domingo, 8 de janeiro de 2017

Vamos mudar de escola. Está decidido.

Foi uma decisão que muito nos custou. 

Não é de ânimo leve que se fazem mudanças tão grandes. Ainda para mais aquelas que significam que tudo "deu para o torto" e que têm uma influência tão grande no crescimento da Irene. 

Lembro-me quando andei a visitar escolas com o Frederico no ano passado, estar a dar em doida por sentir que não tinha grandes critérios, parecia não ter "conhecimento de causa" e, por isso, sentir-me perdida. Tivesse eu encontrado, por exemplo, este artigo que me deram a conhecer no outro dia (obrigada, Ana). 

Fomos a imensas escolas, a maior parte delas tinha algo negativo perfeitamente incontornável para ambos: condições que deixavam a desejar, crianças com aspecto pouco feliz (não vos sei explicar mais do que isso) ou sítios onde parecia que o caos imperava (não o caos infantil - que acho positivo e expectável - mas institucional). 

De todas as que vimos, gostei imenso de uma onde senti que tinha criado uma ligação especial com a coordenadora pedagógica. Tinham imensas "mariquices" (senti isto assim e esse foi o meu erro, já tento explicar) que me agradavam, nomeadamente uma atenção virada para o desenvolvimento emocional da criança, com actividades em prática para tal - não sendo apenas uma coisa escrita ali no site e pronto. Tinham meditação de manhã, trabalho frequente com uma psicóloga (acho eu) que lhes apresentava as emoções e ferramentas, música à hora de almoço, etc. Faltava um bom espaço exterior. De todas as que vi, parecia-me perfeita. A partir daí nem liguei muito às seguintes. 

Uma das seguintes foi para onde foi a Irene. Quando entrei senti um frio grande na instituição. Senti uma organização extrema e disciplina, mas não senti aquele colinho que queria encontrar e que me deixaria mais descansada quando entregasse a minha filha. Lá tinha eu deixado a escola que estava dentro de uma quinta com animais para trás por visitar porque me tinham dito que não tinha bom aquecimento (apesar de não ser a que mais gostei, essa sempre me deixou com água na boca). 

Não me pareceu nada de tremendamente mal. A alimentação deixou-me triste em praticamente todas as escolas, ainda para mais nos casos em que diziam que as ementas eram supervisionadas por pediatras e ou nutricionistas. Pensei que teria de ceder nalgumas coisas e cedi. Além de que, quanto mais investigamos cada escola, mais feedback negativo aparece e acabou por acontecer isso com a minha preferida. Tinham saído de lá uma ou duas turmas para a escola que acabou por ser a da Irene. Engoli uns 30 sapos e porque "temos gente conhecida que tem lá os filhos e adora" e porque parece bem (ou porque "não parece assim tão mal e talvez eu esteja a ser maricas") lá ficou.

Fiz mal. O que eu queria, as coisas que eu procurava e que acabei por achar que eram "mariquices" de toda a gente me dizer que sim, eram realmente as coisas que eu achava mais importantes para a minha filha. Reparei agora à procura de uma nova escola para a minha filha em que, há mais frio, mas em que existem 1000 outras coisas pequeninas que me deixaram feliz, radiante, aliviada e expectante em relação ao futuro, ao crescimento dela. Senti que havia uma continuidade do nosso trabalho em casa e que não teríamos de estar constantemente a desdizer as coisas que eram feitas na escola ou de dizer "isso fazes na escola, aqui não". Tem de haver coerência. 

Quando dizem para ouvirmos o nosso "instinto", acho que é isto: fincarmos pé, especialmente connosco próprias e de não nos contentarmos com menos. Não acharmos que queremos demais. 

Como diz uma amiga minha da antiga escola da Irene (por quem estou muito apaixonada, digo já aqui ahah) "não vais encontrar a escola perfeita, é sempre preciso trabalho". Acredito que sim. Porém, uma coisa é o ADN da escola e temos mesmo de encontrar uma escola que vá ao encontro com os nossos princípios até para não ser frustrante para ambas as partes. Não digo que esta escola fosse má, há de ser excelente até porque essa minha amiga ama lá estar e tem lá os seus 59 filhos. Não é o que quero para a Irene. 

Quero amor, compreensão, empatia, escuta, conversa, cuidado, consciência, calma, respeito, jardim. Quero abraços espontâneos, explicações com vontade, ferramentas variadas e atenção. 

Quero muita coisa e, por isso, não me vou contentar com metade. Mesmo que custe ter que o explicar, mesmo que custe ter que mudar, mesmo que custe. 

"Para melhor, muda-se sempre". 

Acho que foi o que aconteceu. Sou das pessoas mais sensíveis que irão conhecer, é um facto. E este assunto é dos mais importantes para mim, é outro facto. Quando assisti ao que se passava nesta nova escola e que tudo, além de coerente, transpirava amor, senti que a minha vida tinha começado ali. 

Mudamos a Irene de escola principalmente porque já não vamos morar lá para o pé como tínhamos pensado (num futuro próximo), mas há males que vêm por bem. Estamos os três muito mais felizes, descansados e orgulhosos. 



Esta situação, apesar de desnecessária, também ajudou a que algumas das pessoas que achavam que os meus quereres eram "mariquices" (eu incluída) percebessem a importância de pequenas coisas como respeitar o ritmo de cada criança ou sua sensibilidade. 

Não parem de procurar. O que vocês querem é importante. 


Os putos estão a dormir? Ainda não fizeram tudo na sanita? Então leiam mais isto: 

Mais sobre a mudança de escola da Irene aqui

Quais eram os nossos planos aqui

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17 comentários:

  1. Joana, concordo plenamente! Para a escola da minha filha tinha duas certezas: A) queria uma escola de "rua" e b) onde imperassem valores como "ser diferente", "empatia pelo outro" e "deixar as crianças serem simplesmente crianças". À minha volta todos me questionavam sobre a parte pedagógica, o ranking da escola, as notas, as médias,... E eu so pensava "caramba ela tem dois anos! Deixem-na ser livre! Sem ter esta pressão e competitividade!". Segui o meu instinto e segui os meus valores. Hoje estou muito satisfeita com a escola e estou certa que muitas vezes colocamos valores errados coomo prioritários e acabamos por sacrificar o que realmente interessa! Beijinhos e boa sorte!

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  2. Joana, a minha filha andou o passado ano letivo, com 2 anos, numa escola no meio de uma quinta em Oeiras, que TODA a gente adorava. Nós não adoramos, não nos identificados, faltava mesmo qualquer coisa. Ficou lá até ao final do ano letivo mas já estava decidido que a iríamos mudar de escola. Sofri muito por pensar que ela iria sofrer com mais uma adaptação. Mas foi a melhor coisa que fiz! Ela adora lá estar e nós estamos apaixonados por tudo! Fazes bem em muda-lá! Nem sempre se acerta à primeira. Força e tudo a correr bem com a Irene!!

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    1. Era essa que eu tinha achado gira mas que não fui visitar 😊

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  3. Joana, agradeço muito a partilha do meu artigo da escolha da creche mas, se me permites, não posso deixar de partilhar o grupo das "escolas alternativas e comunidades de aprendizagem em portugal". Para quem está interessado numa mudança de paradigma na educação, aqui está: https://www.facebook.com/groups/184070022018911/

    Obrigada! :)

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    1. O que achas de te fazer uma entrevista? 😊

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    2. Sim, claro, para o teu blog certo? Não sei como funciona mas se quiseres enviar as questões por email respondo mal tenha um tempinho. Gostava mesmo que as pessoas pudessem ter mais contacto com os temas sobre os quais vamos falando no grupo.

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  4. Ola Joana nem.imagina comk comprrendo a sua angustia. Como mãe e como professora vejo os dois lados e escolher uma escola que seja a ideal para os nossos filhos é um grande desafio. Nao moro em Lisboa mas trabalhei aí alguns anos nomeadamente como educadora de intervenção precoce. Permita-me uma sugestão: jardim de infancia Piloto Diese. Tem uns profisdionais maravilhosos com um modelo pedagógico da Esvola Moderna. Sem duvida se morasse ai seria a minha eleição para o mru pimpolho. Um beijinho e obrigada por todas as partilhas.

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  5. Ola Joana nem imagina como compreendo a sua angustia. Como mãe partilho a sua preocupação e como sou professora e trabalhei alguns anos no ambito da intervenção precoce passei por muitas escolas e creches e acabamos por ter uma experiência que em vez de nos tranquilizar ainda nos deixa mais preocupadas. Se me permite uma sugestão uma das instituições que seria a minha eleição para o meu bebé se eu morasse em Lisboa é o Colégio Piloto Diese. Tem uns profissonais maravilhosos e trabalham com um modelo pedagogico do Movimento da Escola Moderna que permite uma liberdade extraordinaria nas aprendizagens e no desenvolvimento da criança. Pelo menos va comhecer se tiver essa oportunidade. Eu goatei muito de colaborar com esta instituição. So tenho pena de nao morar aí pois renho a certeza que a minha volta ao mundo do trabalho seria menos angustiante.... um grande beijinho e boa sorte. Obrigada pelas partilhas no blog, voces sao o máximo!!!

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  6. Sigo o blog e gostei muito deste artigo! Trabalho na área da Educação (visito muitas escolas diariamente) e sei bem do que fala (também por ter uma filha em idade escolar). Já passei por mudanças e já me arrependi de não as ter feito mais cedo (calando o que sentia e aguentando para parecer bem, ou melhor... com receio de estar a ser demasiado "mariquinhas", pois à minha volta os outros pais eram felizes, assistindo a uma Educação que me arrepiava). Nunca me arrependi de mudar! Nós não temos que assistir à Educação escolar dos nossos filhos: nós somos parte dela! Temos que sentir que aquela é a escola (com tudo o que nela está implicado). Mais importante que as paredes... são as pessoas que nelas vivem, pois são elas que fazem as Instituições! Não há escolas perfeitas, mas existem umas melhores que outras! Tal como educamos de maneira distinta os nossos filhos, também temos ambições distintas relativas aos espaços de aprendizagem (o que serve para uns, não serve para outros). É assim mesmo!

    Agora desculpe-me a errata, mas no seu texto, onde lemos "temos mesmo de encontrar uma escola que vá de encontro com os nossos princípios" deveria ler-se 'que vá AO encontro' pois IR DE encontro é embater/ir contra) e IR AO encontro é estar em harmonia/de acordo/em consonância.

    Beijinhos

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  7. Eu sou como tu e por isso acho que fizeste muito bem. Ainda hoje lembro-me da minha pre escola, inclusive o primeiro dia. Não gostava, estava habituada a outro estilo de vida. Andar a correr nos campos. São coisas que não se esquecem e se a Irene no estava feliz acredita que ela não se iria esquecer.
    Felizmente o meu filho gosta da pre escola onde anda...um alívio para mim!
    Que a Irene seja mais feliz agora!

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  8. Querida Joana,
    Essa fotografia da Irene e na escola nova? Se sim, e pela descrição do "mais frio que se sente" acho que sei qual é. E a escola da minha filha e a melhor do mundo. Liberdade,espaco e sobretudo muito carinho de todos . Eu adoro.

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  9. Ola Joana! Essa fotografia linda da Irene é na casinha da escola nova? Se sim e pela referencia ao "há mais frio nas salas" acho que sei qual é!! A melhor escola do mundo onde anda a minha filha mais velha também. Liberdade, jardim, correria, independencia mas muito muiot amor e colinho sempre! Vai correr bem!

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  10. Ai como me revejo em tudo o que foi dito... A minha pipoca esteve com a avó até aos 18 meses (com um desenvolvimento fantástico já que a minha mãe a estimulava bastante) e nessa altura decidimos que lhe fazia falta interacção com outras crianças e que estava na altura de ir para a escolinha... e assim foi... a Baby C. foi para uma escolinha muito recomendada na nossa cidade e até foi preciso um factor C. para conseguir lá vaga... e eu detesto... não há calor humano... tem umas infraestruturas fantásticas mas falta estrutura emocional... a minha filha não evolui e até regrediu em algumas coisas, além disso 1.5kg em 4 meses... agora procuro uma alternativa mas sou muito mais exigente agora... a escolinha que me agradou só tem vagas para setembro e não sei se consigo mante-la na actual até essa data... agora pondero que ela vá para outra que tem vaga... tenho que decidir até ao final do mês... A baby C. não detesta a escola mas também não a vejo feliz ali... e eu quero um sitio que seja uma extensão da casa e que a valorizem... cheguei a pensar que eu é que estava com "mariquices" mas não... a escolha da escola é muito importante...

    Que a escolinha seja um sitio onde os nosso filhos possam crescer felizes...

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  11. Olá Joana,
    Sigo o vosso blog há imenso tempo, mas é a primeira vez que comento.
    Conheço bem esse sentimento...
    Como mãe apaixonada pela minha filha e por cada passo dela (alguns diriam obcecada, mas não vejo assim), com 1 ano e 9 meses achamos que estava na altura de ir para a creche e conviver, socializar, não desmerecendo toda a atenção e cuidado que teve com a minha mãe até então, a única pessoa que considero à altura de nos substituir.
    A procura foi longa e exaustiva. Senti o mesmo. Só o final foi diferente pois, ainda que insegura da minha decisão (e aqui foi minha porque ela tinha que estar perto do meu trabalho já que o trabalho do pai não permite e só eu a posso ir buscar e levar) resolvi ir pelo meu instinto. E que feliz fiquei! Não, não tem mil atividades xpto, na realidade tem alternadamente música, yoga e ginástica e fica por aí. Mas com 2 anos tem muito miminho, muito colinho, muitos beijinhos de todos, está bem, faz imensos trabalhinhos manuais, sabe os nomes dos amiguinhos, já evoluiu bastante na fala e é uma criança que vejo e sinto que é feliz lá. E que mais podemos pedir, não é?
    A tal ponto que deveria agora procurar novo infantário para a transição, já que este é creche, mas sendo uma menina de Dezembro, ficará mais um ano e, penso, beneficiará do desprendimento, da brincadeira, de tudo, saindo então mais preparada para uma nova etapa.
    Felicidades nesta nova escolha!

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  12. Pelo foto e descrição é a melhor escola que poderá dar à sua filha. Tenho lá o meu filho, sobrinhas e já passou por lá melhores amigas e irma. É um descanso no coração de mãe entrega-los de manhã e saber que ficam tão bem como com a família. O espaço, a envolvente e as pessoas que lá trabalham fazem desta escola o melhor sítio do mundo para o crescimento saudável e equilibrado do futuro do nosso mundo. Vai gostar cada vez mais, tenho a certeza!

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    1. Posso perguntar qual é a escola?

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