sábado, 28 de março de 2015

Peixinho (fora de água)


Quando somos mães damos muita importância às primeiras vezes. Lembro-me bem da primeira vez que ela dormiu sete horas seguidas (tive de ir ver se ela tinha ido desta para melhor), da primeira vez que deu uma gargalhada (mesmo tendo sido a dormir), do primeiro dia de creche, do primeiro dentinho e tenho medo de me esquecer. Isto é parvo, eu sei. É só um símbolo, um marco, tem pouca importância. A soma dos dias, das conquistas, o todo, é muito mais importante. Uma e qualquer gargalhada. Todas elas. Mas a primeira... a primeira fez-me chorar.

Hoje a primeira aula de natação e quem chorou foi ela. Chorou não, choramingou, resmugou. Lágrimas, nem vê-las. Foi-lhe desconfortável tanta água ou então o simples facto de estar mais fresca que o habitual, no banho. Mas gostei, gostei de partilhar com ela a descoberta. Gostei de ver que acalmava com o som da minha voz e com o corpo coladinho ao meu. Depois foi ganhando cada vez mais coragem e até saltou para o meu colo, sentada na borda da piscina, ao som do 1,2,3. Lá pelo meio pensei em desistir, mas ainda bem que não o fiz. Quero que ela vença os medos, comigo por perto.

Era uma aula experimental e decidi: vamos para a natação. Pelo menos até à primeira otite... confesso que é o meu maior medo nesta história toda.








 Poupei-vos a fotos com a minha presença. Ainda por cima de touca. Não têm que agradecer.




Adoro as expressões, mega concentrada e com cara de poucos amigos. Mas não tarda muito está a rir-se e a dar à perninha. Ou não, ou não.

Afinal Havia Outra (#17) - Não queria ser mãe.

Esta foi uma questão que me assombrou durante muitos anos. Foram uns tempos valentes em que tive completamente convencida que nunca viria a ser mãe. E verdade seja dita, estava feliz com a minha decisão.

O único incómodo eram todas as mães que me rodeavam e que não conseguiam compreender a minha escolha. Como se fossem elas que nas suas conversas iguais me conseguissem de alguma forma convencer. Sim, porque tendo filhos eles até seriam criados por elas, não é?!

Olhava para aquelas mães conformadas em que a felicidade estava toda em ser mãe e deixar de ser mulher e sentia-me cada vez menos convencida.

Quando muito, mas mesmo muito, esporadicamente pensava sobre ser mãe, era sempre pelos motivos que considero errados. Sim, gostava de experimentar estar grávida e ter "aquela" barriga para exibir; sim queria receber mimos e presentes; sim, queria ser o centro das atenções enquanto grávida. Mas queria um bebé, dependente de mim, que precisa de comer, tomar banho, dormir, chupetas e birras, vómitos e cocós, ou até mesmo brincadeiras intermináveis e gritos e gritinhos? Não, não queria nada disso.

Gostava da minha vida tal como ela era. Dormir até tarde ao fim de semana... Decidir às nove da noite que não me apetece fazer jantar e ir a qualquer lado... Fugir das compras e do supermercado até restar apenas um enorme vazio no frigorífico... Sair à noite com os amigos... Apanhar umas bebedeiras... Prolongar os meus dias até tarde, porque não há horas para ir para a cama... Pegar nas poupanças e estourá-las em sapatos... Eu era MUITO, MUITO feliz assim.

Chegou-me durante felizes 9 anos de casada, e acreditem, continuava a chegar, e continuaria. 
Um dia, tudo mudou, afinal tudo muda! Não sei como nem porquê, e nem sei se os meus motivos estão certos ou errados, porque nem motivos tenho afinal. Mas tudo mudou.

Dia 5 de Novembro de 2014, apareceram 2 riscas naquele pedacinho de plástico, que mudaram tudo.

Não foi acidente, pelo contrário, eu queria aquelas riscas... Porquê? Não sei... Não sei mesmo. Sei que era feliz, com a minha vida irresponsável, e sou igualmente feliz agora enquanto me adapto à nova realidade.

Dúvidas? Tenho muitas... Afinal de contas, sei lá eu ser mãe.



Ana Filipa Guerreiro

A mãe dá (#15) - Spa em casa

Temos as melhores leitoras do mundo! O Fernando Mendes que se cuide, que as belas das alheiras de Mirandela e os ovos moles de Aveiro qualquer dia vêm todos parar é cá a casa!

A Estefania, que nos segue de terras de sua Majestade, enviou-nos uns produtos maravilhosos da Sweet Blossom Natura e só por isso a minha casa, com fraldas de dois dias e tangerinas podres no saco do lixo por despejar, cheira maravilhosamente bem. Romântica como sou, fiquei encantada com este ar homemade dos produtos que ela própria faz.

Mal posso esperar por ter um banho silencioso de banheira cheia e ir ao Spa sem ter de sair de casa.






O que chegou a minha casa: leite de banho vegan, de camomila, alfazema e aveia, sabão de rosa de inverno, sabão de azeite e uma caixinha com salva de rosas e lip balm de rosa e menta. E tudo "feito em casa com amor". Já me besuntei com o lip balm e o meu homem não me larga! Eheh

A parte mais espetacular de tudo isto é que assegurei que os produtos para a outra Joana podiam vir para a minha morada porque eu era uma pessoa de confiança e que depois lhe entregava, mas pensei melhor e ela agora que se amanhe... HAHAHA (riso de víbora)

Prometo que não vou açambarcar o vosso kit. Quero que andem cheirosinhas e que finjam por uns minutos que isto da maternidade é uma calmaria. Quanto não faz um bom banho por nós, não é mães?

Para concorrerem, só têm de:

a) fazer like na página d'A mãe é que sabe
b) fazer like na página da Sweet Blossom Natura
c) preencher o formulário em baixo

Condições:
O vencedor será anunciado no dia 1 de abril de 2015, sendo aceites inscrições até às 23h59 do dia anterior.
O vencedor será escolhido aleatoriamente através de random.org.
Só é válida uma participação por endereço de e-mail.





Desiludi a Joana.

É assim que se desilude uma beta em condições.

Ela diria: "ou só uma pessoa com bom gosto!"

Fui com a Irene assim aos baloiços. CRIME.

Estaremos a ver fato-de-treino, ténis e boné à trinca-espinhas do Anjo Selvagem?















sexta-feira, 27 de março de 2015

Querido, mudei a parede

Houve quem perguntasse "então e como é que fizeste aquele lindíssimo painel que estava atrás daquela fantástica mesa da festa de anos?"

Ninguém perguntou? Ah, então foi só o meu alter ego. Mas cá vai, caso interesse a alguém como é que aquela "cabeceira de mesa", como eu lhe chamo, foi feita.

Em primeiro lugar: utilidade do bicho. Não está à vista? Impedir que um bolo mais nervoso, um cake pop com mau dormir ou uns brigadeiros a fazer moche, batessem com a fronha na parede.

Pensei em fazer um estendal de fotografias das aniversariantes e a Marta - que já escreveu connosco aqui no blogue -, disse: então, vais ao Leroy Merlin (juro que ninguém me pagou nada, mas se se quiserem chegar à frente...) e compras placas mdf e não sei o quê e não sei que mais. Sim, a minha memória para a bricolage ficou-se pelo mdf e mesmo para decorar a expressão tive de a associar a Mo(D)ther Fucker. Não se riam, cada uma encontra as estratégias que pode para sobreviver após 5 míseras horas de sono.

Cá está o vídeo da aventura que foi uma mãe a meter-se em terreno movediço:




Coisa mai linda, aquela cara de quem dormiu mal e porcamente e nem teve vontade de pôr um bocado de base. Tomei banho e já não foi nada mau!

O painel ficou bem artesanal, para não dizer amador (e para não dizer uma cagada), mas gosto de coisas imperfeitas e a intenção é que conta. Certo? Certo.

Problemas técnicos

Infelizmente estamos com alguns problemas de comunicação com o Facebook. Não nos está a deixar publicar por lá o que fazemos por aqui. Não vai ser por isso que vamos deixar de actualizar o blog, por isso venham cá sempre que forem fumar um cigarrito, ou à casa de banho, ou comer um palmier ao bar da empresa que cá estaremos.

Estamos só a pedir aos capangas da Ana Malhoa para dar na boca do sacana para ver se para de nos censurar.

#somostodosamaeequesabe

Muitas mulheres andam só à procura de uma desculpa para gastar dinheiro.

Mudei de ideias e não tenho vergonha nenhuma de admitir. Quando era mais nova, sim. Quando me enganava, mesmo sabendo que estava enganada, continuava a afuçangar até ao fim. Mesmo que estivesse a dizer que é igualmente correcto dizer "árbito" e "árbitro", só por não conseguir dizer de outra forma. 





Agora quando erro mas, acima de tudo, quando me dá jeito, admito tranquilamente.

No início, quando contei que queria engravidar/estava grávida (tive de contar cedo porque escrevia umas crónicas que iam sendo publicadas semana a semana e seria desagradável se a família fosse a última a saber) as avós entraram em modo de maternidade e encheram-me de roupas de cima a baixo. Tudo: bodies, babygrows, meias, mantas, gorros, macacões, tudo. 

Acho que todas as mulheres só andam à procura de uma desculpa para gastar dinheiro. E comprar roupa para os netos, pelos vistos, é uma necessidade. 

Na altura, por causa das hormonas mas, acima de tudo porque queria brincar às bonecas, tive de pedir às avós para abrandarem um bocadinho senão eu não conseguia escolher nada para a Irene. Se ela já tinha 432 pijamas, eu não conseguia ter a desculpa para comprar mais uns quantos e queria ser eu. Mesmo que fossem os mesmos, não consigo explicar, mas queria ser eu a pagar - ainda recebia na altura, claro.



Agora? Agora apercebi-me da sorte que tenho da Irene ter duas avós que gostam de fazer compras para ela e assim posso ter as colecções inteiras da Zara. 

Ambas já se descontrolaram e estou a adorar. A Irene vai conseguir só estrear roupa nova durante uns dias.



Obrigada, avós! 

quinta-feira, 26 de março de 2015

A festa da Isabel (socorro, que trabalheira!)

A festa de anos da Isabel e da prima Alice foi inesquecível! Não para elas, claro, que terem estado ali ou na lota de Setúbal era igual. Talvez até gostassem mais da lota.




A sensação que eu tenho é a de que passou a correr. Os primeiros convidados chegaram quando eu estava a encher balões e a pôr a mesa, mas juro que não stressei. Em vez disso, pedi-lhes ajuda. Comigo é assim, não há cá vergonhas. Menos numa coisa, mas já lá vamos, se conseguirem chegar ao fim desta lista de supermercado.

Acho que o resultado final ficou lindo e - mais importante ainda - bom. Vi pessoas satisfeitas com os "comes e bebes" (sempre quis usar esta expressão) e a criançada divertida e isso valeu por tudo.
Cheguei a casa esgotada e a prometer ao pai da aniversariante não me meter noutra tão cedo, mas daqui a um ano não escapa. Psiuuuu! Não lhe digam nada. A ele. A ela podem dizer porque consegue guardar segredo.


Comecemos pelas flores.
A festa foi no dia 21 de março, o dia que dá as boas-vindas à primavera. O tema era esse mesmo: flores e passarinhos, por isso, comprei logo umas garrafinhas baratas no IKEA e uma gaiola numa loja de antiguidades e decoração em Sintra. Naperons de papel e passarinhos comprados na Docinho de Açúcar e as mãos e o gosto especial da Happy Days para os arranjos. Ficou lindo!





Os doces.
A minha parte preferida de uma festa, não fosse eu uma gorducha gulosa. Comigo aquela história de "comer com os olhos" resulta mesmo, mas não descanso enquanto não espeto uma trinca em tudo. Nunca é só uma trinca, mas adiante.

Para a festinha das miúdas, escolhi brigadeiros (morango, côco e clássicos, mas em verde água), que são a delícia das delícias da Ponto Condensado; os cake pops (com flores e passarinhos) da Cake Pops Portugal - Os Bolinhos da Milene e as bolachinhas de baunilha em forma de pássaro da Que seja Doce. Pormenores que, para mim, a mãe pirosa e romântica do pedaço, fazem toda a diferença.





O bolo. 
Foi paixão à primeira vista. Querido, romântico, de cores pastel e tão, mas tão bom. Além de bonito, era de chocolate, bem húmido, com cream cheese... a sério, devia ser proibido! Apaixonei-me por um que vi na internet e pedi à Vintage Cake Company que me fizesse esta obra-prima.




A miúda mais linda do mundo.
Se não têm uma, aluguem para a festa porque é essencial. Sem ela, não haveria balões, nem cake pops, nem bolos, nem sorrisos, nem um coração a transbordar de amor. Apesar de ter feito uma sesta mínima, portou-se bem e lá a fomos distraindo do sono.







O cantinho dos brinquedos.

Tendo uma bebé que ainda não anda, achei que seria engraçado ter um espaço confortável com tapetes e brinquedos para os mais pequeninos. A Bica Kids tem os brinquedos mais giros do mundo e arredores e decorou este espaço mesmo à maneira.






As fotografias. 
Sou louca por fotografias, revejo-as vezes sem conta e nem sei o que faria sem elas, que a minha memória não dá para tudo.
A querida Joana, do blogue Love Lab, registou este dia tão importante para nós da forma mais subtil possível, tanto que eu até me esqueci dela e nem lhe ofereci lanche! Tive de esperar que ela desmaiasse para dar por ela. Não foi preciso tanto, mas a sério... imperdoável. Já tenho ali a chibata.







Daqui a uns anos, quando a Isabel estiver a folhear os álbuns, vai ver que a mamã lhe dedicou uma tarde muito especial, rodeada de amigos e da família e das duas uma: ou vai gostar ou não vai ligar patavina. Se for a segunda, faço-a engolir as fotografias, uma a uma. Pronto, tinha de dar aqui um abanão a tanta lamechice.  

Um dia destes publico fotos da festa propriamente dita. Sim, porque, por incrível que pareça, foram pessoas à festa. E crianças. E havia no café Petit Cabanon uma salinha com escorregas e bolas para os miúdos mais velhos (nem lhes vi bem a cara, estiveram lá sempre enfiados a divertirem-se). E cantou-se os parabéns. Por isso, vão ter de levar comigo mais umas quantas vezes, que tenho fotos lindas para vos mostrar até 2016.

Gostaram?

a prima Sílvia

Uma das milhares de supressas deste primeiro ano de maternidade foi a minha prima Sílvia. Ela chama-se Sílvia Patrícia e eu nunca decidi como lhe hei de chamar, por isso vou alternando, mas é sempre a mesma pessoa, ok?

Crescemos juntas. Apesar de eu ter andado pelo "país inteiro" atrás da minha mãe, consoante a terra para onde ela fosse estagiar, sinto que estive sempre com ela durante a minha infância e parte da adolescência. Passávamos férias juntas na Figueira da Foz e era ela quem me influenciava musicalmente e quem me fez gostar mais da pequena Sereia do que qualquer outra. Foi também quem se chibou que o Pai Natal não existia e quem me fez sempre almejar ter umas calças Levi's que me fizessem um rabo daqueles (ela dantes era gordinha).  



Contou-me ela na sexta-feira passada que houve uma vez que eu me ia afogando na banheira por causa de uma convulsão e que ela, parvalhona, foi dizer à minha mãe e à nossa Avó que "a Joana está a fazer uma brincadeira estúpida". Ainda bem que foi, senão não havia Irene para ninguém. 

Afastamo-nos graças a vicissitudes da vida e, com a Irene, voltamos a estar juntas. Gosto muito quando ela vem cá a casa. A Irene, mesmo que a Patrícia (eu avisei) não venha cá durante 15 dias nunca se esquece dela e nunca reage com estranheza. 

É visitada pela prima desde que nasceu. Uma visita com vontade de vê-la. De vê-la crescer, mesmo que ela depois não se lembre de nada. É genuíno. Gosto de, agora que sou adulta e que posso escolher, estar rodeada de pessoas genuínas. 




Gostam uma da outra e eu gosto muito das duas. Ser mãe pode levar-nos "alguns amigos", mas traz outros!



Sou mãe e tenho acne!

A sério. Quem me disse que depois de ser mãe, iria ficar sem acne, devia ficar com a cara tão cravejada de borbulhas que só de mexer os lábios elas rebentavam.

Como diria o Ricardo Araújo Pereira, fui presenteada com uma cara de areia mijada. Sempre pensei que com a idade - e mil tratamentos - isto iria ao lugar, mas não. A minha mãe, para me alegrar, coitada, faz como o pai no filme "A Vida é Bela", tenta distrair-me do assunto, fazendo-me rir. Já me disse que assim a minha pele envelhecia menos. Rugas, nem vê-las, é verdade, mas não sei se não trocava uma ruguinha por um cravo todo infectado que tenho aqui no queixo e que me dói.

O mais engraçado disto tudo - tem uma graça! - vai ser ter borbulhas ao mesmo tempo que a minha filha, quando ela entrar na puberdade! Tão, mas tão giro...

Bem, adorei este bocadinho, vou só ali ao espelho dar cabo de mais umas quantas.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Força, suas leiteiras (#03)

... vamos a isto?

A missão de informar mamãs que optem por amamentar é complicada, mas nem A Mãe é que sabe nem a CAM Patrícia Paiva nos importamos com isso!

Aqui está o preambulo da entrevista que começou neste e que, depois, seguiu para este e agora cá estamos:
Estarmos informadas sobre a amamentação serve para podermos ser uma fonte de apoio para as mães que optem por amamentar e que possam passar por algumas dificuldades (nem sempre há problemas).

É também muito importante para não sermos repetidoras de informação incorrecta, porque tal pode ser o factor decisivo para a desistência de algumas mães.

A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses. Além de estarem provados os benefícios da amamentação prolongada (com desmame natural), a OMS também sugere a amamentação até, pelos menos, os dois anos de idade.

A questão é: serão as possíveis dificuldades na amamentação que provocam tantas desistências ou será a falta de informação?

Para tentar ser mais produtiva neste assunto e com a ajuda de uma amiga (Patrícia Paiva, co-fundadora do projecto Mamar ao Peito cujo site está cheio de informação útil):

21 - Onde é que as mães podem encontrar CAMs?

Felizmente hoje em dia já há CAMs espalhadas por todo o país. E para encontrar uma é apenas necessário fazer uma pesquisa na internet. Existem vários sites com o contacto de CAMs, divididos por localidades, ou até mesmo no facebook temos grupos de apoio onde se podem encontrar esses mesmos contactos. Em alguns centros de saúde, normalmente aqueles que têm cantinho de amamentação, também há CAMs disponíveis para ajudar.

22 - Por que é que as mulheres que defendem a amamentação são sempre chamadas de fundamentalistas?

Acho que a maternidade em geral é algo que mexe muito com as mulheres e as mulheres que amamentam e que gostam muito de o fazer, querem passar a mensagem, para que outras mães descubram o quanto pode ser fantástico. Por isso podemos ser mal entendidas pela forma fervorosa como falamos do assunto, mas eu penso que não seja por mal, eu própria por vezes entusiasmo-me a falar de amamentação, porque foi algo que realmente despertou uma grande paixão em mim, mas umas das coisas que aprendemos no curso de CAM é a moderar a forma como falamos e a escutar as mães, e é isso que tento sempre fazer, algumas vezes com mais sucesso que outras.

Além disso, muitas mães acham que somos radicalmente contra determinadas coisas, como a introdução de chuchas, do suplemento ou alimentação complementar, amamentação com horários… 

A questão é que estas são coisas que podem realmente influenciar o decurso da amamentação, e algo como um simples biberão de leite antes do bebé dormir pode levar a um desmame precoce, mas não obrigamos ninguém a seguir as nossas recomendações e tentamos adoptar os nossos conselhos à realidade familiar de cada mãe.

23 - Será que, algum dia, a amamentação voltará a ser a norma?

Eu espero que sim, porque é realmente algo muito importante para os bebés e para a saúde em geral. Mas para isso é preciso que esta seja novamente normalizada, que se vejam cada vez mais bebés a mamar, quer seja no café da esquina, na televisão ou nas revistas. Porque vemos tantas vezes bebés com chucha e biberão, e desde muito pequenas essa é a imagem que nos é passada,  e infelizmente passamos a achar que isso é que é o normal. Mesmo os anúncios aos leites artificiais começam com o bebé a mamar, e depois aparece com um biberão a beber outro leite, e isso passa a mensagem de que é algo natural, que tem de acontecer obrigatoriamente a um determinado momento do seu crescimento. Mas essa não é a verdade,  há crianças que nunca beberam leite artificial, que mamaram até à altura do seu desmame fisiológico e a partir daí passaram a beber o leite da família ou nenhum.

24 - Quais são as principais dificuldades da amamentação? 

Penso que os primeiros meses serão os mais complicados, é uma adaptação muito grande e um momento de aprendizagem quer para a mãe, quer para o bebé. A adaptação à mama, a interpretação dos choros, os medos inerentes à chegada do bebé… Além disso, há as dificuldades que podem surgir, que acontecem a algumas mães, como as gretas, os ingurgitamentos ou as mastites, entre outras. Acho que todas as mulheres deviam sair do hospital com informação correcta sobre amamentação, a saber fazer uma massagem manual, e o contacto de uma CAM, caso seja necessário. 

O ideal seria que houvesse grupos de apoio, que podem ajudar muito ainda na gravidez, apenas mostrando como os bebés mamam, visto que é algo que muitas grávidas nunca viram, e explicando o que é natural e o que pode ser sinal de alerta. Antigamente essas informações passavam de mãe para filha, hoje em dia perdeu-se um pouco a sabedoria da amamentação e mesmo as avós que amamentaram dão informações erradas, baseadas em preconceitos, ou influenciadas pela publicidade que é feita aos biberões e aos leites artificiais.

Passada esta fase inicial, há os picos de crescimento, onde costumam haver desmames por falta de confiança na qualidade ou quantidade do leite, mas são apenas alturas em que o bebé precisa de mais leite e por isso pede mais vezes.

A partir daí, se a mãe conseguir ignorar os incentivos ao desmame, que podem vir de várias pessoas, quer seja da família, amigos, ou de profissionais de saúde, é só acrescentar dias, meses e anos ao decurso da amamentação.

25 - A falta de confiança própria das mulheres é um grande obstáculo. Grande parte do papel das CAM é de apoio psicológico, certo? 

Infelizmente, sim. Hoje em dia mais facilmente acreditamos em coisas artificiais do que naturais, as mulheres não vêm o leite que é produzido e não conseguem confiar no seu corpo e nos seus bebés. Temos muitos acessórios à venda para amamentação, desde suplementos para aumentar a produção, até bombas para extracção, quando o que é realmente necessário é apenas uma mama e um bebé, alguma calma e privacidade nos primeiros tempos, para que mãe e bebé consigam entrar em sintonia e aprender um com o outro. É claro que há situações em que apenas a confiança não chega, em que pode realmente ser necessária alguma ajuda especializada, mas não em tantos casos como os que aparecem. 

O ideal seria que o apoio viesse das próprias mulheres, das mães, da família, mas muitas vezes esses são os primeiros a minar a confiança da mãe, com conselhos errados, ou apenas com comentários inconvenientes. Mesmo as avós que amamentaram, têm alguma dificuldade em apoiar a mãe que quer amamentar, porque são minadas por imagens de bebés a biberão, e basta o bebé chorar uma vez para dizer “Se calhar está com fome!”, e aí começa a insegurança da mãe…

26 - O que podemos fazer, enquanto mulheres, para ajudar as outras mães?

Eu acho que as mulheres deveriam juntar-se mais, criar grupos de apoio, não apenas nas redes sociais, mas também nas suas localidades. Os primeiros meses com um bebé podem ser muito complicados, e estar com outras mães que têm bebés e que podem falar um pouco da sua experiência, pode ser o suficiente para que as coisas corram melhor. Há mulheres que nunca viram um bebé a mamar, por isso acho importante que essa imagem seja cada vez mais normalizada, por isso amamentar quando o bebé pede, mesmo que seja em público é uma forma de mostrar a outras mulheres, possíveis mamãs, que é possível amamentar, de uma forma natural, sem dores.

27 - Por que é que é tão difícil aceitar, a nível social, a amamentação prolongada?

Acho que é por falta de conhecimento, a maioria das crianças que mama até mais tarde, não o faz a toda a hora nem em qualquer lugar, sendo que as mamadas normalmente ocorrem em casa, longe dos olhares de outras pessoas. Por isso quando se fala no assunto ou quando uma criança pede para mamar, as pessoas estranham, acham que não é normal. Mas do conhecimento que eu tenho é mais comum do que se pensa, simplesmente é um tema tabu, do qual não se fala nem se vê. E quando se fala, na televisão por exemplo, normalmente é para criticar ou para fazer comédia, o que piora um pouco a ideia que se tem da amamentação prolongada.

28 - Por que é que há mulheres que dizem orgulhar-se de não ter dado de mamar?

Não faço ideia, até porque não conheço nenhuma, já li alguns posts em blogs sobre o assunto, e a maioria das mulheres que decide não amamentar, ou que critica as mulheres que o fazem, tem uma ideia errada da amamentação.

29 - Há algum leite, para o bebé, que seja minimamente aproximado ao ponto de não interessar se tanto é materno ou não?

Não, é impossível criarem um leite que seja equivalente ao leite materno, até porque o leite materno adapta-se ao bebé que está a bebê-lo e à sua fase de crescimento. O leite materno tem componentes vivos, que se alteram conforme a duração da amamentação e isso é algo que não se pode imitar. Como diz o Dr. Carlos Gonzalez, o leite artificial está em constante investigação exactamente porque está longe de ser perfeito para os bebés, não se tem conhecimento de que nenhuma marca tenha encerrado os seus laboratórios por já terem descoberto a fórmula necessária para os bebés, ao contrário do leite materno.

30 - Os bebés que estão à mama, têm mais cólicas?

O leite materno é o alimento ideal e adaptado ao bebé, tem componentes que ajudam na digestão, e a mama não liberta ar, ao contrário do biberão, portanto faz sentido que este ajude na digestão e não o contrário. No entanto, as cólicas é o nome que se dá ao choro e agitação do bebé, e não há uma explicação científica comprovada que define o seu motivo. Quando a mãe indica que o bebé tem cólica, tento perceber o motivo que a leva a pensar isso, porque o bebé pode apenas precisar de mais contacto, mais mama, mais colo e a mãe entender como cólicas e não responder a esses pedidos do bebé. Em alguma situações, em que percebo que efectivamente o bebé está realmente com dificuldades na digestão, sugiro alguma massagens, andar com o bebé em posição fetal, preferencialmente com a ajuda de um porta-bebés ergonómico, e tento acalmar a mãe, o que por vezes é suficiente para acalmar o bebé. Outra situação que pode ocorrer, é que o bebé não tolere bem algo que a mãe coma e, apesar dos alimentos não influenciarem muito a composição do leite materno, algumas intolerâncias podem influencia a forma como o bebé digere o leite, sendo que a mais comum é a intolerância ao leite de vaca, mas normalmente estas intolerâncias têm mais sintomas associados além do choro.


Ainda haverá parte 4 ;)

A mãe dá (#15) - Spa em casa!

Temos as melhores leitoras do mundo! O Fernando Mendes que se cuide, que as belas das alheiras de Mirandela e os ovos moles de Aveiro qualquer dia vêm todos parar é cá a casa!

A Estefania, que nos segue de terras de sua Majestade, enviou-nos uns produtos maravilhosos da Sweet Blossom Natura e só por isso a minha casa, com fraldas de dois dias e tangerinas podres no saco do lixo por despejar, cheira maravilhosamente bem. Romântica como sou, fiquei encantada com este ar homemade dos produtos que ela própria faz.

Mal posso esperar por ter um banho silencioso de banheira cheia e ir ao Spa sem ter de sair de casa.










O que chegou a minha casa: leite de banho vegan, de camomila, alfazema e aveia, sabão de rosa de inverno, sabão de azeite e uma caixinha com salva de rosas e lip balm de rosa e menta. E tudo "feito em casa com amor". Já me besuntei com o lip balm e o meu homem não me larga! Eheh

A parte mais espetacular de tudo isto é que assegurei que os produtos para a outra Joana podiam vir para a minha morada porque eu era uma pessoa de confiança e que depois lhe entregava, mas pensei melhor e ela agora que se amanhe... HAHAHA (riso de víbora)

Prometo que não vou açambarcar o vosso kit. Quero que andem cheirosinhas e que finjam por uns minutos que isto da maternidade é uma calmaria. Quanto não faz um bom banho por nós, não é mães?

Para concorrerem, só têm de:

a) fazer like na página d'A mãe é que sabe
b) fazer like na página da Sweet Blossom Natura
c) preencher o formulário em baixo

Condições:
O vencedor será anunciado no dia 1 de abril de 2015, sendo aceites inscrições até às 23h59 do dia anterior.
O vencedor será escolhido aleatoriamente através de random.org.
Só é válida uma participação por endereço de e-mail.