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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Vão estar mulheres a amamentar durante uma semana no Oeiras Parque!

(vão mesmo, esperem!)

A amamentação é dos assuntos mais polémicos da maternidade, acho que não pelas evidências, mas por toda a questão emocional que traz agarrada. 

Não só pela mulher estar numa das fases mais frágeis da sua vida, mas também por ser algo que deixou de ser tão fácil para nós, que deixou de ser "inato". 

Parece que temos de voltar a reintroduzir a amamentação na realidade da maternidade e, quando for normal, não haverá tantos problemas, sejam eles induzidos por inseguranças e receios ou por haver falta de informação/interesse das pessoas que deveriam prestar-nos mais apoio e que fariam maior diferença. 

A Semana do Aleitamento Materno servirá para essa missão, para aquela palavra que já estamos tão acostumados ouvir: "sensibilização". 

Começa neste sábado e vai até dia 11 de Outubro (parece ser mais do que uma semana, mas não estou para fazer contas).

O convite chegou-me por e-mail e consiste numa Exposição Fotográfica (no Oeiras Parque) de mulheres a amamentar (pela fotógrafa Raquel Lopes), inaugurada no primeiro dia desta semana e culmina numa palestra sobre os benefícios do aleitamento materno prolongado, a preparação do regresso ao trabalho da mãe lactante e o testemunho duma mãe trabalhadora. Palestra essa que será, então, dia 11, pelas 15h30 na FNAC, também no Oeiras Parque (vão estar mães a amamentar expostas no meio do Oeiras Parque, que giro!).

Ficam aqui os flyers do evento que são melhores que eu  passar informação de forma sintética ;)

Quero só dizer que acho uma óptima iniciativa e muito incisiva nos pontos mais cruciais.

Espero  que um dia, também possamos começar em dar apoio às mães que tentaram amamentar e que não conseguiram, seja por que motivo tenha sido. Cada vez mais encontro mães que não conseguem estar em paz com isso, mesmo depois de anos e anos. O nosso foco deverá estar igualmente distribuído pela saúde do bebé e da mãe, pelos direitos do bebé e pelos direitos da mãe/mulher (que, para mim, não há separação, por não achar que se é mãe nuns momentos e mulher noutros).

Espalhem a palavra desta iniciativa!



sábado, 22 de agosto de 2015

Que foi esquisito, foi...

Agora que já passou algum tempo do chamado "pós-parto" é que me começo a lembrar de algumas coisas e a conseguir processá-las. Aconteceu tudo tão rápido e tão devagar que, apesar de estranho, na altura não dei muita importância. Afinal de contas, a sobrevivência dum bebé dependia de mim . 

Não sei se isto vos aconteceu. 

Nas primeiras noites, sonhava muito. Talvez por ter perdido o que se chama de sono profundo e de ter a cabeça a mil. Sonhava muito, mas de uma maneira tão leve que confundia as duas coisas. Achava que a Irene tinha adormecido na cama comigo e que estava a mamar. Sempre. Sentia exactamente como se os meus mamilos estivessem a ser usados por ela. Chegava a levantar-me e a acender a luz do despertador para ver se ela estava ali ou não.

Na altura em que ela andava a recusar a mama, "lembro-me" que o Frederico entrou no quarto e eu, a dormir, falei com ele e disse: "estou tão triste, a bebé não mama e agora?". 

Os gatos, que dormem sempre connosco, faziam de "Irene", o peso dela pela cama era esse. Eu achava sempre que tinha adormecido e que ela andava por ali a rebolar, que ia morrer (muito dramáticos os baby blues). Isto voltou a acontecer esta semana, por acaso.

Aconteceu-vos algo do género?  



sábado, 15 de agosto de 2015

Isto aconteceu mesmo! Wtf...

Na altura nem me caiu bem a ficha porque estava cheia de sono, mas quanto mais penso nisso mais... incrédula fico!

A Irene tem feito só a sesta da tarde agora (que crescida), costuma dormir perto de três horas depois do meio-dia e eu aproveito para dormir um bocadinho também. Ontem, meia hora depois de me deitar, uma hora depois dela adormecer, ela acordou e não consegui voltar a adormecê-la. Eu estava podre. Não conseguia estar acordada. Com daquelas dores de cabeça de quem foi acordado a meio do sono pesado. Horrível. Pensei: "nunca fui dormir com ela acordada, é hoje, borrifei-me para tudo isto!". Claro que não usei a palavra borrifei na minha cabeça. Estou só a ser mais bem educada que vim a saber que o meu padrasto lê o meu blog (what?). Olá João! 

Bom, ela começava a chorar imenso sempre que eu saia da sala, mesmo explicando que a mãe ia fazer ó-ó. Pedi ao Frederico para vir connosco para o quarto em que me fingi de morta (como se já tivesse adormecido), até ela apanhar uma seca tão grande ao ponto de querer ela ir para a sala. 

"Mamãaaaa, Mamãaaaa"

"A Mamãaa está a dormir, filha"

"Mamãaaaa, Mamãaaaa"

E o que acontece?

A minha filhota, com o seu mini tronquinho nu, encostou as maminhas ao meu ombro e cabeça. A mãe está a dormir e, portanto, faltava-lhe a maminha para dormir melhor.  A minha filha quis dar-me de mamar. Duas vezes!

Pronto. Já estou a ficar toda comovida. 

Ela preocupou-se comigo e achou que podia ajudar. Que amor. 

Não é a minha mama, a minha já não está NADA assim ;)



sábado, 25 de julho de 2015

As minhas maminhas e da minha filha.




Já estou para escrever este post desde que comecei o blogue, mas fui adiando. É uma história longa, da qual guardo o sentimento actual de felicidade e de sucesso, mas que tenho uma vaga ideia de ter sido muito complicado. Tudo foi muito complicado. O parto foi complicado, a minha cabeça foi complicada, tudo foi complicado. 

Nunca tinha pensado nisto de amamentar até ter lido num livro algures que se não desse de mamar na primeira hora (ou perto) após o parto que seria provável que a mesma estivesse comprometida. Fiz questão, então, que me garantissem que tal iria acontecer. E aconteceu. Apesar da Irene ter tido que ser aspirada (parou de respirar) e de ter estado um pouco na incubadora, puseram-na a mamar pouco depois.

Não senti nada. Além de toda a droga para 20 horas de parto, tinham dado mais droga para me coserem toda e eu estava também muito "ausente" de tudo. Estava a observar tudo como se não fizesse parte de nada. Não estava lá. 

A Irene estava a mamar, pensei. E vi que estava. Esteve durante uma hora, creio. Quando a tirei tinha uma marca enorme na auréola do mamilo e sangue. Não era suposto. Tudo aquilo que tinha aprendido nas aulas de preparação para o parto não estava a fazer grande efeito na prática. Eu não sabia lidar com a boca da miúda nem com as minhas mamas. 

Fui levada lá para cima. A Irene ficou a meu lado. Sempre que chorava, tentava dar maminha, mas na mama direita doía-me muito por causa da ferida e na da esquerda ela não parecia conseguir encontrar o mamilo e, quando encontrava, não aguentava muito. Estava a dar de mamar deitada e as coisas não estavam a correr bem. Eu sabia que tinha colostro, porque apertava a mama e saía, mas as coisas não estavam a correr bem e eu tinha imenso medo de que nada corresse bem. Sentia-me indefesa porque estava sozinha (com mais 3 mães no quarto que não conhecia e que também podiam estar grogues, tanto quanto eu sabia), o Frederico estava em casa a sentir-se sozinho também e mesmo que eu soubesse o que fazer com a criança, não conseguia. Sentia-me paralisada da cintura para cima e da cintura para baixo. Tinha de chamar os enfermeiros para a tirarem do berço e para a voltarem a por. Estava assustada com tudo e só podia acender uma luz pequenina para não incomodar as outras mães. A Irene não chorou muito. Eles nascem com imensas reservas e precisam de muito muito pouco colostro para se saciarem nos primeiros dias. Se calhar até estava tudo a correr bem. Excepto as feridas. Segui o conselho de alguém e pus uma pomada nas mamas (horrível que me sujava os soutiens todos e era muito peganhenta) e tinha de despir a parte de cima para que apanhassem ar. Já estavam as duas em sangue. Não sabia o que fazer mais. Alguém disse para pedir que me comprassem mamilos de silicone. Compraram. Não diminuiu a dor nem ajudou na amamentação. Lembro-me de estar nervosíssima por nem sequer conseguir pegar nela nos meus braços, por ser tão pequenina e não a saber colocar na mama. Não me conseguia sentar nos sofás por causa dos pontos, deitada não conseguia dar-lhe maminha. Estava a desesperar. Pedia ajuda e as enfermeiras davam-me um doce qualquer para por no mamilo para ver se a Irene agarrava. Mamava durante uns segundos e doía. Agarrava mal. E não servia de nada. Estavam sempre com muita pressa. Pouco pessoal talvez. Talvez não tivessem pressa e eu é que queria que tivessem cuidado mais de mim. Eu queria muito dar maminha e não conseguia. Já estou a chorar. Já percebi por que é que não me queria lembrar de tudo isto. 

Dizem-me que tive uma infecção durante o parto e que querem fazer análises à Irene, que ela também tinha febre. Ela iria passar a noite sem mim. Fiquei preocupadíssima, mas parte de mim agradeceu. Iria poder concentrar-me na minha recuperação. A outra parte achou-me uma merda por ter sentido esse alívio. Escrevi sobre todo o amor que achei que não consegui sentir aqui. Deram-lhe suplemento porque tinha fome. Não me irritei. Não sabia os perigos. Simplesmente senti que tinha falhado, mas que tinha dado o meu melhor. Se tinha as mamas em sangue, se só me apetecia chorar a toda a hora... que mais podia fazer? 

Antes de todos os biberões que ofereciam no hospital (que conveniente) eu tentava dar maminha, mas doía muito, as feridas abriam e às tantas meti na minha cabeça que não ia ser uma mãe que amamentasse. Que não era capaz, que não tinha sido feita para isso, que era por causa destas coisas que antes dizia de boca cheia que não queria ser mãe. Que aquele sentimento que sempre tive de desajuste em relação ao mundo feminino tinha um fundamento. Não conseguia dar maminha à minha filha.  Pronto. É seguir em frente. "Só mais um fracasso" - pensei. 

Vi o pai a dar biberão. Vi-a a beber. Foi tudo passando. Só ao 6º dia após o parto é que me desceu o leite. Sem dor. Fiquei com as mamas enormes e cheias de leite. Foi facílimo que ela mamasse. Pegou no mamilo e saía o leite. Imediatamente e com muita força. "Acabou-se a merda do biberão e leite artificial, doa o que doer" - pensei e disse. 

Assim foi. 

Não aguentei as dores sem os mamilos de silicone. Usei-os. Doeu-me muito muito na mesma. Tinha de dizer asneiras sempre que ela começava a mamar. Doía-me tanto como se me estivesse a esfolar nua em gravilha. Chorava. Tentava não chorar muito para ela não me sentir assim. Sempre que suspeitava que era fome ficava nervosa porque sabia que me ia doer. Aguentei-me porque, afinal, podia ser uma mãe que amamentava e que as dores não iam durar para sempre. Tinha lido algures que não é suposto doer. Se dói é porque algo está mal. Provavelmente estava, mas a quem é que eu ia pedir ajuda? Toda a gente sabia que me estavam a doer as mamas e ninguém me tentou ajudar. Até a minha mãe que amamentou três meses ou quatro porque não gostou de amamentar. 

O Frederico, à maneira dele ajudava-me. No início dizia que se doía tanto por que é que não lhe dávamos suplemento que estava "ali dentro". Não cedia. Não queria. O novo primeiro biberão iria fazer-me ir por esse caminho. Quis tentar a sério. Sim, muito por ela, claro, mas também muito por mim. Não queria não conseguir esta minha primeira responsabilidade de ser mãe. Sentia muito esse peso nos meus ombros e estava a ter uma nova oportunidade desde que o leite tinha descido e já tinha tido uma pausa para que os mamilos ficassem melhor.

Doeu sempre. Durante demasiado tempo. Não me lembro quanto foi, mas depois deixou de doer. Não era nada agradável dar-lhe de mamar com os mamilos de silicone. O leite saía quando ela deixava de abocanhar, o mamilo (de silicone) nem sempre ficava colado, tinha de estar sempre a lavá-los, nada me parecia natural. 

O Frederico sugeriu que tentasse sem os mamilos de silicone. Doeu. Doeu. Parou de doer. Ficou tudo fabuloso. Nada de nervosismos. A minha filha estava a mamar em mim. Estava a beber o leite que foi feito especialmente para ela. Só para ela. O melhor leite do mundo. Chorei, tanto, mas tanto. De felicidade, de estar estúpida com as hormonas, tudo. Senti a perfeição. Que bom dar de mamar. Durante horas. Tantas vezes. Tê-la ao meu colo. Adormecer no meu peito. "Afinal era isto que diziam! Dar maminha é fabuloso!". 

Num desses dias, aos três meses, de manhã, enviei uma mensagem à pediatra em pânico: "Ela chora de fome, parece-me, eu ponho na mama, ela começa a mamar, depois chora muito, arqueia as costas e chora ainda mais! O que faço?". 

"Acalme-a e volte a tentar mais tarde. Vá extraindo o seu leite com uma bomba para lhe dar no caso dela precisar de mais leite do que aquele que conseguir mamar". 

Como é que uma mãe em pânico acalma um bebé? Não acalma. Tive de arranjar estratégias. Ela tinha fome. Parecia-me que sim (achamos sempre que têm). Senão, era o quê? Dores de barriga? Por que é que tinha dores de barriga? Sapinhos não eram porque não tinha nada de diferente na boca. O que faço? Se ela não mama, não dorme, se não dorme, não mama... como ser mãe assim? 

Comecei a dar de mamar de pé. A cantar. A falar imenso. Dei tanto de mamar de pé que ficava com as costas todas doridas. Com os braços em pedra. Quando me sentava voltavam as "cólicas". Voltava a por-me de pé. A andar pela casa toda. A cantar. A tentar acalmá-la. Passou a ser o novo normal. Não podíamos sair para lado nenhum. Não era exequível dar de mamar assim, muito menos com o meu nervosismo para acrescentar à minha ansiedade natural. Nã conseguia tirar leite de jeito e também não lhe queria dar biberão, agora que conseguia dar de mamar não ia deixar que nada interferisse.

Ela deixou de tentar mamar. Punha-a à mama e já nem sequer se tentava aproximar do mamilo antes das "cólicas". Ignorava-o. Esperneava como se lhe tivesse a fazer uma coisa má. Chorava muito e não comia nada. Nada. Emocionalmente sentia que ela me odiava, que não gostava de mim. Eu sou mais esperta que isso, mas o meu coração não. Só chorava. Só queria desaparecer. A cada mamada tudo piorava com as expectativas, as preocupações com a fome. Mandei mensagem à pediatra. 

"Não se preocupe. Se precisar compre o leite blá blá". 

Comecei a desesperar. A minha filha já estava sem comer há demasiado tempo, achava eu. Não conseguia extrair leite a tempo de lhe dar quando ela tinha fome. Houve uma vez que estávamos os dois na cozinha. Tirava 10 ml e o Frederico dava, enquanto eu tirava mais 10 mil, até chegar aos 100ml. Foi horrível. Para todos.

Fui à farmácia e comprei o leite blá blá. Preparei o biberão em lágrimas, mas a sentir que tinha feito tudo o que podia. Estava exausta. Não tinha mais nada em mim. 

Dei-lhe o biberão. Ela rejeitou-o. 

"Ela afinal não tem mesmo fome. Ela não gosta de leite artificial, ela quer o nosso!". Deu-me força. 

Continuámos. Liguei para a linha SOS amamentação, fui a fóruns no Facebook e fiquei a saber que era "normal". É a crise dos três meses. É o reflexo gastro... qualquer coisa. Quando lhe damos de mamar, activa o funcionamento do intestino (ainda tão imaturo) e isso pode dar-lhes algumas dores. 

Okay. Vamos a isto. Não consegui relaxar. Ela não aceitava o meu mamilo. Pior, quando aceitava, não saía leite nenhum.  Por que é que não saía leite nenhum? Porquê????? Logo nas vezes em que ela aceitava. Era só o que faltava. Fui ler. A ansiedade e o nervosismo inibem a ejecção de leite (não a produção mas que ele saia). Isto porque não estamos feitas para conseguir relaxar quando o corpo se sente numa situação de perigo. É preciso relaxar para a oxitocina (hormona do amor, da ejecção do leite) entrar em acção. Como?? Como é que numa situação destas, com uma pessoa ansiosa, eu iria conseguir relaxar sabendo que tudo dependia disso? Não conseguia. Tentámos de tudo. Não conseguia. 

Marquei uma consulta na Clínica Amamentos. Deram-me várias técnicas. Já me tinham antes aconselhado todas as outras, "muita pele com pele", "brinquem nuas e ela há de lá ir quando estiver calma", "tomem banho juntas", etc. Mas esta é que resultou, tinha de fazer festinhas às mamas antes de lhe dar de mamar. Tinha também de apertar os bicos dos mamilos. O tempo que fosse necessário, tinha de "pentear" a mama com os dedos ao de leve desde a base da mama em direcção ao bico do mamilo. Resultou lá na consulta. Vim confiante. Resultava sempre. A Irene, se o leite já estivesse a sair, pegava sempre na mama e mamava. O Frederico tinha que a distrair enquanto eu o fazia. Às vezes não conseguia distraí-la e ela chorava muito e muito alto e eu não conseguia relaxar. Era cada vez pior. Sempre muita pressão. Mesmo quando conseguia tinha de ser de pé e enquanto o Frederico me fazia festas nas costas e me dava beijinhos no pescoço.

Às vezes pegava sem que o leite estivesse a sair mas tinha de estar deitada no trocador e eu por cima dela a tentar colocar-lhe a mama na boca. Lá pegava o suficiente para puxar o leite. Ah! À noite, durante a noite, tudo corria bem. Sem cólicas e tranquila a ir à mama para puxar o leite. Sempre. Desde sempre. 

Esqueci-me de dizer que ali pelo meio ainda tomei suplementos para a produção de leite (claro que não me faltou a paranóia de achar que não tinha leite até me informar um bocadinho) e inclusivamente fui parva ao tentar usar um medicamento perigoso para provocar a descida do leite. Porquê parva? Li a bula e vi que não podia ser por ali. 

Não sei quanto tempo demorou isto tudo, mas foi demasiado tempo. Foi mais de dois meses. Dois meses de rejeição da mama. Pior ainda com a minha ansiedade. 

Depois, algures no tempo, foi tudo melhorando. Comecei a dar de mamar sentada. E a por-me de pé só de vez em quando. Comecei a não me por de pé. Ela já não chorava só por a por na posição de amamentar (tinha ganho trauma por lhe ter imposto tantas vezes), qualquer dia já a podia embalar nos meus braços como as mães fazem com os bebés. 

Ficou tudo normal. Ela mama. Ela pede maminha, verbaliza maminha. Grita por maminha durante a noite. Brinca com elas. Sorri quando olha para elas e, sempre que me lembro do nosso percurso (muito por alto), choro e fico orgulhosa de nós.

Faltava pouco para ir trabalhar e nada me parecia tarefa difícil depois de tudo isto. Tinha de armazenar leite. "Logo agora que isto está tudo bem é que me vou embora". Não conseguia tirar nada na bomba. Nada. Mas depois, fui trabalhar com uns belos 7 litros de stock no congelador (escrevi sobre isso aqui). 

Fui trabalhar. Ia com a bomba atrás. E com um coiso para manter o leite frio deste o congelador do trabalho até casa. Fiz isto. Tirei leite numa sala de reuniões. Vinha para casa e dava de mamar à Irene. Logo que chegava. Com saudades de lhe dar de mamar. 

Decidi e deixaram-me ficar em casa. A Irene continua a mamar sempre que quer.  Já lá vão 16 meses. E não dói nada. Já lá vamos em mais de 16 meses e, por isso, mais de 80% do tempo ou 90% tem sido perfeito. Ouvi-la pedir. Ir à procura delas. Ainda hoje me deixa derretida. 

Afinal sou mãe que dá maminha à filha. E estou muito muito muito feliz por isso. Tudo valeu a pena.

O que me fez lutar foi a minha noção de que se não fizesse tudo o que estava ao meu alcance, que nunca iria ficar em paz comigo própria. Tinha de dar tudo o que tinha, senão ficaria muito, muito triste. Ficaria triste quando visse outras mamãs a amamentarem, sempre que se falasse sobre isso, sempre que lesse um post sobre isso no Facebook ou num blogue, sempre que ela ficasse doente e não quisesse comer, etc.  

Juntas, conseguimos. Mais o Pai.

Valeu a pena. Vale. Valerá. Enquanto ela quiser. 



Mães que ainda não amamentam e que querem, não tenham medo que nem todas as experiências são assim. Esta foi só uma que começou mal. 

Mães que queiram muito dar maminha e que tenham dificuldades, peçam ajuda. Existe a linha SOS Amamentação e existem Conselheiras de Aleitamento Materno. Sabiam que até voltar a ter leite depois dele secar é possível? Força.

Mais posts sobre amamentação (alguns mais informativos e menos pessoais) aqui.

terça-feira, 14 de julho de 2015

O teu leite não é pouco nem fraco!

Sim, este texto é para ti. Tu que estás agora perante essa tarefa, muitas vezes hercúlea, de amamentar. Eu sei, nem sempre é fácil. Também, como tu, sofri muito. Pensei várias vezes em desistir. Pedia ao David para me apertar o pé enquanto a Isabel mamava da mama direita, para ver se me distraía daquela dor e se parava de chorar. Dei de mamar à frente de enfermeiras do centro de saúde para ver se era preciso corrigir a pega, mas não, estava tudo certo. Ela recuperava peso a olhos vistos, estava bem. Então por que é que me custa tanto, perguntava-me? Nunca tive resposta. Passou. A dor passa. E depois vem uma das sensações mais mágicas de sempre. 


Nem sempre é assim. Há quem não tenha uma única dor a amamentar. E há quem nunca chegue a gostar. Somos todas diferentes. Eu não teria sido pior mãe se tivesse desistido, naqueles dias em que só me apetecia morder a língua de tantas dores. "Nem o parto me custou isto", disse mil vezes. Compensou? Muito. Consegui ultrapassar um obstáculo dos grandes que, depois, me deu uma grande felicidade. Ver a minha filha crescer com o meu leitinho, sabendo que era o melhor para ela, enchia-me o coração. Além de todos os benefícios largamente conhecidos, quer para o bebé, quer para a mãe, amamentar sempre foi um ideal romântico para mim. Talvez por ter visto fotografias minhas, com quase dois anos, na praia, a mamar. Sempre achei que aquilo fazia sentido.

Ainda acho. Mas, depois de ter passado por aquele terrível mês, já não julgo. Não me vou esquecer nunca do que disse para mim mesma, repetidamente. "Percebo as mães que desistem. Percebo as mães que desistem." Percebo. Até hoje percebo.

Não percebo é quem nos está sempre a mandar bitaites sobre amamentação, sem dominar minimamente o assunto. Quem nos faz duvidar das nossas capacidades. Quem não acha normal o bebé pedir mama fora das 3 horas, de um relógio que só inventaram para nos stressar. Como se as pessoas tivessem relógios internos e comessem sempre a mesma quantidade e ficassem sempre satisfeitas a cada refeição. Como se a mama fosse somente para alimentar e não para confortar. 
 
Não percebo quem diz que a mama é um vício ou que se eles não largam a mama é porque o leite não é forte ou não é suficiente. É suficiente, sim! Estás a ler isto? Se praticares a livre-demanda, sem relógios, o teu corpo vai produzir precisamente o que o teu bebé precisa e vai-se adaptando às necessidades dele. Nunca ninguém nos explica isto, mas há picos de crescimento (por volta dos 7-10 dias, com 2-3 semanas, 4-6 semanas, 12-13 semanas, aos 4 meses, aos 6, aos 9...) e nessas alturas eles podem precisar mesmo de passar a vida na mama. É natural! É uma forma de comunicar ao nosso corpo as novas necessidades deles. Se tentares acalmar-te, respirares fundo, fizeres ouvidos moucos a quem te está sempre a deixar insegura, vais conseguir.

Vai por etapas. Eu, cheia de dores, pensei "dou um mês a isto". Depois que a tempestade passou, "vamos aos três meses pelo menos", até ir trabalhar. Depois, comecei a fazer reserva para prolongar a amamentação exclusiva, até aos 5 meses. Não, não fiz os 6 meses em exclusivo mas não sinto que tenha falhado. Ganhei, foi sempre tudo um bónus. Depois daquele mês infernal, depois de vários episódios de recusa - porque introduzi, estupidamente, o biberão (há várias formas de lhes darmos o nosso leite, para que não haja o nipple confusion) - foi sempre a somar. E estamos sempre a aprender. Da próxima vez, estarei mais informada e, sobretudo, mais confiante, por isso acho que vou conseguir prolongar a amamentação para lá dos nove meses, que foi a última vez que a Isabel mamou, depois de ter sido internada com uma pneumonia (e de eu, que dantes extraía litradas, não ter conseguido tirar mais leite). Ainda tentei, mais uma vez, com ajuda da Amamentos, voltar a amamentar, mas já não consegui. Se tenho saudades? Muitas. Mas agora posso não ter aquela coisa do "amor em estado líquido" de que tanto se fala, mas tenho Amor, muito, em estado sólido, gasoso, o que quiserem, a transbordar do meu peito. E esse basta-nos.

Se quiseres amamentar, tenta, pede ajuda*. Vai compensar.
Se não conseguires, se não quiseres, se não der mais, a vida segue. 
E serás tão Mãe como qualquer outra.


Outros textos sobre a minha experiência:
Amamentação: ultrapassei, com a 2a filha, o tempo da primeira!

Como sobrevivi ao primeiro mês de amamentação (dicas essenciais)


Amamentação: o que vou fazer diferente da 2a vez

Acabou-se a mama 


VÍDEOS EXCELENTES:
Este vídeo devia ser obrigatório para perceberem melhor como funciona a pega, as várias posições, a melhor postura do corpinho deles: é óptimo, mesmo, mesmo!
Este vídeo ajuda-nos a perceber como se extrai leite manualmente, para aliviar um bocadinho por exemplo na subida do leite (só consegui começar a extrair assim um mês depois).
AJUDAS:
*Amamenta Setúbal - devem ser todas fantásticas mas eu recomendo a Patrícia Paiva (quem me ajudou com a segunda filha)
Amamenta Lisboa
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O nosso canal de youtube é este.
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domingo, 12 de julho de 2015

Inventam tudo! #16 - Roupa para amamentar?

Esta rubrica nasceu para falarmos dos últimos gritos na área da puericultura. Se calhar para muitas de vocês já são gritos bem velhinhos e roucos, mas para quem entra recentemente neste mundo da maternidade, acreditem que é tudo, ou quase, novidade!

Ora, depois dos soutiens de amamentação, decidiram criar vários tops e vestidos para as mães que amamentam, dos quais destaco este modelito.




Já perguntaram no A Mãe Desbronca-se? que vestidos se leva a casamentos quando se amamenta e neste site (Milk And Baby) há algumas opções. 

Se eu acho muito necessário tudo isto? Não acho. Nunca precisei de roupa especializada para amamentar, ia de camisa para cima ou top para baixo em qualquer lugar e siga. Se até o Papa Francisco veio apoiar a amamentação durante as cerimónias da Igreja, não vamos ser mais papistas que o Papa. A propósito, recomendo este vídeo, com 4 razões para NÃO se amamentar em público. Hilariante.



Mas se a roupa prática, as fraldas de pano, os aventais de amamentação, for o que necessitam para se sentirem mais confortáveis a amamentar em espaços públicos e a não sentirem necessidade de se enfiar numa casa-de-banho, vamos a isso! 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A nossa poltrona

Já antes de saber se ia amamentar ou não, etc., sempre imaginei o quarto dum bebé com uma cadeira de baloiço ou uma poltrona. Na esperança de amamentar, investimos nisso (isto é: um dos avós ofereceu) e escolhemos esta no Ikea. Melhor coisa de sempre. Óptimo apoio nas costas, braços super úteis, os gatos não se passam com ela e não a arranham feitos fãs do Justin Bieber quando viram há pouco tempo que ele pôs uma fotografia do rabo no instagram. 

Foi a minha melhor amiga muito tempo. Passei a Irene para o quarto dela no 2º dia e passei muitas horas nesta cadeira. A dormir, acordada, meia a dormir ou meia acordada... E ainda passo. É o meu sítio preferido para lhe dar de mamar. E a primeira mamada da manhã que ficamos as duas na ronha a fazer festinhas uma à outra também é lá. 

Parte da nossa história é esta poltrona. Bem escolhida que, depois do próximo, virará uma cadeira para a sala, provavelmente para o Frederico se sentar e envelhecer lá mais um bocadinho. ;)

Invistam numa boa cadeira para o quarto. Para os adormecer, para dar mama e para os adormecer, para lhes dar mama, para miminhos... o que for. Uma boa cadeira, porque nunca devemos ter pressa nesses momentos e, por isso, temos de estar confortáveis. 













Poltrona - Ikea

T-shirt - Zara

Macacão - Laçarote

Autocolantes armário - Não me lembro (mas ninguém tinha reparado neles que eu sei)

Ilustração panda na parede - Marydoll

Pá - Ikea

Body no chão - Jumbo

Filha - Da mãe e do pai.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

a Mãe desbronca-se (#13) - Quando voltei à minha forma.

Gosto tanto que nos façam perguntas. Pessoalmente, faz-me sentir tipo um comentador de telejornal, que sou uma espécie de opinion-leader ou maker, apesar de não ter um rabo de interesse para vos dizer nas coisas que me perguntam. 

Se me fizessem perguntas sobre bowling. O melhor peso da bola para vocês, como fazer um bom lançamento ou um strike triplo, agora fazerem-me perguntas sobre emagrecimento é o mesmo que me perguntarem o que acho dos subsídios para a experimentação no campo do audiovisual. Hã? Pois.

Ora, apesar do "a Mãe desbronca-se" ser aqui e não no instagram, decidi na mesma dar atenção a esta leitora, toda das tecnologias que até tem um instagram e tudo (wow!). 





Ora, com a gravidez numa perdi a minha forma: a de um bacalhau. Sempre fui normal (para o mini cavalona por causa da natação) da parte de cima, mas chega à parte da barriga e parece que alguém me fez respiração boca à boca mas sempre a expirar e que, portanto, o ar nunca saiu.  

Mesmo assim mando grandas pernas e um rabo que sim senhor. A gordura vai toda para a barriga. Toda. 

Fui uma grávida muito elegante porque até o bebé foi só para a barriga. Não engordei nada a não ser na papada. Fiquei mais redonda na cara que um "esférico" do Estrela da Amadora (ainda existe?). 

Acho que cheguei a pesar 82 kg. Sendo que peso e pesava 68/70, nada mal! Ah! Meço 1m e 64cm não sou a torre que é a Joana Paixão Brás que, mesmo corcunda, consegue ser mais alta que 80% das pessoas que têm pipi. E 60% das que têm um pipi para fora.

Com a amamentação rapidamente foi tudo ao sítio (sabiam que é a melhor maneira de recuperar no pós-parto?) Com a falta de tempo para comer também. A Irene queria sempre mamar à hora das refeições (no fundo, queria sempre mamar, como deve ser em livre demanda) e o meu marido é que me dava a comida à boca enquanto eu tinha a mama de fora. Isso contribuiu e muito para que não comesse tanto. Bebia também muita água (ou tisanas) porque morria de sede sempre que estava a dar de mamar. 

Depois acho que andei duas semanas no Centro Pré e Pós Parto de Entrecampos, mas sentia-me a mais gorda e a mais desajeitada do grupo, além de que como não dormia bem, não achei que a minha prioridade fosse estafar-me mais para ficar elegante, mas sim DORMIR. Eram super amorosas comigo, principalmente a Patrícia que tinha imensa esperança em mim e que ainda hoje paira no meu Facebook. Chegou a oferecer-me um bolo depois de uma aula. É um amor, amor. Aliás, acho que a principal razão para ter desistido foi porque, aos 3 meses, a Irene e eu tivemos um desentendimento grande com a mama (crise dos 3 meses) e isso consumiu-nos de uma tal forma que nem saía de casa. 


Até pus o step à frente porque ainda nem conseguia encolher a barriga. Ahah


A do meio é mesmo a Joana Paixão Brás. Já não nos largávamos nesta altura. Awww. E a outra é a nossa amiga Cristina que é a gaja mais boa no pós parto que alguma vez conheci. Odeio-a. ;)

Acho que não foi isso que me emagreceu, foi só mesmo dar mama. Hoje em dia tenho uma elíptica no quarto que uso não para emagrecer mas para fazer um bocadinho de cardio porque não tenho uma vida muito activa e não quero começar a definhar. De resto, ao jantar como saladas, mas depois empanturro-me com bolachas, por isso... não sou exemplo para ninguém.

Sendo honesta: com isto da gravidez fiquei mais flácida na barriga (mal se nota, porque já era antes). Ficar em casa durante este tempo todo é que me está a engordar ;)

Esclarecida, Joana? ;)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Em que hospital?

Depois de ter contado o episódio pelo qual passei no hospital onde pari a Irene (escrevo deliberadamente parir por achar que "dar à luz" é demasiado criativo para o que é) aqui que fez com que saísse de lá com vários mini-biberões de leite artificial já preparado (para quem não esteja informada sobre os benefícios da amamentação, deixem-me resumir e dizer que é tão mau que, em muitos países, já é considerado crime), decidi ajudar as grávidas do processo de decisão relativamente ao hospital onde vão, lá está, "dar à luz". 

Vim a saber que o meu seguro não cobria o parto. Tinha de ser um parto com tudo a ver-se (por não ser coberto). Ah. Piada seca. Quer dizer que, se tivesse de parir num hospital privado, teria de ser eu a desembolsar mais de mil euros, certamente. 

Sendo assim, ficou no público. Até porque dizem que, quando há complicações nos partos nos privados, em última instância, são enviados para o público (será isto mesmo assim?).  

Não fiz questão de que fosse a minha obstetra a fazer o parto, porque acho que se dantes os partos até eram feitos sozinhos, não há de mudar muito de médico para médico. Digo eu. Se calhar até teria corrido bem melhor, apesar dela só fazer no privado.



A única desvantagem (que me incomodou realmente) de ter parido no público foi o Frederico não poder ter estado comigo o tempo em que estive internada. Após o parto teve de ir logo embora e só podia visitar-me, lá está, no horário das visitas.

Para além disso, mas isso não é desvantagem do público, é a desvantagem de não ser um hospital AMIGO DO BEBÉ, o pessoal do hospital não estava formado em amamentação, não tinha disponibilidade para me ajudar de forma produtiva com isso e, pelo contrário, até incentivava o consumo de leite artificial. 

Pouco tempo depois de ter escrito aquele post do qual falei ali em cima, saiu este artigo no Sapo LifeStyle. Muito útil, que vou passar a coiso para aqui. 

Por acaso já ouviu falar da Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés? 

Em 1992 a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram um programa mundial de promoção do aleitamento materno intitulado Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés (IHAB), internacionalmente conhecido como Baby Friendly Hospital Initiative (BFHI).



Esta iniciativa foi decidida com base nos resultados da investigação científica que aponta os benefícios do aleitamento materno para a saúde da criança e da mãe e se dirige ao momento considerado mais crítico para o sucesso de uma boa amamentação - o período de internamento por ocasião do parto.

 A Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés tem por objectivo a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno através da mobilização dos serviços obstétricos e pediátricos de hospitais, mediante a adopção das "Dez medidas para ser considerado Hospital Amigo dos Bebés".



(...)

Dez passos para ser considerado Hospital Amigo dos Bebés

1. Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, que deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipe do serviço.

2. Treinar toda a equipe, capacitando-a para implementar essa norma.

3. Informar todas as gestantes atendidas sobre as vantagens e o manejo da amamentação.

4. Ajudar a mãe a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto.

5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos.

6. Não dar a recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que tenha indicação clínica.

7. Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia.

8. Encorajar a amamentação sob livre demanda.

9. Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas.

10. Encorajar o estabelecimento de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar.

Em Portugal, fazem parte desta Comissão os seguintes hospitais

Hospital Garcia de Orta

Maternidade Bissaya Barreto

Hospital Barlavento Algarvio

Maternidade Júlio Dinis

Maternidade Dr. Alfredo da Costa

Hospital Fernando da Fonseca

Hospital São Bernardo Setúbal

Hospital Pedro Hispano

Hospital Nossa Senhora do Rosário Barreiro

Hospital de Santa Maria

ULSAM – Hospital de Santa Luzia

Por SAPO Crescer



Fica aqui a minha sugestão. ;) Se conhecerem mais amigos dos bebés, adicionem à lista! 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como consegui armazenar 7 litros de leite materno.

Se alguma vez pensei armazenar leite e muito mais do meu e quanto mais 7 litros. O que a minha vida mudou nos últimos anos. Dantes, as mamas serviam apenas para desviar a atenção da barriga em coisas menos justas, agora foram o que fez com que a minha filha crescesse. 

Um dia conto a minha experiência até a amamentação ser só uma coisa boa. Ainda não me apetece. Muitos pormenores e tenho de fazer um esforço grande para me lembrar. Pensei, porém, em tentar ajudar as mães que têm de ir trabalhar e deixar os filhotes com outras pessoas. 

Atenção que não se deve começar a tirar leite enquanto a amamentação não estiver estabilizada para não correr o risco de problemas por excesso de leite.




- Não é necessário comprar uma bomba de leite. Se já tiverem amigas mães, basta pedir-lhes. Se tiverem sido mães há relativamente pouco tempo, o modelo ainda será dos melhores e poupam um bom dinheiro. Também há empresas que alugam bombas de leite, como a GEOFAR. Também há vídeos que ensinam a tirar leite manualmente no youtube, mas não é muito a minha onda. 

- Tirar leite é uma experiência por si, muito semelhante à da amamentação em muitos casos: é preciso querer muito, estando consciente dos benefícios. 

Ok, sou "só" mãe. Não sou especialista no assunto, mas eis o que funcionou comigo: 

- Comecei a tirar leite 3 meses antes de voltar ao trabalho  (DICA MAIS IMPORTANTE DE TODAS)- a pressa é inimiga do armazenamento de leite. Assim, tive tempo para todos os dias em que não saía nem uma gota, para os dias em que só saiam 10 ml, os que saiam 30ml e os que saiam 90ml e isto das duas mamas.  Sem stress.  Tirar leite com a bomba é um processo que demora muito tempo até começar a resultar. Se, durante várias tentativas não conseguirem, não stressem. Vai acontecer e é menos tempo que falta para conseguirem. Eu demorei imenso, imenso tempo. Acho que foram precisas umas 20 tentativas para começar a sair alguma coisa. 

- Comprei sacos da Babies 'r' Us no Toysrus - são muitos e muito baratos, torna-se mais fácil arrumar o leite no congelador, sem roupar espaço a tudo o resto. São os mais baratos que já vi à venda e sem artimanhas de mandar vir da internet.  Atenção que há bombas que já vêm com o seu próprio sistema de armazenamento integrado e que, portanto, pode ser mais fácil ainda do que transferir o leite do recipiente da bomba para o saco. 

- Tirei leite imediatamente após as mamadas - como nunca sabia quando ia oferecer mama à Irene e não queria sentir que poderia ter mais leite se não tivesse estado a tirar leite uns minutos antes (apesar da mama nunca ficar sem leite - é uma torneira e não "um cantil", mas são coisas que nos passam pela cabeça à mesma). Achei que, ao tirar leite assim que lhe acabava de dar mama, estava a dar indicações ao corpo de que o bebé tinha continuado a mamar e num breve espaço de tempo, o meu corpo começaria a produzir mais por mamada. Assim foi. Tirei leite após praticamente todas as mamadas do dia. 

- Guardei pequenas quantidades por saco - já que são baratos, borrifei-me para isso. E como, na altura, ela beberia por volta dos 150 ml, guardava 50/60/75 mil por saco. Até porque raramente conseguia tirar mais das duas maminhas. Desta forma raramente desperdiçávamos leite ao preparar biberões. 

- Tinha a bomba sempre ao lado do sofá já preparada para a próxima colheita - às vezes dá-nos a preguiça e o melhor é já ter tudo preparado para não haver desculpas. 

- Distraía-me a ver televisão ou a ver fotografias e vídeos dela - convém estarmos distraídas porque quanto mais nos focarmos na quantidade que está a sair, menos sai. Inibimos a hormona de ejecção do leite (oxitocina). Essa hormona, também chamada hormona do amor, pode ser activada por estarmos a ver vídeos e fotografias deles. 

- Via programas com legendas - a bomba costuma fazer algum barulho, por isso, não havia Casa dos Segredos para ninguém quando tirava leite depois da mamada de a por a dormir.

- Especificidades da máquina - convém irmo-nos entendendo com a máquina. A minha, às vezes, deixava de fazer vácuo correctamente porque eu não estava a segurar bem nela ou porque, depois de a lavar, não a limpei com paciência e a água não ajuda ao processo. Há bombas que temos de estar imóveis, outras que não, como aquela a que já fizemos publicidade aqui no blogue e que é, de facto, muito mais confortável (vejam aqui)

- Vi isto como um desafio - é como correr aqueles minutos a mais na passadeira. No final, por termos conseguido aqueles kms extra, sentimo-nos as maiores. Neste caso, com mais o motivo de estarmos a prolongar o melhor tipo de alimentação para o nosso bebé. Senti-me a maior por me ter organizado tão bem, por ter sido tão insistente. Fui trabalhar sabendo que a Irene ia continuar a ter "as maminhas da mãe" por perto. Não é a mesma coisa, mas melhor que nada. :)

- Não adiei - não pensem que depois tiram todos os dias no trabalho. Eu sou super fundamentalista da amamentação e, se tivesse continuado a trabalhar, provavelmente não teria continuado a tirar leite (arranjaria maneira de trocar refeições dela para só continuar a beber leite materno, claro). Não tinha paciência. Levar a bomba, lavar a bomba... era uma chatice. Dêem o melhor avanço possível em casa. 


Não se esqueçam que existem grupos de apoio à amamentação no Facebook e existe a linha SOS Amamentação, ambos repletos ou de mães com experiência ou de conselheiras de aleitamento materno (CAMS).

Mais sobre amamentação no blogue? Carregar aqui.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A culpa foi do hospital.

E acredito mesmo nisso. Tudo bem que não sou médica nem enfermeira (se houver profissionais da saúde por aí, por favor, elucidem-me com factos e com bons argumentos, até porque gostava muito de acreditar que não se cometem crimes deste género em Portugal, que eu é que estou a ser estúpida). 

Gostava muito que tentassem ler o meu texto ignorando o facto de ser uma daquelas "fundamentalistas da amamentação", como as outras mamãs nos rotulam. Não tenho problemas com esse rótulo. 

Adiante. 



O meu parto foi complicado, blá blá, suspeitou-se que eu tivesse apanhado uma infecção e a Irene também e, então, a Irene teve de passar a segunda noite sem mim no hospital. Acho que isso quer dizer ficar numa sala ali ao lado. Tiveram de lhe controlar a febre, acho eu, fazer análises várias vezes e, por isso, ficou longe de mim. 

Quando voltou, veio uma enfermeira com ela ao colo e com uma garrafa de leite artificial a dizer: "Já viu? Ela bebe sozinha!" - parecia que a miúda estava a agarrar a garrafa sozinha.  

Confesso que, na altura, não era tão informada como agora e tinha as minhas mamas em sangue porque a enfermeira que a pôs a mamar em mim depois do parto, infelizmente não ajudou a Irene a fazer uma boa pega e, não tendo eu sensibilidade por estar toda drogada, ela esteve uma hora a mamar ao lado do mamilo, mas na aureola. Vi a Irene a beber o biberão, não gostei, mas pensei: "é só enquanto as minhas mamas estão assim, já volto a tentar". 

E tentei. Tentei durante o dia inteiro. Queria muito dar de mamar. Muito. Apesar dos meus mamilos, na altura, não parecerem grande espingarda para isso. Não queria desistir. Sempre que ela chorava, convenciam-me (os profissionais) de que era fome e lá lhe espetávamos mais um mini-biberão já preparado de leite artificial. 

Continuei a tentar. As enfermeiras também tentavam ajudar-me, mas "sempre de passagem". Nunca ninguém ficou ali comigo, a tentar perceber por que é que eu estava a chorar, por que é que eu estava a sentir-me falhada, a melhorar a pega...  Uma delas até pôs "um doce" (uns dias depois vim a perceber que podia ser Aero-Om - bitch please... tinha um dia de vida!) no meu mamilo para ver se a Irene agarrava melhor.

Saí do hospital muito triste com isto da mama. Só tinha colostro e fizeram-me crer que o que eu tinha para a minha bebé não era suficiente, que já me devia ter descido o leite. Tinham passado dois dias. Do que li, além dos bebés não precisarem mais do que o colostro nos primeiros dias, também não têm estômago para muito mais. E dar mais, faz-lhes mal. Alarga-lhes o estômago, entre muitas outras coisas. 

Viemos, com a simpatia das enfermeiras, apetrechados de umas 4 garrafinhas ou 5 daquelas do hospital (ainda me lembro da marca, claro, espertos os tipos da Nestlé) e depois comprámos uma lata na farmácia. 

A Irene andou a leite artificial durante os primeiros dias de vida. 

Não morreu, não. Mas ficou alérgica à proteína do leite de vaca. 

Está mais do que provado que um contacto tão precoce com leite artificial pode provocar esta reacção do organismo. O hospital onde tive a Irene não era "amigo do bebé", não tinha os devidos apoios para a amamentação (deviam ser todos os hospitais "amigos do bebé ou não"?) e, então, lá distribuíam aquelas garrafinhas de leite que, na altura, pareciam mágicas. 

Assim que me desceu o leite, passei a amamentar a Irene em exclusivo até aos 6 meses. Custou-me muito. Um dia falo sobre isso. Tivemos de ultrapassar, em família, muitos desafios e com muita perseverança. Muita mesmo. Conseguimos e é a minha coisa preferida de sempre, dar maminha.

Aos 6 meses, eu ia trabalhar e as papas que fazíamos com o meu leite ficavam demasiado líquidas para o meu marido (que ia ficar com ela) lhe dar. Ficava enervado e eu não queria que o momento deles fosse assim, não iria ficar descansada. Pensei: "também, se for uma papa com leite artificial, não há de morrer por causa disso". 

Passado uma semana ou duas, teve uma reacção enorme de alergia ao leite artificial da papa, vieram cá, de ambulância, observá-la e tivemos de ir para o hospital para ela apanhar uma injecção de adrenalina. 

Desde aí, só leite da mamã e muito cuidado para não comer nada com leite. Nada. Nem as bolachas Maria da Isabel da Joana Paixão Bras, o que me ia escapando. Ainda para mais, quantas mais vezes se contacta com o que provoca a alergia, pior o ataque. 

Tive também de deixar de consumir tudo que fosse de leite ou contivesse leite e derivados. Sabendo que não lhe iria fazer bem, não tive outra hipótese.



Para confirmar que era alérgica à proteína do leite de vaca (APLV), tivemos de fazer análises ao sangue da Irene. Foi a pior coisa da nossa vida. Tiveram de picá-la mais de 15 vezes em cada braço. Não conseguiam encontrar uma veia com sangue suficiente e, assim, o sangue também coagulava mais rápido. Chorei. Chorei. Chorámos. Chorou. Parou de chorar como medida de protecção do cérebro por causa do nível de stress (cortisol). E foi aí que os mandei à merda: "não mexem mais, não quero saber". Já tinham o suficiente para a análise à alergia, era o que interessava (escrevi sobre isso aqui). 

Uma alergologista, colega da nossa pediatra, disse que não podíamos averiguar se ela ainda é APLV ou não, dando-lhe leite sem antes fazer análises ao sangue. Fora de questão. Fora de questão.

Fomos pedir uma segunda opinião e hoje fomos fazer testes de alergia cutâneos (aqueles das mini picadinhas com gotas) e... que descanso. Se foi o melhor dia das nossas vidas? Não. Muito demorado. Estivemos no hospital desde as 9h30 até ao 12h30 sempre a dar gotinhas de leite para ver como reagia. 


(sim, era para mostrar a tatuagem :))




E, pelos vistos, agora está boa!

Temos de ir introduzindo as coisas com cuidado e vamos começar com iogurtes (ainda tenho de investigar se são uma mais valia ou não). 

Isto tudo seria desnecessário se o hospital não cometesse este género de crimes. Sabiam que, no Brasil, dar leite artificial aos bebés no hospital é crime? Foi o que me disse uma obstetra. Se houver aí gente do Brasil que me ajude a esclarecer melhor isto.

Fica o aviso para as mamãs to be. Escolham hospitais "amigos dos bebés" ou informem-se o máximo que puderem sobre amamentação antes ou orientem já uma estratégia de apoio caso seja necessário. 

Há ajuda na Linha SOS Amamentação e em vários grupos no Facebook sobre amamentação. Procurem por Conselheiras de Amamentação (CAM). 

Não quero que passem o mesmo com os vossos bebés que eu passei. Podia ter sido pior? Podia. Podia nem sequer ter sido? Epá, podia. 

A culpa também foi minha que devia ter-me informado, mas continuo a achar que isto não deveria acontecer em lado algum, muito menos num hospital. 

Pelo menos que me informassem dos riscos, tal como fazem quando há operações ou recomendam medicamentos esquisitos. 

É isto. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Acabei ontem a minha tatuagem em homenagem à Irene.

E acreditam que agora não doeu nem metade? Acho que da primeira vez doeu mais por causa da ansiedade, por não saber ao que ia. Agora até estava relaxada e, na conversa, tudo vai passando. Já vos tinha mostrado a minha tatuagem no final da primeira sessão (vejam aqui), mas não podia deixar de vos mostrar o resultado final. 

Se estiverem a pensar em fazer uma, pensem apenas no conceito e deixem a Tânia trabalhar. É bem melhor ter algo no vosso corpo para sempre que seja feito por um artista e não só copiado do Google. 

Ora, para rever a questão, fica aqui o desenho que a Tânia Catclaw fez (é uma tatuagem desenhada, é uma obra de arte):

Tinha-lhe pedido que fizesse algo que tivesse que ver com ser Mãe e com gostar de dar de mamar à Irene, por ambas as coisas me terem mudado tanto. Já há anos que queria querer fazer uma tatuagem e, desta vez, tinha tudo para fazer com que acontecesse. Ainda por cima a Irene adora ursos (que sorte!).




Ontem fui acabar a tatuagem e ficou perfeita. Adoro-a. Obrigada, Tânia, por me teres cortado as banhas dos braços. 

Sei que nem todas as mães sentem a necessidade de marcar algo que já é tão marcante só por si, mas mais alguma maluca por aí? 

Gostam? :) 

A Tânia aceita marcações pelo Facebook, vejam o trabalho dela para se inspirarem. 

Ficam aqui alguns dos últimos de que gostei mais: 






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Comunico muito pouco com o meu cérebro.

Comunico muito pouco com o meu cérebro no dia-a-dia. Não gosto de entrar em diálogo. Gosto de sentir, fazer e pronto. Isto leva a que cometa erros muito simples constantemente. Os mais comuns são errar profundamente na escolha do tamanho do tupperware para guardar comida, mas mesmo de forma preocupante. 

Não sei se já disse aqui, mas é um exemplo que dou frequentemente: com aquelas caixinhas de enfiar as peças de formas diferentes (a estrela, o cubo, o cilindro, etc), em vez de olhar onde é que a estrela deve caber, prefiro fazer à bebé e tentar em todas primeiro. Não me importo por perder mais tempo se falhar, porque se acertar sinto-me a maior do mundo por ter sido muito rápido. É, no entanto, uma experiência dolorosa para quem goste de mim e esteja a olhar. Tenho a certeza que muitas das vezes o meu marido trauteia uma música triste para dentro enquanto me vê a fazer estas coisas, tentando imitar um anúncio de pedido de contribuição monetária para uma coisa de solidariedade. 

Imagino o copy (com uma voz muito bem colocada e séria): 

"Tem quase 30 anos. Já é mãe. É incapaz de pensar por um segundo que seja. [isto enquanto estou feita parva, de língua de fora, a tentar acertar com a estrela no cubo]. Isto já é a seguir de pena. Isto é triste."

Aqui ela tinha 1 dia de vida. <3


Eu gosto de fazer coisas parvas. Gosto de me rir comigo própria. Raramente falho em coisas importantes (aí estou mais atenta), por isso não tenho vergonha.

Ficar meia hora a descobrir como se abre um copinho da Avent pode ser um embaraço para a maior parte, mas eu rio-me sempre que penso nisso. Ter demorado mais de meia hora aos 15 anos a descobrir como se montava uma tábua de engomar, também. Tentar enfiar 5 litros de sopa num tupperware para guardar molhos... Ligar a água para tomar banho, estar no modo de chuveiro e ficar toda encharcada.  A última gira é terem começado a aparecer fraldas sujas no cesto de roupa suja e não sei se sou eu ou o Frederico, sequer. 

Isto claro que piorou desde que a Irene nasceu e estou sempre cansada por não dormir bem. Os acidentes durante a noite são os mais parvos. Também vos acontece? 

Eu não ligo nenhuma luz à noite. Gosto de me armar em super-mulher, com super-poderes e vou (sem usar as mãos para ir apalpando) percorrendo o caminho para o quarto da miúda. Já bati com o focinho em portas, já dei uma biqueirada na mesinha de cabeceira, ja ia tropeçando numa pantufa e nem uso pantufas, já dei umas patadas nos gatos que adormecem em sítios perfeitamente imbecis de vez em quando. 

A que aconteceu (se não foi ontem, foi há muito pouco tempo) foi ter posto a Irene ao colo para mamar e nada acontecer. Ela estar a chorar e não pegar na mama que tinha posto de fora. Esquisito. Depois lá percebi que tinha pegado na miúda ao contrário. Ela tinha ficado ao contrário na cama, dentro do saco de dormir. Peguei nela com a cabeça virada para o chão (imaginem acordar assim e a mãe pegar assim em vocês) e depois fiquei à espera que os pés dela mamassem. Pensei: "a miúda está estragada!", mas não. Tem uma mãe parva e cansada. 

Sei que não sou a única, mas fica a dica: os pés não mamam. 


domingo, 5 de abril de 2015

A minha filha foi-me às mamas!

Nunca me tinha acontecido!

Já tinha visto, no Jardim, uma mãe a ser completamente assediada pelo seu filhote de um ano e tal, a por-lhe as mãos no decote a tentar por as maminhas da mãe para fora.

Pensei: "era giro que a Irene um dia fizesse isto!". Não por ser super destemida e não me importar com o embaraço de uma possível situação dessas em público, mas porque a Irene nem sempre amou as maminhas da mãe. Teve um episódio de recusa aos 3 meses que foi muito difícil de ultrapassar mas que, em família, conseguimos.

Agora de certeza que as "mamis" são uma das coisas preferidas dela. Pede "mami" para ir dormir e foi-me às mamas quando lhe estava a vestir o pijama.

Não estava nada à espera.

Adorei. Adorei. Adorei.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Força, suas leiteiras (#03)

... vamos a isto?

A missão de informar mamãs que optem por amamentar é complicada, mas nem A Mãe é que sabe nem a CAM Patrícia Paiva nos importamos com isso!

Aqui está o preambulo da entrevista que começou neste e que, depois, seguiu para este e agora cá estamos:
Estarmos informadas sobre a amamentação serve para podermos ser uma fonte de apoio para as mães que optem por amamentar e que possam passar por algumas dificuldades (nem sempre há problemas).

É também muito importante para não sermos repetidoras de informação incorrecta, porque tal pode ser o factor decisivo para a desistência de algumas mães.

A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses. Além de estarem provados os benefícios da amamentação prolongada (com desmame natural), a OMS também sugere a amamentação até, pelos menos, os dois anos de idade.

A questão é: serão as possíveis dificuldades na amamentação que provocam tantas desistências ou será a falta de informação?

Para tentar ser mais produtiva neste assunto e com a ajuda de uma amiga (Patrícia Paiva, co-fundadora do projecto Mamar ao Peito cujo site está cheio de informação útil):

21 - Onde é que as mães podem encontrar CAMs?

Felizmente hoje em dia já há CAMs espalhadas por todo o país. E para encontrar uma é apenas necessário fazer uma pesquisa na internet. Existem vários sites com o contacto de CAMs, divididos por localidades, ou até mesmo no facebook temos grupos de apoio onde se podem encontrar esses mesmos contactos. Em alguns centros de saúde, normalmente aqueles que têm cantinho de amamentação, também há CAMs disponíveis para ajudar.

22 - Por que é que as mulheres que defendem a amamentação são sempre chamadas de fundamentalistas?

Acho que a maternidade em geral é algo que mexe muito com as mulheres e as mulheres que amamentam e que gostam muito de o fazer, querem passar a mensagem, para que outras mães descubram o quanto pode ser fantástico. Por isso podemos ser mal entendidas pela forma fervorosa como falamos do assunto, mas eu penso que não seja por mal, eu própria por vezes entusiasmo-me a falar de amamentação, porque foi algo que realmente despertou uma grande paixão em mim, mas umas das coisas que aprendemos no curso de CAM é a moderar a forma como falamos e a escutar as mães, e é isso que tento sempre fazer, algumas vezes com mais sucesso que outras.

Além disso, muitas mães acham que somos radicalmente contra determinadas coisas, como a introdução de chuchas, do suplemento ou alimentação complementar, amamentação com horários… 

A questão é que estas são coisas que podem realmente influenciar o decurso da amamentação, e algo como um simples biberão de leite antes do bebé dormir pode levar a um desmame precoce, mas não obrigamos ninguém a seguir as nossas recomendações e tentamos adoptar os nossos conselhos à realidade familiar de cada mãe.

23 - Será que, algum dia, a amamentação voltará a ser a norma?

Eu espero que sim, porque é realmente algo muito importante para os bebés e para a saúde em geral. Mas para isso é preciso que esta seja novamente normalizada, que se vejam cada vez mais bebés a mamar, quer seja no café da esquina, na televisão ou nas revistas. Porque vemos tantas vezes bebés com chucha e biberão, e desde muito pequenas essa é a imagem que nos é passada,  e infelizmente passamos a achar que isso é que é o normal. Mesmo os anúncios aos leites artificiais começam com o bebé a mamar, e depois aparece com um biberão a beber outro leite, e isso passa a mensagem de que é algo natural, que tem de acontecer obrigatoriamente a um determinado momento do seu crescimento. Mas essa não é a verdade,  há crianças que nunca beberam leite artificial, que mamaram até à altura do seu desmame fisiológico e a partir daí passaram a beber o leite da família ou nenhum.

24 - Quais são as principais dificuldades da amamentação? 

Penso que os primeiros meses serão os mais complicados, é uma adaptação muito grande e um momento de aprendizagem quer para a mãe, quer para o bebé. A adaptação à mama, a interpretação dos choros, os medos inerentes à chegada do bebé… Além disso, há as dificuldades que podem surgir, que acontecem a algumas mães, como as gretas, os ingurgitamentos ou as mastites, entre outras. Acho que todas as mulheres deviam sair do hospital com informação correcta sobre amamentação, a saber fazer uma massagem manual, e o contacto de uma CAM, caso seja necessário. 

O ideal seria que houvesse grupos de apoio, que podem ajudar muito ainda na gravidez, apenas mostrando como os bebés mamam, visto que é algo que muitas grávidas nunca viram, e explicando o que é natural e o que pode ser sinal de alerta. Antigamente essas informações passavam de mãe para filha, hoje em dia perdeu-se um pouco a sabedoria da amamentação e mesmo as avós que amamentaram dão informações erradas, baseadas em preconceitos, ou influenciadas pela publicidade que é feita aos biberões e aos leites artificiais.

Passada esta fase inicial, há os picos de crescimento, onde costumam haver desmames por falta de confiança na qualidade ou quantidade do leite, mas são apenas alturas em que o bebé precisa de mais leite e por isso pede mais vezes.

A partir daí, se a mãe conseguir ignorar os incentivos ao desmame, que podem vir de várias pessoas, quer seja da família, amigos, ou de profissionais de saúde, é só acrescentar dias, meses e anos ao decurso da amamentação.

25 - A falta de confiança própria das mulheres é um grande obstáculo. Grande parte do papel das CAM é de apoio psicológico, certo? 

Infelizmente, sim. Hoje em dia mais facilmente acreditamos em coisas artificiais do que naturais, as mulheres não vêm o leite que é produzido e não conseguem confiar no seu corpo e nos seus bebés. Temos muitos acessórios à venda para amamentação, desde suplementos para aumentar a produção, até bombas para extracção, quando o que é realmente necessário é apenas uma mama e um bebé, alguma calma e privacidade nos primeiros tempos, para que mãe e bebé consigam entrar em sintonia e aprender um com o outro. É claro que há situações em que apenas a confiança não chega, em que pode realmente ser necessária alguma ajuda especializada, mas não em tantos casos como os que aparecem. 

O ideal seria que o apoio viesse das próprias mulheres, das mães, da família, mas muitas vezes esses são os primeiros a minar a confiança da mãe, com conselhos errados, ou apenas com comentários inconvenientes. Mesmo as avós que amamentaram, têm alguma dificuldade em apoiar a mãe que quer amamentar, porque são minadas por imagens de bebés a biberão, e basta o bebé chorar uma vez para dizer “Se calhar está com fome!”, e aí começa a insegurança da mãe…

26 - O que podemos fazer, enquanto mulheres, para ajudar as outras mães?

Eu acho que as mulheres deveriam juntar-se mais, criar grupos de apoio, não apenas nas redes sociais, mas também nas suas localidades. Os primeiros meses com um bebé podem ser muito complicados, e estar com outras mães que têm bebés e que podem falar um pouco da sua experiência, pode ser o suficiente para que as coisas corram melhor. Há mulheres que nunca viram um bebé a mamar, por isso acho importante que essa imagem seja cada vez mais normalizada, por isso amamentar quando o bebé pede, mesmo que seja em público é uma forma de mostrar a outras mulheres, possíveis mamãs, que é possível amamentar, de uma forma natural, sem dores.

27 - Por que é que é tão difícil aceitar, a nível social, a amamentação prolongada?

Acho que é por falta de conhecimento, a maioria das crianças que mama até mais tarde, não o faz a toda a hora nem em qualquer lugar, sendo que as mamadas normalmente ocorrem em casa, longe dos olhares de outras pessoas. Por isso quando se fala no assunto ou quando uma criança pede para mamar, as pessoas estranham, acham que não é normal. Mas do conhecimento que eu tenho é mais comum do que se pensa, simplesmente é um tema tabu, do qual não se fala nem se vê. E quando se fala, na televisão por exemplo, normalmente é para criticar ou para fazer comédia, o que piora um pouco a ideia que se tem da amamentação prolongada.

28 - Por que é que há mulheres que dizem orgulhar-se de não ter dado de mamar?

Não faço ideia, até porque não conheço nenhuma, já li alguns posts em blogs sobre o assunto, e a maioria das mulheres que decide não amamentar, ou que critica as mulheres que o fazem, tem uma ideia errada da amamentação.

29 - Há algum leite, para o bebé, que seja minimamente aproximado ao ponto de não interessar se tanto é materno ou não?

Não, é impossível criarem um leite que seja equivalente ao leite materno, até porque o leite materno adapta-se ao bebé que está a bebê-lo e à sua fase de crescimento. O leite materno tem componentes vivos, que se alteram conforme a duração da amamentação e isso é algo que não se pode imitar. Como diz o Dr. Carlos Gonzalez, o leite artificial está em constante investigação exactamente porque está longe de ser perfeito para os bebés, não se tem conhecimento de que nenhuma marca tenha encerrado os seus laboratórios por já terem descoberto a fórmula necessária para os bebés, ao contrário do leite materno.

30 - Os bebés que estão à mama, têm mais cólicas?

O leite materno é o alimento ideal e adaptado ao bebé, tem componentes que ajudam na digestão, e a mama não liberta ar, ao contrário do biberão, portanto faz sentido que este ajude na digestão e não o contrário. No entanto, as cólicas é o nome que se dá ao choro e agitação do bebé, e não há uma explicação científica comprovada que define o seu motivo. Quando a mãe indica que o bebé tem cólica, tento perceber o motivo que a leva a pensar isso, porque o bebé pode apenas precisar de mais contacto, mais mama, mais colo e a mãe entender como cólicas e não responder a esses pedidos do bebé. Em alguma situações, em que percebo que efectivamente o bebé está realmente com dificuldades na digestão, sugiro alguma massagens, andar com o bebé em posição fetal, preferencialmente com a ajuda de um porta-bebés ergonómico, e tento acalmar a mãe, o que por vezes é suficiente para acalmar o bebé. Outra situação que pode ocorrer, é que o bebé não tolere bem algo que a mãe coma e, apesar dos alimentos não influenciarem muito a composição do leite materno, algumas intolerâncias podem influencia a forma como o bebé digere o leite, sendo que a mais comum é a intolerância ao leite de vaca, mas normalmente estas intolerâncias têm mais sintomas associados além do choro.


Ainda haverá parte 4 ;)