quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Quero voltar a fumar! Já!

Fumava tanto que parecia sempre que tinha acabado de entrar em palco no Chuva de Estrelas e que tinham posto aquele efeito de fumo manhoso. 

Fumava tanto que o meu cheiro servia de fumo passivo para os meus colegas de trabalho.

Fumava tanto que parecia que usava verniz amarelo, mas só no dedo indicador da mão direita (e nos dentes). 

Fumava tanto que media o meu tempo em cigarros. 

Fumava desde os meus treze quando, nas Olimpíadas dos Maristas, levei um maço de tabaco da minha mãe (SG Filtro) para fingir que já fumava e acabei por ter de "provar" que era uma fumadora experiente (dizia aos meus amigos que já tinha fumado, mas que tinha deixado para não ter que o fazer) nas casas de banho do colégio. Lá fumei e fingi que travei, porque saberia que iam estar atentos, os sacaninhas.

No liceu, comia as repetições das minhas colegas no refeitório, para usar o dinheiro da minha semanada para comprar Camel ou LM. 

Quando não tinha tabaco, roubava cigarros a um maço de Gauloises sem filtro (hardcore, pior que "mata ratos") que a minha madrasta tinha na sala, mesmo quando não estavam em casa.

Fumava sempre que entrava no carro. Fumava sempre a caminho do trabalho às 6 da manhã. No liceu, fumava enquanto comia uma maçã, quando ia para o autocarro. 

Pronto. Isto para dizer que me esfumaçava toda. E, a meu ver, ainda me esfumaço, mas psicologicamente.

As saudades que tenho de discutir (calma, não tenho saudades de discutir) e poder acender cigarros e fumar para pontuar as conversas. As saudades de um bom cigarrinho depois de ter enchido o bandulho ao jantar. As saudades de escrever com duas mãos enquanto uma segura o cigarro e tira a cinza.

Bom, vou parar com isto, devo estar a minar os neurotransmissores das mães ex-fumadoras e aposto que as fumadoras já estão a programar o próximo cigarrinho (sacanas!). 




Serve este post para dizer que sou a maior. Ou que, pelo menos, me sinto a maior. É verdade que fumei até saber que estava grávida (um maço de Camel por semana - no carro, para fumar a sério - e o resto do dia Smuky - cigarros electrónicos quando, na altura, se dizia que eram quase tão pouco maus que quase que curavam escorbuto e faziam máquinas de roupa).

Quando soube que estava grávida, tentei fumar um cigarro para "comemorar", sabendo que tentaria que fosse o último, com tudo o que o verbo "tentar" implica (só as fumadoras e ex-fumadoras é que percebem o raciocínio estúpido de fumar um cigarro para comemorar uma gravidez). 

Esse cigarro soube-me mal,  soube-me a culpa e a fracasso.

Acho que foi a minha primeira culpa de mãe (a segunda foi saber que o chá verde era abortivo e que andava a beber Tisanas à vontadinha o dia todo - apesar daquilo ser só 0,00001 de extracto de chá verde e de saber, racionalmente, que não ia fazer mal). 

Como é que eu estava a ser capaz de fazer algo que não me traz nada de bom a todos os níveis, decidindo que, ainda antes do meu bebé nascer, iria fazer-lhe mal?

Tive sorte porque o cigarro me soube mesmo mal, enjoou-me, senão cada cigarro que eu fosse fumar, iria ser, de longe, o momento mais triste do meu dia. Fumar grávida, a meu ver, deve ser o equivalente a darmos socos na barriga e não conseguirmos parar. Não gostarmos disso, mas continuarmos na mesma. Claro que há aquela questão de "não deixar de fumar bruscamente, senão a mãe fica ansiosa". Acredito. Se eu não tivesse deixado de fumar, refugiar-me-ia nesse argumento para me sentir menos mal. Tive sorte e, assim, sinto-me a maior.

Não fumei um único cigarro ao longo dos 9 meses de gravidez, mesmo mantendo todas as minhas rotinas (vocês sabem o quanto isso custa, porra), mesmo tendo um marido em casa com um maço de Marlboro sempre à mão, mesmo sabendo que ficava muito gira a fumar (ahah, é parvo, eu sei). 

O que me ajudou? Ter enjoado, a culpa (que acho que está cá mais para nos ajudar a ser boas mães que outra coisa) e ter pensado: "assim que parir a miúda, vou fumar-me como se não houvesse amanhã. 

Lixei-me.

E dar mama? Ah pois. Afinal seriam 9 meses, mais 6 meses por causa da treta de ser o melhor para a bebé o aleitamento exclusivo até essa idade. Que nervos. Além disso, tinham dito nas aulas de preparação para o parto que o cheiro do tabaco nas mãos também conta como fumo passivo para o bebé, que o pai e mãe deviam sempre lavar as mãos (o que o meu marido teve de aturar nos primeiros meses... ainda hoje fuma na cozinha, de porta fechada, debaixo do exaustor, com ele no máximo e é só porque ele passa o dia inteiro em casa). 

E agora que já passaram os 6 meses de mama e descobri que o melhor para a bebé é amamentar o máximo possível e que ela desmame naturalmente? Que nervos. Houve alturas (quando tinha feito um stock de três meses de leite materno para a bebé e tinha guardado no congelador, para ir trabalhar) que pensei: agora damos o que estiver ali, para eu me fumar toda. Não fui capaz. Gosto mais de dar de mamar do que de fumar, acho eu. Ou então é a sra. dona culpa.

Já não fumo há 19 meses. Em condições já não fumo há mais de 23 meses. Esperem, isto devia ser tipo AA: 

"Olá, sou a Joana e já não fumo em condições há mais de 23 meses. E logo eu que fumava tão bem e ficava tão bem a fumar". 

Estou louca para voltar a fumar. Digo isto a toda a gente, em jeito de piada, para chocar, é verdade, mas também porque assim sinto que tenho a liberdade de me vingar de todo este sacrifício. Não sei se vou voltar a fumar. Para quê se depois tenciono parir outra vez?

Aguento-me dia após dia graças às minhas maminhas (isto, fora do contexto deste blogue, era só estúpido) e a pensar que, depois, vou fumar tanto que vou ser confundida com o La Féria no escuro. 

Se vou voltar a fumar? Não sei. Prefiro pensar que sim, para depois me sentir a maior todos os dias em que não fumar ou então por me sentir a maior por saber que ia voltar a fumar e voltei. 

Como foi convosco?

Eu sei, vocês vêm ao blog à procura de uma leitura agradável e rápida e depois calham-vos estes bacalhaus de texto. Acho que este blog tem sido o meu maço de Camel. 

*imagem do site We Heart It. 

Medo de atrasos

Enquanto que, com os cães, achamos sempre que os nossos são mais espertos que os dos outros, com os filhos, temos sempre medo que as coisas não estejam a ir na direcção certa. Tememos as piores doenças cerebrais possíveis, os piores atrasos de desenvolvimento conhecidos e imaginários e que, pior ainda (como se houvesse): que seja tudo por nossa culpa, por culpa de algo que comemos ou de não os estimularmos correctamente.

Até chegamos a conspirar contra os nossos pediatras, como se eles soubessem ou suspeitassem que o nosso filho tem um problema qualquer, mas que não nos queira dizer por ser inevitável e para não nos stressar. 

A Isabel, da Joana Paixão Brás, "está à frente do desenvolvimento" (cabra). A Irene ainda não gatinha e já tem praticamente 10 meses. A Isabel já fica em pé agarrada a móveis do Ikea lá em casa. A Irene arrasta-se de rabo como se tivesse parasitas, como os cães. Enfim.

Até confiar na Irene, demorou. Principalmente quando somos constantemente confrontadas com sites, aplicações e livros que nos dizem "a idade normal" para começarem a fazer determinado tipo de coisas.

Na brincadeira, chamava à Irene de foca, por a única coisa com piada que ela fazia ser eu por-lhe uma chucha no nariz (how sad).

A verdade é que, apesar de ter começado a sorrir mais tarde que a Isabel, a gargalhar bem mais tarde que a Isabel (só, para aí, há um mês é que gargalha sem que eu tenha de espancar com cócegas), ela descobre tudo sozinha, a seu tempo.

Lembro-me que, quando ela se abanava, tivemos medo, durante uns dois minutos que pudesse ser autista (por causa daquela imagem estereótipo), mas descobrimos que, afinal, estava a dançar. A Irene não gargalhava, não gatinhava, mas dançava (coisa que a Isabel não faz, toma!).

Os bebés não têm curiosidades com a mesma intensidade ao mesmo tempo, podem não sentir as mesmas necessidades de deslocação ao mesmo tempo. Há bebés que passam directamente do sentar ao andar e tudo (isto deixou-me descansada muitas vezes).

Confiemos nos nossos bebés. Se houver algo mesmo brutalmente esquisito, os pediatras vão reparar nas consultas de rotina. Eles não ganham à comissão por segredos escondidos e até perderiam pacientes, além de ir contra tudo aquilo que representa ser médico, digo eu.


Mães que tudo sabem (#03) - Cláudia Borges

Cláudia Borges apareceu nos nossos ecrãs no Disney Kids, em 2002. A brincar a brincar já lá vão 13 aninhos e a apresentadora da SIC já tem um filho de 4 anos, o Rodrigo, o futuro namorado da Isabel (ele não sabe, nem a mãe dele, mas já andei a conspirar com os astros).

Numa conversa divertida, Cláudia fala-nos da gravidez, da maternidade e das saudades que tem do filhote em bebé.


Como soubeste que estavas preparada para ser mãe?
Desde muito cedo que queria ser mãe. Quando aos 21 anos me juntei com o Samuel, queria logo ter um filho. Ainda bem que ele era mais ajuizado do que eu ;) porque não sei se por essa altura teria maturidade suficiente, ou se a mesma chega quando o bebé nasce.

Como descobriste?
Já andava desconfiada, mas não queria pensar muito nisso, assim evitava desilusões.
A 26 de Março de 2010, entre reportagens, fui ter com a minha médica aos Lusíadas. Queria ter a certeza pois a 28 ia para Andorra em trabalho. Fiz a análise ao sangue e fui-me embora pois tinha de gravar. A Dra Linda ficou de me ligar e, umas horinhas depois, no meio da dita reportagem o telefone tocou. Do outro lado: "minha querida, vais para a neve, mas não te quero em aventuras..." Conseguem imaginar o ar de parva durante as entrevistas?

Quem foi a primeira pessoa a quem contaste que estavas grávida?
Só à noite, depois do trabalho todo feito é que fui ter com a Samuel a estúdio e foi aí que lhe contei que iamos ser pais.


Lembras-te da primeira coisa que compraste para o bebé?
Comprei um babygrow em tons beje. Assim, fosse menino ou menina dava.

Tinhas preferência por menino ou menina?
Não tinha preferência, mas a verdade é que estava convencida de que iria ter uma menina. Na família do Samuel, a maioria são rapazes, e todos diziam que era eu que ia ter uma menina.
Quando o médico disse que era um menino, fiquei super feliz, mas ao mesmo tempo em choque. Mas passou rápido!


Como correu a tua gravidez?
Lindamente! Foi aquilo a que se chama "uma gravidez santa". À parte dos enjoos matinais durante 16 semanas seguidas, não houve sustos, nem desejos doidos nem nada que que travasse a nossa felicidade.
 
Quantos kgs ganhaste?
Ganhei 16kg, o que não foi muito preocupante porque antes de engravidar tinha 53kg.

Comeste a dobrar ou tiveste alguns cuidados?
Cuidados... que vergonha... não tive mesmo. Usava o facto de ser magra para comer de tudo. A Coca-Cola sabia-me pela vida!


Ias com medo para o parto ou calma?
Sabes do que tinha medo? Da epidural! De resto, nada! Queria muito que fosse um parto normal e assim foi. Estava super tranquila e, mesmo com 12h de trabalho de parto, com dores que só nós sabemos, nunca entrei em pânico.

Como recuperaste o teu peso? Era uma preocupação voltar à tua forma o mais depressa possível?
Sinceramente não estava muito preocupada. Passados 22 dias fiz um direto num especial de Natal da SIC, mas de preto ;) tinha barriguinha como seria de esperar. E quando regressei em Março, estava a baixo do peso. Magra de mais! Cheguei aos 49kg, mas não foi propositado! Só quando o Rodrigo foi para a escolinha aos 12 meses é que comecei a treinar.


Custou-te muito regressar ao trabalho depois da licença de maternidade ou nem por isso? 
Tinha tanta vontade de voltar ao trabalho, como de ficar agarrada ao meu "Barriguitas" para sempre.
O Rodrigo ficava com a avó, por isso só estava longe dele o tempo que o trabalho levasse. Mas ia ligando ao longo do dia. Aos 12 meses, quando foi para a escola, é que tudo mudou... os primeiros dias foram uma choradeira pegada! Ele e eu!

O que é mais difícil na maternidade?
Tento não me stressar muito com nada. E aos 4 anos já não há grandes dramas. Mas o Rodrigo teve uma fase péssima... não queria comer nada e confesso que aí achei que ia ficar maluca. Olha que não sei se não fiquei (eheh).

És uma mãe control freak ou mais descontraída?
Nem control freak nem descontraída! Se sou chatinha e exigente, sim, sou!

És das mães que aproveitam todos os silêncios para falar do Rodrigo ou consegues controlar-te?
Quase todas as minhas amigas já têm filhos, por isso acabamos sempre por falar dos pequenotes. Mas controlo-me, há mais temas. Mas vá, prefiro falar do Rodrigo do que do tempo (risos).




O que é que mais gostas no teu filho?
O que mais gosto? Difícil!!! Mas vou tentar... a alegria contagiante, a gargalhada fácil, o facto de não ser preciso muito para ficar entusiasmado e super feliz, as saídas que me deixam de boca aberta, muitas vezes quando estou a ralhar e acabo a rir. E até a teimosia típica de um escorpião.

Qual é a coisa que o Rodrigo te diz que mais gostas de ouvir?
O meu filho, como sabes, tem umas saídas engraçadas, não é fácil! Mas de há umas semanas para cá, dá-me um abraço bem apertadinho e diz "mãe eu gosto tanto de ti! Adoro-te!!".

O teu filho já percebe que a mãe é famosa? 
Não dou grande ênfase a essa questão. A mãe trabalha na SIC, como a mãe de um amiguinho trabalha numa loja ou é professora ou médica.
No outro dia na rua pediram-me para tirar uma foto e o Rodrigo perguntou porquê. Só lhe disse que a senhora me conhecia da TV e ele não fez mais perguntas.



Gravaste o Disney Kids para lhe mostrar?
Ainda não lhe mostrei o Disney, mas já viu vezes sem conta "Uma aventura na casa assombrada" e adora.

Tens saudades de quando ele era bebé?
Tenho!!! Tenho tantas! E por tua culpa, porque andei às voltas com as fotos, fiquei ainda com mais (ahah).


Aprendeste algo novo sobre ti, assim que te tornaste mãe?
Aprendi que uma mãe aguenta tudo! Se doer nós aguentamos, se estamos cansadas, sem dormir, mas é preciso acordar cedo, nós aguentamos! Aprendi o que é sentir dois corações num só! Se ele sofre, eu sofro!

Pergunta da praxe: para quando o próximo?
Quero muito voltar a ser mãe! Sou filha única e não é uma experiência pela qual queira que o meu filho passe. Quando as condições estiverem reunidas, se é que isso existe, vai acontecer!


Da próxima vez vais fazer alguma coisa diferente? 
As pequenas coisas que me deixavam cheia de dúvidas já não me vão stressar. Costumo perguntar ao Rodrigo se me ajuda quando tivermos um bebé – sim, porque ele diz que vamos ter um bebé - e a resposta é rápida e direta: "não lhe mudo a fralda!". Com esta ajuda extra,vai ser ainda melhor

Algum conselho para as futuras mamãs?
Não vale de nada dizer para não stressarem quando eles não quiserem comer, dormir ou quando caírem, porque vão sempre entrar em stress! Mas há um truque que pusemos em prática e que sempre deu resultado! Bebés a dormir a sesta depois das 18h30/19h é quase proibido! Vão ver que o sono chega mais cedo e que a noite será mais tranquila.

A mãe é que sabe?
A mãe é que sabe! Ah pois sabe!!! E se não sabe, desconfia! Não há instinto mais apurado do que o de uma mãe atenta.

Obrigada, Cláudia! 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Socorro! O meu bebé está em stress!

Isto foi o que pensei quando, às 20 e tal semanas, senti pela primeira vez pontapés ritmados na minha barriga. Pum, pum, pum, pum, num ritmo constante e assustador.
Imaginei logo a Isabel em stress a bater com a cabeça na minha barriga, com espasmos ou em sufoco. Achei que ela estava mal. Eram umas 4h da manhã e ela estava assim há uns bons minutos. Sei que nestas alturas se deve perguntar a toda a gente menos ao Sr. Google, mas eu não resisti.

Afinal eram soluços, minha gente! Que parva! Que drama queen!

Agora o que eu não percebo é por que é que ninguém nos avisa que isto pode acontecer e que é normal? 
Pronto, lá fui eu descobrir de coração a mil que os bebés podem ter soluços no útero e que até é um bom sinal: estão a treinar os movimentos respiratórios. E podem estar naquilo horas.

Pronto, futuras mães avisadinhas. Quem é amiga, quem é? A Mãe é que sabe a evitar ataques cardíacos desde 2014.

Força, suas leiteiras (#01)

Estarmos informadas sobre a amamentação serve para podermos sermos uma fonte de apoio para as mães que optem por amamentar e que possam passar por algumas dificuldades (nem sempre há problemas).

É também muito importante para não sermos repetidoras de informação incorrecta, porque tal pode ser o factor decisivo para a desistência de algumas mães.

A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses. Além de estarem provados os benefícios da amamentação prolongada (com desmame natural), a OMS também sugere a amamentação até, pelos menos, os dois anos de idade.

A questão é: serão as possíveis dificuldades na amamentação que provocam tantas desistências ou será a falta de informação?

Para tentar ser mais produtiva neste assunto e com a ajuda de uma amiga (Patrícia Paiva, co-fundadora do projecto Mamar ao Peito cujo site está cheio de informação útil), pensei nalgumas perguntas para fazer a uma CAM. Se calhar, começando, pelo princípio:

1 - O que é uma CAM?

Uma CAM é uma pessoa, profissional de saúde ou não, que fez um curso de formação em aconselhamento sobre aleitamento materno. O curso é certificado pela Organização Mundial de Saúde e consiste em adquirir conhecimentos técnicos de amamentação. Normalmente é feito por pessoas que querem ajudar mães a amamentar ou para complementar uma profissão relacionada com mães e bebés.

2 - O que te fez querer ser uma? 

Tudo começou no fórum PinkBlue que comecei a frequentar quando o meu filho tinha cerca de quatro meses. Na altura, amamentava o meu filho em exclusivo e ajudava outras mães com dúvidas iniciais, achando eu que era uma expert no assunto… Sempre foi um tema que me interessou e felizmente comigo sempre correu tudo bem, mas li muito sobre amamentação e no fórum comecei a dar conselhos com base naquilo que lia. Quando o meu filho tinha 5 meses e meio fui mal aconselhada por uma médica, procurei a ajuda do SOS Amamentação pela primeira vez, porque não queria ir contra a opinião da médica sem me informar primeiro. A médica queria que eu desse papas ao meu filho, porque não estava a engordar o suficiente e por ter um percentil baixo. Mesmo depois de ouvir os conselhos sábios da CAM que me atendeu, não consegui ter força suficiente e cedi à pressão, não correu nada bem e não foi por ter iniciado as papas 15 dias antes que ele engordou mais ou subiu no percentil. Acho que foi nessa altura que decidi que queria saber mais sobre o assunto, mas apenas fui fazer o curso quando ele já tinha 8 meses, juntamente com a minha amiga Bárbara Correia, que conheci no fórum também, através do interesse comum pela amamentação e que também me incentivou a fazer o curso.

3 - Por que é que há cada vez mais CAMs? 

Quando fiz o curso, em 2008, quase ninguém sabia o que era uma CAM, mas aos poucos fui assistindo à divulgação desta actividade através de fóruns, sites, artigos em revistas e até na televisão. Hoje em dia, com o facebook, penso que já é um serviço bastante divulgado e quando uma mãe num grupo diz que tem problemas na amamentação, alguém aparece e sugere uma CAM, explicando o que é e dando contactos. Com o aumento da procura foi havendo uma maior oferta de CAMs e, felizmente, hoje já somos umas quantas espalhadas por todo o país.

4 - Quando te pedem ajuda, que meios utilizam?

Sou contactada de várias formas, através do chat ou grupos no facebook, emails, telefonemas… O meus contactos estão no site do Mamar ao Peito que criei em conjunto com a Bárbara. Por isso, muitas mães chegam a nós por aí, ou porque são recomendadas por uma amiga. Se for algo que se consiga resolver por telefone ou chat, o contacto fica por aí, mas em alguns casos mais complicados pode ser necessário um acompanhamento presencial e nesses casos vou ter com elas, se for dentro da minha área, ou encaminho para outra CAM, se ficar fora de mão, ou se ultrapassar as minhas capacidades.

5 - Haveria a necessidade de haver CAMs se os médicos tivessem uma formação adequada sobre amamentação?

Penso que sim, porque não acho que este seja um assunto de médicos, normalmente é um assunto de mães! E o ideal seria que fosse como antigamente, em que a sabedoria da amamentação era passado de mãe para filha e a ajuda vinha das mães, tias ou irmãs que tinham amamentado também.

6 - Existe leite fraco?

Não, não existe leite fraco, o leite que cada mãe produz é adaptado ao seu bebé e, para que este não tenha as propriedades suficientes, seria necessário a mãe estar num estado grave de desnutrição, e aí viam-se primeiro os sinais na mãe e só depois no bebé. O que pode acontecer é haver uma baixa na produção de leite, ou o bebé não estar a conseguir receber leite suficiente e, para se resolver esse problema, é preciso perceber o motivo que o provoca e é normalmente isso que fazemos com as mães.

7 - Por que é que existe uma preocupação enorme em torno do aumento de peso do bebé nos primeiros dias de vida? Por que é que a primeira solução é sempre a sugestão do suplemento e não a correcção da pega?

A preocupação relativamente ao aumento de peso dos bebés faz sentido, porque é um dos sinais de que tudo está bem, uma perda de peso sem motivo aparente ou dificuldade em recuperar o peso pode ser um indicador de que algo deve ser visto e um dos motivos pode ser realmente a amamentação. Mas, normalmente, há motivos que justificam essas dificuldade em recuperar o peso, como um início complicado, um bebé sonolento, uma má pega, amamentação com horários estipulados… As possibilidades são muitas e essas devem ser avaliadas antes de se passar para outra solução.

A solução mais rápida e eficaz é, realmente, o suplemento, porque o bebé ingere mais leite e rapidamente começa a recuperar o peso. Mas antes de se sugerir a suplementação com leite artificial, devem avaliar-se outras questões e apoiar a mãe se a opção dela é amamentar. Compreendo que, por vezes, no hospital ou no centro de saúde, não haja disponibilidade para estar mais de uma hora a falar com uma mãe para tentar perceber o motivo por trás do pouco ou nenhum aumento de peso, mas se não há essa disponibilidade deveria haver um cartão com contactos de CAMs ou um grupo de apoio para dar às mães nessa situação em vez da prescrição do suplemento, se isso acontecesse tenho a certeza que se evitariam muitos desmames precoces.

8 - Existe o vício de mama?

Normalmente associamos a palavra vício a algo prejudicial, por isso não o consigo associar à mama. Há bebés que mamam muitas vezes, porque precisam ou simplesmente porque sim, vai depender da idade do bebé e do tempo em que tem a mama disponível, mas se não lhes faz mal nenhum, antes pelo contrário, não vejo porquê limitar essas mamadas. O que as mães têm de perceber é que o bebé não procura a mama apenas quando tem fome, mas sim por que precisa de contacto, calor, carinho, de nutrição emocional e o fantástico é que a mama consegue dar-lhes tudo isso.

9 - Quais são as vantagens da mama em relação ao biberão?

Além das vantagens nutricionais e de saúde, porque nenhum leite artificial consegue ter todos os nutrientes, nem os anti-corpos do leite materno, há muitas outras vantagens. O leite materno é o único alimento que se adapta ao nosso bebé, modifica-se ao longo da mamada e de mamada para mamada. A ciência ainda não consegue explicar bem como funciona mas a verdade é que o nosso corpo recebe a informação do que o bebé precisa, e vai produzir o leite consoante essas necessidades. Tem também vantagens para mãe, a nível de saúde também e acho que não vale a pena enumerar essas porque são muitas e estão disponíveis na maioria dos sites sobre o assunto. Além das vantagens de saúde, há outras: é mais económico e mais prático e o leite materno é um produto sustentável que não prejudica o ambiente.

10 - É possível uma mãe não ter leite?

Sim, efectivamente existe uma doença que pode afectar algumas mulheres, chama-se hipogalactia, que significa escassez de leite, e tal como várias outras doenças afectam algumas mulheres, esta também pode afectar. A questão é que é uma doença muito rara, apesar de muitas mulheres se queixarem de falta de leite. No entanto, a maioria dessas queixas dependem de outros factores e não de uma questão patológica. E tal como indiquei, muitas vezes é essa a função das CAMs, identificar o problema e ajudar a mãe a ultrapassá-lo.


(mais perguntas e respostas em breve)

O pânico da porcaria da mala da maternidade (#02)

A Joana lançou o pânico aqui. Ela tem razão, a verdade é que não temos de levar a casa às costas. Não vamos para o Big Brother, vamos continuar a ter contacto com o exterior e continuar a ter cérebro (apesar de parecer mirrar substancialmente).

A par de preparar o quartinho da Isabel, fazer a mala para a maternidade foi das coisas que mais gozo me deu fazer. Sou mega romântica, gosto de detalhes, sou apegada a coisas como a primeira fralda de pano, o primeiro conjunto, o primeiro babygrow. Sou muito de memórias visuais. 
Andei a namorar as roupinhas e o que eu adorava dobrá-las, fazer os conjuntos, definir qual a primeira roupa, a segunda e a terceira e ainda levar um conjunto extra. Um babygrow querido e quentinho (com golinha, óbvio) caso nascesse durante a noite, e foi o que aconteceu. As roupas (cueiros e respetivas collants, bodies e casaquinhos, pelo sim, pelo não) iam separadas por "envelopes" de fraldas de pano, fechadas com alfinetes de dama cor-de-rosa.

Para mim, uma mala normal de viagem com três camisas de dormir, um robe fininho e bonito, chinelos e pouco mais. Levei kit de banho, claro, cremes e - não gozem! - maquilhagem para a saída (sim, tipo estrela de cinema, pronta a ser fotografada pelos paparazzi).

Como ia para um hospital privado (Hospital da Luz), também não tinha de levar muita coisa. Mesmo assim, não dispensei:

- Spray de água termal da Vichy - Naquelas longas horas de espera em trabalho de parto em que não se pode comer nem beber, borrifar-me foi o que me safou, palavra! Sentia a cara e os lábios sempre hidratados.
- Purelan, da Medela - Pomada para os mamilos - os primeiros tempos da amamentação podem não ser a coisa mais maravilhosa do mundo, porque nem sempre a pega está a ser bem feita, por isso usar purelan ajudou-me bastante.
- Tena Pants - Ah, pois é, minhas amigas, também eu pensava que me ia guardar lá para os 70 anos, mas segui o conselho, experimentei e não quis outra coisa (quer dizer, quis, quis outra coisa, mas enfim, teve de ser). Ainda experimentei uma vez um penso numa daquelas cuecas de rede que nos dão no hospital e não tem nada a ver. Com estas cuecas (ou fraldas, chamemos as coisas pelos nomes) não há risco de nada sair de sítio, ajustam-se bem e estamos sempre confortáveis. Recomendo, sem dúvida!

OUTRAS DICAS:

- Fraldas de recém-nascido não vale a pena levar, fazem parte do "pacote"

- Sei que parece óbvio, mas quando (se) vos rebentarem as águas não se vão lembrar disto: elástico para o cabelo.

- Se forem esquisitinhas aqui como eu, levem máquina fotográfica "à séria" porque, mesmo que não seja para emoldurar ou partilhar no Facebook, vão adorar rever fotografias como deve ser do vosso bebé acabadinho de sair, ainda ensaguentado no vosso colo ou a mamar, com minutos de vida (ainda hoje me comovo a ver essas imagens).

VISITAS:

- Como podem chegar a ter lá 40 macacos enfiados no quarto na hora das visitas, umas 23 horas por dia (não é tanto, mas é essa a sensação), decidam já como querem fazer e vão pedindo - sem vergonhas, porque o momento é VOSSO! - a algumas pessoas para vos visitarem depois em casa. Aquilo já é quente, então com muita gente, não se torna nada confortável.
Para decidir quem vos pode visitar, aconselho a usarem um medidor de décibeis - acreditem que não vão querer a tia surda a perguntar-vos 5 vezes o peso da criança.

Respirem fundo e lembrem-se: é mais fácil do que parece!


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A Isabel foi (FINALMENTE) à rua!

Depois de longos 15 dias de hospital e de casa, a Isabel voltou a respirar ar puro. Estava sol, 16 graus e não estava vento, condições perfeitas para ir ver o mar. 

Não chorou nem um segundo. Podem dizer-me que eles ainda não fazem a distinção entre casa e rua e que lhes é igual, mas eu acho que a Isabel é feliz lá fora. Adora andar de carro (canta, bate palminhas e adormece quase sempre) e adora andar no carrinho a ver o Mundo. Desde cedo que vejo nela um olhar atento a tudo e até franze o sobrolho, como que a reflectir profundamente sobre tudo o que vê. Ou então está só incomodada de levar com o sol na cara, se calhar é mais isso.




No fim-de-semana fomos felizes. E o Pai Natal voltou a descer da chaminé. Então não é que depois do meu pedido de ajuda para escolher um carrinho neste post, a Greentom resolveu oferecer este carrinho 100% reciclado à Isabel?

Fiquei logo rendida ao conceito. Com 5,6 kg de plástico reciclado fazem o chassis e o assento é feito de 62 garrafas PET. Quando a Isabel e os irmãos da Isabel (que hão-de vir, mas só daqui a uns 20 anos - tenho de dar este timing para ninguém se assustar) já não usarem o carrinho, podemos devolvê-lo à marca para esta reutilizar os materiais em novos produtos.

Depois é giro que se farta: linhas e design simples e bonito e super fácil de conduzir. Escolhi a base branca e o tecido menta e acho que a combinação ficou linda. 
É super fácil de fechar e abrir, de reclinar e - tchan tchan tchan - cabe na bagageira!!! Yeah! Cabe e ainda sobra imenso espaço.

E agora o mais espetacular: é reversível! A Isabel tanto pode ir a ver a paisagem, como pode ir virada para os pais!








Obrigada, Greentom! Ficámos radiantes com este presente e, amantes da rua como somos, vamos dar-lhe muito uso!


Saibam mais na página oficial da Greentom ou na Página de Facebook portuguesa

Cinderela descalça!

O que vale é que não somos muito de sair já por natureza, mas uma das coisas que às vezes faz com que tenha menos "vontade" é o facto de não haver sapato que a Irene não descalce. 

Já tivemos uns ténis giros da Zara (que já não lhe servem, claro), que tinham velcro e mesmo assim ela conseguia descalçar. Comprei uma espécie de UGG na H&M por recomendação da Joana Paixão Brás (a outra do blogue) e tanto a versão sem sola (até ao nr 19) como a versão com sola (a partir daí) são facilmente atiradas ao chão pela miúda.

Até compraria outro género de sapatos, mas nada me garante que não tenham o mesmo fim.

Ainda há bocado, o meu marido perguntou: "mas não há nada que ela possa calçar que seja mais meia que outra coisa, tenha um bocadinho de sola, mas que seja muito quente?". 

Não lhe sei responder, vocês sabem?

É que o pior é que a Joana (a tal outra do blogue) já leu tudo aquilo que tenha que ver com bebés e sapatos e diz que não convém mesmo nada agora elas andarem com sapatos duros e com solas duras.

Não sei o que fazer. Ela fica com os pés gelados, apesar dos 3 ou 4 conjuntos de meias... Além de que me lixa o conjuntinho todo (foram uns amigos de família, franceses que ofereceram). Reconheço que o gorro não fica bem ali, mas com esta problemática das meias, quem é que tem vontade de caprichar no resto?

Olhem para isto, coitadinha. Quase nem sorriu por ter as patinhas em gelo (e se calhar por ter um body, leggins, long sleeve, macacão edredão e ainda o casaco por cima).






Não sou muito de usar gorro, mas tinha o cabelo oleoso e combinava com os meus ténis novos. Novos porque, ao contrário da criatura, eu não me descalço feita parva. 


A prisão do arroto.

Sim, passei a maior parte da minha infância e adolescência e vá, também, alguma da minha vida adulta a idolatrar o arroto e as suas propriedades cómicas em determinados contextos, nomeadamente quando existe a tentativa de dizer algumas palavras como: autocarro, selim, nuvem, retrógrado e omnívoro.

Mais depressa me lembro do dia em que estava sentada em casa da minha avó materna na Rinchoa e que aprendi a engolir o ar e a arrotar de propósito do que o meu primeiro dia de aulas ou de quando descobri que o Pai Natal, afinal, é jajão (gosto desta palavra, o que querem?).  E, no meio disto tudo, o que tem mais piada é eu ter vivido na Rinchoa.

Mais tarde vim a relacionar o facto da minha barriga ser tão, mas tão proeminente à quantidade enorme de ar que engolia e que, talvez, me esquecesse de arrotar a seguir, mas isso é porque sou parva (e barriguda). 

Depois de ser mãe? A minha relação com o arroto é de amor-ódio. Só que sem a parte do amor.

Porquê? É ler mais.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Mães que tudo sabem (#02) - Margarida Neuparth


A Margarida Neuparth, para mim, era uma rapariga muito simpática que conheci num trabalho que fizemos as duas no Algarve para a rádio onde trabalho (aturou-me durante 15 dias, coitadinha).

Depois, aos poucos, fiquei a saber que além de professora de dança, era modelo fotográfico e que estava apaixonadíssima pelo namorado que era jogador de futebol. 

Agora é mãe do Santiago ("Santi") e o pai é o tal namorado da altura: Adrien Silva. Grande Adrien que ontem marcou dois grandes golos contra o Estoril. Um deles foi uma autêntica obra de arte! 


1 - O que é que o Santiago está a fazer enquanto respondes a isto? 

Está a dormir. Caso contrário não conseguia pegar no telemóvel sem ter que o dividir com ele! 

2 - Que cuidados tiveste durante a gravidez ou... que crimes cometeste e que até te souberam bem? 

Segui à risca aquilo do "não comer saladas fora de casa, o que até me deu algum jeito porque não gosto lá muito de saladas e assim tinha uma desculpa! De resto, fiz todas as asneiras a nível alimentar a que tinha direito (tipo comer dois croissants de seguida e dizer que um era para o bebé).



3 - Tanto te dava ou até preferias um menino? Qual era o nome pensado para menina? Preferes não dizer para não te roubarem a ideia?

Sinceramente, preferia uma menina, chamava a minha barriga de "Matilde" e tudo. Todos os dias conversava com a minha "Matilde", até ao dia em que soube que vinha aí um rapaz. Fiquei um um pouco em choque e até me custou um bocadinho mudar o nome... Agora, já estou completamente rendida (excepto quando vou as lojas e vejo a roupa de menina).


4 - Disseste numa entrevista (aqui) que o Adrien é um pai muito atento, mas... aqui entre nós: tens que lhe pedir para ele ir mudar as fraldas ou vai a correr sozinho (e com o miúdo, senão.. não dava, claro)?

Por acaso, na maior parte das vezes, pega mesmo no Santiago e faz sozinho! I'm a lucky woman! A verdade é que também depende muito de que hora do dia é que estamos a falar... Se é que me entendes! 




5 - Preferias que o Santiago fosse jogador de futebol como o pai ou professor de dança, como a mãe? 

Vou ter que responder a típica resposta de mãe: "quero que ele seja o que quiser, e o que o fizer mais feliz", mas claro que se puder ser isso e ganhar um bom ordenado é melhor para não ter que nos "cravar".

6 - Não te vou perguntar se já recuperaste a tua forma física, porque te tenho no Facebook e só me apetece esganar-te. Posso esganar-te? Só um bocadinho? Isso é tudo genética ou é muita dança no bucho?

Também não é bem assim, porque os efeitos do Instagram me têm ajudado e muito (ehehe). Começar a dar aulas outra vez tem sido uma grande ajuda a voltar à minha boa forma física e também já fiz algumas dietas daquelas malucas, que só consigo fazer uma semana (uma semana duma, 4 dias de outra). A verdade é que ajudou, na mesma, a ir ao lugar mais rápido! 


7 - Farta de que associem futebol ao Santi? Aposto que tens aí uns quantos comentários que ouviste de imensa gente que achou que estava a ser super original e criativa... Conta! 

Não há NINGUÉM que não diga "ahhh vai ser jogador de futebol como o pai?!". O coitado do miúdo não pode abanar as pernas que dizem logo "já ta a dar pontapés como o pai!". Neste Natal recebemos 8 bolas (mais do que os meses do Santiago), uma baliza e uma mochila que diz "quando for grande vou ser jogador de futebol". Por este andar, acho que daqui a uns tempos, vou ter a minha casa transformada num estádio! 

8 - O que foi o mais difícil até agora nesta aventura da maternidade? O parto correu muito bem, por isso... o que foi/é mais desafiante?

Acho que o mais difícil são as noites. Apesar de ter alguma sorte, porque o Santi só come as 6h da manhã, ele perde muitas vezes a chucha e o meu sono nunca mais foi o mesmo e logo eu que sempre fui muito preguiçosa e muito amiga da minha cama, por isso é realmente o que me continua a custar mais!




9 - O que dirias a uma Margarida que estivesse agora a pensar em ter o primeiro filho?

Tem, vais ver que é realmente o melhor do Mundo, mas aproveita e dorme tudo o que podes agora antes que ele nasça! 


10 - O que achas do nosso blogue? Estou só à pesca de elogios porque já me tinhas dito que gostavas e vejo os teus likes nas publicações... Quero que assumas isso publicamente, percebes? Percebes? 

Posso assumir publicamente que dou verdadeiras gargalhadas sozinha em frente ao telemóvel a ler o vosso blog! Adoro, leio tantas coisas que me identifico e isso faz me sentir tão bem e que não estou sozinha... 
De manhã é leitura obrigatória na minha rotina! Faz me realmente sentir bem!




11 - No início não publicavas fotografias da cara do Santiago, mas depois não resististe. O que achas de publicarmos fotografias dos nossos bebés na Internet e o que te fez mudar de opinião?

No início não queria porque não gostava muito de ver o Santiago nos jornais desportivos, mas desde o momento em que o Adrien decidiu levá-lo para a apresentação da equipa no estádio de Alvalade (e esse momento apareceu na televisão e jornais) que achei que já não valia mais a pena "esconder" o meu filho. Não vejo mal em publicarmos os nossos filhos na internet, mas claro em situações que não sejam demasiado íntimas... Respeito, porém, que haja pessoas que não gostam. Acho é "estúpido"  quando põem a foto inteira e depois usam o "paint" ou uma "desfocagem" para tapar a cara: ou põem ou não põem! 

12 - Fica aqui oficializado que o Santiago vai ser namorado da Irene ou dizes isso a todas? 

A verdade é que o Santi já tem varias pretendentes, mas sim, a Irene está no topo da lista!




13 - Já andas a pensar no próximo filho de fininho ou... queres ainda ver se dormes uns bons mesinhos em paz antes de te meteres no próximo?

Eu queria dormir uns bons mesinhos, mas acho que nos próximos anos isso não vai ser possível porque queremos uma família grande. O Adrien antes de ter o Santiago queria 5 filhos, agora já mudou para 3 ou 4, por isso pensamos em ter já  outro no próximo ano!

14 - O vosso restaurante (La Dolce Vita) é bom para levarmos lá os nossos miúdos? Porquê?

Temos dois: um na Expo e outro no Chiado. 
O da Expo é um restaurante que consegue receber muitas pessoas  e, por isso, tem muito espaço para as crianças, tem esplanada, estacionamento fácil, etc.  É muito agradável para ir com a família. 
O do Chiado tem um ambiente mais "chique". É claro que também acolhe muito bem as crianças, mas é melhor para um jantar romântico com o pai, por exemplo!
Em ambos os restaurantes há pizza, por isso podemos dar-lhes o rebordo para eles se "calarem" um bocadinho e ficarem a mastigar aquilo ou, então, podem também dar um pouco de massa da pizza crua  para se entreterem a fazer moldes! Na expo temos muda fraldas e posso dizer que o Santiago já o usou muitas vezes!




15- A mãe é que sabe?

Sem dúvida alguma que a mãe e que sabe! Sinto me que me tornei numa "super" mulher, sinto que há poderes em mim que não tinha dantes e agora sou capaz de tudo. Sinto que mesmo quando estou a explodir, há sempre uma força extra que nunca existiu e agora veio de não sei onde e me ajuda sempre que preciso! 
Sou mais feliz, sou mais completa, tenho mais olheiras, tenho o coração mais cheio, não sei tudo..... Mas sou mãe e a Mãe e que sabe!! 



Coração de mãe é elástico

Quando achava que não havia mais espaço no meu coração para amar-te, eis que ele esticou e continua a esticar.
O meu coração é elástico, filha.

Quando te ouvi do outro lado da sala a guinchar de dor com a recolha de sangue para análises, o meu coração disparou.

Quando a tosse não deu tréguas até ficares engasgada, a sufocar e a chorar, o meu coração parou.

Quando te vi incomodada com o cateter, queixosa e sem conseguir dormir, o meu coração mirrou.

Quando mudaram o catater de mão e ficaste sem respirar de tanta dor, o meu coração chorou.

Quando depois adormeceste na segurança do meu colo, o meu coração foram dois num.

Quando no dia seguinte acordaste com um sorriso assim que me viste, o meu coração explodiu.

Quando, durante os dias que estivemos juntas, eu dei tudo por tudo para te fazer um bocadinho mais feliz, para te distrair da dor, para que não percebesses a minha aflição... o meu coração esticou. Esticou, esticou e não vai parar de esticar.

Ali, naquele quarto de hospital eu fui tua. Só tua. E amei-te ainda mais. Quis o teu futuro como nunca. Desejei ser tua Mãe para sempre. Fui só a tua Mãe. Nada mais importava, estava ali para ti, minuto atrás de minuto, e só queria ver-te sorrir. Nunca fui tão tua Mãe, nunca aproveitei tão bem todos os segundos. Nunca te amei tanto. O meu coração é elástico, filha.

Aprendi que não te posso proteger sempre nem segurar-te sempre que caíres, mas posso sempre ajudar-te a levantar. E posso sempre amar-te mais.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Oh tão querida, parece um macaquinho!

"A tua filha tem tantos pêlos! Hahaha Que querida!"
"Opá que maravilha, tem pêlos nas pernas e nas costas, parece um macaquinho!"

"Tanto cabelinho!"
"Já com as sobrancelhas tão definidas, que engraçado!" (meaning: uma monocelha)


EU SEI! EU JÁ VI! ACABEI DE PARIR MAS NÃO FIQUEI CEGA! Isto era o que me apetecia responder a toda a gente. Em vez disso, as piadas secas do costume: "é o meu Tony Ramos!", "já viste, vai gastar-me o dinheiro todo na esteticista!", "ao menos fica protegida do frio!", "comprar cera já!".

Por que será que a pilosidade é um dos maiores temas de conversa das primeiras visitas? Percebo que não se queira falar do ponto cruz no pipi nem da cara de peixe balão da mãe, mas é preciso tentar adivinhar com que animal o bebé se parece?

Mães que estão prestes a confrontarem-se com um repolhozinho que acabou de se espremer para passar pelo túnel do Marquês em hora de ponta e que, ainda por cima, tem lanugo por tudo o que é poro e começa a medrar, cheio de acne juvenil, sejam fortes!
Tentem não levar uma pinça convosco nem a máquina de barbear do pai para a Maternidade. É que depois de 40 pessoas a festejarem a pelaria do vosso bebé, é preciso saber resistir à tentação.

E sim, os pêlos caem. Alguns, pelo menos.

Crosta láctea

Parece que todos os problemas da minha filha têm, de alguma maneira, a ver com leite.

É alérgica à porcaria da proteína do leite de vaca (que até já em botões existe, vejam lá! - soube pelo blog O Copinho de Leite) e teve imensa crosta láctea quando era bebé.

Sinceramente, estava um bocadinho a borrifar-me para isso. Se não lhe fazia mal, se não lhe dava comichão, o que interessava?

Uma das avós é que estava a dar em doida por ela ficar "tão feia" e lá cedi, pedi um creme à pediatra e resultou logo passada uma utilização.

Tive a sorte dela ter cabelo e de não se reparar a crosta por toda a cabeça mas, mesmo assim, usei um champô para recém nascido que também ajudava a diminuir a crosta láctea. Está impecável. As únicas crostas lácteas que agora tem é depois de adormecer na mama à noite e o leite ficar seco no focinho até de manhã! ;)


Tadinha, parece um cágado assustado. Aqui ainda tinha crosta láctea mas a objectiva da câmera do David da Joana Paixão Brás parece que disfarçou um bocado. 


Nome do creme e do champô?



Kelual emulsão da Ducray, 30 minutos antes do banho.*

Espuma/champô para recém nascido da Mustela.

* falem com o vosso pediatra que os vossos bebés podem ter características diferentes e precisarem de outro tipo de creme.

Ajuda!

Acham que a minha filha sorri mesmo assim ou será dos dentes a romper?

Gostava que sorrisse desta maneira para sempre, mas assim nunca sei quando é que está a sorrir ou a fazer cocó.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O pânico com a porcaria da mala da maternidade

Lembro-me de ficar em pânico com isto quando estava grávida. Havia imensas listas por todo o lado na internet (porque eu as procurava, é verdade) e cada item que lá estava ou que, por comparação, faltava, deixava-me cheia de nervos. Pior: as listas podem mudar de hospital para hospital. Pior: nas aulas de preparação para o parto do meu hospital, avisaram-me que podia nem haver compressas... pelo que me apeteceu transportar uma farmácia para lá no dia do parto. 

Não precisa de ser nenhuma mala em especial, por amor de Deus. Claro que há mães (como a outra Joana) que gostam de caprichar em tudo o que levam e usam por serem muito visuais e por tudo ficar bem numa fotografia para depois comover os próprios filhos quando as revirem ou as mães porque "dantes ainda tinham paciência para isso". 

Eu levei a minha mala normal de viagem. Sim, nada romântica. Ao menos tem umas riscas cor-de-rosa, já não parecia propriamente que ia para um treino de futebol feminino (e que tinha engolido a bola). Não interessa o que levei lá dentro. Interessa, sim, o que levaria hoje, já com a experiência de uma estadia anterior.


Duas dicas importantes :

- O pai, ou os avós podem muito bem ir e voltar todos os dias e trazer o que precisamos. Não é necessário enfardarmos a mala de tralhas como se fossemos para uma zona recôndita no Alentejo onde nem há bomba de gasolina. 

- Está um calor só estúpido na maternidade. Só para terem noção, tinha as maminhas todas carcomidas da Irene ser uma parvalhona a mamar e eu não ter jeito nenhum, estavam besuntadas de pomada (a Purelan da Medela - muito peganhenta, quase nem saia da roupa ao lavar) e ao léu. Sem frio. Zero. 


Chata da minha mãe

Mãe, tenho uns pedidos a fazer-te para este novo ano. Vê lá o que achas.

Gostava que parasses um segundo de me tirar fotografias. Eu sei que sou absolutamente espetacular mas podes deixar-me em paz de vez em quando? É que - olha que curioso - eu não mudo assim tanto de segunda para terça-feira! 

Gostava que parasses de me enfeitar como se eu fosse uma dançarina de CanCan do século XIX. Ele é folhos e laços e golas e rendas. Conheces as t-shirts e os pullovers? São umas coisas que inventaram entretanto e - vê só como eles pensam em tudo - também fazem números pequenos!

Gostava que parasses um segundo de fazer de mim uma artista de circo. Se me pedes palminhas, tenta logo a seguir não me dizer "adeus" e "dá à mãe" e perguntar-me "onde a galinha põe o ovo?", seguido de um "carapau fresquinho" e "dá cá beijinho". Tens algum problema de hiperactividade

Gostava que parasses de me chacoalhar no teu colo quando eu não quero dormir. Eu até quero, mas não estou a conseguir e a abanares-me como se estivesses a fazer um milkshake não me vai acalmar e acho que é fácil perceber porquê. E, já agora, não cantes. Consigo perceber a raiva na tua voz e o Vitinho fica a parecer uma música dos Rammstein.

Gostava que parasses de te espantar quando me vês louca para agarrar o teu telemóvel ou tablet. Juras que não sabes por que é que isso acontece? Pensa comigo: será porque te vejo 60% do teu tempo agarrada a eles?

Gostava que parasses de dar desculpas aos teus amigos para não fazer o que fazias antes. Se não vais ao cinema há meses e tens a minha avó disponível para ficar comigo, é simplesmente porque não te apetece! Podes não por as culpas sempre em mim?

Gostava que parasses de fazer o avião, "truztruz", de abrir a boca feita parva e cantar quando queres que eu continue a comer a sopa. Já fiz o esforço de comer 15 colheres dessa coisa nojenta a que chamas carinhosamente "sopinha da mamã". Se é da mamã por que não a comes tu?

Vá, 'cá beijinho. Queres umas palminhas?

Como limpar ranho do nariz da criatura

Ora vamos lá agora a um momento daqueles de fino recorte como eu tanto gosto. "Ranho? Ai que nojo! O meu filho não tem disso!" Pois, a Isabel deve ser uma porcalhona porque tem bastante, de todas as cores e feitos (isto é mentira, mas não vos vou estar a descrever cada macaquinho, isso seria ainda mais estúpido).

Como está a fazer fisioterapia respiratória para tentar recuperar da pneumonia, aproveitei para tentar aprender umas coisas e uma delas é a limpar ranho.
Já sabia que devia esguichar o soro para a narina com a cabeça deitada. Cara virada para a esquerda, narina da direita. Cara para a direita, narina na esquerda. De vez em quando lá se via o ranho a sair, mas às vezes ficava ali a fazer bungee jumping e regressava à narina. Com o próximo método, garanto-vos que resulta. Se não resultar, é porque não consegui explicar bem.

1. Cara da criatura (que parece que já está a adivinhar e esperneia, bate-nos e guincha) virada para a esquerda, soro individual para a narina da esquerda.
2. Logo depois, esguichar soro para a narina da direita.
2. Tapar imediatamente a narina direita com o indicador.
3. Tentar fechar a boca da criatura, com o polegar, para obrigá-la a expulsar o ranho na narina esquerda, já que é a única via disponível para a criatura respirar.
4. Ver um rio de ranho a sair. Limpar, já agora.

Repetir para o outro lado. Garanto-vos que resulta. É chato? É. Eles queixam-se? Queixam. Mas ficam ali limpinhos, limpinhos que até dá gosto.

Boa sorte!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Restaurantes onde ir com os filhos #2 - Las Brasitas (Docas)

Se são como nós, se andam sempre à procura de restaurantes onde se coma bem, onde haja lugar para estacionar facilmente, onde haja cadeiras para bebés, onde os bebés possam fazer "estrilho" sem ficarmos muito envergonhados, aqui está mais uma sugestão: 

Las Brasitas, nas Docas. 

Sim, ao que parece ainda há la restaurantes. Pensei que as Docas tivessem morrido durante a minha adolescência, mas não. Eu é que deixei de lá ir. 

Além de ter um espaço enorme para crianças maiores poderem gastar as pilhas à vontade (o caso de um dos meus irmãos que foi a este almoço), é óptimo para se fumar uns cigarros cá fora depois da refeição (para quem fume, para quem fume, mas não fume desde que engravidou, fica só a ver e a chorar para dentro). 

Têm fumadores e não fumadores, óptima vista, boa comidinha, preços aceitáveis, boa vista, já tinha dito? E empregados muito simpáticos. Há um que até faz teatrinho para os bebés (o que pode ser um pouco sinistro quando se empolga demais). 

 Vista: muito agradável, são as docas, acho que toda a gente conhece a vista.

 Estacionamento: parque aberto dos dois lados das docas, não precisam de apanhar muito frio, a não ser que estacionem no lado oposto por serem totós como eu.  

 Comida: eu cá gostei, mas quando voltar não será por isso. 

 Preço: quanto menos se comer, menos se paga.

 Crianças: bem recebidas e com cadeiras do Ikea para os bebés, zona para não fumadores no andar de cima (têm de levar o carrinho lá para cima, mas os senhores ajudam porque, como disseram, "já estão habituados". 

✔  Serviço: simpáticos, o normal, à excepção do senhor do bigode que fazia o tal teatrinho para a Irene. 

O "após-almoço" dá boas fotos! :)