Mostrar mensagens com a etiqueta rubrica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rubrica. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Afinal Havia Outra - Filhos bi(ou tri)lingues

“É muito mais fácil aprender idiomas em criança do que em adulto”
“As crianças aprendem idiomas facilmente”
“Podem é começar a falar mais tarde, mas depois falam as duas línguas na perfeição”


imagem weheartit
 
Pois é, viver noutro país que não o nosso exige das nossas crias que falem outro idioma.
Cá em casa fala-se sempre português, mas a casa fica na Escócia.. o que significa que fora de casa se fale inglês. A Escócia, especialmente em Edimburgo, está cheia de espanhóis… o que significa que na grande maioria das vezes se fale espanhol também.
O Vasco, pequeno Lord cá de casa, é sujeito às três línguas desde que pôs os pés fora da barriga de sua mãe.
Foram meses e meses a ouvir as nossas gentes de Portugal.. 
“Coitadinho do menino, vai-se confundir todo!” 
“Ele quando começar a falar ninguém o entende.” 

Entende. Entende tanto como a qualquer gaiato da idade dele. 
O Vasco tem quase 3 anos. Começou o primeiro ano a ouvir inglês e espanhol, seguido de um ano a viver em Portugal, (coitadinha da criatura que não tem culpa nenhuma dos pais mudarem de país a cada ano) e está agora de volta à Escócia e a tentar comunicar em inglês.
A sua grande professora, Peppa Pig, sendo de certo de boas familias inglesas dali da zona de Kensington ou Chelsea, ensina-lhe coisas como “oh dear” e “whota”.
Tenho um certo medo que o rapazito sofra um bocadinho de bullying na escola, pois este sotaque tao british, nao será de todo bem aceite no meio desta miudagem escocesa. Para começar são todos enormes, com 3 anos já me dão pelos ombros a mim e pesam o equivalente a um panda bebé. Depois aqueles cabelinhos ruivos e aquela tez tao pálida, de quem tem claramente falta de vitamina D, coitadinhos dos riquinhos.

Vasco, o Tuga, lá se safa o melhor que pode no meio dos highlanders.
Por questão de sobrevivência, as primeiras palavras que aprendeu foram “biscuit”, “bread”, “delicious” e “more”, o que denuncia já a sua vertende latagona. Quase todas as semanas nos dizem que foi o único na escola a não só terminar o prato como a pedir segunda dose. Meu rico filho. Ainda não passou dos 11kg, aquele ar franzino que quem nao mete nada na boquinha e açambarca para o bandulho tudo aquilo que pode.
De maneiras que a criatura speaks english, habla espa ñol e até manda os seus bitaites em português, que é para ensinar a esta gente a língua de Camões. É vê-lo a passear-se nos corredores do infantário quando o vou buscar, atirando uns “see you leita”, “see you morrow”, “hasta mañana”.
No infantário eu sou a “mommy”, em casa sou mãe. <3
Estes dias, enquanto o assistia na organização da sua frota de mini carros, repetia-me que não era assim, tinha que ser “tandem” e eu ali com cara de sardinha, sem fazer a mínima ideia do que ele queria e a achar que o miúdo estava em devaneio… não liguei.
Por curiosidade, no dia seguinte perguntei ao tio Google…

Tandem

adjective
1.      having two things arranged one in front of the other.
             "a tandem trailer"


Toma lá.
Antes dos 3 anos e já me ensina inglês a mim, que vivo fora de Portugal desde 2010.




Elsa Maria Gomes
mãe do Vasco, Vasco´s mom e mamá de Vasquillo



 
Sigam-nos no instagram aqui 
  Joana Paixão Brás aqui e à Joana Gama aqui.
O nosso canal de youtube é este.
Enviem-nos um mail  à vontade.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A Mãe não veste Prada - #02

Aproveitámos um raro momento de calma no fim-de-semana e fomos à varanda de casa dos sogros, em Évora, tirar umas fotografias. 

Faz de conta que até foi o David quem sugeriu "minha Rainha, e que tal se imortalizássemos essa tua beleza inimitável numas fotografias que eu adoraria tirar? Perco-me em cada curva desse teu corpo e nesse sorris...". Não, não é convincente. 

Faz de conta que ele me respondeu com um "Até me arrepiei todo! Era mesmo isso que eu estava a pensar fazer, Joana, querida, bem melhor do que ver a minha série preferida". 

Esqueçam. Foi (é, quase sempre) arrancado a ferros, ao fim de dois ou três disparos já está a dizer que está bom (conhecem o género?), mas depois até gosta de ver o resultado final! Eu cá gosto de ser fotografada. :)

<3 Moço d'ouro este mê David. 
[psssssssit elogiem-no muito para ver se o hóme começa a fazer disto um hobby, pá ;)]


Olha que sítio confortável para me sentar! Metade do rabo fica a pender para o lado de fora e até podia ser que se quisesse suicidar, que eu agradecia, mas diz que só vai com o restante.









Estou a fechar tanto os olhinhos que mais um bocadinho e adormecia.
O hóme a dar-lhe com as fotos artísticas. Gostei.
Toda contente porque esta saia ficou por 8 euros numa loja a que não ia há anos (mas que a que gostei muito de voltar)

Acho que esta é a minha fotografia preferida.

Adoro aquele detalhe da blusa (e casa tão bem com as ramagens no padrão do casaco)

A saia tem uma cor giríssima mas pouco convencional, é um salmão-dourado lindo <3

A fingir que não quero mais ser fotografada.

Saia e casaco - Promod (saldos)
Top - Promod (nova colecção)
Ténis - Zara


Vejam aqui o look da semana passada:
............
............
Sigam-nos no instagram aqui 
a mim também aqui e à outra Joana aqui.
O nosso canal de youtube é este.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Mãe não veste Prada - #01

Ora pois que agora também nos deu para aqui. Podia ter-nos dado para algo pior, uma rubrica sobre pneumático ou bricolage. A verdade é que ando toda vaidosona, agora que comecei a comer melhor e até a correr (quem diria?!!) e que passei a caber num 38 (elástico, mas shiuuuuuuu, já é bem bom!) e a outra agora é toda do fitness, a treinar 4 vezes por semana, e qualquer dia também há-de querer aparecer aqui, que eu sei.
Tirando um casaco de inverno, acho que há bem mais de um ano que não comprava nada para mim e na semana passada tomei-lhe o gosto. A Mãe não veste Prada, que a Mãe tem 392827 fraldas para comprar, mas até se veste bem. Às vezes.

Olhar para o horizonte e fingir que se está a andar (sim, que eu já papei - e papo - muita Pipoca e Stylista, não ando aqui a brincar) ;)
Pronto, parece que tive ali uma trombosezita no braço, mas ninguém vê.


Faz de conta que não estou a imitar uma fotografia da Joana Gama, aqui, e que até sou engraçadinha.
Na verdade, comi uma dourada e até tinha perguntado à senhora do restaurante se as batatas doces eram fritas em azeite, mas depois espetei-lhe com metade de um brigadeiro de tacho no bucho. <3
Ai tão divertida que eu estou que até mostro metade da gengive, como dizem certas e determinadas 'ssoas.


Encostada à parede, confiante, à espera do 708. Super verosímil.
Adoro, adoro, adoro. Nada a apontar.

Coisa mai' boa de filha que um dia chega aos 1.74 da mãe e eu choro. E mirro.
 
Túnica mãe - Bastidor Colorido
Calças e ténis - Zara
 
............
............
Sigam-nos no instagram aqui 
a mim também aqui e à outra Joana aqui.
O nosso canal de youtube é este.

sábado, 2 de abril de 2016

Inventam tudo! - Cocobelt

Resolvemos retirar esta rubrica das trevas para vos falar de uma invenção muito gira e útil: o Cocobelt. Ora o que é isso? É nada mais, nada menos do que uma alça para nos ajudar a transportar o ovo do bebé. 

Nem eu planeio enfiar-me num aeroporto tão cedo nem vou estar com esta figuraça no pós-parto. Rrrrrrrrr
Contudo, o Cocobelt é igualzinho: verde água, a minha cor preferida.


Já tinham ouvido falar disto? Eu não. E provalmente ter-me-ia poupado ao meu esbardalhanço das escadas com o ovinho da Isabel, quando ela tinha dois meses. Armamo-nos um bocado em artistas de circo, com malas e chaves e ovinhos e depois catrapum. Ainda me magoei bastante num tornozelo (graças a Deus ficou tudo bem com a Isabel, que estava bem presa no ovo, o que a protegeu) e acabei o dia no hospital a fazer ecografia e andei aleijada uns tempos. Ainda hoje tenho esse tornozelo um bocadinho mais inchado do que o outro e cheira-me que nunca ficou a 100%.

Ora, vou experimentar o Cocobelt com a Luísa. Dizem que é seguro e que nos ajuda imenso a suportar o peso do dito, de casa para o carro e vice-versa (principalmente quando eles adormecem e queremos que assim fiquem mais uns minutos). Tudo o que nos ajude nesses primeiros tempos é bem-vindo. Foi inventado por uma mãe norueguesa que sentiu essa necessidade (fico sempre com alguma inveja destas pessoas com boas ideias).



Podem adquiri-lo no Bybebé.




Sigam-nos no instagram @aMaeequesabe
E a mim também;) @JoanaPaixaoBras
 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Hacks de uma mãe despachada (#01)

Eu não sou a mãe mais despachada à face da terra, longe disso. Porém, com o tempo lá vamos arranjando uma maneira mais fácil (para nós) de fazer as coisas.

A Irene tem pele atópica e reage mal a toalhitas e a produtos para limpar o rabinho. Borrifei-me (literalmente) para tudo e agora uso só água. Até passei por uma fase em que pus um bocadinho de bicarbonato de sódio nessa água (só para contrabalançar o PH porque ela estava muito assada), mas água parece ser mesmo a melhor solução. 

Usamos, então, um borrifador que comprei na Tiger (1 euro) e as compressas de tecido não tecido mas de tecido que afinal não são de tecido porque não sei quê. É tipo este que está aqui em baixo mas um pouco mais giro, claro. 




Partilhem aqui como comentário os vossos hacks que nos próximos posts até posso divulgar as vossas ideias e os vossos hacks para passarmos todas a ter o trabalho mais facilitado ;)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

a Mãe desbronca-se (#02) - Mudar os filhos para o seu quarto.

Olá, amiguinhas! 

Isto faz-me lembrar uma revista de cariz católico que recebia por correio na casa da minha avó. Acho que se chamava "Olá, amiguinho" ou, então, só amiguinho.


Bom, pelos vistos é "nosso amiguinho". Pelo menos tem "amiguinho" no título, já não é mau.

Desculpa, Ana Sousa, pela desconversa. Vamos a isso, a Mãe desbronca-se!


Não acho que devas sentir qualquer tipo de pressão em por o miúdo a dormir no quarto dele. Nós estamos equipadas com uma espécie de intuição (que não é intuição, mas que se nos apresenta como tal) que  nos orienta a tomar algumas decisões. Parece que isto não faz sentido nenhum e, provavelmente, não faz. Não me estou a conseguir explicar. Basicamente, se te sentes nervosa e ansiosa é porque, quase de certeza, não estás preparada para o fazer e poderá mudar muito a vossa dinâmica relacional. Por outro lado, se decidiste porque sim, sem pressões, mesmo que custe um bocadinho, quer dizer que está na altura. 

Segundo o que a Joana Paixão Brás me contou, vão passar todos a dormir melhor. É mais chato para quem amamenta fazer mais uns metros até ao quarto do lado mas, passado uns tempos, o teu cérebro ajuda-te a apagar esses momentos e já nem te lembras bem de quantas vezes te levantaste.



Algo que me ajuda muito é materializar esse tipo de sentimentos. Tens medo que ele cresça e deixe de precisar tanto de ti? Tens medo de não o ouvir? Ou é só uma ansiedade sem grande fundamento mas que te faz ficar com o coração acelerado? É receio da mudança, só porque sim?

Pensa que, lá por dormir lá uma noite, não quer dizer que durma todas (embora, o melhor para ele seja não andar a saltitar). Acho que podes experimentar e ver como te sentes. É como se fosse uma sesta durante o dia. Ele está a dormir noutro sítio e tu estás a fazer "a tua cena" no teu quarto. Não vejas como uma separação. Vê só como mais um momento de independência de ambos. 

Eu não lidei muito com essas emoções porque passei a Irene para o quarto dela logo no 2º dia de vida. Confesso que talvez tenha sido por babyblues e talvez agora tivesse ficado com ela no quarto e até dormisse comigo, mas não me "arrependo" da decisão. Não senti que lhe tivesse feito confusão, a mim também não fez. 

É mais um daqueles casos em que "a mãe é que sabe". Pergunta por que é que estás a tentar dialogar contigo própria no sentido de o pores no quarto dele. Tenta perceber se a razão é importante. Depois experimenta, mas não sem antes te esclareceres que não estás a abandonar o teu filho, que não ficam menos amigos, etc. 

É só dormir noutro sítio. Vais lá na mesma quando ele te chamar :)

Sabes como a Irene e eu somos chegadas e ela nunca dormiu no nosso quarto. 

Olha, até podes ler um post que escrevi há muito tempo aqui

Depois conta-nos como correu, sim? ;)

Beijinhos e boa sorte! ;)


Nota: Atenção que não sou especialista no assunto, sou só uma mãe, mas vou convidar a Verina Fernandes da "Sono de Sonho" a comentar isto, talvez dê uma boca dica. Fiquem atentas aos comentários.

A Ana Sousa fez uma pergunta ali no sítio da nossa rubrica. Querem fazer o mesmo? 

terça-feira, 14 de abril de 2015

a Mãe desbronca-se (#01) - Quanto peso.

Olá suas cuscas de meia-leca!

Então isto é pergunta que se faça, Célia? Grande lata!


É exactamente disto que falávamos: podem perguntar o que quiserem. Podemos é não responder hehe :)


Não vejo problema nenhum em dizer quanto peso. Peso 70 kg (e meço 1m64). Não acho que seja gorda, claro, mas o problema é que tenho tudo aceitável, menos a barriga que parece aquelas velas das igrejas, a derreter. Cai tudo para os lados, o efeito queque. Não posso usar t-shirts justas - até posso, mas fico a parecer um polícia em que a esquadra não tem número da farda para ele. 

Agora, a Joana Paixão Brás chamar-se a si de cheiita é nojento. É cavalona? É. Mede para aí 1,75m. Gorda? Nada. Até é daquelas que tem a barriga lisa. Quanto muito será flácida, mas não deve ser muito porque não me lembro e já fui com ela à piscina. E sabes como nós somos, Célia. Se aquilo fosse preocupante ou esquisito, eu lembrar-me-ia. Ela deve pesar perto daquilo que eu peso, sendo que é alta e grande. Ela, há uns tempos, até ouviu a mãe dizer uma coisa que eu nunca ouvi (até porque acho que nunca emagreci na vida): "filha, estás mais magra, temos de ir comprar roupa, está bem?". 

Sempre tive coxões, nunca tive aquele buraquinho que as tipas boas têm entre as pernas (e claro que não me refiro ao pipi, senão a minha filha teria saído por um sítio um pouco bizarro), nunca fiquei bem de roupas justas. Parece que não perdi aquela barriga de criança, inchada. E até meio da minha adolescência sempre culpei o facto de gostar de dar arrotos e de engolir ar. Achava que era assim porque havia muito ar que eu engolia e que depois não saía. 

Depois comecei a ignorar e a vestir-me tipo tenda da Quechua. Roupas quanto mais largas, melhor. As calças até podiam ser justas (porque tenho um rabo engraçado - não de fazer rir, mas não desgosto), mas a parte de cima tinha de ser à boca de sino, para conseguir respirar sem toda a gente perceber que sou uma bola de pilates. 

Não deixo que isso governe os meus dias. Como o que me apetece. Às vezes deixo de comer o que me apetece. Às vezes sinto-me gorda, mas depois borrifo-me para isso. Entendo que nem toda a gente tem de conseguir vestir tudo e de ficar bem.

Vejo-me como um todo na maior parte dos dias. Na maioria do tempo não me vejo como um corpo. Às vezes sim e odeio-me e "não tenho nada para vestir" e "estou-me a cagar e vou assim à rua", mas é raro. 

Acho que o segredo está em termos roupas que usemos e não que gostássemos de vestir. 

A verdade é que nem sempre fui assim. E até vos conto um segredo algo esquisito (venham daí ofertas para psicoterapia):  lembro-me de atar, com muita força, um cinto à cintura para dormir, para me lembrar de encolher a barriga durante a noite, para ver se ficava uma menina normal. 

Obviamente que não podia continuar com este peso na consciência o resto da vida. Não sou pessoa de ginásio durante muito tempo (tinha fases de 3 meses muito intensos) mas, acima de tudo, assumi que não sou pessoa de ter uma barriga impecável. 

Que se lixe.

Eu não sou a minha barriga. Eu sou a minha cabeça, o meu sorriso, as minhas opiniões, o meu sentido de humor, o meu humor. 


(já estava grávida nesta)


(sei que isto é conversa "de gorda", mas hoje acredito mesmo nisto)



A Célia fez uma pergunta ali no sítio da nossa rubrica. Querem fazer o mesmo? 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

a Mãe dá (#17) 100€ com a La Redoute

Ahhhhhhhhh nem imaginam o quanto estávamos desejosas de partilhar esta notícia convosco, caramba!! Andei a perseguir as meninas da La Redoute dia e noite para vos darmos isto o mais rapidamente possível porque sei que iriam ficar todas contentes! 

100 euros em roupa não é brincadeira nenhuma! E o quanto gostamos nós de gastar dinheiro com eles, não é? Numa de Nenucos, mas que em vez de fazerem "toc" quando caem ao chão, choram a sério. 

Gostamos imenso de vos dar coisas e estamos mesmo entusiasmadas porque, se bem se lembram (claro, claro...) fomos ao lançamento da nova colecção da La Redoute e adorámos as coisinhas para criança (e não só, mas estamos a tentar focarmo-nos). 

Querem ir começando a salivar com as coisas que podem mandar vir? E o que nós, mulheres, adoramos "mandar vir", não é? ;) 

Não sei se sabiam, mas também já podem "mandar vir" Móveis & Decoração para os quartos das nossas criaturas!!! Adoramos!





Caso não precisem de nada desse campo, ficam aqui uns conjuntos que a Joana Paixão Brás fez para se inspirarem nos looks La Redoute: 

Primeiro os looks menina.

Look Isabel


Look Irene
E agora, surpresa, um look menino:


Look namorado da Irene (que a Isabel está terminantemente proibida até aos 32 anos)

Para participarem e se habilitarem a ganhar os 100 euros em produto La Redoute é simples (é mesmo):

Para participar é preciso:
1) Fazer like na página da La Redoute
2) Fazer like na página d'a Mãe é que sabe (mas isso já está, não é?)
3) Partilhar publicamente este link no perfil do Facebook
4) Preencher o formulário em baixo (o link da partilha é o endereço do seu perfil do Facebook)

Condições:
O vencedor será anunciado dia 27, sendo aceites inscrições até às 23h59min do dia anterior.
Os vencedores serão escolhidos aleatoriamente através de random.org.
Só é válida uma participação por endereço de e-mail.
Só serão consideradas válidas as participações oriundas de Portugal Continental e Ilhas.
Os dados dos participantes serão utilizados para fins comerciais pela empresa patrocinadora.






sexta-feira, 3 de abril de 2015

Afinal Havia Outra (#18) - 1640 gramas

Já comecei e deixei a meio este post inúmeras vezes. Não é fácil escrever sobre aquela que foi a tua primeira casa. Foi lá que viveste até ao dia 21 de março, o dia do início da primavera, o dia da tua alta. Lembro-me bem desse dia. Chovia a potes e aqueles breves minutos à espera que o pai parasse o carro à entrada das urgências pareciam uma eternidade. Já no carro, sentei-me ao teu lado no banco de trás, agarrada aos teus pequenos dedos olhava para ti e sentia-me a mãe mais feliz e mais insegura do mundo. Gostaria que entendesses o que sinto cada vez que vamos à maternidade, é uma mistura de gratidão e angústia, um nó na garganta e uma sensação estranha de conforto, a vontade de seguir em frente mas ter medo de esquecer. Quando passo por lá à noite tudo isto torna-se ainda mais intenso... As noites, as noites eram o pior, António. Saíamos para comer qualquer coisa e na maioria das vezes ainda voltávamos às 10 ou 11 da noite para te desejar boa noite. Estacionávamos nas ruas já vazias, completamente exaustos mas sempre a passo acelerado, cumprimentávamos o segurança que já sabia de cor o número do teu berço e seguíamos pelos corredores fora, eu com o chá de funcho na mão, o pai carregado com esterilizadores, bombas de leite ou a ceia preparada pelas avós. Desinfetávamos as mãos, deixávamos os casacos no cacifo e sentávamo-nos finalmente ao teu lado. Na sala, agora escura e quase silenciosa - não fosse o barulho constante das máquinas e do rádio propositadamente lá colocado durante a noite - ficávamos nós os três e os outros bebés. Aproveitávamos essas horas calmas para falar com as enfermeiras sobre a tua evolução e tirávamos dúvidas sobre como cuidar de um bebé tão pequeno em casa. Saímos de lá com uma boa preparação, aprendemos mais naquelas noites do que em todos os livros e cursos de preparação para o parto juntos. 

Às enfermeiras ganhámos um carinho especial, elas não se limitavam a tratar de ti, elas cuidavam de ti, davam-te colo, falavam contigo... Esméria, Ângela, Manuela, Rute, Tânia, Ana Lúcia, Sílvia, estes serão sem dúvida alguns dos nomes cujos rostos jamais esqueceremos.

Rita Carvalho

domingo, 29 de março de 2015

Inventam tudo (#11)

Esta rubrica é daquelas que nunca irá acabar. Há sempre mais coisas para descobrir nos meandros da internet. 

Por acaso, no outro dia, até li uma mãe que perguntou por isto num grupo de mães aqui no Facebook. E, pensando bem, acho que dá muito jeito. 




Há muitos bebés que não são barrigudos e, portanto, os bodies deixam só de ter um cm para já não serem mais usados. Extensores de bodies. Foi o que alguma alma muito esperta decidiu criar.

Claro que também podemos ser nós a fazer na máquina de costura mas, sinceramente? Agora que se tem bebés? Quando é que vamos voltar a pegar naquilo?

Sei que, quem me acompanha, nunca imaginaria que eu já tivesse pegado numa máquina de costura ou que tivesse comprado uma mas, em minha defesa, devo dizer que tive uma baixa de gravidez ainda algo prolongada e já não podia mais ver televisão ou ver o meu marido a jogar Fifa. 



Agora que estava aqui a olhar para a imagem, pensei (às vezes acontece): é realmente uma boa ideia, mas entre encomendar isto da internet ou ir dar uma volta à Primark e comprar uma dúzia de bodies novos por uma notinha de 20... 

Fica a sugestão. Nem que seja para um DIY (do it yourself - aprendi quando andava nas lides da costura). 

Usariam ou é só engraçado?

sábado, 28 de março de 2015

Afinal Havia Outra (#17) - Não queria ser mãe.

Esta foi uma questão que me assombrou durante muitos anos. Foram uns tempos valentes em que tive completamente convencida que nunca viria a ser mãe. E verdade seja dita, estava feliz com a minha decisão.

O único incómodo eram todas as mães que me rodeavam e que não conseguiam compreender a minha escolha. Como se fossem elas que nas suas conversas iguais me conseguissem de alguma forma convencer. Sim, porque tendo filhos eles até seriam criados por elas, não é?!

Olhava para aquelas mães conformadas em que a felicidade estava toda em ser mãe e deixar de ser mulher e sentia-me cada vez menos convencida.

Quando muito, mas mesmo muito, esporadicamente pensava sobre ser mãe, era sempre pelos motivos que considero errados. Sim, gostava de experimentar estar grávida e ter "aquela" barriga para exibir; sim queria receber mimos e presentes; sim, queria ser o centro das atenções enquanto grávida. Mas queria um bebé, dependente de mim, que precisa de comer, tomar banho, dormir, chupetas e birras, vómitos e cocós, ou até mesmo brincadeiras intermináveis e gritos e gritinhos? Não, não queria nada disso.

Gostava da minha vida tal como ela era. Dormir até tarde ao fim de semana... Decidir às nove da noite que não me apetece fazer jantar e ir a qualquer lado... Fugir das compras e do supermercado até restar apenas um enorme vazio no frigorífico... Sair à noite com os amigos... Apanhar umas bebedeiras... Prolongar os meus dias até tarde, porque não há horas para ir para a cama... Pegar nas poupanças e estourá-las em sapatos... Eu era MUITO, MUITO feliz assim.

Chegou-me durante felizes 9 anos de casada, e acreditem, continuava a chegar, e continuaria. 
Um dia, tudo mudou, afinal tudo muda! Não sei como nem porquê, e nem sei se os meus motivos estão certos ou errados, porque nem motivos tenho afinal. Mas tudo mudou.

Dia 5 de Novembro de 2014, apareceram 2 riscas naquele pedacinho de plástico, que mudaram tudo.

Não foi acidente, pelo contrário, eu queria aquelas riscas... Porquê? Não sei... Não sei mesmo. Sei que era feliz, com a minha vida irresponsável, e sou igualmente feliz agora enquanto me adapto à nova realidade.

Dúvidas? Tenho muitas... Afinal de contas, sei lá eu ser mãe.



Ana Filipa Guerreiro

quarta-feira, 25 de março de 2015

Força, suas leiteiras (#03)

... vamos a isto?

A missão de informar mamãs que optem por amamentar é complicada, mas nem A Mãe é que sabe nem a CAM Patrícia Paiva nos importamos com isso!

Aqui está o preambulo da entrevista que começou neste e que, depois, seguiu para este e agora cá estamos:
Estarmos informadas sobre a amamentação serve para podermos ser uma fonte de apoio para as mães que optem por amamentar e que possam passar por algumas dificuldades (nem sempre há problemas).

É também muito importante para não sermos repetidoras de informação incorrecta, porque tal pode ser o factor decisivo para a desistência de algumas mães.

A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses. Além de estarem provados os benefícios da amamentação prolongada (com desmame natural), a OMS também sugere a amamentação até, pelos menos, os dois anos de idade.

A questão é: serão as possíveis dificuldades na amamentação que provocam tantas desistências ou será a falta de informação?

Para tentar ser mais produtiva neste assunto e com a ajuda de uma amiga (Patrícia Paiva, co-fundadora do projecto Mamar ao Peito cujo site está cheio de informação útil):

21 - Onde é que as mães podem encontrar CAMs?

Felizmente hoje em dia já há CAMs espalhadas por todo o país. E para encontrar uma é apenas necessário fazer uma pesquisa na internet. Existem vários sites com o contacto de CAMs, divididos por localidades, ou até mesmo no facebook temos grupos de apoio onde se podem encontrar esses mesmos contactos. Em alguns centros de saúde, normalmente aqueles que têm cantinho de amamentação, também há CAMs disponíveis para ajudar.

22 - Por que é que as mulheres que defendem a amamentação são sempre chamadas de fundamentalistas?

Acho que a maternidade em geral é algo que mexe muito com as mulheres e as mulheres que amamentam e que gostam muito de o fazer, querem passar a mensagem, para que outras mães descubram o quanto pode ser fantástico. Por isso podemos ser mal entendidas pela forma fervorosa como falamos do assunto, mas eu penso que não seja por mal, eu própria por vezes entusiasmo-me a falar de amamentação, porque foi algo que realmente despertou uma grande paixão em mim, mas umas das coisas que aprendemos no curso de CAM é a moderar a forma como falamos e a escutar as mães, e é isso que tento sempre fazer, algumas vezes com mais sucesso que outras.

Além disso, muitas mães acham que somos radicalmente contra determinadas coisas, como a introdução de chuchas, do suplemento ou alimentação complementar, amamentação com horários… 

A questão é que estas são coisas que podem realmente influenciar o decurso da amamentação, e algo como um simples biberão de leite antes do bebé dormir pode levar a um desmame precoce, mas não obrigamos ninguém a seguir as nossas recomendações e tentamos adoptar os nossos conselhos à realidade familiar de cada mãe.

23 - Será que, algum dia, a amamentação voltará a ser a norma?

Eu espero que sim, porque é realmente algo muito importante para os bebés e para a saúde em geral. Mas para isso é preciso que esta seja novamente normalizada, que se vejam cada vez mais bebés a mamar, quer seja no café da esquina, na televisão ou nas revistas. Porque vemos tantas vezes bebés com chucha e biberão, e desde muito pequenas essa é a imagem que nos é passada,  e infelizmente passamos a achar que isso é que é o normal. Mesmo os anúncios aos leites artificiais começam com o bebé a mamar, e depois aparece com um biberão a beber outro leite, e isso passa a mensagem de que é algo natural, que tem de acontecer obrigatoriamente a um determinado momento do seu crescimento. Mas essa não é a verdade,  há crianças que nunca beberam leite artificial, que mamaram até à altura do seu desmame fisiológico e a partir daí passaram a beber o leite da família ou nenhum.

24 - Quais são as principais dificuldades da amamentação? 

Penso que os primeiros meses serão os mais complicados, é uma adaptação muito grande e um momento de aprendizagem quer para a mãe, quer para o bebé. A adaptação à mama, a interpretação dos choros, os medos inerentes à chegada do bebé… Além disso, há as dificuldades que podem surgir, que acontecem a algumas mães, como as gretas, os ingurgitamentos ou as mastites, entre outras. Acho que todas as mulheres deviam sair do hospital com informação correcta sobre amamentação, a saber fazer uma massagem manual, e o contacto de uma CAM, caso seja necessário. 

O ideal seria que houvesse grupos de apoio, que podem ajudar muito ainda na gravidez, apenas mostrando como os bebés mamam, visto que é algo que muitas grávidas nunca viram, e explicando o que é natural e o que pode ser sinal de alerta. Antigamente essas informações passavam de mãe para filha, hoje em dia perdeu-se um pouco a sabedoria da amamentação e mesmo as avós que amamentaram dão informações erradas, baseadas em preconceitos, ou influenciadas pela publicidade que é feita aos biberões e aos leites artificiais.

Passada esta fase inicial, há os picos de crescimento, onde costumam haver desmames por falta de confiança na qualidade ou quantidade do leite, mas são apenas alturas em que o bebé precisa de mais leite e por isso pede mais vezes.

A partir daí, se a mãe conseguir ignorar os incentivos ao desmame, que podem vir de várias pessoas, quer seja da família, amigos, ou de profissionais de saúde, é só acrescentar dias, meses e anos ao decurso da amamentação.

25 - A falta de confiança própria das mulheres é um grande obstáculo. Grande parte do papel das CAM é de apoio psicológico, certo? 

Infelizmente, sim. Hoje em dia mais facilmente acreditamos em coisas artificiais do que naturais, as mulheres não vêm o leite que é produzido e não conseguem confiar no seu corpo e nos seus bebés. Temos muitos acessórios à venda para amamentação, desde suplementos para aumentar a produção, até bombas para extracção, quando o que é realmente necessário é apenas uma mama e um bebé, alguma calma e privacidade nos primeiros tempos, para que mãe e bebé consigam entrar em sintonia e aprender um com o outro. É claro que há situações em que apenas a confiança não chega, em que pode realmente ser necessária alguma ajuda especializada, mas não em tantos casos como os que aparecem. 

O ideal seria que o apoio viesse das próprias mulheres, das mães, da família, mas muitas vezes esses são os primeiros a minar a confiança da mãe, com conselhos errados, ou apenas com comentários inconvenientes. Mesmo as avós que amamentaram, têm alguma dificuldade em apoiar a mãe que quer amamentar, porque são minadas por imagens de bebés a biberão, e basta o bebé chorar uma vez para dizer “Se calhar está com fome!”, e aí começa a insegurança da mãe…

26 - O que podemos fazer, enquanto mulheres, para ajudar as outras mães?

Eu acho que as mulheres deveriam juntar-se mais, criar grupos de apoio, não apenas nas redes sociais, mas também nas suas localidades. Os primeiros meses com um bebé podem ser muito complicados, e estar com outras mães que têm bebés e que podem falar um pouco da sua experiência, pode ser o suficiente para que as coisas corram melhor. Há mulheres que nunca viram um bebé a mamar, por isso acho importante que essa imagem seja cada vez mais normalizada, por isso amamentar quando o bebé pede, mesmo que seja em público é uma forma de mostrar a outras mulheres, possíveis mamãs, que é possível amamentar, de uma forma natural, sem dores.

27 - Por que é que é tão difícil aceitar, a nível social, a amamentação prolongada?

Acho que é por falta de conhecimento, a maioria das crianças que mama até mais tarde, não o faz a toda a hora nem em qualquer lugar, sendo que as mamadas normalmente ocorrem em casa, longe dos olhares de outras pessoas. Por isso quando se fala no assunto ou quando uma criança pede para mamar, as pessoas estranham, acham que não é normal. Mas do conhecimento que eu tenho é mais comum do que se pensa, simplesmente é um tema tabu, do qual não se fala nem se vê. E quando se fala, na televisão por exemplo, normalmente é para criticar ou para fazer comédia, o que piora um pouco a ideia que se tem da amamentação prolongada.

28 - Por que é que há mulheres que dizem orgulhar-se de não ter dado de mamar?

Não faço ideia, até porque não conheço nenhuma, já li alguns posts em blogs sobre o assunto, e a maioria das mulheres que decide não amamentar, ou que critica as mulheres que o fazem, tem uma ideia errada da amamentação.

29 - Há algum leite, para o bebé, que seja minimamente aproximado ao ponto de não interessar se tanto é materno ou não?

Não, é impossível criarem um leite que seja equivalente ao leite materno, até porque o leite materno adapta-se ao bebé que está a bebê-lo e à sua fase de crescimento. O leite materno tem componentes vivos, que se alteram conforme a duração da amamentação e isso é algo que não se pode imitar. Como diz o Dr. Carlos Gonzalez, o leite artificial está em constante investigação exactamente porque está longe de ser perfeito para os bebés, não se tem conhecimento de que nenhuma marca tenha encerrado os seus laboratórios por já terem descoberto a fórmula necessária para os bebés, ao contrário do leite materno.

30 - Os bebés que estão à mama, têm mais cólicas?

O leite materno é o alimento ideal e adaptado ao bebé, tem componentes que ajudam na digestão, e a mama não liberta ar, ao contrário do biberão, portanto faz sentido que este ajude na digestão e não o contrário. No entanto, as cólicas é o nome que se dá ao choro e agitação do bebé, e não há uma explicação científica comprovada que define o seu motivo. Quando a mãe indica que o bebé tem cólica, tento perceber o motivo que a leva a pensar isso, porque o bebé pode apenas precisar de mais contacto, mais mama, mais colo e a mãe entender como cólicas e não responder a esses pedidos do bebé. Em alguma situações, em que percebo que efectivamente o bebé está realmente com dificuldades na digestão, sugiro alguma massagens, andar com o bebé em posição fetal, preferencialmente com a ajuda de um porta-bebés ergonómico, e tento acalmar a mãe, o que por vezes é suficiente para acalmar o bebé. Outra situação que pode ocorrer, é que o bebé não tolere bem algo que a mãe coma e, apesar dos alimentos não influenciarem muito a composição do leite materno, algumas intolerâncias podem influencia a forma como o bebé digere o leite, sendo que a mais comum é a intolerância ao leite de vaca, mas normalmente estas intolerâncias têm mais sintomas associados além do choro.


Ainda haverá parte 4 ;)

domingo, 22 de março de 2015

Mães que tudo sabem (#06) - Joana Gama

Chega agora aquele momento de pingue-pongue totalmente inesperado. Ela entrevistou-me, eu entrevisto-a. Nem sei como é que ela deixou passar tanto tempo desde a entrevista que me fez, sem reclamar "então e a minha entrevista?". Ela adora falar dela e eu adoro ouvi-la. Já lhe dediquei um texto mariquinhas, mas agora quero que percebam melhor (se não perceberam ainda) quem é esta mãe. Que sabe tudo, claro, ui, esta então não a contradigam, que está o caldo entornado. Hehe

01- Quando te sentiste mãe pela primeira vez?

É difícil. Senti-me muito Mãe durante a gravidez, por muito "estúpido" que possa parecer. Depois do parto, como contei, não senti nada. Não me senti nem Mãe, nem Joana, nem ninguém. Quando viemos para casa e os sogros pararam de trazer coisas (achamos brilhante a ideia de mudar de casa quando a Irene nascesse) e tudo assentou, o silêncio trouxe-me o coração de volta. Comecei a amar. Devagarinho, mas sempre a aumentar. Ainda hoje. Quando se pensa que já não dá para mais... é como dizes num post: "coração de mãe é elástico". 

02 - Mas nunca tinhas brincado com bonecas (não estou a falar das insufláveis)?

Tinha, claro. Lembro-me de ter Nenucos que faziam xixi, Barbies às quais cortava o cabelo, Barriguitas, etc. Aconteceu algo entretanto na minha vida que fez com que eu visse a maternidade como algo demasiado maior que eu. Que eu não conseguiria estar à altura de tarefa tão importante. Tinha decidido ignorar o propósito do meu útero para sempre até me apaixonar pelo meu Frederico que me faz sentir gigante (no bom sentido). 

03 - No que é que sentes que já superaste todas as expectativas?

Ser Mãe tem sido uma aprendizagem de fora para dentro e de dentro para fora. Aprendo mais sobre mim ao cuidar dela e aprendo muito sobre ela, olhando para mim. Superei as minhas expectativas porque, afinal, sou capaz de amar tanto quanto uma mãe ama. Tenho em mim o material necessário para ser uma mãe do caraças e tenho tomado todas as decisões nesse sentido. Tudo o que gostaria que, um dia, a Irene soubesse da Mãe, é o que eu estou a fazer. Quero que ela se sinta amada agora e quando se recordar, mais tarde, da sua infância.


04 - O que é mais difícil nisto da maternidade?

Maturidade. Auto-controlo. Relativização. Capacidade de respirar. A luta contra a privação de sono. Não endoidecer. Ter vontade de brincar quando temos o corpo cheio de dores e morto por dentro, de cansaço. Deixamos de nos alimentar de hidratos de carbono e de "energia" para vivermos do coração.

05 - Se pudesses mudar alguma coisa em ti como mãe, o que mudarias?

As mamas.
Vá: mudaria a minha ansiedade. Não gostava que a Irene crescesse a achar que a forma urgente que a mãe tem de sentir tudo fosse normal. Gostava que ela fosse livre e que nada a prendesse de sonhar e de alcançar. 

06 - Queres ter mais filhos, mas primeiro queres degustar e engolir a Irene todinha, com tempo?

Sim. Por mim, passaria a vida a parir. Quero muito dar mais seres fenomenais como a Irene ao mundo. E hei de dar. Calma, entidade patronal! Fui filha única durante 10 anos e adorei a experiência de me sentir mãe do meu irmão. Quero que a Irene receba o máximo de amor dos pais, que não encontre uma mãe cansada de acordar 20 vezes por noite por causa do irmão mais novo e, portanto, sem vontade para ir ao Jardim Zoológico com ela. Quero brincar com ela. Quero ser amiga dela e ter tempo, vontade.


07  - A Irene é mais bonita do que imaginaste? 

Nem tinha imaginado nada, acreditas? Não sou como tu, dócil e visual entrevistadora. Mas sim, qualquer coisa que eu pudesse imaginar estaria longe disto. E sei que não é por amor de Mãe. Ela é mesmo muito bonita mas, mais importante que isso (e não estou a ser só politicamente correcta), é muito palhaça, o que me enche de orgulho.

08 - És capaz de devorar agora um pacote de bolachas ou porcarias várias. Quando a Irene quiser, o que vais fazer? Esconder-te na cozinha a comer?

Ainda não pensei nisso. Não creio que o peso da Irene vá ser minha preocupação a não ser num caso extremo. Irá sempre ser incentivada a praticar desporto e a ter uma alimentação saudável. Não acho produtivo não deixar que eles (nós) matem determinados apetites e fazer desses snacks o "fruto proibido". Quer comer? Come. A vida também tem de ser gozada com esses faux-pas. Há quem fume, há quem coma bolachas. No dia a seguir tem natação, não faz mal. :)


 09 - Quando a Irene for para o jardim de infância, vais chorar durante quantos dias?

Por ser ansiosa (depois pago-te a consulta), tenho o dom do sofrimento por antecipação. Quando a Irene for para o infantário será igual a quando fui trabalhar depois da licença de maternidade: não gostei, fez-me confusão, mas lidei com isso. A  minha decisão de vir para casa durante um ano foi racional, graças a ter andado a pensar no que iria sofrer durante três meses, todos os dias, antes de regressar à rádio. Não me matei, mas sim, vim para casa. 

10 - Tu não és muito de sair de casa. Tens feito um esforço enorme para que a tua filha não esteja num Big Brother ou até já te sabe bem fazer programas com ela fora do casulo?

Eu moldar-me-ei a ela. No início fiz um esforço enorme para sair com ela de casa. Ainda para mais não tive o andamento de muitas mães porque a nossa pediatra recomendou não sairmos de casa para sítios públicos durante os primeiros três meses (por causa das vacinas) e, portanto, pouco saiu a Irene. Os problemas de amamentação que houve também não me deixavam confortável com saídas. Ter episódios de recusa de mama em que ela chorava, gritava e esperneava (e eu também), faziam com que não fossemos uma família portátil a não ser na hora imediatamente a seguir à mamada. Sair com contador não é agradável. Ainda para mais, para mim.

Saio com ela sempre que ela está em condições para sair. Mesmo que não me apeteça. Se estiver dormida e comida temos de ir passear. Não me perdoaria se não fosse.


11 - A mãe é que sabe?

Sinto que a Mãe é quem tem mais interesse em tudo saber. E, portanto, em princípio será a mais informada além da que mais tem o coração na boca. Não desfazendo o pai que tem o papel de equilibrar tudo isto, claro.

12 - Vives bem com o facto de eu ser muita mais linda? (Ahahah esta foi a gozar, obviamente)

Vivo muito bem com o facto de achares que és muito linda. Gosto de humor. 



sábado, 21 de março de 2015

Afinal Havia Outra (#15) - O cheiro dos bebés

Quando estamos grávidas e começamos a falar do assunto com outras mães há um assunto que vem sempre à baila: o cheiro dos bebés.
Todas, sem excepção, deliram com o cheiro dos bebés recém-nascidos ou mesmo dos bebés em geral. Todas falam do cheiro suave e quente da pele de bebé, do bafo leitoso que se sente quando se encosta o nariz junto à boca deles, do aroma adocicado nos refegos das pernas ou na curva especial do pescoço. E quando se pega num bebé que acabou de tomar banho? Ui, então aí o mulherio derrete-se em suspiros e até sente fraqueza nas pernas. Sim, o cheiro dos bebés é bestial e devia vender-se em frasquinhos para podermos snifar sempre que nos apetecesse... 

Isto se os bebés de que estamos a falar não forem os meus bebés.

Como saberão o cocó dos bebés recém-nascidos não tem propriamente cheiro e as quantidades de xixi são tão pequenas que ainda permitem que o dito fique devidamente retido nas fraldas. A crosta láctea nestas minhas criaturas é inexistente por isso também não temos cheiro vindo daí. A roupa deles cheira sempre bem, obrigada amaciador, e a chucha é pouco usada por isso também não acumula cheiros. Ainda não usam aqueles bonecos dos quais nunca se separam e que são como um terceiro braço, por isso também não levamos com o cheiro estagnado de um peluche que já foi fofinho e novo e agora é encardido e amorfo. Do que é que eu estou a falar, então?

Do cheiro a bolçado.
Esse cheiro meio azedo, meio fresco, que os meus filhos teimam em manter durante o(s) primeiro(s) mese(s). Os gaiatos mamam muito bem, aliás, nasceram ensinados e sempre correu tudo bem no que toca à amamentação, no sentido lato de alimentação e garantia de sobrevivência de um ser vivo minúsculo. Estou muito grata por isso. O que me aborrece, não, é mais forte que um aborrecimento, o que me chateia mesmo, que me lixa o juízo e me consome os neurónios é a reacção automática que eles têm assim que são colocados a arrotar após a mamada e que é deitar cá para fora todo o leite que estiveram a sacar da mãe.

Vá, eu sei que não é toooodo o leite, até porque se assim fosse não cresciam a olhos vistos e também sei que é normal isto acontecer dada a imaturidade da válvula que regula a entrada do estômago, a cárdia, e que impede que a comida volte para a boca. Também sei que uma pequena colher de café cheia e derramada numa toalha faz estragos, sim, já fiz este teste recomendado pelos pediatras para perceber que a quantidade de leite bolçada pode ser uma ilusão de óptica. E antes que perguntem, sim, já verifiquei que a pega e a posição de amamentar estão correctas e dormem numa cama inclinada. 
Não sei porque é que isto acontece, sei que vai melhorando com os dias, vá, com as semanas e meses, mas que fico com nervos fico. É roupa molhada, é babete ensopado, é mais uma fralda para lavar e é, muitas vezes, um fio de leite a escorrer pelo meu peito até à barriga. O que é sempre agradável, principalmente no inverno! Quem te manda ter filhos no inverno, pá? 

Eu até gosto de natas azedas e de queijo fresco (que é como o pai chama ao bolçado mais denso que às vezes aparece), mas prefiro tê-los no meu prato e não na minha roupa! E gostava muito de poder cheirar os meus filhos à vontade, com aquele ar enamorado e derretido, sempre que me apetecesse, sem me deparar com um pijama húmido ou um babete cheio de manchas amarelas. 

Os putos até são fixes, dormem bem, comem bem e são calminhos, mas podiam ter esta cena controlada para a mãe puder sacar-lhes o cheirinho bom a toda a hora e o pai, que nem gosta de queijo, gostar de os pegar ao colo.

Joana David e Silva
mãe do João, de dois anos, e do Francisco, de três meses