozinhar e ter a miúda a tocar mil instrumentos musicais, dar jantar no meio da loucura dela, adormecer no meio dos tais pedidos... 

Os dias estavam a ser... horríveis. Estava cansada, mas não passava por dormir mais porque até me deitava às 21h30.

- Reparei que não jantava por não ter fome quando lhe estava a dar a comida e depois adormecer. 

- Almoçava no bar da empresa e, por não gostar da comida, fazia sempre refeições fracas ou com pouca variedade. 

- Não bebia água, 0. 

Como espero que o meu corpo (cérebro incluído) funcione se não lhe dou o combustível que ele precisa? É normal que comece a ficar mais depressiva, cansada, impaciente... 



Tive oportunidade de - neste timing - ir a uma clínica onde trabalha uma amiga em Lisboa e fiz umas análises (sem picar, apenas por as mãos e os pés numa espécie de painéis) que deram resultados que me deixaram ainda mais motivada: tenho falta de vitaminas do complexo B, desidratadíssima, o fígado podia estar melhor, etc... 

Ainda não tive o plano para seguir para ficar toda saudável com estas análises mas já comecei o que posso por mim (sem indicação de ninguém) e - talvez seja placebo - senti os efeitos logo. 

Comecei a tomar umas vitaminas que tinha lá em casa da última vez que me senti assim, beber muita mais água e comer sopa a todas as refeições. Sinto-me melhor. E até pus o despertador para mais cedo e deixei-me de "merdas" e comecei a acordar a Irene mais cedo também.

Depois dou-vos updates em relação ao plano, sempre que tiver algo giro para dizer, mas queria só deixar-vos este "alerta".

Andam a comer bem? 

Todas conseguimos chegar à conclusão que o tipo de comida que comemos muda muuuito a nossa disposição e energia, não é? Porque é que não estamos mais atentas a isto? 





Fotografia
- Yellow Savages
Roupa - Little Jack 




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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Até cair de sono!

Temos as leitoras mais fixes. Até me custa dizer leitoras, porque sinto que são mais do que isso. Sinto que são mais em cada comentário feito com tanta empatia, como que a devolver algo de bom que lhes possa ter também dado. Sinto que são tão mais do que isso quando me abordam na rua... Amor gera amor, não duvido nem um bocadinho disso. 

Somos mais de 72 mil. É normal que haja diferentes tipos de pessoas a visitar-nos. É normal que umas se identifiquem mais com uma do que com outra. É normal que algumas não se identifiquem com nenhuma, mas não resistam vir cá ver que parvoíces andamos a dizer. É normal até que alguém goste normalmente do que lê e achar que um post, uma opinião e até uma escolha de vida, não façam sentido, para os seus parâmetros, gostos, opiniões. Aceito que precisem de comentar. Às vezes acho piada, outras vezes não acho, na maior parte das vezes aceito, mas caso sinta que há ali ofensas gratuitas ou que não haja ali nada de construtivo nem engraçado, não publico - esta é a minha casa, não deixo toda a gente entrar, paciência. Aqui há moderação de comentários, q.b., sim. Quem perde tempo a escrever 1691826 caracteres sem um pingo de utilidade, pode criar o seu blogue, desabafar, falar do que quiser, no seu espaço.
Também é normal que, num blogue tão pessoal, haja quem sinta que:

1) partilhamos tudo o que vamos vivendo e sentindo, sem reservas;
2) nos conhece por inteiro;
3) nos pomos a jeito para ouvirmos tudo o que alguém quiser dizer sobre nós ou sobre a nossa família.

Compreendo, no entanto, nem a 1) e a 2) são inteiramente verdade, na medida em que nunca saberão efectivamente tudo sobre nós, não partilhamos tudo o que sentimos nem tudo o que somos - não parece, pela falta de filtro e descontracção, mas até nós temos limites). E, quanto à 3), discordo. Por isso, filtramos comentários. Para nós há limites e quando acharmos que alguém, qualquer que seja a intenção, aos ultrapassar, fica do nosso lado essa escolha. Já lhe chamaram falta de humildade, já me disseram que isto me subiu à cabeça. Como quer que queiram interpretar, reservo-me o direito de gerir a caixa de comentários e só aceito os que acho que vão contribuir para o debate, fazer-me/nos pensar, alertar para algo importante, discordar de mim, mas com classe e sem ofensas (dizerem que uma de nós podia ter lavado o cabelo não é uma ofensa, lá está ele). Quando são as leitoras a trocarem "galhardetes" de forma acesa, já me é mais difícil filtrar.

Mas bem, tudo isto para dizer que foi importante para mim responder às questões da SÁBADO desta semana para perceber onde estamos e para onde queremos ir. Um muito obrigada às jornalistas, mas principalmente a minha companheira (bem fazemos um lindo casal) por não me deixar desistir quando estou mais desalentada ou cansada ou preguiçosa. Temos aqui um projecto do caraças. Graças também a vocês! Se a Rita Ferro Alvim tem as suas "fofinhas", nós também as temos, sem dúvida. Sinto que temos gente boa desse lado, que gosta de nós e que acompanha desde sempre o crescimento das nossas filhas (e nosso), gente divertida, com sentido de humor, atenta e informada, que faz com que não baixemos os patamares e queiramos dar tudo.





Isto sou eu claramente a cair de sono, por uma boa causa (e porque a Luísa está doentinha, snif).

OBRIGADA, seguidoras queridas!


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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Ter de escolher entre as duas filhas

O título parece saído de uma crítica de cinema ao A Escolha de Sofia, mas, àquela hora da noite, e toldada pelo cansaço de ter estado sozinha com as duas, adoentada (as mães não podem ficar doentes, não é?) e com a Luísa doente, foi como se tivesse a fazer uma escolha dramática. 
A Luísa estava com febre (ainda esta e não percebi o que será). A única coisa que come é leite materno. A Isabel, perto das 23h30 começa a gritar e a chorar, aflita, a dizer que lhe doía muito o ouvido. Tentei acalmá-la, dei-lhe BUR, e andei ali a dar-lhe colo e a dizer que ia passar. Gritos gritos e pedidos de ajuda. Decidi pedir ao David que viesse para casa para irmos com ela às urgências (não atendiam na Saúde 24).
Perante aquele cenário, tive de escolher entre ir com a Isabel ou ficar com a Luísa. Foi a primeira vez. E custou. Custou ver a Isabel a sair de casa, ao colo do David, a chamar por mim. É nestes momentos - e só nestes - que sinto que pode ser injusto para o irmão mais velho a chegada de um com quem dividir atenções. Mas é a vida. Hoje já mais calma (apesar de muito cansada), já não estou tão dramática.


Resumo do que aconteceu depois ontem: ainda antes de chegarem às urgências, a Isabel disse que já só doia um bocadinho e vieram embora. (Sem febre e sem doer, eram capazes de espancar o David, além de que, e o mais importante de tudo, era estariam a pô-la em contacto com vírus desnecessários). Ficou boa, até ver.
A Luísa continua murchinha e com febre, la terei de ir ver o que se passa.


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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Quando os nossos filhos são os últimos a sair da escola

Custa e nunca vai passar a custar menos. É este o meu grande dilema e acredito que o de alguns pais: chegar tarde à escola dos filhos. Não me lembro de me acontecer, quando era miúda. Já o David diz que se lembra bem e que é algo que nunca se esquece, uma sensação de "tu queres ver que hoje se esqueceram de mim". No outro dia, uma colega de trabalho contava que chegou duas vezes seguidas já em cima da hora a que o colégio fecha e que a filha lhe respondeu ao pedido de desculpas com um "não faz mal mamã, fico contente porque vieste." Que amor! (Mas que triste também).

Eu, por acaso, achava que as minhas filhas ainda não tinham este entendimento da coisa. Mas ontem, quando cheguei mesmo no limite, a Isabel já tinha perguntado à funcionária se iam lá ficar. E comentou comigo, no outro dia, que agora as vamos buscar já de noite. Há aqui percepção de que algo mudou (e é verdade que a mudança da hora também não joga a favor dos pais que trabalham).

Tento não me deixar dominar pela angústia de saber que elas passam bastante tempo na escola -  até porque as vejo muito felizes e bem tratadas quando chego. Felizmente, temos conseguido revezar-nos a ir buscá-las e há dias em que vão (mais) cedo para casa. Mas tenho pena... Tenho pena que já não tenhamos, nesta geração, neste século, uma rede de apoio como havia há alguns anos. Tinha amigos cujos avós os iam buscar à escola e que ficavam com eles até que os pais chegassem do trabalho. Os avós agora ainda trabalham ou então vivem longe das grandes cidades, para onde os filhos foram estudar e/ou trabalhar. É a nossa realidade. No meio disto tudo, é tentar encontrar o maior equilíbrio possível e aproveitar melhor todos os momentos em que estamos juntos (não sei vocês, mas quase todas as nossas refeições ficam feitas de véspera ou no fim-de-semana para não nos roubar esse tempo durante a semana - ou então são coisas super básicas).

Tem corrido bem. No entanto, continua a haver dias em que as minhas filhas são das últimas a sair da escola.




Ontem fartei-me de chorar  foi um dos textos mais emocionantes que escrevi sobre este tema.



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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

As melhores horas do meu dia

Sem dúvida que as melhores horas do meu dia são quando estamos as três ou os quatro no namoro sem pensar em mais nada. Não consigo ter essa calma de manhã. Há pequeno-almoço para engolir e um mundo lá fora para atravessar (haverá trânsito? Vou chegar tarde?) que não me permite desfrutar nada com calma. Tenho a cabeça a pensar em tudo o que tenho para fazer. À tarde/noite é quando a minha atenção é delas. A sopa está sempre feita para não nos roubar mais tempo e quero ver se me organizo para ir tendo refeições congeladas para não ser tudo à três pancadas. A casa e a cozinha são arrumadas depois delas estarem a dormir (e, e... que as vezes adormeço logo com elas, e, caso o David não esteja em casa, fica tudo para a manhã seguinte). Tento não ficar angustiada por me parecer pouco tempo, respiro fundo e tento tirar proveito de cada momento: banhos, história e até de as adormecer.
É a melhor parte do meu dia.
E a vossa, qual é?



Coisinhas de que possam ter gostado:
Roupa das miúdas - Chicco 
Ténis - Vans 


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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Não quero filhas-museu

Sabem aquela expressão "casa museu"? Pois bem, eu nem casa nem filhas. A minha casa é para ser vivida. Não tenho móveis com bibelots de valor, nem espero que elas não mexam nas coisas, nem espero ter tudo sempre arrumado e limpo e pronto a receber o rei da Prússia.  [nem por isso deixo de lhes incutir o respeito pelas coisas dos outros - nunca partiram nada em casa de ninguém {ainda}]

Também não espero que as minhas filhas estejam sempre quietas, penteadas, sorridentes e prontas a ser fotografadas pelo fotógrafo oficial da família real. É o que calhar. Gosto de sentir nelas a alegria espontânea de ser criança, de não terem grandes espartilhos nem viverem cheias de regras e exigências. Não quero filhas-museu. Quero filhas-coração, filhas-fogo, filhas-emoção. Mesmo que às vezes deseje secretamente que "se portem bem", isto é, que não dêem muito trabalho. Mesmo que às vezes deseje que elas sejam como um tapete ou uma moldura. Mas, no fim do dia, vou lembrar-me mais da gracinha, do grito histérico, da gralha no carro que não parava de falar em cocó, da euforia, do que propriamente do quão direitinhas se sentaram à mesa ou se pintaram dentro das linhas.
Vão com tudo, minhas filhas. Sejam felizes. 


Coisinhas de que possam ter gostado:

Casacos (estes) e calças - Chicco


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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Deixem-se de merdas

Deixem-se de merdas.
Um dia olham para fotografias de avós que já não estão, de tios que partiram cedo demais e percebem que esta vida é fugaz demais para perdermos tempo chateadas com o que não tem importância.

Deixem-se de merdas.
Não queiram (só) ter, parecer, desembrulhar. Queiram conversar, abraçar, sentir, cantar, dançar, viver e SER.

Deixem-se de merdas.
Não vejam o copo meio vazio em tudo, percebam antes que ele já esteve vazio e que agora já vai a meio. Nada ganhamos em lamentar, ganhamos tudo em confiar.

Deixem-se de merdas.
Rebaixar os outros para tentar sair por cima não nos põe lá em cima, não nos tira do mesmíssimo sítio. Já incentivar, dar a mão, fazer o bem, dá-nos retorno. Um dia, mais tarde ou mais cedo.

Deixem-se de merdas. 
Não gastem o que não têm, umas meias quentinhas podem ser uma óptima prenda e vivam esta quadra a apreciar as luzinhas, mas principalmente as luzes interiores de cada um (trocadilho mai lindo).


Deixem-se de merdas e tenham um Feliz Natal.



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domingo, 17 de dezembro de 2017

3 coisas que me enojaram esta semana.

Sim, sim. Que me causaram asco, repugnância, que me envergonharam. Vergonha alheia.

1) Raríssimas 
Senhora dona Paula (Brito e Costa, que a senhora tem dois nomes), herdeiro da parada e família Lda, secretário de estado da Saúde, gambas e vestidos de luxo. Deu-me para rir, deu-me para me indignar, mas deu-me principalmente para ficar extremamente envergonhada, principalmente com os vídeos (de skype?) divulgados .- que, noutro contexto me pareceriam devassa da vida da senhora, mas que aqui ajudam a construir e a traçar a personagem que ela é. E aquela história das funcionárias se terem de levantar à passagem dela, lembrei-me agora, hein? Tudo bom demais, de rir para não chorar. Porque o triste episódio que motivou a Raríssimas, até aqui vista de uma forma tão benemérita, ter conduzido até esta telenovela degradante é de um  A minha tristeza vai para o facto de recear que muita gente deixe de ajudar causas e associações por achar que são todas farinha do mesmo saco.

2) Carrilho absolvido
Estou muito longe de conhecer o caso a fundo, de proximidade com a Bárbara apenas as entrevistas profissionais que lhe fiz (e o comprovar de uma simpatia imensa), apenas li o que o Carrilho disse nas inúmeras entrevistas nojentas que deu, mas tudo isto me cheira a esturro desde o início. E as novas citações da juíza fazem-me tremer a pálpebra do olho direito de nervos. Ora então a juíza Joana Ferrer não acha plausível que a Bárbara tenha sido vítima de violência doméstica porque não se entende como é que uma mulher destemida, determinada e auto-suficiente não foi ao Instituto de Medicina Legal na altura das alegadas violências. E não entende como é que a Bárbara deu, durante esse tempo, entrevistas em que parecia estar feliz. Isto é entender ZERO de violência doméstica, da vergonha e do medo que causa na vítima, e custa-me imenso que, no século XXI, ainda se use argumentação tão cheia de estereótipos e preconceitos. E, pelos vistos, há uma tendência preocupante, pelo estudo de uma investigadora: os tribunais têm dificuldade em ver mulheres com personalidade forte e independência financeira como vítimas (artigo interessantíssimo aqui: Quem não parece vítima tem menos hipóteses de ser considerada uma). Esta humilhação toda, este descrédito nas entidades e a falta de força que estas decisões podem significar para quem esteja a passar por algo semelhante (e a força que dá a agressores) deixa-me angustiada e revoltada. 

3) IURD
Adopção ilegal, pastores milionários, as vasectomias impostas aos bispos, os falsos seropositivos... Ainda não consegui ver todos os episódios até aqui emitidos (estou no 5º), mas já percebi que entretanto dois dos irmãos já vieram falar no canal do youtube da Igreja Universal do Reino De Deus (o outro morreu de overdose, mas eles dizem que foi de ataque de coração) a dar conta da legalidade com que tudo aconteceu (coitados). Ainda bem que o Ministério Público está a investigar o caso mas já vai tarde. Vi tudo aquilo com o coração nas mãos, a ser verdade muito do que ali se conta. Nojeira mesmo. 


Bem, resta-me olhar para as luzinhas de Natal e para os sorrisos das minhas filhas para tentar encontrar alguma inocência e candura nisto tudo. Semana louca para o meu estômago. Revolveram-se-me as entranhas. 


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Faltava-me isto para ser feliz.

Sou um desapontamento para algumas de vocês. Contei-vos aquela história linda de deixar o trabalho, Lisboa, a nossa casa e de termos ido para o campo, por amor às minhas filhas e por mim. Ouviram o chilrear dos passarinhos, viram as lambidelas dos cães todos os dias, cheiraram as flores e as árvores através de mim. Viram-me respirar fundo. E, acima de tudo, viram-me aproveitar bem as minhas miúdas. Estive um ano e três meses a cheirar o cabelo da Luísa, vi-a fazer tudo pela primeira vez, estive atenta a todos os pormenores, amamentei-a sempre que quis, dormi sestas com ela. Fui levar e buscar a Isabel à escola em horário mais reduzido, durante um ano e meio. Aproveitámos bem as manhãs, tomámos o pequeno-almoço juntas, fomos ao parque depois da escola. Pude ficar com elas em casa dias e dias quando estiveram doentes e mais precisaram de mim: não tiveram de ir ainda meias combalidas para a creche, das poucas vezes que aconteceu, felizmente, ficaram em casa até estarem a 100%. Pude fazer Baby Led Weaning com a Luísa, vê-la explorar e provar cada alimento novo com calma e paciência. Pude ir a todas as consultas sem ter de pensar a que dia calhavam e se me iria prejudicar no trabalho. Pude... tanta coisa. Tudo isto não me teria sido possível se tivesse cá ficado, se tivesse continuado a trabalhar. Foi, volto a dizer, a melhor opção para mim, para elas, para todos, enquanto família. Houve esforços de parte a parte. O David, que fazia centenas de kms para o trabalho e que chegava roto a casa. Eu, que tinha dias em que me apetecia ter uma pausa na vida de casa e de mãe. A família, toda, que ajudava sempre que era necessário: avó, tia, mãe. Foi também por isso que procurei aquele lar e aquela família, para ter a rede que me faltava em Lisboa. Tudo isto foi importante para aquele primeiro ano e meio da Luísa.
Até que... chegou uma altura em que precisei de ter novos desafios na minha vida. E em que, pesando tudo na balança, percebemos que me/nos estava a fazer falta ter um trabalho fixo e estável, seja lá isso o que for. Ainda ponderámos ficar a viver em Santarém, mas com dois adultos a trabalhar em Lisboa e ficando dependentes da minha mãe para tudo (vai levar, vai buscar), não seria viável, por inúmeras razões. Fez-se luz: voltamos todos a Lisboa. O que mais importa é estarmos os 4 juntos, a pouca distância uns dos outros, a partilhar a cama de manhã, o pequeno-almoço e o jantar, os banhos, as histórias e os mimos. Era isto que, nesta fase, nos parecia fazer mais sentido.

E faz. Faltava-me isto para ser feliz nesta fase. Estar a trabalhar, estar com adultos, aprender coisas novas, desafiar-me, dizer uns disparates a meio do dia, sair para almoçar e conversar com pessoas, ter vontade de me arranjar. Estar perto dos meus amigos, poder ir a uma jantarada sem ter quilómetros por fazer depois. Estar perto do David, jantarmos os quatro juntos quase todos os dias.

Claro que se perde algumas coisas. Claro que sim. Claro que me enervo se apanho trânsito. Claro que nem sempre estou fresquinha no trabalho depois de ter acordado 5 vezes numa noite. Claro que as miúdas passam menos tempo comigo. Mas em compensação passam mais com o pai, que foi pela primeira vez na vida da Luísa, sozinho com ela a uma vacina, por exemplo. Isto também é bom. Isto também é importante. Há um contrabalanço para tudo.

E, a ajudar a isto, encontrei uma escola para elas que me enche completamente as medidas. Este projecto educativo (MEM) faz-me muito sentido, o facto de encararem cada miúdo em toda a sua individualidade, o ambiente, a filosofia, adoro o facto de saberem o meu nome e de entenderem a família como parte integrante do projecto, o facto de poder entrar na cozinha e tirar um copo de água, o facto de terem ioga, o facto de numa semana terem ido ao CCB, ao Pavilhão do Conhecimento...,  bem... não saía daqui. No início do ano, quando fizer um mês, falar-vos-ei melhor da forma como foi feita a adaptação delas à escola.

E é isto. Faltava-me isto, nesta altura, para ser feliz. Não sei se isto me fará sempre feliz (haverá isso por aí?), mas para já há que aproveitar bem a mudança e os bons ares que nos trouxe. E a calma que me trouxe, mesmo com a agitação do vai pôr e do vai buscar, as novidades constantes no trabalho. Estou mais calma, já mo disseram. Pois estou. E mais feliz.

{e as miúdas estão bem}




Coisinhas de que possam ter gostado:

Camisola - Modalfa
Calças - Zara
Botas - Zilian 


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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Fim-de-semana cheio de coisas boas e segunda-feira sem ansiedade.

Há fins-de-semana em que não quero marcar nada. Ficamos por casa a fazer bolachas, a pintar, a dançar e a conversar. A fazer as lides, umas vezes com mais vontade que outras. A fazer cócegas, todos de pijama. Esse tempo faz-nos falta, como família. Mas depois há outros em que me apetece aproveitar tudo e ter o melhor dos dois mundos. Ir à rua apanhar sol, ou fugir da chuva, estar com amigos, com família, ir ao cinema, fazer uma refeição fora (e a verdade é que fora de casa parece que elas fazem menos birras, sem falar que sabe bem às vezes não nos preocuparmos com a loiça...).  Este fim-de-semana sentimo-nos de volta à cidade que nos viu partir há quase dois anos. Sabe bem estar de volta. Receber os amigos em casa para um sushi, com as miúdas já a dormir, ir ao cinema só com a Isabel (fomos ver o Estrela de Natal), ir tomar o pequeno-almoço fora, ter o avô a contar-lhe uma história, fazer peixinho no forno, ir visitar a avó com os tios, ir às compras, decorar a casa para o Natal... houve de tudo. E nem sequer senti que tenha sido uma correria. Foi bom, completo. 2a feira chegou e com ela uma semana cheia de memórias.

Antes de nos decidirmos vir para Lisboa, andava a ficar nervosa com a chegada das segundas-feiras, dia em que ficava deprimida e ansiosa por me sentir sozinha. Sozinha em casa. Horas e horas em que não abria a boca para falar, a não ser que fizesse stories. Não queria mais aquele silêncio todo, já não me estava a fazer sentido. Agora, apesar do tempo parecer correr muito depressa, sinto que todos os minutinhos contam, nem vos sei explicar. Estava na hora.

Fiquem com o meltingpot do fim-de-semana:

O avô contou duas vezes a história A Estrela do Mar, da Fernanda Velez, à Isabel. Muito querida!

Jantar em casa: Sushiiiiiiiiiii.

Com uma das (ou A) mulher mais bonita de Portugal, por dentro e por fora. Uma inspiração!
Apanhada a comer ou a armazenar comida nas bochechas. Foto da Rita Ferro Alvim.


No Corações com Coroa Café, um projecto que têm de ir conhecer em Belém!

Mãe, o filme do pai, os "Stauós"!

Amanhã mostro-vos as decorações de Natal e a sessão em casa com estas miúdas <3 com The Love Project



E vocês, o que fizeram no fim-de-semana? Já começaram a despachar as prendinhas? Por aqui ainda nada, para não variar... ;)



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