sábado, 28 de maio de 2016

Carta à minha amiga que perdeu a bebé.

Vivi, no final desta gravidez, um sentimento contraditório enorme. Uma amiga perdeu a bebé, já com 26 semanas de gestação. Não conheço a dor de perder um filho. Quando recebi a notícia, a sentir vida a pulsar dentro de mim, no meio de pontapés e mais pontapés, foi desolador. A vida e a morte, ali, frente a frente. E eu, do lado bom, da sorte, da felicidade, da vida...

Escrevi-lhe um texto e resolvi agora publicá-lo também aqui, para as dezenas de mulheres que têm de passar por esta dor e que dizem ser muito difícil de sarar. Uma dor tantas vezes incompreendida pelos outros, como se um filho não fosse sempre um filho... 

"Quis estar contigo hoje, dar-te aquele abraço, umas festinhas, partilhar as minhas lágrimas e o meu olhar de dor contigo, falar-te baixinho, passar-te a minha força. Não pude estar presente - já não estou autorizada a fazer viagens de carro para longe sozinha e não consegui companhia. 
Mas quero que saibas que me despedi da tua filha, daqui. Abracei-te mil vezes e pedi que a tua tristeza desaparecesse, todos os dias, um bocadinho mais. Não sei o que é estar aí, nesse lugar, no teu lugar. Nem me consigo colocar na tua pele, de tão grande que é o aperto. Nem estou perto de imaginar que dor é essa. Felizmente. Infelizmente para ti, tiveste de ser tu a passar por ela. "Acontece muito", "a natureza é sábia": vais ouvir de tudo e nada vai parecer amenizar essa dor. Chora, revolta-te, manifesta-te, grita, pergunta porquê, porquê tu, porquê a tua A. Faz o luto. Pede ajuda. Pede abraços. Pede silêncio. Vive, mesmo que pareça que nada faz sentido. Não faz sentido. Mas estás cá. Eu estou cá e cá estarei para te ouvir, quando quiseres. Cá estarei e o meu coração - e o que bate dentro de mim - será sempre um bocadinho teu."


Força, força a todas as lutadoras desse lado. Algumas delas - porque sentimos que é preciso dar rosto à perda gestacional - partilharam as suas histórias connosco, neste post: Bebés que não chegam a nascer.

Se precisarem de ajuda, não hesitem em contactar o Projecto Artémis.

51 comentários:

  1. Estou agora no final da minha segunda gravidez. Na verdade não é a segunda, é a quinta. Já estive dos dois lados: uma vez do lado com final feliz, três vezes do lado com final antes do tempo. Dói que se farta, mas é possível dar a volta. Falar com ou ler quem viveu o mesmo ajuda muito. O Projecto Artémis foi um grande apoio nas três perdas.

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  2. Não quero nem imaginar o que seria perder o meu bebe neste momento. No outro dia perguntei ao pai do D. se já se sentia pai. Ele disse-me que não...explicou e eu entendi porquê. Sentir o bebe a mexer a toda a hora, saber que temos fome extra por causa dele, que a cada dia que passa a nossa ligação afectiva é cada vez maior... não tem explicação. É um amor estranho de explicar e estranho de compreender. Como é que conseguimos amar tanto alguém que nunca vimos...

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  3. Obrigada! Precisava de "ouvir" isto. Estou a passar por isso agora e numa primeira gravidez com um historial de infertilidade...nem os meus pais conseguem aproximar-se...quanto mais as outras pessoas...fica pouco por dizer...muito pouco.

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    1. Muita força para ti(também passei por uma história assim, é duríssimo) também é possível dar a volta, um dia a seguir ao outro, devagarinho. O teu dia vai chegar, acredita.😘

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  4. O que chorei a ler este texto 😭
    Perdi uma menina à 2anos. Com 22semanas. Hoje sou mãe de uma outra bebê de 6meses. Que é a minha razão de viver. Mas há uma parte de mim que morreu naquele dia. Muitos dias ando em piloto automático. Com a dor de ser uma má ou tão boa mãe para a que tenho nos braços. Pois a dor não desaparece. 😯😢

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  5. Após um tratamento fiv perdi uma gravidez gemelar as 23 semanas. É indescritível o que se sente. Entrar no hospital com um barrigao e sair vazia sem bebés e sem alma. O meu marido era a pessoa que melhor me compreendia, a dor era a mesma. Também contei com o apoio da minha melhor amiga que deixou tudo para me vir dar algum conforto. Hoje sou mãe de uma menina de 2 anos adorável mas nunca me hei-de esquecer das minhas outras meninas lá no céu.

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    1. Tb perdi os meus meninos gémeos às 23 semanas, no meu caso foi gravidez expontânea. Um sonho que nunca pensei conseguir, engravidar de gémeos e verdadeiros, mas às 23 semanas devido a Insuficiencia istmo-cervical congénita que provocou uma coroamionite, sai do hospital como tu de colo e alma vazia. Hoje tenho um menino quase com 1 ano, mas a dor fica smp lá no fundo e surge mtas vezes a observar/brincar com o meu menino....

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    2. Eu perdi um embrião às 9 semanas, fiz o teste deu positivo nas 2-3 sema,nas à 6 semanas atrás fiz o teste sangue estavano mesmo 2-3 semanas. O embrião nunca desenvolveu. Por fim tive o aborto, custa muito a dor por passar por isso. Kem passa é k dá muito valor. :'(

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  6. Eu perdi às 31 semanas. Horrível...

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  7. Por cá, 5 gravidezes e 3 filhos vivos. Dói, muito... as vezes parece que passou, mas não passou, tem dias que dói com força, venham os filhos que vierem depois, nenhum substituí outro. ..:*
    Magda Durão

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  8. Conheço bem essa dor. Em 2008 perdi as minhas meninas gémeas com 32semanas. O maldito síndrome da transfusão feto fetal. Em 2010 tive que fazer uma Imagem às 17 semanas. Era oura menina... Já tinha uma filha, mas nem por isso doeu menos. Em 2011 nasceu o meu príncipe. Foi uma gravidez difícil em termos emocionais. Felizmente correu bem e finalmente ouvi um choro no dia do parto. Não consigo esquecer a dor que senti, o sair de braços vazios do hospital é uma sensação indescritível. Um filho não substitui os outros e jamais me sentirei completa!

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  9. Eu sei o que é estar dos dois lados, um final feliz às 33 semanas, hoje com quase 15 anos. E em 2004 um final que nenhuma mãe devia ter, às 24 semanas de novo a pré eclampsia seguida de Eclampsia e HELP e era a minha menina ou íamos as duas :-( , já passaram 12 anos, mas a dor, essa continua até que a morte nos volte a juntar

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  10. Um tema que ninguém fala, mas quando se fala descobre-se que somos muitas a ser mães de estrelinhas que brilham lá longe.
    Em 2014 tive uma gravidez muito desejada, tive o brinde :) de ser gémeos verdadeiros, 2 pilas. Às 23 semanas acabou o sonho devido a insuficiência istmo-cervical.
    Hoje tenho nos braços o meu Dinis com quase 4 meses, foi uma gravidez cheia de receios e sempre com o pensamento nos meus meninos.
    A todas as mamãs de anjos façam o luto que o seu coração diga, sejam e tenham o apoio do marido/namorado é quem melhor pode perceber a nossa dor. Por maior que seja a dor nunca deixem de pensar positivo, sei que vai haver horas que parece impossível ultrapassar a dor, mas com o tempo vai melhorar.
    :*

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  11. Nunca participei num grupo em que se debatesse esta questão ou partilhei publicamente a minha “história”. Perdi gémeos às quinze semanas e mais dois bebés às seis e sete semanas. Consegui finalmente ser mãe, foi uma gravidez psicologicamente complicada, sempre com medo do impensável. Estou radiante com a minha bebé, mas uma parte de mim permanecerá sempre vazia. Sempre quis uma família grande e tive-a...não da forma que eu pensava que seria. Nem sempre senti empatia por parte dos outros, como se um embrião não fosse vida, não fosse a promessa de um grande amor e não deixasse uma dor devastadora. As mães que vivem este luto são muito negligenciadas e ignoradas. Houve quem me considerasse louca, uma espécie de D. Quixote em versão feminina a lutar contra os moinhos da infertilidade.
    Consegui! Há quem não consiga e tenha que carregar a memória de um ventre vazio, os seios entumecidos prontos para dar de mamar e acordar com um choro imaginário de um bebé que nunca nasceu, noites seguidas. Uma memória enlutada será a única realidade de mãe que muitas mulheres conhecerão, infelizmente.
    Gostei imenso do seu texto, obrigada por tê-lo partilhado. Ao ler os testemunhos de outras mulheres, pela primeira vez sinto que a minha dor não é uma dor solitária.

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  12. Perdi o meu , com 7 semanas e 4 dias de gestação, muitos dizem "oh era uma posta de sangue" nem imaginam o que doi ouvir isso , principalmente de família direta, olharem para ti com indiferença, como se nada se tivesse passado ....
    Pois .... Não são elas que foram para um bloco operatório por razões erradas, com lagrima nos olhos ao darem a anestesia , e coitados dos enfermeiros ... Nem sabiam que dizer....
    Agora ,passados dois anos , depois de tratamento , estou de seis semanas , em repouso e sempre com medo... Mas sabem mamãs, a esperança não morre e somos mães de uma alma de um anjinho a olhar por nós .... Um beijinho dentro do vosso coração ,desculpem o testamento... <3

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  13. A dor de sair de braços vazios do hospital é indescritível... Primrira gravidez, 29 semanas, nasceu para viver um par de horas... Nao me esqueço do rosto do V. para o resto da minha vida.

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  14. A dor de sair de braços vazios do hospital é indescritível... Primrira gravidez, 29 semanas, nasceu para viver um par de horas... Nao me esqueço do rosto do V. para o resto da minha vida.

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  15. Felizmente não tenho uma história triste para partilhar, tenho dois meninos lindos e agradeço a Deus todos os dias poder ser mãe deles. Dou muito valor e ainda mais depois de ler estes testemunhos! Chorei ao ler cada um deles, lágrimas de compaixão e de carinho para todas estas MÃES, ainda que algumas nunca tenham conseguido chegar a ouvir os seus bebés.
    um beijinho grande a cada uma <3

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  16. Tenho um filho vivo de oito anos. Tinha seis anos quando a 41 semanas e 3 dias perdi o irmão dele na fase final do parto.A dor nunca passa. É impossível. E as pessoas à nossa volta não percebem, apesar de dizerem que percebem!!! Não sabem o que significa!!!

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  17. Perdi o meu bebé com 9 semanas de gestação em Novembro de 2015...doeu, doi e continuará a doer muito, era o meu bebe o meu sonho realizado que se perdeu no espaço de 24horas...não consigo esquecer e estes dias têm sido horríveis, nascia entre dia 27 e 30 deste mês...tenho fé que Deus me irá dar a graça de ter um bebé mas fico revoltada com tanta gente que lhes faz mal e até os deita fora e nós que queremos tanto perdemos e depois de meses e meses a tentar parece que sorte não nos bate à porta... desculpem o desabafo, Sofia

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  18. Força e muita coragem para todas as maes q ja passaram por este infeliz acontecimento, tenho 3 lindas meninas e dou graças a deus todos os dias por te-las.

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  19. Infelizmente somos demasiadas a passar por isto e a pensar que estamos sozinhas quando afinal somos tantas... Também eu tive uma perda gestacional. Estava grávida de trigémeos e às 18 semanas foi diagnosticado Síndrome de Transfusão Feto Fetal. Fui submetida a uma cirurgia na tentativa de dividir a placenta para que cada um pudesse receber a mesma quantidade de sangue. Não havia estatísticas para trigémeos, mas havia para gémeos: a probabilidade de morrerem dois, sobreviverem dois ou sobreviver um e morrer o outro era exatamente igual. Foi assustador ouvir isto. Para os médicos a cirurgia era um desafio e foi um sucesso. Sobreviveram dois dos meus bebés e o outro faleceu nas horas seguintes. Para mim nunca será um sucesso! Perdi o meu bebé. É certo que tenho dois filhotes saudáveis, mas falta sempre o meu outro pequenino. Eram trigémeos verdadeiros... olhar para eles os dois faz-me constantemente lembrar que me falta um bebé que fisicamente seria igualzinho a eles. Como se não bastasse tenho constantemente pessoas a dizerem coisas do género "e eram três..", "já é difícil cuidar de dois imagina de três", "já ficas bem servida com dois de uma vez". Pessoas estas que não têm a mínima noção que nós não esquecemos nem deixamos de sofrer, nem agora passados 6 meses nem nunca

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  20. Emocionei.me ao ler o texto e os testemunhos. Sou mãe de um menino de 3 anos. Na reta final da gestação foi.me diagnosticado sindrome de hellp. Felizmente, salvaram.nos mas não esqueço os momentos de preocupação e a sensação de que poderia ter perdido tudo. Gostariamos de ter mais um filho mas o medo de que a história se repita com um final diferente, assusta.nos. Um bj as mães e aos anjinhos que por elas olham!

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  21. e perder um bebé, estava de 12 semanas quando soube que estava a ter uma gravidez não evolutiva por causa de uma mola. Foi horrível, ainda hoje sofro e já passaram 8 meses. Graças a deus o tumor era benigno, mas mesmo assim levou o meu bebé. Já o amava tanto, amava-o como amo a sua irmãzinha de 4 anos... Quero muito voltar a tentar, mas tenho tanto, mas tanto medo voltar a passar pelo mesmo... A todas as mulheres que passaram pela perda do seu bebé, um beijo enorme, e um abraço bem apertado... As nossas estrelinhas estão lá em cima a olhar por nós...

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    1. A minha história é igual à sua Sara... estava de 12 semanas quando perdi o meu 2º bebé... Já tinha uma menina com 4 anos... ao fazer a biopsia, foi detectada gravidez molar... perder o meu bebé tão desejado e duas semanas depois saber que tinha tido uma gravidez molar, que teria de fazer tratamento durante 1 ano, sem poder engravidar, foi como seu o mundo acabasse para mim naquele dia... não queria acreditar... esperar um ano?? com 36 anos vou esperar mais um ano???? os dias pareceram séculos, marcados no calendário um a um.... o que me deu força foi a minha filhota e o meu companheiro que sempre me apoiou.... agora estou novamente em treinos, tenho tanto medo de voltar a passar pelo mesmo, mas a minha vontade de ser mãe é ainda maior... e o meu coração diz que vai correr tudo bem, tenho a minha estrelinha no céu a olhar por mim...

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  22. Primeira gravidez, perda fetal às 25 semanas, o meu Joãozinho. Não há explicação para tanta dor, impotência e sofrimento. Nunca pensei que fosse para p o hospital e saísse de lá de braços vazios e uma dor que não tem tamanho. Segunda gravidez, perda fetal às 8 semanas, mas nem por isso menos sofrida, eram gémeos! Finalmente a terceira gravidez, sempre vivida a medo, cheia de receios que a história se repetisse, mas com uma fé enorme que Deus e os meus anjinhos estariam a olhar por nós e assim foi o Daniel nasceu com 38 semanas (embora um bebé de termo, era de baixo peso), agora com 17 meses. Hoje sei que provavelmente os meus antecedentes se devem à doença Dgraves/ hipertiroidismo e preparo-me para ser operada e retirar a tiroide, para voltar a engravidar.
    Quando me perguntam se o Daniel é o meu primeiro filho, eu respondo que não, é o quarto!
    Um beijo grande a todas as mães que sofrem esta perda, o tempo ajuda a acalmar o nosso coração, mas não nos deixa esquecer nunca das nossas estrelinhas.
    E as mães que felizmente nunca passaram por esta perda, aproveitem cada segundo com os vossos filhos e cubram-nos de mimo, porque esse nunca matou ninguém!

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  23. Não tinha "muito tempo"... 5 semanas... "se não tivesse feito o teste nem tinha dado conta que estaria grávida" (disseram-me)... como se fosse possivel!!!! Eu? Eu? Eu que ansiava tanto por um teste positivo não ia dar conta que estava grávida? Loucos... Foram 5 semanas e eu "dei conta" desde o 1o dia... não me perguntem como foi possível... mas é verdade... Não sei se iria ser menina ou menino... mas para mim foi a Marta! Uma Marta como tantas outras que aparecem na nossa vida para nos ensinar algo. Sim, acredito que estes bebés que nunca chegaram a ser "nossos" nos ensinaram algo... Muitas ainda se questionarão sobre que aprendizagem será essa... mas vasculhem bem lá no fundo da alma... há uma resposta! A minha resposta nasceu em 2012!!!! Eu só pensava na "Marta", por isso, tive uma Maria! Esta é a minha resposta... A minha doce e completa Maria... O meu total equilibrio, esta miúda tinha de nascer e nasceu no dia e na hora certa da minha vida!!!!
    Aquando da primeira gravidez que não evoluiu, nunca me esqueço das palavras na minha G.O.: "Oh, filha... (ela fala mesmo assim) Acreditas em Deus?" "Sim" - respondi eu - "Então não te vais zanar com ele nem te revoltar. Agradece-lhe, muito!!!! Confia nele!!!! Ele sabe o que faz!!! Não era para ser, não tinha de ser! Não ia ser bom e Deus quer o melhor para ti..." Estas palavras fazem eco na minha cabeça muitas vezes até hoje... No dia 24 de maio fez 5 anos que perdi a "Marta"... A "Marta" faria 5 anos no próximo janeiro... Ela pode não ter ficado no meu ventre, talvez por não se sentir confortável... escolheu viver no meu coração... lá está bem aconchegada...

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  24. O que já me fartei de chorar com estes testemunhos... Não tive nenhuma perda gestacional, fui das sortudas. Mando aqui para todas um grande grande abraço, bem ternurento, porque de resto não tenho mais palavras... bjs

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  25. Olá!
    Já vos sigo há algum tempo, desde que fui mãe da minha Nês em Setembro de 2014. Agradeço-vos, por volta e meia, puxarem este assunto ao vosso blog. A Nês é a minha bebé arco-íris. 13 meses antes de ver a minha pequena nascer, vi o meu primeiro rebento partir às 38 semanas e 1 dia de gestação. Naquele dia, parte de mim foi com ele. É uma dor indescritível e quase sempre banalizada pela sociedade (um filho que, aos olhos dos outros não viveu e que por isso, não merece o nosso sofrimento). Que ideia tão errada... Um filho é um filho, independente da idade ou do que se viveu (ou não) com ele. Do meu ventre, foi para um caixão sem que tivesse sentido o meu colo, o meu beijo, o meu aconchego. Partiu sem que eu pudesse conhecê-lo, quanto mais me despedir. Não há dor comparável, a dor de uns pais que perdem o que têm de mais precioso. Hoje, as coisas estão mais calmas, a minha arco-íris (porque voltou a pintar a minha vida que com a perda do irmão tornou-se cinzenta) dá-me força, tenta viver por ambos e nela que eu me apoio. Vivo por eles, cada um por razões tão diferentes, mas sim... são ele a razão da minha existência.
    Joana, fizeste o que de melhor se deve fazer... Não falar, não dizer barbaridades (por muito boas que sejam as intenções). Por vezes o silêncio, um abraço, e o deixar desabafar são o melhor apoio que se pode dar a uma mãe que viu a sua vida fugir por entre as mãos. Hoje, tenho a certeza que o meu principezinho me acompanha e que cuida da sua rosa (a irmã). A analogia do livro é tão pura e é tão isto!
    Obrigada por partilharem este assunto tão tabu!

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  26. Um grande beijo para todas.
    Desculpem-me a sinceridade, mas não quero sequer pensar, não quero sequer sentir...
    Tenho o meu filho comigo graças a deus.

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  27. Estou agora nas 24 semanas... ainda muita água vai correr no rio e há coisas que não se podem (nem se querem) imaginar. Aqui há tempo descobri este blogue sobre "preservar memórias" (http://www.lifecapturedinc.com/archive/) criado por uma mãe com a mesma experiência, mas que em nenhum momento deixa de referir que apesar de viver com quatro, ela tem cinco filhos.

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  28. Este post faz-me sentir negligenciada. Assim que vim para casa, ninguém da minha família voltou a falar do assunto, nem sequer nunca me perguntaram como estava. A minha "melhor amiga" não encontrou tempo para uma visita, uma chamada ou até um email de conforto. Achou que uma SMS a dizer que se precisasse de alguma coisa que avisasse era suficiente. Não era! Realmente, só quem passa pelas coisas é que sabe a dor que é, como se pode ver pelos comentários acima.

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  29. 6 gravidezes, mas comigo só estão 3. Dói muito, nunca se esquece.

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  30. Eu vivo esse lado, lado que nunca terá fim. Linda essas palavras. É tudo que eu queria ouvir, mas ouvi tudo ao contrário; você tem que aceitar pois é a vontade de Deus, Deus vai te dar outro filho, poderia ter sido pior é muito mais.

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  31. Só agora vi este texto... Tnh agora nós braços o meu tesourinho Dinis, mas antes dele tive grávida de gémeos que às 23 semanas s tornaram estrelinhas devido à insuficiência istmo-cervical e a uma coroamionite que s desenvolveu. Faz este mês 2 anos... É uma dor k nunca desaparece... Sou Mt feliz com o meu Dinis k tem agora 7 meses, mas os meus meninos estão SMP presentes... Uns dias custa mais outros dias custa menos mas nunca nunca s esquece...
    Um abraço no coração d todas as mamãs e que têm uma estrelinha :*

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  32. Olá... Nunca perdi um bebé, contudo vivi a dor da minha irmã que perdeu um com 12semanas, após um mês de gravidez de risco a fazer tudo para não o perder.
    No dia em que aconteceu, adormeci a ler o que encontrava sobre mães que perderam filhos. A dor é inimaginável, só quem passa sabe o que sente.... A tristeza é profunda e parece que será para sempre.
    Contudo, apesar da dor amenizar e ser possível voltar a viver, nunca se esquecerá a perda. É irrecuperável, por muitos bebés que surjam a seguir, mas é possível voltar a viver...
    Como já li noutros comentários, há que ter Esperança e Fé pois os finais felizes são possíveis.
    E obrigada ao projecto Artemis pois este assunto devia ser cada vez mais abordado para sensibilizar a sociedade para tal. Ao perder um bebé, perde-se um pedaço de vida, e da vida de todos os que o desejaram.
    Felicidades a todas <3

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  33. Minha primeira filha partiu com apenas 3 horas de vida, após uma linda e completa gravidez de 40 semanas. Hoje tenho uma linda e esperta filha de 8 anos, mas a dor é a mesma. Penso nela todos os dias.

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  34. Estou aqui na minha dor tbm...Perdi 3 filhos. .tenho a trombofilia e agora é tentar recomeçar e lutar novamente para realizar esse sonho..Com muita fé em Deus...

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  35. Passei por essa tão difícil e dolorosa dor às 6 semanas de gestação... É uma dor q ainda hoje dói, foi difícil e a única forma de me reerguer foi guardar essa dor para mim. Fiz o luto sozinha, poucos souberam, não suportava a ideia de me falarem sobre o sucedido, era meu, muito meu. Hoje já falo! Mas não se esquece. Ameniza a dor, transforma-se numa espécie de saudade... Tenho um menino, para mim perdi a sua mana, a Benedita... Agora estou grávida de novo, mas a experienciar uma gravidez muito diferente da primeira, o medo é constante por mais q tente afastar da mente todos os receios. E sim, é importante dar voz às mães q passam por esta dor, dar-lhe o devido valor e respeito! Bem haja!

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  36. Não sei mais caminhar,não consigo ver nada a frente nos dias,sigo por seguir,não existe mais propósitos,não existem respostas para nos mães de anjo,mães que amaram,sonharam,planejaram mil planos para a chegada desse bebê......é tão imensurável,indescritível essa dor que se fato apenas nos que passamos por essa dor,essa perda sabe,nem pra imaginar desejo p mesmo a qualquer mãe ....pq dói demais e nunca vai passar.

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  37. Tenho um filho de 10 meses, que é a alegria da minha vida, o meu maior amor do mundo. Mas antes dele perdi dois bebês. Ainda bem no início, 8 e 6 semanas, mas eram meus bebês. Meu primeiro teste positivo foi uma gestação anembrionaria, estava grávida, meu corpo estava grávido, mas não tinha bebê, ele não se desenvolveu. Sofri, chorei, questionei pq comigo e 2 meses depois outro positivo. Mas este foi mais triste que o primeiro. Desta vez tinha bebe, mas ele estava na minha trompa. Já não tinha batimentos, estava no local errado. Perdi mais um bebe e desta vez perdi tb uma trompa. Fiz uma cirurgia, tenho uma cicatriz de cesarea sem ter feito uma cesarea. Tive as dores físicas, mas não tive o bebê. Mas as dores na alma eram muito maiores que as físicas. Pq eu, pq de novo eu? Depois de 6 meses outro positivo e dessa vez deu certo, recebi meu bebe bênção, o amor da minha vida. Quero ter um segundinho, mas tenho muito medo de não conseguir, de sofrer de novo. Seja o que Deus permitir.

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  38. Eu perdi o meu depois de nascer com tres semanas de vida. É muito dificil para as pessoas enfrentarem a morte. Poucos foram os que nos acompanharam nesta dor....

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  39. Infelizmente é uma dor que não se esquece... O meu T. nasceu com 39 semanas para sobreviver apenas 2h, uma trombose do cordao umbilical... Hoje, 3 anos depois tenho comigo um casal de gemeos lindos, os meus tesouros... Mas o baby T. vai ser sempre o meu primeiro filho que amo de coração.

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  40. Queridas mamãs, estou em choque. Estou grávida de 23 semanas, primeira viagem, e não imaginava que tantas de vós tinham perdido os vossos bebés em estágios tão avançados da gravidez. Pensava que já estava em terreno seguro, principalmente tendo feito a segunda eco morfológica e estando (aparentemente) tudo bem. Agradeço as palavras de todas, que me fazem dar ainda mais valor à dádiva que carrego. A vossa dor seguirá comigo, enterrada no meu coração. Não consigo sequer imaginar o que seria perder a minha bebé nesta fase, que já é tão minha, que já é tão esperada pela família, que já tem tudo preparado para a sua chegada. Um grande abraço a todas.

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  41. Eu estava gravida de 3 meses e uma amiga perdeu o seu bebe! Quando ela me disse, senti que levei um murro no estomago! Nem queria acreditar... Foi horrivel! Hoje esta gravida outra vez. Ha de correr tudo bem l💪🍼👶nao imagino o que é passar por isso e espero nunca passar! O meu maior amor é a minha filha! Nao ha amor como o de mae!

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  42. Sou mãe de 3 filhas, 2 comigo e uma no céu. Perdi a minha Clara dia 25 de Maio de 2016 às 18 semanas por problemas relacionados com a minha hipertensão. Por muito que as pessoas tentem compreender, é uma dor que só é perceptivel por quem já passou... Uma dor que não passa... Espalha-se pelo corpo.. Aceita-se... Tentamos aliviar... Mas não passa. Resta-nos a fé, para quem a tem,de que um dia voltaremos-nos a encontrar. Um grande beijo a todas as mães de anjos.

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  43. Até ter sofrido na pele esta dor, não fazia a mais pequena ideia de que eram tantos os casos... é avassalador.. uma dor que não passa, uma ferida que não cicatriza.. nem se consegue de todo explicar mesmo aos que nos rodeiam e tentam consolar... acho que o clichê "só quem passa", aqui se aplica verdadeiramente.. é algo que extravasa as palavras.. só se consegue sentir..

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  44. Não imagino o que é perder um filho, mas sei bem o que é tentar ser mãe á mais de 5 anos e não conseguir, e perguntar mauitas vezes o porquê, mas não obter uma resposta... eu e o meu marido já fizemos todos os exames está tudo bem mas não acontece... vou começar em Março um tratamento, a pergunta que me faço todos os dias é se o meu dia vai chegar, se vou saber o que é ser mãe??? cada uma de nós com a sua tristeza ou alegria... realmente só quem passa é que sabe a dor que é!!!

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  45. hoje faço 10 semanas de gravidez. Amanhã vou fazer uma curetagem para remover o meu embrião. Anomalia genética. 4 semanas de cama devido ao descolamento do saco gestacional. 4 semanas de muito sacrifício, muito medo mas muita esperança. Tudo acabou no passado dia 9. A certeza de que, pela terceira vez, a minha gravidez não ia continuar. A primeira vez foi em Junho de 2016, às 5 semanas perdi espontaneamente. Também ouvi a frase "se não tivesse feito um teste nem sabia!". Como se isso fosse possível para quem está a tentar engravidar pela primeira vez. Depois da enorme desilusão, de um quisto de 4 cm no ovário após uma ovulação, segundo teste positivo em outubro. Muita esperança. Afinal aquele primeiro acontece a tanta gente, especialmente de tantos anos de pilula. Às quase 7, tinha batimentos embora estivesse uns dias atrasado no desenvolvimento. Quase às 10 semanas, a pior noticia: embrião desvitalizado. Ou seja, parou de se desenvolver e morreu. Curetagem, esperei 6 semanas pelo período e voltar a tentar. Engravidei. Tudo perfeito. Primeira consulta às 5 semanas e 5 dias. Quando fui chamada ao consultório, sinto as cuecas humidas. Sangue quando me dispo para o exame. Muito sangue. Embrião com bom desenvolvimento e batimentos. Repouso absoluto. Uma semana depois mais uma perda. Mas o meu baby aguentou-se e tinha crescido bem. Nas 3 semanas mais repouso. Sangramento intenso novamente, no meu 34o aniversário. O fim das 3 semanas de espera pela consulta finalmente acabam. E a pior notícia: a anomalia genética. A médica acha que não preciso de exames. Eu digo que não me volto a meter noutra sem saber o que se passa connosco. Hoje tive de deitar cá para fora a minha história. Não faço ideia do que me vai acontecer. Espero um dia poder voltar a escrever aqui para vos contar o meu "final feliz". Um abraço enorme para quem passa ou já passou por isto. Não estão sozinhas, não são as únicas.

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    1. Sinto muito :( um grande Beijinho e muita força. Gostava muito que aqui viesse contar tudo. E rezarei para que possa escrever esse final feliz ❤️

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  46. Obrigada Joana. Todos os beijinhos e todas as forças são necessários neste momento. Escrevo com todo o gosto, assim que tiver o meu final feliz. ❤️

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